História do Campeonato Mineiro de Futebol

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

O Campeonato Mineiro de Futebol é uma competição esportiva realizada anualmente no estado de Minas Gerais. Disputado pelos principais clubes de futebol do estado ele é atualmente organizado pela Federação Mineira de Futebol (FMF).

História[editar | editar código-fonte]

Era amadora e Campeonato municipal de BH[editar | editar código-fonte]

A Liga Mineira de Desportos Terrestres (LMDT) foi quem organizou a primeira edição do Campeonato Mineiro, em 1915. Durante muitos anos o campeonato contou apenas com equipes de Belo Horizonte e de cidades próximas de sua região metropolitana. De 1915 até 1957 o torneio se chamava Campeonato Citadino de Belo Horizonte. Posteriormente, com a participação de times do interior de Minas mais distantes da capital Belo Horizonte, e a popularização da competição em todo o estado, o torneio passou a ser conhecido como Campeonato Estadual.

Em seus primeiros anos seria marcado por uma forte hegemonia do América. O primeiro campeonato foi disputado em 1915 e o campeão foi o Atlético. Nos dez anos seguintes, ninguém tirou a taça do América. O time de Belo Horizonte sagrou-se decacampeão da competição, feito que não foi igualado até hoje.

Ainda na era amadora, a primeira disputa de título entre Atlético e Cruzeiro (na época Palestra Itália) foi em 1926. E a maior rivalidade do estado atualmente, levanta polêmica desde então. A Federação Mineira de Futebol, na época chamada de Liga Mineira de Desportos Terrestres (LMDT), organizou o torneio que acabou dando ao clube alvinegro o título após dez conquistas consecutivas do América Futebol Clube. O vice-campeão foi o Palestra Itália, mas que também disputou naquela temporada outro torneio, organizado pela Associação Mineira de Esportes Terrestres. O Palestra ergueu a taça nesta ocasião e em seus registros se considera campeão mineiro, porém sem o reconhecimento da FMF.

Depois deste período de hegemonia absoluta do América, outras equipes começaram a surgir com força no cenário estadual de Minas Gerais. O Palestra Itália, que depois mudaria seu nome para Cruzeiro, foi um deles. Conseguiu ser tricampeão em 1928, 1929 e 1930, sendo as duas últimas campanhas realizadas com 100% de aproveitamento.

Em 1931, América e Villa Nova abandonaram a Liga Mineira de Desportos Terrestres por causa das arbitrariedades do Tribunal de Justiça Desportiva (na época chamado de Tribunal de Penas) durante a disputa do Campeonato da Cidade. Em seguida tiveram a companhia do VII de Setembro e, mais tarde, do Palestra Itália e do Grêmio Calafate.

A divisão do título de 1932 foi o pontapé inicial para o profissionalismo do futebol mineiro. A temporada daquele ano começou tumultuada devido à fundação de uma nova liga no estado, a Associação Mineira de Esportes ‘Geraes’. A nova entidade tinha como fundadores o América, o Palestra Itália e o Villa Nova. Outros clubes seguiram o mesmo caminho e optaram por disputar o torneio da liga ‘alternativa’, enquanto entre os clubes tradicionais, apenas o Atlético permaneceu filiado a Liga Mineira de Desportos Terrestres (Atualmente FMF).

Os dois campeonatos foram disputados paralelamente, entre março e novembro de 1932. No torneio da LMDT o Atlético não teve muitas dificuldades diante dos clubes mais fracos de Minas Gerais, e caminhou com tranqüilidade para o título. Nem mesmo a imprensa daquela época destacava os confrontos estaduais do Galo, chamando mais atenção para duelos interestaduais e principalmente os clássicos que aconteciam na AMEG.

Os fundadores da nova entidade eram os favoritos ao título, mas na disputa entre eles o Villa Nova foi quem levou a melhor. No dia 25/10, o jornal “Estado de Minas” estampou em seu espaço destinado a esportes a manchete: “O VILLA É O CAMPEÃO! – 2x2 numa peleja que empolgou a torcida.” Ao lado da matéria sobre o dramático empate com o Palestra Itália, no campo da Avenida Paraopeba, também havia uma foto dos atletas que se consagraram na competição.

