N-butil lítio

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n-butil-lítio
Alerta sobre risco à saúde
Butyllithium-hexamer-from-xtal-3D-balls-A.png
Nome IUPAC butil-lítio, tetra-μ3-butil-tetralítio
Outros nomes NBL, BuLi,
1-litiobutano
Identificadores
Número CAS 109-72-8
PubChem 61028
ChemSpider 10254339
ChEBI 51469
SMILES
InChI InChI=1/C4H9.Li/c1-3-4-2;/h1,3-4H2,2H3;/rC4H9Li/c1-2-3-4-5/h2-4H2,1H3
Propriedades
Fórmula química C4H9Li
Massa molar 64.06 g mol-1
Aparência líquido incolor
instável
usualmente obtido
como solução
Densidade 0.68 g/cm³, definido em solvente
Ponto de fusão

-76 °C (<273 K)

Ponto de ebulição

se decompõe

Solubilidade em água reage violentamente
Solubilidade em éter dietílico solúvel
Acidez (pKa) >35 (necessita fonte)
Estrutura
Forma molecular tetramérica em solução
Momento dipolar 0 D
Riscos associados
Principais riscos
associados
inflamável ao ar,
decomposto libera
LiOH, corrosivo
Compostos relacionados
reagente de organolítio relacionados sec-butil-lítio
t-butil-lítio
hexil-lítio
metil-lítio
Compostos relacionados hidróxido de lítio
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.
Garrafas de n-butil-lítio em heptano.

O n-butil-lítio (abreviado n-BuLi) é um reagente de organolítio. É largamente usado como iniciador de polimerização na produção de elastômeros, tais como polibutadieno ou estireno-butadieno-estireno (SBS). Também é muito empregado como base forte (superbase) em síntese orgânica, industrialmente e em laboratório.

Butil-lítio é disponibilizado comercialmente em soluções (15%, 25%, 2 M, 2.5 M, 10 M, etc.) em alcanos como pentano, hexanos e heptanos. Soluções em éter dietílico e THF podem ser preparadas, mas não são estáveis o suficiente para a armazenagem. A produção e consumo anual do butil-lítio e outros compostos de organolítio é estimada em 1800 toneladas.[carece de fontes?]

Apesar de ser um líquido incolor, n-butil-lítio é encontrado normalmente como uma solução amarelo-pálida. tais soluções são estáveis indefinidamente se estocadas apropriadamente,[1] mas, na prática, elas se deterioram com o passar do tempo. Um precipitado branco e fino (hidreto de lítio) se deposita e a cor muda para laranja.

Estrutura e ligação[editar | editar código-fonte]

N-BuLi existe como um cluster no estado sólido e em solução. A tendência de agregar é comum para compostos de organolítio. Os agregados são mantidos unidos por ligações covalentes deslocadas entre o lítio e o carbono terminal da cadeia butil.[2] No caso do n-BuLi, os clusteres são tetraméricos (em éter) ou hexaméricos (em ciclohexano). O cluster é uma estrutura distorcida de cubano com o Li e os grupos CH2R em vértices alternados. Uma descrição equivalente do tetrâmero é um tetraedro de Li4 interpenetrado com um tetraedro de [CH2R]4. A ligação dentro do cluster é parecida com aquela usada para descrever o diborano porém mais complexa porque oito átomos estão envolvidos. Refletindo seu "caráter de eletrodeficiência", o n-butil-lítio é altamente reativo com bases de Lewis.

Devido à grande diferença de eletronegatividade entre carbono (2.55) e lítio (0.98), a ligação C-Li é fortemente polarizada. A separação de cargas foi estimada entre 55% e 95%. Para propósitos práticos, n-BuLi pode ser considerado na reação como um ânion butil, n-Bu, e um cátion lítio, Li+.

Preparação[editar | editar código-fonte]

A preparação padrão do n-BuLi é a reação de 1-bromobutano ou 1-clorobutano com Li metálico:[1]

2 Li + C4H9X → C4H9Li + LiX
onde X = Cl, Br

O lítio para esta reação contém de 1 a 3% de sódio. Entre os solventes usados para esta preparação estão o benzeno, ciclohexano e éter dietílico. Quando o precursor é BuBr, o produto é uma solução homogênea, consistindo de um cluster misto contendo ambos LiBr e BuLi, junto com uma pequena quantidade de octano. BuLi forma um complexo fraco com LiCl, então a reação de BuCl com Li produz um precipitado de LiCl.

Aplicações[editar | editar código-fonte]

Butil-lítio é principalmente valorizado como um iniciador para a polimerização aniônica de dienos, como o butadieno.[3] A reação é chamada de "carbolitiação":

C4H9Li + CH2=CH-CH=CH2 → C4H9-CH2-CH=CH-CH2Li

Isopreno pode ser polimerizado estereoespecificamente dessa forma. Também de comercial importância é o uso do butil-lítio para a produção de polímeros estireno-butadieno. Mesmo o etileno se insere no BuLi.[carece de fontes?]

