Ivan Izquierdo

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Ivan Izquierdo
Nascimento Iván Antonio Izquierdo
1937
Buenos Aires, Argentina Argentina
Ocupação Médico e neurocientista
Área Neurologia
Instituições Universidade Nacional de Córdoba
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Pesquisa Neurologia
Neurobiologia
Educação Universidade de Buenos Aires
Prêmios relevantes Prêmio Almirante Álvaro Alberto

Ivan Antonio Izquierdo (Buenos Aires, 1937) é um médico e cientista argentino naturalizado brasileiro. Construiu sua carreira na Argentina e foi pioneiro no estudo da neurobiologia da memória e do aprendizado. Destaca-se entre os cientistas mais citados em todas as áreas do conhecimento.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ivan Izquierdo nasceu como filho mais velho de um pai argentino de origem catalã e de uma mãe croata. Influenciado por um tio médico, graduou-se em Medicina em 1961, na Universidade de Buenos Aires (UBA), e completou seu doutorado em Farmacologia em 1963, também na mesma instituição. Por cerca de uma década, ele trabalhou como professor na Universidade Nacional de Córdoba (UNC), na Argentina, mas, devido a motivos políticos (a Ditadura Argentina) e pessoais (sua esposa, Ivone, é brasileira), acabou mudando-se para o Brasil no começo da década de 1970 e, desde 1978, reside em Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul. Em 1981, Izquierdo obteve nacionalidade brasileira.

No Brasil, por mais de vinte anos, Ivan Izquierdo dirigiu o "Centro de Memória" do Departamento de Bioquímica do Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde formou cerca de quarenta e um doutores ao longo dos anos, influenciando um geração de jovens cientistas que hoje trabalham em universidades do Brasil e do exterior. Em função de sua aposentadoria, transferiu-se para a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), onde continua suas pesquisas e a formar futuros cientistas.

Contribuições[editar | editar código-fonte]

Ivan Izquierdo fez inúmeras contribuições originais para a compreensão das bases celulares do armazenamento e da evocação da memória. Seu trabalho concentra-se nos mecanismos biológicos dos processos mnemônicos, e utiliza abordagens experimentais que vão desde a psicobiologia comportamental à neuroquímica, à farmacologia, à neurofisiologia e à neurologia experimental, frequentemente empregando microinfusões intracerebrais de fármacos e estudando seus efeitos sobre diferentes processos celulares, sistemas de receptores encefálicos, e, em particular, sobre o desempenho em diferentes tarefas comportamentais.

Foi um dos primeiros a mostrar o papel fisiológico-comportamental da adrenalina, da dopamina, dos peptídios opióides endógenos e da acetilcolina na modulação da consolidação da memória e da evocação da memória dependente de estado. Mais tarde, investigou a influência dos benzodiazepínicos e do sistema GABAérgico sobre a memória. Entre as principais contribuições de seu trabalho incluem-se as bases moleculares da formação, evocação, persistência e extinção da memória no encéfalo dos mamíferos, a dependência de estado endógena e a discriminação funcional entre memórias de curta e de longa duração.

Ao longo de quase quatro décadas, Ivan Izquierdo publicou mais de 500 artigos científicos em periódicos indexados (isto é, em que há avaliação pelos pares) e é, há anos, um dos cientistas brasileiros (e latinoamericanos) mais citados na literatura especializada: 13 de seus artigos foram citados mais de 100 vezes, e, desde 1958, o conjunto de sua obra recebeu mais de 10.000 citações. Também publicou 17 livros, 6 dos quais, de ficção e de crônicas, sua mais recente paixão intelectual.

É membro de diversas Academias de Ciências no Brasil e no mundo - foi eleito, em maio de 2007, Membro Estrangeiro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos da América. Desde 2004, Izquierdo é diretor da Academia Brasileira de Ciências - e recebeu mais de 30 importantes prêmios nacionais e internacionais, inclusive a maior comenda civil brasileira, a Ordem de Rio Branco (em 2007).

Além disso, Izquierdo é Doutor Honoris causa da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e Prêmio em Ciências da Fundação Conrado Wessel (2007). Na Argentina, além de Professor Honoris Causa da Universidade Nacional de Córdoba (2007), Izquierdo foi a oitava personalidade, desde 1821, a ser nomeado Professor Honorário da Universidade de Buenos Aires, sendo que todos os outros foram laureados com o prêmio Nobel.

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • A arte de esquecer[1]

Referências

  1. a b Fapesp. Iván Izquierdo ganha Prêmio Álvaro Alberto. Acesso em 13 de abril de 2011

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • I Izquierdo, JH Medina (1997) Memory Formation: The sequence of biochemical events in the hippocampus and its connection to activity in other brain structures. Neurobiology of Learning and Memory, 68, 285-316.
  • I Izquierdo, DM Barros, T Mello e Souza, MM Souza, LA Izquierdo, JH Medina (1998) Mechanisms for memory types differ. Nature, 393, 635-636.
  • I Izquierdo, LRM Bevilaqua, JI Rossato, JS Bonini, JH Medina, M Cammarota (2006) Different molecular cascades in different sites of the brain control consolidation. Trends in Neurosciences, 29, 496-505.
  • P Beckinschtein, M Cammarota, LM Igaz, LRM Bevilaqua, I Izquierdo, JH Medina (2007) Persistence of long-term memory storage requires a late protein synthesis- and BDNF-dependent phase in the hippocampus. Neuron 53, 261-267.
  • JI Rossato, LRM Bevilaqua, I Izquierdo, JH Medina, M Cammarota (2009) Dopamine controls persistence of long-term memory storage. Science, 325, 1017-1020.
  • WC Da Silva, G Cardoso, JS Bonini, F Benetti, I Izquierdo (2013) Memory reconsolidation and its maintenance depend on L-voltage-dependent calcium channels and CaMKII functions regulating protein turnover in the hippocampus. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 110(16), 6566-6570.

Outras fontes[editar | editar código-fonte]