Mulhouse

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Mulhouse
—  Comuna francesa França  —
Bollwerk — Restos dos muros da cidade
Bollwerk — Restos dos muros da cidade
Bandeira de Mulhouse
Bandeira
Brasão de armas de Mulhouse
Brasão de armas
Mulhouse está localizado em: França
Mulhouse
Localização de Mulhouse na França
47° 44' 57" N 07° 20' 24" E
País  França
Região Blason région fr Alsace.svg Alsácia
Departamento Blason département fr Haut-Rhin.svg Alto Reno
Área
 - Total 22,18 km²
Altitude 240 m (787 pés)
População (2010)[1]
 - Total 109 588
    • Densidade 4 940,8/km2 
Gentílico: Mulhousiano
Código Postal 68100 / 68200
Código INSEE 68224
Sítio http://www.mulhouse.fr

Mulhouse (Mulhouse em francês, Mülhausen em alemão, pronúncia em alsaciano Milhüsa) é a maior comuna do departamento (département) francês do Haut-Rhin e a segunda da região Alsácia, depois de Estrasburgo. Ela é atravessada por dois rios, o Doller e o Ill, afluentes do rio Reno. Mulhouse situa-se a aproximadamente 30 km ao norte de Basileia, na Suíça, a uns 15 km da fronteira franco-alemã e a uns 120 km ao sul de Estrasburgo.

História[editar | editar código-fonte]

Façadas da prace da Reunião
Templo Saint-Etienne

O nome da cidade tem origem no alemão Mühlhausen (moinhos), pois as primeiras instalações sedentárias foram moinhos construídos à beira dos dois rios que banham a cidade. O símbolo da cidade é, naturalmente, uma roda de moinho.

Os primeiros traços escritos datam do século XII. Ela foi membro da Decápole, associação de cidades livres da Alsácia, aliadas à Confederação Suíça. Mulhouse foi uma república germânica independente até sua reunião à França, em 4 de janeiro de 1798.

Por causa dessa união tardia com a França, e também porque a cidade não tinha grande importância na época, seu papel administrativo permaneceu limitado. Assim, Colmar, hoje com muito menos habitantes, ainda é a capital do departamento.

O desenvolvimento de Mulhouse foi estimulado pela expansão da indústria têxtil, depois pelas indústrias químicas e indústrias mecânicas a partir do meio do século XVIII. Mulhouse mantém nessa época relações privilegiadas com a Luisiana, de onde importa o algodão, assim como com o Oriente. Isso explica por que seu centro histórico é pequeno se comparado ao resto da cidade.

Mulhouse é constituída principalmente da cidade baixa e da cidade alta.

  • A cidade baixa era, antigamente, o bairro dos mercadores e artesãos.Desenvolveu-se ao redor da Praça da Reunião, assim chamada em comemoração da união da cidade à França. Hoje em dia é um espaço de uso exclusivo de pedestres.
  • A cidade alta desenvolveu-se a partir do século XVIII. Diversas ordens monásticas ali se estabeleceram, principalmente os Franciscanos, os Augustinos, os Clarisses e os Cavaleiros de Malta.
  • O Bairro Novo é o primeiro exemplo de urbanismo planeado em Mulhouse, a partir de 1826, após a destruição dos muros da cidade (como em diversas cidades francesas). Ele se concentra em torno da praça da República.
  • O bairro do Rebberg compreende as mansões inspiradas pelas residências a pórticos e colunas dos plantadores de algodão da Luisiana. No início, esse espaço era ocupado pelos vinhedos da cidade (reb: vinha ; berg: colina). Ali se encontram casas de inspiração inglesa: os cottages, em referência à aproximação com Manchester, principalmente quando das viagens dos filhos de famílias de industriais à Inglaterra para estudos.

O prédio da prefeitura (hôtel de ville) (1553) tem estilo renascentista renano. Vendo-o, Montaigne o qualifica de « palais magnifique et tout doré » (palácio magnífico e todo dourado) em 1580. Suas pinturas e alegorias representando os vícios e as virtudes contribuem para sua reputação. As pinturas da sala do Conselho representam os brasões dos cantões suíços com os quais a cidade era aliada.