A partida entre palestrinos e villanovenses aconteceu dois dias antes da edição que parabenizava o Villa. Naquele dia 23/10, enquanto as equipes duelavam pela liga da AMEG, o Atlético, já campeão do torneio da LMDT, recebeu o Bonsucesso, do Rio de Janeiro, para um amistoso interestadual. A partida chamou atenção da critica, mas principalmente pelas entrevistas divulgadas após o jogo, no dia 27/10. A manchete “Profissionalismo no futebol da metrópole” foi o gancho ideal para as matérias com Sr. Virgilio Fedrighi, árbitro carioca que apitou o confronto entre mineiros e fluminenses, e o Sr. Romeu Dias Pino, secretário da equipe adversária do Galo. Aproveitando a oportunidade de estar em Belo Horizonte, Dias Pino falou ao ‘Estado de Minas’ e declarou seu principal interesse na visita: ver o esporte de Minas Gerais novamente unido.

“A MISSÃO DO DR. ROMEU: O Sr. Romeu Dias Pino, veio a Belo Horizonte como Secretário do Bonsucesso [...] Os diretores da embaixada carioca mostraram-se desejosos de ver restabelecida a antiga união reinante nos nossos esportes, com o desaparecimento da divisão que perdura.” [Jornal Estado de Minas – 27/10/1932]

Dias Pino declarou: “Temos o imenso prazer em contribuir para o desaparecimento de uma situação incomoda que aflige o esporte montanhês tão cheio de glórias.”

Não demorou muito para o apelo feito tomar maiores dimensões e mobilizar todos os envolvidos. No dia 04/11 foi realizada uma Assembléia com o objetivo de confirmar o que todos chamavam de ‘pacificação’. A manchete otimista e o trecho abaixo confirmava a esperança pela retomada da união:

”EM VÉSPERAS DE SER PACIFICADO O ESPORTE MONTANHES - [...] o nosso público esta ansioso para que o movimento atual tenha um desfecho satisfatório, isto é, que as duas facções de novo se reúnam sob uma única bandeira [...] Não há como negar que o padrão belorizontino antes da bipartição era bem superior ao de hoje. [Jornal Estado de Minas – 04/11/1932]

O dia seguinte a Assembléia foi de boas notícias para o futebol mineiro. A Liga Mineira de Desportos Terrestres aprovou a fórmula de pacificação do esporte em Minas Gerais e os jornais da época traziam aos mínimos detalhes como foi o encontro dos dirigentes. A nota oficial da LMDT veio na edição do dia 06/11/1932, com um voto de louvor ao Sr. Romeu Dias Pino e a diretoria da LMDT que renunciou ao cargo em pró da pacificação. Foi decidido na Assembléia a aprovação da ata, o cancelamento de todas as penalidades a clubes e atletas e a confirmação da aprovação da fórmula apresentada por diversos clubes para a pacificação dos esportes mineiros.

O primeiro termo da nota confirmava o sucesso do movimento: “Transformação da LMDT em uma federação aos moldes da Associação Fluminense de Esportes Atléticos”.

As mudanças foram exaltadas na edição do dia 10 de novembro, quando, enfim, foi instalada a Federação das Associações Mineiras de Atlhetismo (FAMA) e a Liga de Amadores de Futebol (LAF). A nova diretoria foi nomeada e ficou acordado entre os clubes que as competições do ano corrente chegariam ao fim. Também foi feita uma homenagem ao Sr. Romeu com os dizeres: “UM ‘LUNCHE’ AO BONSUCESSO, O MENSAGEIRO DA PAZ!”

“Nesta hora de confraternização entre nossos clubes a figura do rubro-anil carioca aparece envolvida numa auréola de simpatia, credor da gratidão dos bons esportistas mineiros”. [Jornal Estado de Minas – 10/11/1932]

Fica-se claro que a LMDT não foi extinta, apenas se reformulou em meio a divisão que aconteceu no início daquele ano. Com a retomada dos clubes em uma mesma liga/federação, a entidade passou a ter novo nome, e a união junto a AMEG fez com que os dois clubes campeões daquela temporada, Atlético e Villa Nova, fossem reconhecidos campeões mineiros, já que ao final do ano, ambos faziam parte da mesma entidade. A partir de 1933 o Campeonato Mineiro passa a ser disputado profissionalmente.

Entre 1932 e 1935, o Villa Nova, de Nova Lima, foi tetracampeão. É o time do interior do estado com o maior número de títulos, em um cenário dominado pelas equipes da capital: Atlético, Cruzeiro e América, principalmente os dois primeiros.

Fase Profissional[editar | editar código-fonte]

1933 foi também um ano marcante na história da competição, foi nesse ano que se iniciou a era profissional do campeonato, que até então era uma competição amadora. Na primeira tentativa de realizar um campeonato com times de todo estado três equipes do interior participaram da disputa desse ano, foram elas: Tupi, Tupynambas e Sport, todas de Juiz de Fora.

