Torneio Rio-São Paulo

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O Torneio Rio-São Paulo foi um torneio de futebol interestadual disputado por clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Foi realizado pela primeira vez em 1933, mas só passou a ser disputada anualmente a partir de 1950.

Em 1954, o torneio passou a ser oficialmente chamado "Torneio Roberto Gomes Pedrosa", ainda contando apenas com clubes dos dois estados.[1]

Em 1967 foi ampliado, vindo a contar com a participação de clubes de outros estados, abandonando o nome popular "Rio-São Paulo" e passando a ser chamado apenas de Torneio Roberto Gomes Pedrosa ou Robertão (devido a sua ampliação e caráter nacional) e Taça de Prata a partir de 1968, quando foi encampado pela CBD, embrião do Campeonato Brasileiro com este nome.

Uma nova edição do torneio Rio-São Paulo só voltou a ser disputada na década de 1990, tendo tido a sua última edição em 2002.

História[editar | editar código-fonte]

1933: Primeira edição[editar | editar código-fonte]

O Torneio Rio-São Paulo foi realizado pela primeira vez em 1933. Contava com a participação de, por ordem final da colocação: Palestra Itália (campeão), São Paulo, Portuguesa de Desportos, Bangu, Vasco, Corinthians, Fluminense, America (RJ), Santos , Bonsucesso, AA São Bento e Ypiranga (SP).

Com exceção do Flamengo e do Sírio que não disputou o Rio-São Paulo, as partidas do Campeonato Carioca organizado pela Liga Carioca de Football (onde o Botafogo não participava) e do Paulista valiam para o torneio interestadual.

Na partida que decidiu este torneio, o Palestra venceu o Fluminense por 2 a 1 no Estádio Palestra Itália, na última rodada, perante cerca de 25.000 torcedores. Incorretamente, muitos sites e até livros, apontam a jogo que definiu o título como sendo o confronto paulista entre Palestra e São Paulo, mas este aconteceu na 19ª rodada, do total de 22, com o Palestra tendo sido campeão com apenas 2 pontos de vantagem sobre o São Paulo, de modo que a colocação correta é a de que o clássico paulista acabou dando a vantagem que definiu o título posteriormente.[2]

1934: Tentativa[editar | editar código-fonte]

Uma segunda edição do Torneio Rio-São Paulo chegou a ser planejada, em 1934. Para tornar o torneio mais curto, foi criada uma fase classificatória, com um grupo paulista e outro carioca. Na segunda fase os três melhores de cada grupo se enfrentariam em sistema eliminatório.

O fase classificatória chegando iniciada, porém com o abandono de Palestra Itália, Vasco e Corinthians, que ingressaram na Confederação Brasileira de Desportos após esta aceitar o regime profissional, o torneio foi interrompido. Apenas o grupo do Rio de Janeiro tinha um campeão definido - o Flamengo.[3]

Anos 1940[editar | editar código-fonte]

Sua segunda edição só ocorreu em 1940(19/02),[4] entretanto, acabou sendo suspenso, não havendo campeão, tendo também as partidas dos estaduais valendo para esta edição.

Em 1940 foram disputadas oito rodadas deste torneio, que terminou abandonado pelos clubes paulistas quando a dupla Fla-Flu o liderava e o título não pôde ser homologado, pelo fato de não ter sido disputado o returno do torneio, como era previsto no regulamento da competição (fontes: A Noite, Jornal dos Sports e O Jornal).

Em 1942, foi realizado um torneio nos moldes do Rio-São Paulo, porém, com apenas 5 equipes (Corinthians, São Paulo, Palestra Itália, Flamengo e Fluminense), o Torneio Quinela de Ouro.[5] Nesta competição, o campeão foi o Corinthians, porém, a FERJ e a FPF não reconhecem esta competição como edição oficial do Torneio Rio-São Paulo.

1950-1966: Início da regularidade[editar | editar código-fonte]

O Rio-São Paulo tornou-se uma competição regular apenas em 1950, ano de sua terceira edição, ocorrendo anualmente até 1966, quando foram convidados clubes de outros estados e passou a ser chamado pelo seu nome oficial, Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Em 1951 foi realizado o único Torneio Início do Rio-São Paulo, vencido pelo Bangu Atlético Clube.

