Ferenc Bene

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Ferenc Bene
Informações pessoais
Nome completo Ferenc Bene
Data de nasc. 17 de Dezembro de 1944
Local de nasc. Balatonújlak, Flag of Hungary (1920–1946).svg Hungria
Falecido em 23 de fevereiro de 2006 (61 anos)
Local da morte Budapeste,  Hungria
Informações profissionais
Posição Atacante (aposentado)
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos)
19611979 Hungria Újpesti Dózsa 417 (303)
Seleção nacional
19621979 Flag of Hungary.svg Hungria 076 0(36)
Times que treinou
1992-1993 Hungria Újpest
Medalhas
Jogos Olímpicos
Ouro Tóquio 1964 Futebol

Ferenc Bene (Balatonújlak, 17 de dezembro de 1944 - Budapeste, 22 de fevereiro de 2006) foi um futebolista húngaro.

Estatisticamente, embora não tão conhecido fora de seu país, foi um dos maiores vencedores do futebol húngaro. Ganhou oito vezes o campeonato nacional, do qual foi artilheiro seis vezes, além de, a exemplo da geração mágica de Ferenc Puskás, Zoltán Czibor, Sándor Kocsis, Nándor Hidegkuti e outros, também obteve um ouro olímpico. Foi nos Olimpíadas de 1964, da qual foi ainda artilheiro com doze gols em cinco jogos.

Carreira em clubes[editar | editar código-fonte]

Bene passou a maior parte de sua carreira futebolística no Újpesti Dózsa (atual Újpest), onde debutou em 1962. Logo na primeira temporada, foi artilheiro do campeonato húngaro, com 23 gols. Seria o goleador máximo novamente em 1964, com 28, mas o primeiro título só viria em 1969, com nova artilharia.

Na mesma temporada, Bene venceu também sua primeira Copa da Hungria e, a partir dali, ele e o Újpesti ganhariam a liga húngara outras seis vezes seguidas, até 1975. No interím, Bene foi artilheiro também nos títulos de 1972, 1973 e 1975, e ganhou novamente a Copa da Hungria em 1970 e 1975.

Sua oitava conquista no campeonato veio em 1978, quando, aos 34 anos, encerrou seu ciclo no clube. Sua aposentadoria definitiva deu-se em 1985, aos 41 anos, no Kecskemét.

Seleção Húngara[editar | editar código-fonte]

Bene estreou pela Hungria já em 1962. Dois anos depois, participou de seu primeiro torneio, a Eurocopa 1964. Os magiares terminaram na terceira colocação, eliminados nas semifinais pela anfitriã Espanha de forma difícil: os espanhóis só venceram na prorrogação, a cinco minutos do fim. O tempo-extra só foi realizado pois Bene empatou a partida a seis minutos do fim do tempo normal. Ainda naquele ano, ele inspiraria seu país a ganhar a medalha de ouro olímpica, anotando doze gols em cinco partidas.

Copa do Mundo de 1966[editar | editar código-fonte]

Bene logo formou na seleção um eficiente trio de ataque com Flórián Albert e János Farkas, deixando o experiente Lajos Tichy na reserva, e o país classificou-se sem muitos problemas para a Copa do Mundo de 1966. Na estreia, os húngaros foram dominados por Portugal [1] e perderam por 1 x 3, com ele marcando o único gol magiar.

