Gleb Wataghin
| Gleb Wataghin | |
|---|---|
| Física nuclear | |
| Nacionalidade | |
| Nascimento | 3 de Novembro de 1899 |
| Local | Birsula, hoje Kotovsk |
| Falecimento | 10 de Outubro de 1986 (86 anos) |
| Local | Turim |
| Actividade | |
| Campo(s) | Física nuclear |
| Instituições | Universidade de Turim, Universidade de São Paulo |
| Alma mater | Universidade de Turim |
| Prêmio(s) | Prêmio Feltrinelli (1951) |
Gleb Vassielievich Wataghin (Birsula, 3 de novembro de 1899 — Turim, 10 de outubro de 1986) foi um físico experimental ucraniano de origem judaica, naturalizado italiano.
Líder científico que deu grande impulso nas pesquisas no Brasil, onde atuou como professor e pesquisador em física na Universidade de São Paulo (USP). Foi tutor de um grupo de brilhantes cientistas, formado por César Lattes, Oscar Sala, Mário Schenberg, Roberto Salmeron, Marcelo Damy de Souza Santos e Jayme Tiomno. O Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp foi nomeado em sua homenagem.
Índice |
[editar] Biografia
Gleb Vassielievich Wataghin nasceu numa família russa de origens nobres, culta e bem economicamente, formada, além do pai Vassily e da mãe Evgenia Gulianitzky, por três filhos e uma filha. O pai, engenheiro, era responsável pelas ferrovias imperiais do sul. Depois dos estudos no ginásio de Kiev, concluídos em 31 de maio de 1918, sabemos relativamente pouco sobre como, fugindo pela Crimeia, chegou a embarcar em um dos navios com o qual os aliados conseguiram levar a salvo algumas dezenas de milhares de refugiados, salvando-se em tempo do avanço da revolução, para chegar em Turim passando pela Grécia.
Em 5 de julho de 1920 tem residência em Turim onde, trabalhando duramente, obtém em 17 de julho de 1922 a láurea em física com 80/80 e louvor e, nem mesmo dois anos depois, em 14 de junho de 1924, obtém a láurea em matemática com 100/100 e louvor. Os anos que seguem são anos ainda de trabalho duríssimo e de estudo intenso, durante os quais ensina na Academia Real e Escola de Aplicação, Artilharia e Inteligência (entre 1925 e 1933, primeiro análise matemática I e II e física experimental para Oficiais em Serviço Permanente Efetivo). Tem, também, contatos com a Politécnica e, no período de 1929 a 1934 é encarregado de mecânica racional (até 1933) e Física Superior no período 1933-34 na Universidade de Turim. A partir de 9 de maio de 1929 é cidadão italiano.
Em 1934, antecipando-se aos acontecimentos com uma antevisão que será uma característica de toda a sua vida (e que, como vimos acima, levou-o a deixar em tempo a Rússia antes que as fronteiras fossem definitivamente fechadas), tendo-se tornado, então, famoso internacionalmente e conhecido pelos melhores físicos teóricos e experimentais da época, aceita o convite para tornar-se um dos primeiros catedráticos da nascente Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, núcleo da futura Universidade de São Paulo, no Brasil.
[editar] Trajetória no Brasil
No Brasil, Wataghin chega com a tarefa específica de fazer decolar a parte científica de uma nova faculdade universitária e de criar ali, do nada, os laboratórios e todas as estruturas necessárias. Wataghin está no ápice da sua criatividade e no máximo vigor de vida. A sua riqueza são uma grande cultura científica, literária e linguística e os melhores conhecimentos, sejam diretos e pessoais, sejam dos trabalhos dos maiores físicos do momento. Muitos deles, mais cedo ou mais tarde, visitarão o Brasil a seu convite, seja por razões ligadas diretamente à sua atividade. Entre estes, Arthur Compton, Hideki Yukawa, David Bohm, Richard Feynman e tantos outros. Por outro lado, Wataghin leva ao Brasil muitos outros físicos com encargos a longo prazo, primeiro entre todos Giuseppe Occhialini (lembrado familiarmente na física italiana como Beppo), naquele tempo já famoso por ter fornecido, em 1933, junto a Blackett, uma confirmação da existência do elétron positivo (pósitron) do qual, pouco antes, Carl David Anderson havia anunciado a descoberta.
Os físicos brasileiros que direta ou indiretamente foram formados pela escola de Wataghin: César Lattes (descendente de turinenses emigrados para Curitiba) a cujo nome está associada a descoberta, em 1947, do méson p ou píon (isto é, da partícula postulada por Yukawa, em 1935, como mediadora das interações fortes) e que, por muitos anos foi o motor da grande colaboração internacional para o estudo de raios cósmicos, localizada em Chacaltaya, nos Andes bolivianos, e à qual tanta contribuição deu o acima lembrado grupo de Raios Cósmicos dirigido por Carlo Castagnoli da Universidade de Turim. Personalidade muito lúcida e fascinante (e não sempre cômoda), Lattes foi um gigante da física que se comovia raramente, mas sempre quando se falava de Wataghin. Mário Schenberg, uma personalidade também esta totalmente excepcional; tanto, talvez, no desenvolvimento da física teórica, quanto foi aquela de Lattes na física experimental, e a quem devemos, entre outras coisas, o famoso processo URCA sobre a combustão nuclear no sol. Lembrando ao menos alguns outros nomes, entre os quais os primeiríssimos colaboradores de Wataghin no Brasil, que foram formados sob a sua orientação direta, por exemplo Marcelo Damy e Paulus Aulus Pompeia ou, muito mais jovem, Oscar Sala que, em tempos mais recentes, construiu em São Paulo aquele que até hoje é o maior acelerador nuclear da América do Sul, o Pelletron (um Van de Graaff do tipo chamado tandem de 15 MeV).
Talvez a medida mais preciosa da consideração que se tinha com relação ao papel de Wataghin no Brasil, possa ser vista no fato de, quando ele não só ainda estava vivo, mas cientificamente muito ativo, a nascente Universidade de Campinas (hoje uma das maiores do Brasil), entre os anos 1960 e 1970, dar ao seu instituto o nome de Gleb Wataghin e, até hoje, recordá-lo numa excelente escola de fenomenologia da física hadrônica que a cada dois anos é realizada em tal instituto.
[editar] Publicações
- Wataghin, G. On the Formation of Chemical Elements Inside the Stars. Phys. Rev. 73, 79 (1948).
- Wataghin, G. Thermal Equilibrium Between Elementary Particles. Phys. Rev. 63, 137 (1943).