Jornal dos Sports

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O Jornal dos Sports foi um diário de notícias esportivas do Rio de Janeiro, tendo sido fundado pelo jornalista Argemiro Bulcão em 13 de Março de 1931. Sua última edição circulou no dia 10 de abril de 2010.

Ficou famoso por suas páginas em cor-de-rosa. Apesar da semelhança com o jornal esportivo italiano La Gazzetta dello Sport, a verdadeira inspiração para o cor-de-rosa foi o francês L'Auto[1] .

O Jornal dos Sports teve como um de seus proprietários o jornalista Mário Filho, que nas suas páginas escreveu uma série de crônicas defendendo a construção do estádio do Maracanã para a Copa do Mundo de 1950. Como homenagem, o estádio recebeu o seu nome.

Depois de sucessivas trocas de comando, o Jornal dos Sports finalmente teve sua publicação encerrada em 2010. Em seu lugar, começou a circular no dia 12 de abril de 2010 o tablóide Jsports.com.br[2] .

História[editar | editar código-fonte]

O início (1931-1936)[editar | editar código-fonte]

Em 1931, Argemiro Bulcão dirigia o jornal Rio Sportivo, que circulava duas vezes por semana no Rio de Janeiro. Interessado em fortalecer o jornalismo esportivo, propôs uma sociedade a Ozéas Mota, proprietário da gráfica onde o jornal era impresso. Com um capital de seis contos de réis, os dois fundaram o Jornal dos Sports[3] .

A ideia presente no nome do jornal, de valorizar todas as modalidades esportivas, era reforçada pelo seu logotipo: nele apareciam praticantes de lançamento de disco, levantamento de peso, tênis, futebol, golfe, natação, remo, corrida, boxe e hipismo.

Inicialmente, cada edição tinha apenas quatro páginas, todas em preto e branco, e era vendida ao preço de 100 réis.

Os editoriais dos primeiros anos mostram a intenção de Bulcão de fazer do Jornal dos Sports um veículo com influência política. Assinando como Diretor do jornal, ele criticava a divisão no futebol carioca, então dividido entre a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA) e a Liga Carioca de Futebol (LCF). O jornalista defendia a fusão das entidades e a adoção do profissionalismo, tese que acabou prevalecendo em 1937, com a fundação da Liga de Football do Rio de Janeiro (LFRJ)[4] .

Em 23 de março de 1936, o jornal foi impresso pela primeira vez em páginas cor-de-rosa.

Os anos Mário Filho (1936-1966)[editar | editar código-fonte]

Em outubro de 1936, Mário Filho, que já era colaborador do Jornal dos Sports, recebeu a ajuda dos amigos Roberto Marinho, José Bastos Padilha e Arnaldo Guinle para comprá-lo de Argemiro Bulcão.

À frente do jornal, Mário promoveu uma série de inovações. Nos anos 40, introduziu tiras e quadrinhos como forma de ilustrar a participação dos clubes no Campeonato Carioca de futebol. Com a implantação definitiva do profissionalismo, passou a noticiar temas relacionados à direção dos clubes, contratação de jogadores, salários e valores dos passes. A isso se somou o nacionalismo exacerbado pela participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, com artigos em que os jogadores eram comparados aos soldados da Força Expedicionária Brasileira[3] .

Logo após a guerra, em 1946, o Brasil foi escolhido pela FIFA como sede da Copa do Mundo de 1950. O compositor Ary Barroso, então vereador no Rio de Janeiro, apresentou um projeto para que fosse construído um estádio no bairro do Maracanã. A proposta enfrentou a reação do então deputado federal Carlos Lacerda, que criticava o custo de construção e o local, defendendo que o projeto fosse transferido para Jacarepaguá.

Mário Filho iniciou então a publicação de uma série de artigos defendendo a construção do Estádio Municipal. A campanha foi vitoriosa, com a pedra fundamental sendo lançada em 2 de agosto de 1948 e o Maracanã sendo inaugurado em 16 de junho de 1950.

