Didática

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Esta página ou secção não cita nenhuma fonte ou referência, o que compromete sua credibilidade (desde junho de 2010).
Por favor, melhore este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes, inserindo-as no corpo do texto por meio de notas de rodapé. Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoScirusBing. Veja como referenciar e citar as fontes.

A palavra didática (AO 1945: didáctica) vem da expressão grega Τεχνή διδακτική (techné didaktiké), que se pode traduzir como arte ou técnica de ensinar. A didática é a parte da pedagogia que se ocupa dos métodos e técnicas de ensino, destinados a colocar em prática as diretrizes da teoria pedagógica. A didática estuda os diferentes processos de ensino e aprendizagem. O educador Jan Amos Komenský, mais conhecido por Comenius, é reconhecido como o pai da didática moderna, e um dos maiores educadores do século XVII.

Didática é um ramo da ciência pedagógica que tem como objetivo de ensinar métodos e técnicas que possibilitam a aprendizagem do aluno por parte do professor ou instrutor.

Os elementos da ação didática são:

História[editar | editar código-fonte]

Entre os anos 20 e 50[editar | editar código-fonte]

Nesse período, a didática praticada era a da Escola Nova, que buscou superar os postulados da escola tradicional, trazendo assim uma reforma interna no ensino. O movimento da escola nova defendia a necessidade de partir dos interesses das crianças, abandonando a visão delas como "adultos em miniatura" e passando a considerá-las capazes de se adaptar a cada fase de seu desenvolvimento. Foi a fase do "aprender fazendo", momento em que os jogos educativos passaram a ter um papel importante no dia-a-dia das escolas. Entre seus principais defensores encontram-se Anisio Teixeira, Fernando de Azevedo, Lourenço Filho, Cecília Meireles.

Entre os anos 60 e 80[editar | editar código-fonte]

Nesse período, a didática assumiu o enfoque teórico numa dimensão denominada tecnicista, e deixou o enfoque humanista centrado no processo interpessoal, para uma dimensão técnica do processo ensino-aprendizagem.

A era industrial fez-se presente na escola, e a didática era vista como uma estratégia objetiva, racional e neutra do processo. O referencial principal do ensino era a fábrica, e sobre ela se construiram as práticas educativas e as conceitualizações referentes à educação.

Dos anos 90 até a atualidade[editar | editar código-fonte]

A didática tornou-se um instrumento para a cooperação entre docente e discente, para que realmente ocorresse a evolução dos processos de ensino e aprendizagem. Para isso é importante o comprometimento, o esforço e o exercício de suas técnicas em ambos os lados, para que o conhecimento realmente seja transmitido do professor para o aluno.

Educação Expressiva - Um Novo Paradigma[editar | editar código-fonte]

Segundo a Dra. Marcelli Ferraz, em sua obra Educação Expressiva - um novo Paradigma Educativo, 2011: A Educação Expressiva se define pelo estímulo de expressões não verbais em contexto educativo, socio-educativo, em sala de aula ou em educação comunitária, com a finalidade de promover a formulação do conhecimento e o desenvolvimento de competências humanas.

Por expressão não verbal entendemos ser tudo que não utiliza a palavra falada, a fala estruturada, ou o diálogo consciente, como forma central de expressão e comunicação. Centram-se na expressão não verbal, estimulada através do uso de mediadores e técnicas expressivas, que valorizam o sentir, a emoção, as memórias, os sentidos, e foge da estrutura racional do discurso, da fala e da oratória.

Antes mesmo do surgimento evolutivo do homo sapiens sapiens, e do surgimento da linguagem estruturada, os hominídeos já se comunicavam de maneira muito organizada através da utilização de formas não verbais de comunicação, que se materializavam na pintura, na dança, nos rituais e em outras formas. Desta maneira, podemos observar que a comunicação não verbal, seja ela artística ou de outra dimensão criativa, é um atributo da própria natureza humana.