Em 1951 o torneio ficou marcado pela decisão entre Palmeiras e Corinthians, quando o time alviverde levou a melhor. Após equilíbrio na fase de pontos onde o Palmeiras ganhou do Flamengo por 7 a 1, perdeu o America por 6 a 4, venceu o São Paulo por 2 a 0, venceu a Portuguesa e o Vasco por 4 a 1, venceu o Bangu por 2 a 0, mas perdeu para o Corinthians por 3 a 0, foi necessária uma final entre os dois rivais por haver empate em número de pontos. Nas finais deu Palmeiras que venceu os dois jogos, o primeiro por 3 a 2 e o segundo por 3 a 1.

O torneio contou com as melhores formações da história da Portuguesa, a qual conquistou as edições de 1952 e 1955.

Em 1956 os cariocas tentaram adiar a competição para o segundo semestre do ano, alegando que seriam prejudicados com as convocações da Seleção Brasileira, que disputaria o Campeonato Sul-Americano no mesmo período. Os paulistas se recusaram, alegando que a competição já fazia parte do calendário nacional e um adiamento comprometeria a receita dos clubes. Mesmo com a Confederação Brasileira de Desportos intercedendo a favor dos paulistas, os cariocas retiraram-se mesmo da competição. O Torneio Roberto Gomes Pedrosa desse ano foi disputado apenas por paulistas e considerado sem efeito como um Torneio Rio-São Paulo.[6]

Em 1957, o Fluminense foi a primeira equipe carioca a conquistar o Torneio Rio-São Paulo, invicto, repetindo o feito em 1960, quando teve apenas uma derrota. Nas 2 edições, Waldo Machado, o maior artilheiro da história Tricolor, foi o artilheiro da competição.[7]

Em 1964 o Botafogo e o Santos terminaram o campeonato de pontos corridos empatados, e com isso foi forçado um jogo extra. No primeiro jogo, o Botafogo derrotou seu adversário por 3 a 2 em 10 de janeiro de 1965. O segundo compromisso porém, no qual o Botafogo dependia apenas de um empate, acabou sendo cancelado pois os dois times saíram em excursão, logo, Botafogo e Santos foram declarados campeões.[8]

O campeonato de 1965 apresentou ao país a Academia do Palmeiras que sagrou-se campeão com goleadas históricas obtidas inclusive no Maracanã.

Em 1966, outra divisão de título ocorreu. Botafogo, Corinthians, Santos e Vasco da Gama terminaram empatados na primeira colocação de um campeonato de pontos corridos, o que forçaria a realização de um quadrangular extra (também chamado à época de "supercampeonato").

Todavia, devido aos preparativos da Seleção Brasileira de Futebol para a Copa do Mundo FIFA de 1966 que convocou 47 atletas para treinar, Botafogo, Santos, Corinthians e Vasco foram declarados campeões por medida administrativa pelas Federações do Rio e São Paulo, embora como em 1940, o regulamento previsse a conclusão do torneio.

Em 1967 clubes de outros estados passaram a participar do torneio, que perdeu o "apelido" de Torneio Rio-São Paulo, passou a ter um âmbito nacional e passou a ser conhecido por seu nome original, Torneio Roberto Gomes Pedrosa, sendo substituído em 1971 pelo Campeonato Brasileiro, agora com esse nome, mantendo com poucas modificações a fórmula dos anos anteriores em suas edições iniciais.

1993 e 1997-2002: Recomeço e nova interrupção[editar | editar código-fonte]

Em 1993, o torneio Rio-São Paulo voltou a ser realizado e teve como campeão o Palmeiras, e retornou sua regularidade em 1997. Desde então, oito equipes participaram de todas as edições, sendo elas: Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco do Rio de Janeiro, e Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, de São Paulo. Outros clubes completaram a lista de participantes de cada edição.

Em 1997, o torneio foi disputado em "mata-mata" com jogos de ida e volta. Em 1998, uma ano depois de ter começado a ser disputado anualmente outra vez, o novo formato da competição colocava, em dois grupos de quatro equipes, dois clubes de cada Estado. Classificavam-se para as semifinais os dois primeiros de cada grupo. Este modelo foi empregado até 2001.

Última edição - especial[editar | editar código-fonte]

Em 2002, foi criado o Rio-São Paulo com 16 clubes, com o objetivo de suprimir os Estaduais. Este modelo foi disputado pelas equipes titulares dos clubes enquanto, no caso do Rio de Janeiro, os reservas disputavam com as equipes pequenas o Carioca (chamado de Caixão naquele ano, por conta da briga das Organizações Globo com o presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, Eduardo Viana, cujo apelido era Caixa D'Água), e, no caso de São Paulo, o Paulistão foi disputado apenas por clubes pequenos que não estavam no Torneio Rio-São Paulo.