Reações[editar | editar código-fonte]

O butil-lítio é uma base forte (pKa ≈ 40), mas é também um poderoso nucleófilo e redutor, dependendo dos outros reagentes. Além disso, por ser um nucleófilo forte, n-BuLi se liga a bases de Lewis apróticas, tais como éteres e aminas terciárias, que parcialmente desgregam os clusteres ao se ligar com os centros de lítio. Seu uso como base forte é referido como metalação. Reações são tipicamente conduzidas em tetraidrofurano e éter dietílico, os quais são bons solventes para os derivados de organolítio resultantes (veja abaixo).

Metalação[editar | editar código-fonte]

Uma das propriedades químicas mais importantes do n-BuLi é a sua habilidade em desprotonar uma grande variedade de ácidos de Brønsted. t-Butil-lítio e s-butil-lítio são mais básicos. n-BuLi pode desprotonar (isto é, metalar) muitos tipos de ligações C-H, especialmente onde a base conjugada é estabilizada por delocalização de elétrons ou um ou mais heteroátomos (átomos dferentes do carbono). Exemplos incluem acetilenos (H-CC-R), sulfetos de metila (H-CH2SR), tioacetais (H-CH(SR)2, por exemplo ditiano), metilfosfinas (H-CH2PR2), furanos, tiofenos e ferroceno (Fe(H-C5H4)(C5H5)).[4] Em adição a isso, n-BuLi também desprotona compostos mais ácidos como álcoois, aminas, carbonil compostos enolizáveis, and any overtly acidic compounds, to produce alkoxides, amides, enolates and other -ates of lithium, respectively. A estabilidade e volatilidade do butano resultante de tais reações de desprotonação é conveniente, mas pode ser um problema para reações em larga escala por causa do volume de gás inflamável produzido.

LiC4H9 + R-H → C4H10 + R-Li

A basicidade cinética do n-BuLi á afetada pelo solvente ou cossolvente. Ligantes que complexam Li+ tais como tetraidrofurano (THF), tetrametiletilenodiamina (TMEDA), hexametilfosforamida (HMPA) e 1,4-diazabiciclo[2.2.2]octano (DABCO) polarizam a ligação Li-C e aceleram a metalação. Tais aditivos podem ainda auxiliar no isolamento do produto litiado, um famoso exemplo do qual é o dilitioferroceno.

Fe(C5H5)2 + 2 LiC4H9 + 2 TMEDA → 2 C4H10 + Fe(C5H4Li)2(TMEDA)2

Base de Schlosser é uma superbase produzida ao tratar butil-lítio com tert-butóxido de potássio. É cineticamente mais reativo que o butil-lítio e quase sempre usado para realizar reações de metalação mais difíceis. O ânion butóxido complexa o lítio e efetivamente produz butil-potássio, que é mais reativo que o correspondente reagente de lítio.

Um exemplo do uso de n-butil-lítio como base é a adição de uma amina ao carbonato de metila para formar um carbamato de metila, onde o n-butil-lítio serve para desprotonar a amina:

n-BuLi + R2NH + (MeO)2CO → R2N-CO2Me + LiOMe + BuH

Adições de carbonila[editar | editar código-fonte]

Reagentes de organolítio, incluindo n-BuLi são usados na síntese de aldeídos e cetonas específicos. Um dos modos é a reação de um reagente de organolítio com amidas dissubstituídas:

R¹Li + R²CONMe2 → LiNMe2 + R²C(O)R¹

Decomposição térmica[editar | editar código-fonte]

Quando aquecido, n-BuLi, analogamente a outros reagentes de alquil-lítio com hidrogênios β, sofre eliminação de β-hidreto para produzir 1-buteno e LiH:

C4H9Li → LiH + CH3CH2CH=CH2

Segurança[editar | editar código-fonte]

Compostos de alquil-lítio são armazenados em gás inerte para prevenir perda de atividade e por razões de segurança. N-BuLi reage violentamente com a água:

C4H9Li + H2O → C4H10 + LiOH

BuLi também reage com CO2 para formar pentanoato de lítio:

C4H9Li + CO2 → C4H9CO2Li

Referências

  1. a b Brandsma, L.; Verkraijsse, H. D.. Preparative Polar Organometallic Chemistry I. Berlin: Springer-Verlag, 1987. ISBN 3-540-16916-4.
  2. Elschenbroich, C. ”Organometallics” (2006) Wiley-VCH: Weinheim. ISBN 978-3-29390-6
  3. Ulrich Wietelmann and Richard J. Bauer “Lithium and Lithium Compounds” in Ullmann's Encyclopedia of Industrial Chemistry, 2002, Wiley-VCH, Weinheim. doi:10.1002/14356007.a15_393
  4. Sanders, R.; Mueller-Westerhoff, U. T.. (1996). "The Lithiation of Ferrocene and Ruthenocene — A Retraction and an Improvement". Journal of Organometallic Chemistry 512 (1-2): 219–224. DOI:10.1016/0022-328X(95)05914-B.
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Leitura posterior[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]