A introdução do conceito expressivo na educação, por mais disperso que à princípio pareça ser, preconiza a construção de conhecimento, através de um processo ensino-aprendizagem que leva o indivíduo a aprender, a saber pensar, criar, inovar, construir conhecimentos, participar activamente de seu próprio crescimento, sempre orientado pela sua experiência, de seus pares e os facilitadores do processo conhecimento - os Educadores Expressivos. Permitindo assim, que ao indivíduo apoderar-se do único ser que ele é, expressar-se e através da relação interpessoal que estabelece com outros (grupo ou Educador Expressivo), reconhecendo em si e nesta relação o conhecimento que traz e constrói com o outro.

Esta nova forma de pensar a Educação pressupõe que educar significa, portanto, propiciar situações, experiências e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento biopsicossocial do indivíduo através de mediadores expressivos, tais como a expressão artística, plástica, dramática, lúdica, musical, entre muitos outros.

Didática e currículo[editar | editar código-fonte]

O termo currículo aparece pela primeira vez com o significado de planificação do ensino na obra de Bobbit The curriculum, em 1918.

A princípio didática e currículo se desenvolveram de forma paralela, sem a interferência de uma no campo da outra, referindo-se cada uma a conteúdos, sujeitos e finalidades diferentes. Somente a partir dos anos 60 o currículo começou a formar parte do campo da didática, alternando-se sua incumbência segundo predominava uma forma ou outra de entender a educação e a didática.

A tendência atual considera imprescindível uma integração entre currículo e didática, esta favorecendo o trabalho de aula. Os estudos curriculares tendem a aspectos mais globais, expondo como se realiza a seleção e organização do conhecimento, e como esse processo de seleção não é neutro, favorecendo a certos grupos frente a outros.

O enfoque curricular há de ampliar o "que", o "porque", o "para que" e, em que condições há que levar-se a cabo o ensino, mas sempre colocando no centro de suas considerações o aluno. Para que estes conteúdos curriculares cumpram seu objetivo é necessária uma adequada seleção e uso acertado das melhores estratégias didáticas, que não poderão ser independentes do conteúdo, dos objetivos e nem do contexto. É importante para atingir as metas pretendidas uma estreita colaboração entre a elaboração do currículo e a escolha de estratégias didáticas.

A Pedagogia do teatro (essencialistas e instrumentalistas)[editar | editar código-fonte]

Neste contexto a prática teatral dentro da escola tem se fortalecido. Conforme define Ricardo Japiassu, em seu Metodologia do ensino de teatro (pg. 40), o ensino de teatro possui em síntese duas formas de abordagens: a abordagem instrumental do "jogo dramático" inspirada nos escritos do inglês Peter Slade e a abordagem essencialista ou estética proposta pela norte-americana Viola Spolin, por estar fundamentada nos aspectos intrínsecos da forma e prática teatral.

O conceito particular de Jogo Teatral de Viola Spolin, assim como a sua prática intensa no Brasil, desde a década de 1980, tem construído uma forma específica de elaboração, aplicada tanto na educação formal escolar, como em ações culturais, assim como uma projetado intensa elaboração teórica. Para um detalhamento da abordagem essencialista ver:

Abordagem instrumental da prática teatral (arte como ferramenta de aprendizagem)

A abordagem instrumental procura utilizar elementos da prática teatral para desenvolver aspectos a serem desenvolvidos por outras disciplinas na Educação. O teatro na escola, nesta perspectiva, valoriza a "livre expressão", um conceito fundamental para o anarquista Freinet, motivando os alunos a se expressar livremente a partir do que se considera as necessidades vitais do ser humano: criar, se expressar, se comunicar, viver em grupo, ter sucesso, agir-descobrir e se organizar. Os suportes para a livre expressado de Freinet eram múltiplos, a palavra oral e escrita, a música, o teatro. Algumas premissas podem ser vistas abaixo:

Como defesa deste procedimento, podemos ver o trecho a seguir: Existem fatores comportamentais que impedem o aluno de assimilar o que é ensinado em sala de aula, inibição e dispersão são problemas que se sobressaem, e notadamente prejudicam o relacionamento professor-aluno. Pensando nisso, acredita-se que a inserção didática do teatro, como recurso facilitador estratégico da aprendizagem, seja uma ferramenta de grande relevância, muito embora alguns lingüistas discordem dessa hipótese.

