Náilon

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Nylon 40 vezes ampliado

O náilon (ou nylon) é um nome genérico para a família das poliamidas, sintetizado pelo químico chamado Wallace Hume Carothers em 1935.[1] Foi a primeira fibra têxtil sintética produzida. Dos fios desse polímero fabricam-se o velcro e os tecidos usados em meias femininas, roupas íntimas, maiôs, biquínis, bermudas, shorts e outras roupas esportivas .

Monomero do Nylon 6,6, primeiro a ser produzido

Várias são as histórias que explicam a etimologia dessa palavra. A mais famosa (ainda que não seja provada) conta que ele é assim chamado, pois a fábrica que inicialmente o produziu tinha sede tanto nos Estados Unidos (em New York) quanto na Inglaterra (em London). Os criadores dessa fibra, diante da necessidade de dar-lhe um nome, decidiram juntar as iniciais de New York, com as três primeiras letras de London, dando origem à palavra nylon. Outra possível explicação para o termo seria a de que durante a 2ª Guerra Mundial os EUA usaram o tecido nos pára-quedas. O "nylon" seria então uma abreviação de "Now you've lost, Old Nippon".[2]

Corda de náilon

O náilon consiste, também, no mais conhecido representante de uma categoria de materiais chamados poliamidas, que apresentam ótima resistência ao desgaste e ao tracionamento. Esta última propriedade é facilmente percebida quando tentamos arrebentar com as mãos uma linha de pesca fabricada com náilon.

O náilon e as demais poliamidas podem também ser moldados sob outras formas, além de fios, possibilitando a confecção de objetos como parafusos, engrenagens e pulseiras para relógios.

O náilon também é muito utilizado para realização de suturas em ferimentos, uma vez que é um material inerte ao organismo e não apresenta reação inflamatória como outros fios de sutura (ex.: vicryl, cat-gut, seda, algodão).

Este fio pode ser tão resistente quanto o fio que forma a teia da aranha. Isto se deve a uma certa semelhança química entre o que seja o náilon e as proteínas. Os polímeros que genericamente são chamados de náilon são resultado da polimerização de ácidos dicarboxílicos alternadamente com diaminas, enquanto as proteínas são polímeros de aminoácidos.

Náilon:
…-NH-[CH2]n-NH-CO-[CH2]n-CO-NH-[CH2]n-NH-CO-[CH2]n-CO-NH-[CH2]n-NH-…
Proteínas, em comparação:
…-NH-R-CO-NH-R'-CO-NH-R-CO-NH-R'-CO-NH-R4'-CO-…

Nylon e o meio ambiente[editar | editar código-fonte]

Náilon, cerca de 650 anos para se degradar

O náilon, se descartado em locais indevidos, pode ter forte impacte no meio ambiente, pois seu tempo de degradação é de cerca de 400 anos. Por ser muito utilizado na indústria pesqueira, muitos animais marinhos como tartaruga e golfinhos ficam presos pelo resto da vida em eventuais contatos com o material.

Em alguns locais do Brasil, a pesca de grande porte é proibida se utilizar redes de náilon, principalmente em épocas de piracema; sendo permitido apenas com cadastro no orgão ambiental realizar pescas por lazer ou recreação com o uso de anzol, chumbada, linha, vara, molinete e iscas.[3]

Produção[editar | editar código-fonte]

O náilon é um dos muitos nomes correntes das fibras artificiais mais comuns.

O náilon é obtido em diferentes combinações de diaminas com ácidos dicarboxílicos, sendo comuns a reação de hexametilenodiamina com o ácido adípico ou com o cloreto de adipoíla, para o nylon "6,6" (estes números referem-se ao número de carbonos de cada um de seus constituintes, e com o ácido sebácico ou o dicloreto de ácido sebácico, alternativamente para obter o nylon "6,10", entre outras variações).

No Brasil o nylon é produzido em grande escala pela RHODIA sendo vendido em estado líquido com o nome de Sal N.

A reação geral é:

Condensation polymerization diacid diamine.svg

Referências

  1. Hermes, Matthew. Enough for One Lifetime, Wallace Carothers the Inventor of Nylon, Chemical Heritage Foundation, 1996, ISBN 0-8412-3331-4.
  2. History of Nylon US Patent 2,130,523 'Linear polyamides suitable for spinning into strong pliable fibers', U.S. Patent 2,130,947 'Diamine dicarboxylic acid salt' and U.S. Patent 2,130,948 'Synthetic fibers', all issued 20 September 1938
  3. [1]
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