Quatiguá

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Município de Quatiguá
Bandeira desconhecida
Brasão de Quatiguá
Bandeira desconhecida Brasão
Hino
Fundação 1947
Gentílico quatiguaense
Prefeito(a) Luis Fernando Dolenz (PSDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Quatiguá
Localização de Quatiguá no Paraná
Quatiguá está localizado em: Brasil
Quatiguá
Localização de Quatiguá no Brasil
23° 34' 01" S 49° 54' 50" O23° 34' 01" S 49° 54' 50" O
Unidade federativa  Paraná
Mesorregião Norte Pioneiro Paranaense IBGE/2008[1]
Microrregião Wenceslau Braz IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Joaquim Távora, Siqueira Campos, Tomazina, Guapirama
Distância até a capital 216 km
Características geográficas
Área 112,689 km² [2]
População 7 044 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 62,51 hab./km²
Altitude 785 m
Clima subtropical Cfa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,762 alto PNUD/2000[4]
PIB R$ 54 037,897 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 7 593,86 IBGE/2008[5]
Página oficial

Quatiguá é um município brasileiro do estado do Paraná.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

De origem Guarani, "Katiguá", espécie de árvore colorante da família das meliáceas, que medem de doze a catorze metros de altura, em média. Ao tempo da colonização, esta árvore compunha a vegetação regional.

História[editar | editar código-fonte]

O sertanista João Ferreira de Paiva lançou as bases da fundação do atual município de Quatiguá em 1903. Paiva desbravou a região e construiu sua casa, gesto que encorajou outras famílias a se estabelecerem nas imediações do lugar conhecido por Chapada ou Jaboticabal. Os primeiros a chegar foram Lucas Santos de Camargo, H. Pereira, Joaquim Luciano, Joaquim Ferreira de Carvalho, João Marques da Silveira e José da Rocha Fiúza, e se iniciaram no plantio de café e lavouras de subsistência. No entanto, o lugar era isolado, as estradas eram picadas na mata e o acesso muito difícil.

Não muito antes da década de 1920 houve um movimento que iria mudar para sempre a vida daquele povo. A estrada de ferro, que descia, no sentido norte-sul, representaria a redenção de todas as suas dificuldades. Empenharam-se junto à Rede da Viação Paranapanema para que o povoado recebesse tal benefício, doaram terreno e se revezaram no trabalho auxiliar, até que em 21 de setembro de 1922 era inaugurada a Estação Ferroviária de Quatiguá.

Em 1928 um Decreto governamental criava o Distrito Policial de Quatiguá. Nesta época o Distrito era jurisdicionado a Santo Antônio da Platina, porém antes a Tomazina.

A Revolução, em 1930, fez de Quatiguá palco de violentos combates entre as tropas revolucionárias, vindas do Rio Grande do Sul, e as forças paulistas. O povo quatiguense ergueu um obelisco na Praça Expedicionário Eurides do Nascimento, para que estes acontecimentos não sejam esquecidos jamais. Em 1932, novo susto, revolucionários gaúchos se aquartelaram em Quatiguá, sem que, no entanto, houvesse combates, pois os paulistas não alcançaram as trincheiras do lugar.

Neste período, parte da população pretendeu fazer uma mudança na denominação do povoado, mas não encontrando eco à sua proposta, desistiu, permanecendo Quatiguá.

O iminente crescimento econômico e social demandava uma posição política à altura da gente quatiguense, sendo que a emancipação política e administrativa seria o primeiro passo. Formou-se uma Comissão de Notáveis que se dirigiu ao Interventor Federal. A resposta foi negativa, fatos como a Segunda Guerra Mundial e o período ditatorial foram expostos como causa.

Somente em 10 de outubro de 1947, através da Lei Estadual n° 2, é que foi conseguida a emancipação municipal, com sua instalação ocorrendo no dia 26 de novembro do mesmo ano, quando tomou posse como primeiro prefeito nomeado o sr. Orlando Athayde Bittencourt.

Conforme texto de Linda dos Santos Nogueira, que organizou uma coletânea de textos históricos do município, a História de Quatiguá é repleta de capítulos constituídos pela fibra, coragem e determinação de seus heroicos pioneiros e de sua laboriosa população. Longe se vão os tempos em que os primeiros habitantes enfrentavam o sertão inóspito, dando início à formação da localidade que era conhecida pelas denominações de Chapada e Jaboticabal.

Ocupação, Primeiros Habitantes e Atividades Econômicas[editar | editar código-fonte]

Os primeiros habitantes do Município de Quatiguá procediam de Minas Gerais e São Paulo.

No início do povoamento a localidade pertencia à comarca de São José da Boa Vista e era conhecida pelas denominações de Chapada e Jaboticabal.

Em 1903, chegou a esta localidade, João Ferreira de Paiva, que foi o fundador do município, iniciando o desbravamento da Região, construindo a primeira casa no local onde surgia a futuro município de Quatiguá.

Acompanhando o gesto de Ferreira de Paiva, estabeleceram-se no povoado então nascente os seguintes pioneiros: Lucas Santos de Camargo, H. Pereira, Joaquim Luciano, Joaquim Ferreira de Carvalho, João Marques da Silveira e José da Rocha Fiuza, acompanhados das respectivas famílias.

Esse grupo deu começo ao desbravamento da floresta para o plantio do café e de cereais próprios da região, promoveu o aproveitamento racional do solo e iniciou o plantio do café e lavouras de subsistência.

Devido à fertilidade das terras servidas em toda a sua extensão por ótima água corrente; à própria situação geográfica da região; e às riquezas naturais de que a mesma era dotada, novas levas de colonos e povoadores chegaram a localidade.