O Corinthians sagrou-se campeão naquele ano em cima do rival São Paulo, tornando-se, ao lado de Palmeiras e Santos, um dos maiores vencedores do certame, com cinco conquistas ao longo dos anos. Nesta última edição, as piores equipes de Rio de Janeiro e São Paulo seriam rebaixadas aos Campeonatos Estaduais, e seriam substituídas pelos melhores dos estaduais Paulista e Carioca, porém não houve mais a disputa deste torneio interestadual.

Com o advento do Campeonato Brasileiro por pontos corridos em 2003 pela CBF, o calendário do futebol brasileiro não poderia mais abrigar esta e outras competições interestaduais, prevalecendo, ao lado do Nacional, os Campeonatos Estaduais.

Reconhecimento como título de Campeonato Brasileiro[editar | editar código-fonte]

Foi divulgado que a Portuguesa de Desportos cogitou pedir a unificação do Torneio Rio-São Paulo com o Campeonato Brasileiro, com o argumento de que o Torneio Rio-São Paulo originou o "Robertão", competição recentemente oficializada pela CBF como sendo Campeonato Brasileiro, [9] ou seja, o pedido se daria com base no conceito de "sucessão" de competições, que tem embasado pedidos de reconhecimento recentes, como os casos do Campeonato Sul-Americano de Campeões, da Copa Rio Internacional e do próprio "Robertão".

Em números, São Paulo e Rio de Janeiro são os dois estados brasileiros com mais títulos nas competições nacionais de clubes. O jornal espanhol El Mundo Deportivo de 14 de junho de 1951 chama o Torneio Rio-São Paulo de "campeonato brasileiro oficioso", afirmando que os dois estados possuíam os melhores times do Brasil.[10]

Títulos[editar | editar código-fonte]

Estatísticas[editar | editar código-fonte]

Maiores públicos[editar | editar código-fonte]

# Mandante Placar Visitante Público Estádio Data
1. Botafogo 3–1 Santos 102.260 Rio de Janeiro Maracanã 31 de março de 1963
2. Flamengo 1–7 Santos 87.868 Rio de Janeiro Maracanã 11 de março de 1961
3. Vasco 3–1 Santos 81.421 Rio de Janeiro Maracanã 28 de fevereiro de 1999
4. Vasco 1–0 Corinthians 77.881 Rio de Janeiro Maracanã 31 de maio de 1953
5. Vasco 2–1 Santos 74.155 Rio de Janeiro Maracanã 13 de abril de 1961
6. São Paulo 2–1 Botafogo 71.668 São Paulo Morumbi 7 de março de 2001
7. Flamengo 2–2 Santos 70.729 Rio de Janeiro Maracanã 6 de fevereiro de 1997
8. Botafogo 3–0 Vasco 69.960 * Rio de Janeiro Maracanã 27 de março de 1966
9. Bangu 2–0 Fluminense 69.960 * Rio de Janeiro Maracanã 27 de março de 1966
10. Flamengo 0–0 Vasco 64.875 Rio de Janeiro Maracanã 10 de abril de 1965
11. Botafogo 1–1 Flamengo 64.721 Rio de Janeiro Maracanã 10 de fevereiro de 1999


(*) Rodada dupla.


Clubes participantes[editar | editar código-fonte]

Nome do clube Participações
São Paulo Corinthians 25
São Paulo Palmeiras 25
São Paulo São Paulo 25
Rio de Janeiro Flamengo 25
Rio de Janeiro Vasco 25
Rio de Janeiro Fluminense 24
Rio de Janeiro Botafogo 23
São Paulo Santos 21
São Paulo Portuguesa 20
Rio de Janeiro America 13
Rio de Janeiro Bangu 7
Rio de Janeiro Americano 1
Rio de Janeiro Bonsucesso 1
Rio de Janeiro Olaria 1
São Paulo Etti Jundiaí (atual Paulista) 1
São Paulo Guarani 1
São Paulo Ponte Preta 1
São Paulo AA São Bento 1
São Paulo São Caetano 1
São Paulo Ypiranga 1