Em 1937 outro clube do interior mineiro alcançou o título estadual, o Siderúrgica de Sabará conquistou o primeiro de seus dois títulos.

Em 1942, o Palestra Itália foi obrigado a mudar de nome. Isso porque o Brasil tinha entrado na Segunda Guerra Mundial ao lado dos aliados, enfrentando Itália e Alemanha. Assim, o presidente Getúlio Vargas exigiu a mudança de nomes germanófilos ou de origem italiana. Algo semelhante aconteceu com o Palestra Itália-SP, que se tornou Palmeiras. O de Minas Gerais virou Cruzeiro.

Campeonato Mineiro[editar | editar código-fonte]

Em 1958 foi necessário se instituir o campeonato mineiro, em virtude da criação da Taça Brasil, que começaria a ser disputada no ano seguinte. A Federação Mineira instituiu um torneio eliminatório para selecionar 8 participantes para o campeonato. Vários clubes se inscreveram, fazendo com que o torneio eliminatório só terminasse em outubro de 1958, mesmo mês em que começou o campeonato mineiro daquele ano.

Era Mineirão[editar | editar código-fonte]

A história do campeonato pode ser dividida em duas partes: antes e depois da construção do Mineirão, que foi inaugurado em setembro de 1965. Nesta época, o time celeste começava a adquirir enorme projeção nacional, com um grande time comandado por Tostão.

Na “Era Mineirão”, os dois principais clubes do estado passaram a ter hegemonia absoluta durante muito tempo. Em 1964, a Siderúrgica foi campeã mineira. Entre 1965 e 1992, somente Atlético e Cruzeiro levantaram a taça. Este domínio só foi quebrado em 1993, pelo América.

Últimos campeonatos[editar | editar código-fonte]

Em 2002, o estadual não contou com a participação dos clubes da capital (América, Atlético e Cruzeiro) e do Mamoré, de Patos de Minas. As quatro equipes disputaram a Liga Sul Minas, competição que foi administrada pelos próprios times participantes. No entanto, mesmo com a ausência dos grandes do estado, a Federação Mineira de Futebol promoveu o Campeonato Mineiro, e a festa do interior ficou com a Caldense, de Poços de Caldas, sagrando-se campeã estadual em 2002. Com a conquista do título a ‘Veterana’ obteve a condição de disputar o Supercampeonato Mineiro, se juntando as quatro equipes que abdicaram do Mineiro no início da temporada. O Cruzeiro conquistou o título do inédito campeonato, mas este não é reconhecido pela FMF, já que a Federação apenas apoiou a organização do evento e não foi um torneio oficial da entidade.


Em 2005, o modesto Ipatinga surpreendeu os times da capital, com um elenco formado por muitos atletas emprestados de outros clubes, principalmente da equipe celeste de Belo Horizonte, conseguiu superar as equipes da capital e chegar ao título. Este clube, inclusive, tem se tornado uma força não só em nível estadual como nacional. Em 2007, o Ipatinga conseguiu acesso à primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

O time do interior chegou à final mais uma vez em 2006, mas desta vez foi derrotado pelo Cruzeiro. Em 2007, o confronto decisivo do campeonato foi entre os dois maiores clubes do Estado. Com uma vitória por 4 a 0 na primeira partida e uma derrota por 2 a 0 na segunda, o Atlético conquistou o 39° título de sua história. O time é o que mais vezes venceu a competição. O Cruzeiro, por sua vez, foi o grande campeão do Campeonato Mineiro de 2008 e 2009, e levantou o troféu 35 vezes. Já em 2010, o Atlético derrotou o Ipatinga na grande final e ficou com o título do Campeonato.

Em 2012 a fórmula de disputa do Campeonato Mineiro deste ano é a mesma da temporada passada, onde as doze equipes participantes jogarão entre si, em turno único, em busca das quatro vagas para as semifinais. Os dois últimos colocados na classificação serão rebaixados ao Módulo II de 2013. Os classificados se enfrentam em sistema de mata-mata, em dois jogos, para ser conhecido os finalistas. Na grande decisão, o sistema da fase anterior é repetido, e os jogos aconteceram nos dias 06 e 13 de maio. Após o apito final da finalíssima, o futebol mineiro conheceu o 100º campeão estadual de sua história, o Atlético conquistando o seu 41º título de forma invicta.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]