Também foi de responsabilidade de Mário Filho a criação de competições promovidas pelo jornal, como os Jogos da Primavera, em 1947, e o Torneio de Pelada do Aterro do Flamengo, em 1951. Além disso, propôs a criação do Torneio Rio-São Paulo de futebol[5] .

Nesse período, passaram pelas páginas do Jornal dos Sports cronistas como José Lins do Rego e Nelson Rodrigues, irmão de Mário Filho, entre outros.

No início dos anos 60, surgiu a seção Segundo Tempo, voltada às artes e à cultura. Assim, os cronistas esportivos ganharam a companhia de críticos do porte de José Ramos Tinhorão e Alex Viany.

Mário Júlio Rodrigues (1967-1972)[editar | editar código-fonte]

Em 1966, Mário Filho morreu de um ataque cardíaco, aos 58 anos. Sua viúva, Célia Rodrigues, assumiu o comando do jornal. Porém, um ano depois, em 1967, cometeu suicídio.

O jornalista Mário Júlio Rodrigues, filho do casal, passou a ser o responsável pelo Jornal dos Sports. O herdeiro, que já havia sido responsável pela seção Segundo Tempo, inspirou-se nas mudanças que ocorriam no Jornal do Brasil no fim dos anos 60, inspiradas por sua vez no new journalism americano para promover também uma reformulação editorial. Entraram na redação nomes como Zuenir Ventura, Reinaldo Jardim e Ana Arruda Callado. A lista de colaboradores incluía os cartunistas Ziraldo, Fortuna e Jaguar, além do compositor Torquato Neto[6] .

A experiência mais radical, porém, foi o lançamento do suplemento O Sol. O projeto era um caderno cultural que abrigava experimentações de jovens jornalistas, vindos das primeiras faculdades de Comunicação Social do país. "O Sol nas bancas de revista" serviu de inspiração para Caetano Veloso, no seu sucesso Alegria, alegria. Lançado em setembro de 1967, O Sol passou a circular como um jornal à parte dois meses depois.

O ambiente da contracultura empolgava Mário Júlio a aproximar o jornal dos leitores mais jovens, com páginas dedicadas à educação e outros temas ligados ao seu universo. Também apoiava os movimentos de "torcidas jovens" que surgiam no Rio de Janeiro.

O rejuvenescimento chegou às charges e influenciou o imaginário. Foi no Jornal dos Sports que Henfil criou personagens que se tornaram mascotes das torcidas, como o Urubu (substituindo o marinheiro Popeye como símbolo do Flamengo) e o Bacalhau (novo representante do Vasco da Gama, no lugar do almirante português).

Cacilda de Souza (1972-1980)[editar | editar código-fonte]

Mário Júlio Rodrigues morreu em 1972, de uma série de complicações relacionadas ao alcoolismo. Para surpresa de seu filho Mário Rodrigues Neto (filho do jornalista e de sua primeira mulher, Dalila), o testamento deixava a direção do jornal para sua segunda mulher, Cacilda Fernandes de Souza[6] .

No comando do Jornal dos Sports, Cacilda Fernandes afastou boa parte dos antigos colaboradores. A chefia da redação passava para as mãos do coronel Geraldo Magalhães. Com a mudança da linha editorial, que abandonava o apoio aos jovens, muitos jornalistas passaram para outras publicações, como a revista Placar.

A nova proprietária foi responsável também pelo lançamento de um suplemento dedicado a assuntos espíritas, o Mundo Azul.

Família Velloso (1980-1999)[editar | editar código-fonte]

Em 1980, ano da morte de Nelson Rodrigues, o jornal passou por sérias dificuldades financeiras e acabou sendo vendido à família Velloso, que detinha também o controle de redes de supermercados e drogarias, entre outros negócios[6] .

Climério Pereira Velloso comandava o jornal, auxiliado pelos parentes Waldemar Pereira Velloso e Venâncio Pereira Velloso. O jornal dava amplo destaque ao deputado estadual Napoleão Velloso (PMDB), também membro da família. O espaço destinado à educação se mantinha, porém dando destaque a temas como o vestibular e outros concursos. Mais tarde, Luiz Augusto Velloso (presidente do Flamengo nos anos de 1993 e 1994) assumiu o comando da redação.