Para os defensores da posição instrumental vale tentar esse mecanismo quando se pensa que o teatro auxilia na conjugação verbal, na dicção e clareza das idéias linguísticas e subjetivas, na formação de palavras em si. Além disso, a postura do aluno como ser social, no que se refere ao relacionamento com seus semelhantes. A criança precisa aprender a exercitar a socialização do seu pensamento.

O teatro inserindo como estratégia instrumental de ensino, não objetiva que o aluno se transforme em um ator ou atriz. Utiliza-se, para a educação infantil, como exemplo, o estímulo da oralidade, benéfico na prontidão da leitura e da escrita. O saber das variações na língua com sons e conjugações diferentes auxiliam no desenvolvimento fonoaudiológico da criança. A dosagem da expressão teatral, consideram seus proponentes, deve ser individualizada, considerando que o objetivo didático é favorecer a desinibição dos tímidos e abrandar os hiperativos.

O tríptico didáctico[editar | editar código-fonte]

A designação de "tríptico didáctico" foi avançada por Isabel Alarcão (1997) para designar a tripla dimensão ou a multidimensionalidade da didáctica: a didáctica investigativa, a didáctica curricular e a didáctica profissional. A primeira diz respeito ao trabalho do investigador nesta disciplina; a segunda refere-se à formação curricular, inicial e/ou contínua, em didáctica dos formadores e futuros formadores; finalmente, a terceira, refere-se às práticas dos professores no terreno escolar.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Obra Editora Publicação Autor(a)
Improvisação para o teatro Ed. Perspectiva 1978
tradução da edição de 1963
Viola Spolin
O jogo teatral no livro do diretor Ed. Perspectiva 2000. Viola Spolin
Jogos teatrais: O fichário de Viola Spolin. Ed. Perspectiva 2000 Viola Spolin
O jogo teatral na sala de aula. Ed. Perspectiva 2007 Viola Spolin
Jogo Dramático Infantil Ed. Summus 1978
100 pgs. Reduzida pelo próprio autor - Child Drama
Peter Slade
Expresion Dramatica Infantil Ed. Santillana Espanha 1978 - 520 páginas Peter Slade
Child Play, Its Importance For Human Development Editora: Jessica Kingsley 2001 (340 páginas)
Revisão de Child Drama (1978)
Peter Slade
Metodologia do Ensino de Teatro Ed. Papirus 2001 Ricardo Japiassu
Linguagem Teatral Na Escola Ed. Papirus 2007 Ricardo Japiassu
Texto e Jogo Ed. Perspectiva 1999 Ingrid Koudela
Brecht na Pós-modernidade Ed. Perspectiva 2001 Ingrid Koudela
Jogos Teatrais Ed. Perspectiva 2006 Ingrid Koudela
Brecht: Um jogo de aprendizagem Ed. Perspectiva 2007 Ingrid Koudela

Artigos[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Nuvola apps kdmconfig.pngCampos de estudo da Educação
Administração escolar | Arte-educação | Biologia educacional | Distúrbios da aprendizagem | Educação de adultos | Educação inclusiva | Educação popular | Filosofia da educação | Medidas educacionais | Metodologias de ensino | Necessidades educativas especiais | Orientação educacional | Pedagogia | Politicas educacionais | Psicologia da aprendizagem | Psicopedagogia | Sociologia da educação | Supervisão do ensino | Tecnologias educacionais | Psicologia do desenvolvimento | Teorias da aprendizagem
Ensino por tema: Alfabetização | Educação sexual | Educação matemática | Ensino da língua materna
Níveis de ensino: Educação infantil | Ensino fundamental | Educação especial | Ensino médio | Ensino superior
Rankings internacionais: Índice de alfabetização | Programa Internacional de Avaliação de Alunos | Índice de educação