Kenning

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Na literatura germânica medieval, uma kenning é uma figura de linguagem poética que substitui o nome habitual de uma pessoa ou coisa. Na sua forma mais simples, compreende dois termos, um dos quais (a 'palavra-base') é relacionado com o segundo formando um significado que nenhum dos termos possui individualmente. Por exemplo, em inglês antigo o mar podia ser chamado seġl-rād 'caminho da vela', swan-rād 'caminho do cisne', bæþ-weġ 'caminho do banho' ou hwæl-weġ 'caminho da baleia'. Na linha 10 do épico Beowulf o mar é chamado hronrāde ou 'caminho da baleia'.

Esta palavra deriva da expressão norueguesa antiga kenna eitt við, "expressar uma coisa em termos de outra", e é bastante usual na língua norueguesa antiga, literatura anglo-saxónica e literatura celta. As kennings estão particularmente associadas com a prática da poesia aliterativa, onde tendem a tornar-se fórmulas fixas. Os skalds (bardos das cortes viking) faziam um uso tão extensivo de kennings que estas vieram a ser vistas como elemento essencial do 'verso skáldico'.

Exemplo[editar | editar código-fonte]

Para compreender as kennings era necessário um sólido conhecimento da mitologia, uma das razões por que Snorri Sturluson compôs a Edda em prosa como obra de referência para os aspirantes a poetas. Eis um exemplo da importância deste conhecimento, composta pelo skald norueguês Eyvind Finnson († 990), onde ele compara a ganância do rei Haroldo II da Dinamarca com a generosidade do seu antecessor Haquino, o Bom:

Bárum Ullr, of alla
ímunlauks, á hauka
fjöllum Fyrisvalla
fræ Hákonar ævi;
nú hefr fólkstríðir Fróða
fáglýjaðra þýja
meldr í móður holdi
mellu dolgs of folginn

Tradução em prosa: Ullr, a cebola de guerra! Levámos as sementes dos Fyrisvellir nas montanhas dos falcões durante toda a vida de Haquino; agora o inimigo do povo escondeu a farinha das tristes servas de Fróði na carne da mãe do inimigo das gigantas.

  • Cebola de guerra é uma kenning que significa "espada", e muitas vezes eram usados nomes de deuses como palavra-base em kennings para homens ou mulheres. Ullr, a cebola de guerra significa "guerreiro" e refere-se ao rei Harald.
  • As sementes dos Fyrisvellir significa "ouro" e refere-se à passagem da Saga de Hrólf Kraki em que os homens de Hrólf espalham o ouro roubado nos planaltos (vellir) a sul de Gamla Uppsala ao fugir do rei sueco Adils, com o intento de fazer os homens do rei desmontar e recolher o ouro.
  • As montanhas dos falcões baseia-se no hábito da realeza possuir falcões amestrados que carregavam sobre os braços – significa assim "braços".
  • A farinha das tristes servas de Fróði significa "ouro", e para compreendermos este kenning devemos conhecer a Grottisöng e a lenda do rei danês Fróði. Na Suécia, ele comprou as gigantas Fenja e Menja e obrigou-as a rodar uma mó que produzia ouro como se fosse farinha. As duas gigantas eram tristes porque Fróði nunca as deixava descansar, e em vingança elas trouxeram a má sorte e a guerra, até que a mó se quebrou e o palácio de Fróði ardeu.
  • A carne da mãe do inimigo das gigantas refere-se à Terra (Jord), pois ela era a mãe de Thor, o inimigo dos Jotuns.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]