Entre os colaboradores deste período, o destaque é o também radialista Washington Rodrigues, criador da coluna Geraldinos e Arquibaldos. O título foi uma referência aos apelidos que ele mesmo havia criado para os torcedores que frequentavam, respectivamente, os setores da Geral (hoje extinta) e da Arquibancada do Maracanã.

No fim dos anos 90, o Jornal dos Sports pela primeira vez na sua história teve que enfrentar outro jornal esportivo no Rio de Janeiro. A fundação do Lance!, em 1997, levou a tentativas de modernização, com a adoção de cores na primeira página. Contudo, a queda nas vendas e as dificuldades financeiras levaram os Velloso a vender o jornal, em 2000.

Os últimos anos[editar | editar código-fonte]

O armador Omar Resende Peres Filho adquiriu o Jornal dos Sports em 2000, contratando como diretor de redação o jornalista Milton Coelho da Graça. Em pouco tempo, porém, passou a marca e o arquivo para os empresários Lourenço Rommel Peixoto, que também era vice-presidente do Jornal de Brasília, e Armando Garcia Coelho.

No ano seguinte, os novos proprietários transferiram a redação da antiga sede na rua Tenente Possolo, no Centro do Rio, para a Praça da Bandeira. Além de investir em equipamentos, a nova direção contratou novos colunistas, como José Inácio Werneck e Marcos de Castro.

Em 2004, Peixoto e Coelho se viram envolvidos na Operação Sanguessuga da Polícia Federal, que investigava denúncias de corrupção na compra de medicamentos pelo Ministério da Saúde do Brasil. Os dois chegaram a ser presos[7] .

Em mais uma crise, o jornal foi adquirido pelo empresário Wellington Rocha. Quatro anos depois, em 2008, um novo grupo de empresários, liderado por Arnaldo Cardoso Pires, assumiu o comando e transferiu mais uma vez a redação, desta vez para a Rua do Ouvidor, no Centro do Rio[8] . O Jornal dos Sports ainda circulou por dois anos sob a nova direção.

Jornalistas ilustres[editar | editar código-fonte]

Colunistas[editar | editar código-fonte]

Editores e repórteres[editar | editar código-fonte]

Chargistas e cartunistas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. KONDER, Cristina. Um olhar feminino no Jornal dos ports. In Jornalismo Esportivo: os craques da emoção. Cadernos da Comunicação - Série Estudos, no. 11. Prefeitura do Rio de Janeiro, 2004
  2. Jornal dos Sports faz reforma gráfica e muda nome para Jsports.com.br. Comunique-se (14 de abril de 2010). Página visitada em 31 de maio de 2011.
  3. a b [http://www.encontro2010.rj.anpuh.org/resources/anais/8/1276705454_ARQUIVO_TextoAnpuh2010.pdf COUTO, André Alexandre Guimarães. Uma arena de notícias: a fundação do Jornal dos Sports e os seus primeiros editoriais]. ANPUH-Rio (23 de julho de 2010). Página visitada em 4 de junho de 2011.
  4. DRUMOND, Maurício. A Política no Jornalismo Esportivo: o Jornal do Brasil e o Jornal dos Sports no Dissidio Esportivo dos Anos 30. Intercom (4 a 7 de setembro de 2009). Página visitada em 4 de junho de 2011.
  5. Título não preenchido, favor adicionar. Livros de utebol. Página visitada em 4 de junho de 2011.
  6. a b c HOLLANDA, Bernardo Borges Buarque de. O clube como vontade e representação: O jornalismo esportivo e a formação das torcidas organizadas de futebol do Rio de Janeiro (1967-1988). Capítulo 3. Página visitada em 4 de junho de 2011.
  7. Ainda falta um vampiro. Secretaria de Saúde do Distrito Federal (11 de janeiro de 2006). Página visitada em 4 de junho de 2011.
  8. Jornal dos Sports muda de dono. Secretaria de Saúde do Distrito Federal (22 de fevereiro de 2008). Página visitada em 4 de junho de 2011.
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