Estêvão I da Sérvia

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Estêvão I
Grande Príncipe
Rei da Sérvia
Stefan Nemanjic crop.jpg
Estêvão I por Anastas Jovanovic, 1851.
Governo
Reinado 1196 - 1228
Coroação 1217
Consorte Eudóxia Angelina (1186-1198)
Ana Dandolo
Antecessor Estêvão Nêmania
Sucessor Estêvão Radoslau
Dinastia Nemânica
Vida
Nascimento ca. 1165
Morte 24 de setembro de 1228
Sepultamento Monastério de Morača
Filhos Estêvão Radoslau
Estêvão Vladislau
Estêvão Uroš
Sava II
Pai Estêvão Nêmania
Mãe Anastasija

Estêvão Nemânica ou Estêvão I, dito Nemanjić ("o Primeiro-coroado"), foi um rei da Sérvia medieval entre 1199 e 1228.

História[editar | editar código-fonte]

Era o segundo filho de Estêvão Nêmania e de sua esposa Ana. Com a morte do pai, recebeu a coroa de Príncipe da Ráscia. Seus outros irmãos tomaram o poder sobre diversos principados sérvios: Vukan governava a Dóclea e Ratsko, a Zaclúmia. Logo Estêvão e Vukan entraram em conflito, apoiados respectivamente por Kaloyan da Bulgária e por Henrique da Hungria com o Papa Inocêncio III: o Segundo Império Búlgaro e o Reino da Hungria almejavam, de fato, à conquista da Sérvia.

No ano de 1202, os exércitos de Vukan derrotaram o exército de Estêvão e a Sérvia passou completamente para às mãos dos húngaros. No final de 1205, a guerra civil não terminava, até que os dois irmãos assinaram um acordo de paz: Vukan permaneceu como soberano da Dóclea, enquanto Estêvão se tornou soberano de toda a Sérvia. Obviamente, a Hungria foi preterida por este acordo.

A politica diplomática[editar | editar código-fonte]

A Quarta Cruzada deveria libertar a Terra Santa, mas os exércitos cristãos ocuparam também Constantinopla e lá fundaram em 1204 o Império Latino: este causou a dissolução temporária do Império Bizantino.

Kaloyan da Bulgária, que tinha combatido do lado dos cruzados, decidiu sair da guerra, mas em 1207 foi morto em batalha. Estêvão decidiu, então, atacar a Bulgária: reconquistou as cidades de Vranjen, Polog, Prizren e sobretudo Niš, estratégica porque ficava no caminho entre a Europa Central e Constantinopla. Com Niš, a Sérvia teve um papel crucial na política comercial nos Bálcãs. Assinou uma aliança com Roma e com a República de Veneza: obteve em 1207 pelo Doge Pedro Ziani a mão da neta do seu predecessor Henrique Dândolo, Ana, e igrejas do pontífice para coroá-lo rei.

Estêvão, o "primeiro coroado"[editar | editar código-fonte]

São Sava
Papa Honório III

Em 1202, o Papa Honório III mandou à Sérvia em 1217 os seus emissários que levaram a Estêvão a coroa da Sérvia. Com este ato, Estêvão, que afinal já era rei da Dóclea que era submetida ao poder do Grão-Príncipe da Ráscia, se torna o primeiro soberano da Sérvia: por isto, foi dado a ele o epíteto de "primeiro coroado" – em servo-croata, Prvovenčani (Првовенчани).

A coroa concedida por um pontífice romano era um problema para o soberano de um povo ortodoxo. Após a tomada de Constantinopla, o velho Império Bizantino tinha dois soberanos: enquanto Iolanda de Briene, sucedida por Henrique de Flandres, reinava sobre o Império Latino, Teodoro Comneno Ducas governava o Despotado do Épiro com o título de imperador e, em Niceia, Teodoro Láscaris tinha fundado seu império, também reivindicando a legitimidade do trono de Bizâncio. Láscaris gozava de apoio da nobreza Bizantina e do Patriarcado de Constantinopla.

Estêvão conduziu tratativas com Láscaris e com o Patriarcado: obteve a autocefalia da Igreja Ortodoxa Sérvia em troca do abandono do apoio do Papa, e não afiançou a guida ao irmão Ratsko, que se torna arcebispo e que será conhecido desde então como São Sava. Em 1219, Sava coroou Estêvão como rei ortodoxo dos sérvios e o poder de Roma foi abandonado definitivamente.

Pouco tempo antes de morrer, Estêvão tornou-se monge. Foi sucedido pelo primogênito Estêvão Radoslau, nascido de seu matrimônio com a filha do imperador Aleixo III Ângelo, Eudóxia Angelina.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]