Catacrese

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Catacrese é a figura de linguagem que consiste na utilização de uma palavra ou expressão que não descreve com exatidão o que se quer expressar, mas é adotada por não haver uma outra palavra apropriada - ou a palavra apropriada não ser de uso comum; são como gírias do dia-a-dia, expressões usadas para facilitar a comunicação. Estabelecem comparação às situações em que são atribuídas, qualidades de seres vivos, a seres inanimados. Exemplos comuns são: "os pés da mesa", "marmelada de banana", "vinagre de maçã", "embarcar no avião", "cabeça do alfinete", "braço de rio", "dente de alho" etc. Consiste assim em uma metáfora de uso comum, deixando de ser considerada como tal. Consiste também em dar à palavra uma significação que ela não tem, por falta de termo próprio, empregando-as fora do seu significado real. No entanto, devido ao uso contínuo, não mais se percebe que estão sendo usadas no sentido figurado.

(Na verdade, catacrese ocorre quando há a troca do nome verdadeiro de um objeto ou ação por outro nome - Exemplo, trocar alça por asa da xícara. Isso pode ocorrer pelo fato de não existir um nome apropriado)

Exemplos:

  • O pé da mesa estava quebrado.
  • Não deixe de colocar dois dentes de alho na comida.
  • Quando embarquei no avião, fui dominado pelo o medo.
  • A cabeça do prego está torta.
  • A asa da xícara quebrou-se.
  • Sentou-se no braço da poltrona para descansar
  • Ele já compôs a cabeça do samba.

Catacrese é um tipo especial de metáfora. Esta figura não representa uma expressão subjetiva de um indivíduo, pois já foi incorporada por todos os falantes da língua, passando a ser uma metáfora corriqueira e, portanto, pouco original. Vamos constatar isso? Observe:

Um beijo seria uma borboleta afogada em mármore." (Cecília Meireles)

O anúncio estava no pé da página.

A primeira frase causa-nos estranheza, espanto. A associação que se faz entre um beijo e uma borboleta afogada em mármore é original e está diretamente relacionada à sensibilidade do sujeito que criou tal frase. Todos devem concordar que poucas pessoas fariam tal associação. Trata-se de uma metáfora original.

Já, na segunda frase, relacionamos diretamente a expressão "pé a página" à parte inferior da página. Mas, se pensarmos bem, uma página não tem pé. Houve uma associação entre o pé (parte inferior do corpo humano) e a parte inferior da página, daí a expressão “pé da página”. Esta metáfora já foi incorporada pela língua, perdeu seu caráter inovador, original e transformou-se numa metáfora comum, morta, que não mais causa estranheza. Em outras palavras, transformou-se numa catacrese. O mesmo processo ocorreu nas seguintes expressões:

Pé de mesa, Cabeça de alfinete, Tronco telefônico, Pé de cadeira, braço de cadeira, árvore genealógica, Pé de cama, braço de mar, maçã do rosto, Pé de montanha,cabelo de milho, folha de papel, Pé de laranja,barriga da perna, dente de alho,etc

Curiosidade[editar | editar código-fonte]

A palavra "azulejo" originalmente servia para designar ladrilhos de cor azul. Hoje, essa palavra perdeu a sua ideia de azul e passou a designar ladrilhos de qualquer cor. Tanto que dizemos azulejos brancos, amarelos, azuis, verdes, etc. Essa é uma outra característica da catacrese: as palavras perdem o seu sentido original.

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