Imperativo categórico
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O Imperativo Categórico "Existe... só um imperativo categórico, que é este: Age somente, segundo uma máxima tal, que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal." - Kant E.; Fundamentos da metafísica dos costumes; RJ, Ediouro, sd:70-1,79.
O Imperativo Categórico é um dos principais paradigmas da filosofia de Kant.' Sua ética e moral terão por base este preceito. Para este filósofo alemão imperativo categórico vem a ser o dever de agir na conformidade dos princípios que se quer sejam aplicados por todos os seres humanos.
O termo imperativo tem basicamente o mesmo conteúdo de mandamento. Na gramática pátria imperativo é o modo verbal que indica ordem. "Em ética, um imperativo é uma regra que deve ser seguida por todo ente racional" (Wikipédia).
Ajunta-se-lhe o adjetivo categórico para esclarecer que é um mandamento, absoluto, dirigido a todos.'Para a maioria dos analistas de sua obra, Kant desejava, com este enunciado, evitar a fuga para o domínio do relativismo moral, com o que o qualquer imperativo pode ser burlado, desvirtuado.
O termo imperativo é criação de Kant, no seu Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785).
Carece atentar-se, também, para o Imperativo Universal ("Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, por tua vontade, lei universal da natureza."), assim como para o Imperativo Prático ("Age de tal modo que possas usar a humanidade, tanto em tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre como um fim ao mesmo tempo e nunca apenas como um meio.").
N. Abbagnano (in Dicionário de Filosofia; São Paulo, 1970:519) assim define o termo: "a representação de um princípio objetivo enquanto constrange a vontade, denomina-se uma ordem da razão; e a fórmula do mando denomina-se Imperativo."
É inegável a relação deste conceito de Kant com a chamada regra de ouro, já enunciada por grandes nomes da história mundial, como o primeiro Buda, Siddhartha Gautama (563 a.C.) que asseverou: "Não magoeis os outros com aquilo que vos magoa a vós". No Antigo Testamento lemos (Levítico 19:18): "Deus diz: Amarás o teu próximo como a ti mesmo." Em Jesus Cristo temos: "Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós" (S. Mateus 7:12). Sêneca declara: "Si vis amari, ama" ("se queres ser amado, ama"). No Islamismo, também se acha o mesmo preceito e Maomé sentencia: "Nenhum de vós é um crente, até quererdes para o vosso vizinho aquilo que quereis para vós". No Induísmo: "Este é o resumo de todos os deveres: não façais nada aos outros que, se fosse feito a vós, vos causasse mágoa" (Mahabharata).

