Aliteração
Aliteração é uma figura de linguagem que consiste em repetir sons consonantais idênticos ou semelhantes em um verso ou em uma frase, especialmente as sílabas tônicas. A aliteração é largamente utilizada em poesias mas também pode ser empregada em prosas, especialmente em frases curtas.
[editar] Descrição
Quando usada sabiamente, a aliteração ajuda a valorizar musicalmente o texto literário. Mas não se trata de simples sonoridades destituídas de conteúdo. Geralmente, a aliteração sublinha (ou introduz) determinados valores expressivos, nem sempre facilmente descritíveis.
Exemplo:
| Em horas inda louras, lindas Clorindas e Belindas, brandas Brincam nos tempos das Berlindas As vindas vendo das varandas. |
Esta estrofe de Fernando Pessoa é um exemplo soberbo do uso expressivo da aliteração. Na realidade, estamos, não perante uma aliteração, mas face a um complexo onde podemos facilmente identificar
Neste caso, a acumulação aliterativa cria um efeito musical intenso que leva-nos a colocar num plano secundário o conteúdo. No entanto, em condições normais a aliteração põe em evidência as palavras afectadas e, portanto, sublinha o seu valor expressivo. Por vezes, permite mesmo estabelecer associações pouco evidentes entre palavras. Frequentemente a aliteração aparece associada à assonância (neste exemplo, i/in e a/an).
[editar] Exemplos de aliteração na totalidade dos versos
- aliteração do L
"Lívidos luares lapidam luminosas lendas lacustres" (Nigia Fortunali)
"Louras libélulas libam labirintos lacrimosos louvando lânquidas liberdades" (Giuliano Fratin)
- aliteração do M
"Minhas magníficas melissas mergulham magicamente melífluas (Antonia Friguli)
- aliteração do D
"Dias dourados deflagram dádivas delineando deuses doravante dóceis deleites" - (Giuliano Fratin)
- aliteração do B
"Belos beijos bailavam bebendo breves brumas boreais" (Luan Farigotini)
"Babuínos bobocas balbuciando em bando" (Minerva McGonagall)
- aliteração do V
"Velas vagas vigiam verdades virgens velando vagarosas vozes" (Giuliano Fratin)