Artilharia[editar | editar código-fonte]

Ano Jogador Equipe gols
1933 Brasil Waldemar de Brito São Paulo São Paulo 33
1950 Brasil Baltazar São Paulo Corinthians 09
1951 Brasil Ademir Menezes Rio de Janeiro Vasco da Gama 09
Brasil Aquiles São Paulo Palestra Itália (atual Palmeiras)
Brasil Liminha
1952 Brasil Pinga São Paulo Portuguesa 11
1953 Brasil Vasconcellos São Paulo Santos 08
1954 Brasil Dino da Costa Rio de Janeiro Botafogo 08
Brasil Simões Rio de Janeiro América
1955 Brasil Edmur São Paulo Portuguesa 11
1957 Brasil Waldo Rio de Janeiro Fluminense 13
1958 Brasil Gino São Paulo São Paulo 12
1959 Brasil Henrique Rio de Janeiro Flamengo 09
1960 Brasil Quarentinha Rio de Janeiro Botafogo 11
Brasil Waldo Rio de Janeiro Fluminense
1961 Brasil Coutinho São Paulo Santos 09
Brasil Pepe
1962 Brasil Amarildo Rio de Janeiro Botafogo 08
1963 Brasil Pelé São Paulo Santos 14
1964 Brasil Coutinho São Paulo Santos 11
1965 Brasil Flávio Minuano São Paulo Corinthians 14
Brasil Ademar Pantera São Paulo Palmeiras
1966 Brasil Parada Rio de Janeiro Botafogo 08
1993 Brasil Renato Gaúcho Rio de Janeiro Flamengo 06
1997 Brasil Romário Rio de Janeiro Flamengo 07
1998 Brasil Dodô São Paulo São Paulo 05
1999 Brasil Bebeto Rio de Janeiro Botafogo 05
Brasil Guilherme Rio de Janeiro Vasco
Brasil Alessandro São Paulo Santos
2000 Brasil Romário Rio de Janeiro Vasco 12
2001 Brasil França São Paulo São Paulo 06
2002 Brasil França São Paulo São Paulo 19

Referências

  1. Torneio Rio-São Paulo -- List of Champions
  2. [1]
  3. [2]
  4. a b RSSSF Brasil - Torneio Rio-São Paulo de 1940 - atualizado em 5 de fevereiro de 2004
  5. [3]
  6. [4]
  7. BRASIL Artilheiros do Rio-SP
  8. RSSSF Brasil - Torneio Rio-São Paulo de 1964 - atualizado em 27 de janeiro de 2000
  9. GloboEsporte.com, 23/12/2010: Lusa vai reivindicar reconhecimento dos títulos do Torneio Rio-São Paulo.
  10. El Mundo Deportivo, 14/06/1951, página 3.
  11. Lista de campeões do Torneio Rio São Paulo, indicando que não houve campeão na edição de 1940. Jornal O Estado de São Paulo, 01 de março de 2000, página 26
  12. História do Torneio Rio São Paulo, indicando que o Flamengo conquistou 1 Torneio Rio São-Paulo (1961) e o Fluminense 2 (1957 e 1960), nenhum dos dois clubes tendo sido campeões em 1940. Jornal O Estado de São Paulo, 18/01/2002, página 58
  13. História do Torneio Rio São Paulo, indicando que a edição de 1940 só teve um turno e não teve campeão. Jornal Folha de São Paulo, 19/01/2002
  14. Comentando o lançamento do Campeonato Nacional de Clubes (Campeonato Brasileiro), o jornal O Estado de São Paulo de 06 de agosto de 1971 (página 24) conta a história do Torneio Rio-São Paulo e do "Robertão", evidenciando que a edição de 1940 do Torneio Rio-São Paulo não teve campeão, tendo sido interrompida no 1º turno sem nenhum clube ter sido declarado campeão.
  15. RSSSF sobre o Torneio de 1940 (acesso em 08/02/2013): Em virtude de o torneio não ter sido concluído, não houve campeão.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Rio de Janeiro
São Paulo
Torneio Rio-São Paulo

1933 | 1934 |1940 | 1950 | 1951 (Início) | 1951 | 1952 | 1953 | 1954 | 1956 | 1957 | 1958 | 1959 | 1960 | 1961 | 1962 | 1963 | 1964 | 1965 | 1966 | 1993 | 1997 | 1998 | 1999 | 2000 | 2001 | 2002