Olof Rudbeck

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Olof Rudbeck
Medicina
Retrato de Olaus Rudbeck, por Martin Mijtens (1696)
Nascimento 13 de Setembro de 1630
Local Västerås, Västmanland
Morte 12 de Dezembro de 1702 (72 anos)
Local Uppsala
Atividade
Campo(s) Medicina

Olof Johannis Rudbeck (Västerås, Västmanland, 13 de Setembro de 1630Uppsala, 12 de Dezembro de 1702), também conhecido pela forma latinizada do seu nome por Olaus Rudbeckius, foi um médico, historiador, pioneiro no estudos das runas e sagas islandesas, e escritor. Foi professor da Universidade de Uppsala, da qual foi por vários períodos rector magnificus, onde se notabilizou como um dos descobridores do sistema linfático humano. Foi pai do naturalista Olof Olai Rudbeck, também conhecido por Olof Rudbeck o jovem.

Uma ilustração da edição de 1689 da obra Atlantica, de Olof Rudbeck, onde o autor é mostrado rodeado pelas principais figuras da cultura clássica europeia (Hesíodo, Platão, Aristóteles, Apolodoro, Tácito, Odisseu, Ptolomeu, Plutarco e Orfeu.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Foi filho do bispo luterano Johannes Rudbeckius, capelão pessoal do rei Gustavo Adolfo II da Suécia.

Rudbeck é principalmente conhecido pelas suas contribuições em dois campos, a anatomia humana e a linguística, mas foi um talento polifacetado, distinguindo-se em áreas tão diversas como a música e a botânica.

Deve-se à sua iniciativa a criação do primeiro jardim botânico da Suécia, em Uppsala, durante quase um século denominado Jardim de Rudbeck, actualmente chamado Jardim Carolus Linnaeus, em honra de Lineu, que foi aluno do seu filho e preceptor dos seus netos.

No campo da anatomia, foi um dos pioneiros do estudo dos vasos linfáticos e postulador da existência de um sistema linfático autónomo, que descreveu na Primavera de 1652 numa sessão pública realizada na corte da rainha Cristina da Suécia e publicada no Outono de 1653. A prioridade na descoberta foi contudo disputada pelo médico dinamarquês Thomas Bartholin, que terá sido o primeiro a publicar em 1652 a descoberta, que realizara independentemente nesse mesmo ano[1] . A mesma descoberta é atribuída a Gasparo Aselli e Jean Pecquet.

Por iniciativa de Rudbeck, e com o apoio resultante da admiração da rainha, foi construído o teatro anatómico de Uppsala, numa elegante torre em cúpula situada no tecto do edifício principal da Universidade, o Gustavianum, onde eram feitas autópsias e estudos de anatomia.

O teatro anatómico, ou theatrum anatomicum como então era designado, foi concebido, como aliás estruturas similares coevas, para facilitar o estudo da anatomia humana, e ocasionalmente de outros animais, tinha uma forma de arena circular, permitindo que os estudantes, e os curiosos que estivessem preparados para pagar um bilhete de entrada, assistissem à dissecação e à exibição das peças anatómicas a partir de bancadas semi-circulares. O "Gustavianum" está construído em frente da catedral de Uppsala, continuando até hoje a pertencer à Universidade, e a cúpula desenhada por Rudbeck ainda existe e é uma das estruturas mais conhecidas da cidade.

Entre 1679 e 1702, Rudbeck dedicou-se à linguística, defendendo, com base em pretensas bases filológicas e etimológicas, uma visão histórica ultranacionalista e de um exacerbado patriotismo.

Escreveu uma um tratado de quase 3 000 páginas, que intitulou Atland eller Manheim, ou Atlantica, o primeiro tratado escrito na língua sueca, com o qual pretendeu provar, recorrendo à linguística e à arqueologia, que a Suécia fora a mítica Atlântida, o berço da civilização humana, e que Adão e Eva teriam falado a língua sueca, a qual teria originado o latim e o hebraico[2] . O próprio Jesus teria, segundo Rudbeck, estado em Uppsala.

O seu trabalho linguístico e histórico foi severamente criticado por vários intelectuais europeus, principalmente escandinavos, incluindo o professor dinamarquês Ludvig Holberg e o escritor e médico sueco Andreas Kempe, que ambos escreveram sátiras aos escritos de Rudbeck. O seu trabalho foi posteriormente citado por Denis Diderot no verbete "Etimologia" da Encyclopédie como um exemplo do erro de ligar a etimologia com a história mítica[3] .

Apesar das fortes críticas e da total rejeição das suas teorias linguísticas pela ciência europeia, e da sua disputa com Thomas Bartholin sobre a prioridade da descoberta do sistema linfático, Rudbeck permaneceu uma figura conhecida e respeitada na Suécia. O seu filho, Olof Olai Rudbeck, continuou os seus estudos linguísticos com um claro objectivo de fornecer uma razão intelectual que servisse de base ao crescente poderio e influência da Suécia no panorama europeu da época, adicionando uma pretensa relação entre a língua sami, da Lapónia, e o hebraico.

O legado de Rudbeck continua activo em muitas áreas científicas e na história da língua e literatura suecas, tendo deixada múltiplas marcas na contemporânea cidade de Uppsala. Foram muitas as obras que o seu empreendedorismo permitiu que se realizasse, desde um aqueduto para o abastecimento da cidade até diversos parques e jardins.

Durante o grande fogo que destruiu boa parte de Uppsala em 1702, uma parte importante dos escritos de Rudbeck foram destruídos. O próprio Rudbeck dirigiu o combate ao incêndio desde o topo de um telhado, enquanto a sua casa ardia. Faleceu no mesmo ano, pouco depois do incêndio, e foi sepultado no transepto da Catedral de Uppsala, tendo desde então os monarcas suecas sido frequentemente coroados sobre o seu túmulo.

A família Nobel, incluindo Ludvig Nobel, o fundador da Nobelbra, e Alfred Nobel, o instituidor do Prémio Nobel, foram descendentes directos de Rudbeck através da sua filha Wendela, que casou com um dos alunos de seu pai, Peter Olai Nobelius.

O género vegetal Rudbeckia foi dedicado pelo botânico Carolus Linnaeus a Rudbeck e ao seu filho homónimo, que foi professor de Lineu.

Obra selecionada[editar | editar código-fonte]

  • Atlantica (aproximadamente 1675-1698)

Notas

  1. Eriksson, G. (2004). Svensk medicinhistorisk tidskrift, 2004;8(1):39-44. In Swedish. English abstract at Olaus Rudbeck as scientist and professor of medicine, U.S. National Library of Medicine. Retrieved 1 June 2007.
  2. Auroux, Sylvain, ed. (2006). History of the Language Sciences: An International Handbook on the Evolution of Language Sciences. Walter de Gruyter, ISBN 3110167352, pp. 1125-1126.
  3. Bandle, Oskar et al. (2002). The Nordic Languages: An International Handbook of the History of the North Germanic Languages. Volume I. Walter de Gruyter, ISBN 3110148765, p. 109.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Chisholm, Hugh, Encyclopædia Britannica (11.th ed.). Cambridge University Press, 1911.
  • King, David. "Finding Atlantis: A True Story of Genius, Madness, and an Extraordinary Quest for a Lost World." Harmony Books, New York, 2005 (ISBN 1-4000-4752-8).

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Olof Rudbeck

Ligações externas[editar | editar código-fonte]