A Hungria recuperou-se brilhantemente contra o bicampeão Brasil. Mesmo usando dez dos onze jogadores que no ano anterior perderam por 3 x 5 um amistoso contra uma Seleção Brasileira B no Morumbi,[2] os húngaros tiveram desempenho soberbo. Bene inaugurou o placar com um gol que os brasileiros não estavam acostumados a levar: com dois minutos de jogo, ele pegou uma bola da direita, deixou Altair no chão com um drible seco, correu sem cobertura para a pequena área e ainda fintou Bellini antes de chutar no canto esquerdo de Gilmar.[3] Ele ainda cavou o pênalti que seria convertido no terceiro gol da Hungria, que venceu por 3 x 1, ao ser calçado por trás por Paulo Henrique.[3]

Seu terceiro gol viria na última partida da segunda fase, na vitória por 3 x 1 sobre a Bulgária, resultado que garantiu a classificação da Hungria e eliminou o Brasil.[4] Nas quartas-de-final, porém, os magiares enfrentaram a União Soviética em um dos melhores dias do goleiro Lev Yashin, que realizou meia dúzia de grandes defesas,[5] ao passo que o goleiro húngaro József Gelei falhou nos dois gols soviéticos, que venceu por 2 x 1. E foi de Bene o gol da Hungria, muito prejudicada também pela marcação dura exercida sobre Flórián Albert, o arquiteto das jogadas magiares.[6]

Pós-1966[editar | editar código-fonte]

Dois anos depois, os mesmos soviéticos eliminaram a Hungria de disputar a fase final da Eurocopa 1968; na partida de ida, em Budapeste, os húngaros venceram por 2 x 0, mas o oponente conseguiu ganhar por 3 x 0 em Moscou. E A Copa de 1966 acabaria sendo a única de Bene. Na eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970, em chave que só concedia uma vaga, húngaros e tchevoslovacos eram os favoritos sobre os elencos inferiores de Dinamarca e Irlanda.[7] E os favoritos realmente terminaram na frente, empatados em pontos, forçando um jogo-extra.[7]

A Hungria, porém havia conseguido vencer o principal oponente em Budapeste e arrancado um empate em Budapeste, só não conseguindo a classificação por ter perdido para a Dinamarca em Copenhague.[7] Na partida extra decisiva contra os tchecoslovacos, porém, os húngaros foram derrotados com facilidade por 1 x 4 em Marselha.[7] Pouco mais de dois anos depois, Bene disputou seu último torneio pela Hungria, a Eurocopa 1972.

Foi o último pois o país surpreendentemente não se classificou também para a Copa do Mundo de 1974: bastava vencer a Suécia em Budapeste, mas os nórdicos conseguiram empatar em 3 x 3. Ambos os países, e também a Áustria, terminaram a última rodada do grupo nas eliminatórias empatados na frente com oito pontos. Porém, com menor saldo de gols, os húngaros foram eliminados, enquanto os outros dois (que não participavam de Copas desde o mundial de 1958) puderam disputar um jogo extra para definir quem ficaria com a vaga.

Os húngaros também não se classificaram para a Eurocopa 1976, ficando atrás do País de Gales em seu grupo nas eliminatórias. A Hungria, enfim, conseguiu classificar-se para a Copa do Mundo de 1978. Apesar de ter terminado campeão húngaro pela oitava vez semanas antes do torneio, Bene acabou não incluído entre os convocados para o mundial da Argentina. No ano seguinte, realizou seu último jogo pela Seleção Húngara.

Referências

  1. "Entrosamento total", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 8 - 1966 Inglaterra, abril de 2006, Editora Abril, pág. 30
  2. "Parecia fácil", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 8 - 1966 Inglaterra, abril de 2006, Editora Abril, pág. 31
  3. a b "Desastre absoluto", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 8 - 1966 Inglaterra, abril de 2006, Editora Abril, pág. 31
  4. "Esperança vã", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 8 - 1966 Inglaterra, abril de 2006, Editora Abril, pág. 34
  5. "Um herói, outro vilão", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 8 - 1966 Inglaterra, abril de 2006, Editora Abril, pág. 39
  6. "O 'Sombra'", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 8 - 1966 Inglaterra, abril de 2006, Editora Abril, pág. 39
  7. a b c d "Nos cinco continentes", Max Gehringer, Especial Placar: A Saga da Jules Rimet fascículo 9 - 1970 México, maio de 2006, Editora Abril, págs. 10-17