Paranomásia
Paranomásia ou paronomásia é uma figura estilística que consiste no emprego de palavras parônimas (com sonoridade semelhante) numa mesma frase, fenômeno que é popularmente conhecido como trocadilho.
Os trocadilhos constituem um dos recursos retóricos mais utilizados em discursos humorísticos e publicitários. Resulta sempre da semelhança fonética ou sintática de dois enunciados cuja conjunção, comparação ou subentendido (enunciado elíptico, não referido directamente) cria um efeito inesperado, intencional ou não, aproveitando a sonoridade similar e o efeito de surpresa sobre o ouvinte ou o leitor da junção de significados díspares num mesmo contexto. Os trocadilhos mais frequentes são cacofonias em que uma determinada palavra é pronunciada de forma a parecer outra, geralmente com intenção humorística, maliciosa, obscena e/ou grosseira.
Exemplos [editar]
| “ Berro pelo aterro pelo desterro |
- "Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias" (Padre António Vieira)
- "Exportar é o que importa"' (Delfim Netto)
- "Com os preços praticados em planos de saúde, uma simples fatura em decorrência de uma fratura pode acabar com a nossa fartura" (Max Nunes)
- George Gamov, ao conceber um trabalho sobre Cosmogonia, junto a Ralph Alpher, intitulou Teoria Alpher-Bethe-Gamov. Gamov adicionou o nome de Hans Bethe (que não participara da concepção do trabalho) para fazer um trocadilho com as três primeiras letras do alfabeto grego, alfa, beta e gama.
- As têmporas da maçã, as têmporas da hortelã, as têmporas da romã, as têmporas do tempo, o tempo temporã. (Murilo Mendes)
- Melancolias, mercadorias espreitam-me. (Carlos Drummond de Andrade)
Outros exemplos incluem provérbios ("quem casa, quer casa") e expressões de uso corrente, como traduttore, traditore ("tradutor, traidor" em italiano). O termo é ainda usado para designar a semelhança entre duas palavras, de línguas diferentes, mas com a mesma etimologia.