Economia[editar | editar código-fonte]

Sociedade industrial

O desenvolvimento industrial, motor do desenvolvimento da cidade, foi primeiramente resultado da indústria têxtil, depois das atividades industriais mecânicas e químicas. Alguns elementos desses setores sobreviveram até hoje, mas a crise que atacou a indústria têxtil após a Segunda Guerra Mundial prejudicou duramente Mulhouse. Uma grande reorientação ocorreu com a implantação de um centro de produção automobilística em 1962 (Peugeot). A notar, também, a proximidade das minas de potássio da Alsácia, ao norte da cidade, grande fonte de emprego durante todo o século XX.

Personagens célebres[editar | editar código-fonte]

Alfred Dreyfus (1859-1935) 
Alfred Dreyfus, nascido em Mulhouse em 9 de outubro de 1859, foi injustamente condenado à deportação perpétua em 1894 por traição em benefício da Alemanha, sendo reabilitado em 1906.
Johann Heinrich Lambert (1728-1777) 
Físico, matemático, cartógrafo, astrônomo e filósofo, Lambert foi um precursor da ciência experimental. Em 1764, Frederico II da Prússia contrata-o para a Academia de Berlim.
Katia e Maurice Krafft (1942-1991) e (1946-1991) 
Katia e Maurice Kraft estão entre os vulcanólogos mais célebres do mundo. Realizaram diversas missões em vulcões da Itália, da Islândia, da Indonésia e da África. Os dois desapareceram durante a explosão do vulcão Unzen, no Japão, em 3 de junho de 1991. Maurice Krafft nasceu em Mulhouse.
William Wyler (1902-1981) 
Wiliam Wyler nasce em Mulhouse em 1 de julho de 1902, quando a Alsácia pertencia ao Império alemão. Ele foi educado em Lausanne, antes de estudar violino no Conservatório de Paris. A partir de 1922, trabalhou para os estúdios Universal, primeiro no departamento de publicidade, depois como assistente de produção. Ele é conhecido por ter realizado o filme Ben Hur.
Godefroy Engelmann (1788-1839) 
Engelmann inventou em 1836 um procedimento de coloração de imagens ainda hoje utilizado em impressão: a cromolitografia.
Alfred Werner (1866 - 1919)
Químico, recebeu o Prêmio Nobel de Química em 1913 por ter proposto uma configuração octaedral para os complexos de metais em transição. Werner desenvolveu as bases da moderna teoria da Química de coordenação.

Monumentos e atrações turísticas[editar | editar código-fonte]

A prefeitura de Mulhouse
O museu nacional do automóvel
  • Hôtel de ville do século XV.
  • Praça da Bolsa e prédio da Sociedade Industrial de Mulhouse do século XIX.
  • Museu do Automóvel (coleção Schlumpf).
  • Museu das Estradas de Ferro.
  • Museu da Eletricidade (Electropolis).
  • Museu de Impressão em Tecidos.
  • Jardim Zoológico e botânico.
  • EcoMuseu alsaciano (Museu de casas antigas da Alsácia, para lá transportadas e restauradas).
  • Torre do Belvédère. Panorama 360°.

No centro da cidade encontra-se a Torre da Europa, com uma altura de 106 metros, terminada em 1972 pelo arquiteto François Spoerry. Este prédio de 180 apartamentos tem em seu terraço um restaurante panorâmico que tem a particularidade de girar 360°, permitindo a observação de todo o panorama (Jura, Floresta Negra, Alpes suíços) durante a refeição. Avistada de longe, ela se tornou desde a sua construção o símbolo da cidade de Mulhouse.

Herança de suas relações com os cantões suíços, a utilização de frescos para embelezar as casas da cidade é frequente. O mais belo exemplo é a prefeitura, sem esquecer os diversos prédios do centro da cidade antiga.

Cidades geminadas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Mulhouse

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Populations légales des communes en vigueur au 1er janvier 2013 (em francês). www.insee.fr. INSEE (dezembro de 2012). Página visitada em 3 de abril de 2013.