Uma de suas principais atividades econômicas no princípio da ocupação era a criação de porcos, uma atividade denominada safra. Os suínos assim criados, quando atingiam o devido peso eram "tropeados" (conduzidos a pé) para municípios do Estado de São Paulo (Fartura ou Piraju) onde eram comercializados.

Chegada da ferrovia: ramal do Paranapanema[editar | editar código-fonte]

Como era natural, o maior problema enfrentado pelos primeiros povoadores foi a falta de estrada e da quase impossibilidade de acesso à região. Procurando resolver o problema, os habitantes da povoação nascente empenharam-se junto à Rede de Viação Paranapanema, solicitando-lhe que estendesse um ramal daquela ferrovia até o povoado.

Para que a medida se concretizasse, os moradores de Quatiguá e o Governo do Estado fizeram doações à Rede da Viação Paranapanema que incluíam o terreno necessário à construção da estação ferroviária e do leito da estrada. Iniciadas as obras do ramal pretendido, os moradores locais procuraram contribuir para que estas fossem concluídas com a maior brevidade, fato que não ocorreu. A construção da ferrovia foi bastante lenta.

A estrada de ferro, que seguia de Jaguariaiva-PR até Ourinhos-SP, no sentido Sul/Norte, representaria a redenção de todas as suas dificuldades, os trabalhos foram iniciados em 1918, até que em 21 de setembro de 1922 era inaugurada a Estação Ferroviária de Quatiguá, ligando a povoação de Quatiguá, à cidade de Siqueira Campos. Esta ferrovia foi a maior tentativa material conduzida pelo Governo do Estado do Paraná para tentar integrar a economia e as populações do Norte do Paraná ao restante do Estado, Campos Gerais, Curitiba. O objetivo era atrair a nascente produção cafeeira verificada em Jacarezinho, Cambará, Ribeirão Claro, Santo Antônio da Platina, entre outros, para o Porto de Paranaguá. Havia também na região a extração de carvão mineral em Siqueira Campos, Wenceslau Braz, Barra Bonita (Ibaiti) e Rio do Peixe (Figueira).

Conforme texto de Linda dos Santos Nogueira, que organizou uma coletânea de textos históricos do município, a História de Quatiguá é repleta de capítulos constituídos pela fibra, coragem e determinação de seus heroicos pioneiros e de sua laboriosa população. Longe se vão os tempos em que os primeiros habitantes enfrentavam o sertão inóspito, dando início à formação da localidade que era conhecida pelas denominações de Chapada e Jaboticabal.

Distrito policial[editar | editar código-fonte]

Em 1928, um Decreto governamental criava o Distrito Policial de Quatiguá, com as divisas atuais.

A Revolução de 1930 em Quatiguá[editar | editar código-fonte]

A Revolução, em 1930, fez de Quatiguá palco de violentos combates entre as tropas revolucionárias vindas do Rio Grande do Sul, e as forças paulistas legais ao Governo Federal.

O combate de Quatiguá[editar | editar código-fonte]

De acordo com a tradição oral e conforme o blog "História e Informação" de Roberto Bondarik (Bob), em 1930, nos dias 12 e 13 de Outubro, em Quatiguá lutaram tropas que apoiavam a Revolução de 1930 liderada por Getúlio Vargas e tropas oriundas de São Paulo chamadas de "Legalidade", que era formada por unidades do Exército Brasileiro ainda fiel ao governo federal e pela Força Pública de São Paulo (Polícia Militar). Os "Revoltosos" eram oriundos do Rio Grande do Sul.

Não foi um simples confronto. Constitui-se em um combate violento com a participação de centenas de soldados apoiados por uma artilharia eficiente. As tropas do Rio Grande do Sul eram soldados experimentados, alguns deles já haviam lutado em 1924 e 1926 em outra revolução e alguns outros na Guerra do Contestado, muitos dos seus comandantes haviam participado da Coluna Prestes que havia percorrido o Brasil em anos anteriores e também de diversas revoluções e revoltas na década de 1920 no Rio Grande do Sul.

Os relatos sobre os combates ocorridos em 1930 fazem parte do cotidiano dos habitantes de Quatiguá. Porém, os conhecimentos mais elaborados sobre os acontecimentos em si, apresentam-se muito fragmentados e estão sendo lentamente esquecidos e modificados.

Em 1984, a TV Coroados (Globo/RPC) de Londrina entrevistou moradores que testemunharam os combates ou os vivenciaram, entre os entrevistados destaca-se o sr. [Jorge Barbosa Lima][1], tropeiro e farmacêutico(prático) na época que ajudou a cuidar dos soldados feridos em combate. O jornal Folha de Londrina fez trabalho semelhante. Estes foram trabalhos significativos, porém ficaram se restringiram ao fato de que “Gaúchos e Paulistas” aqui lutaram, sem se preocupar em apontam quem e quando combateram.

O livro editado em 1931 por Aureliano Leite, organizado com a reprodução de diversos artigos e textos jornalísticos sobre a Revolução de 1930, é possível traçar um panorama daquilo que se sucedeu em Quatiguá durante a Revolução. Denominada "Memórias de um Revolucionário", esta obra lança luzes sobre um assunto esquecido pela historiografia brasileira e quase apagado da memória local.

As Forças Revolucionárias (os gaúchos) eram compostas principalmente por soldados do Exército e da Brigada Militar do Rio Grande do Sul comandados pelo Coronel Alcides Gonçalves Etchegoyen, formavam uma frente de combate que ia desde Jaguariaíva até diante de Ourinhos.

As tropas que defendiam a então "Legalidade" (paulistas), eram constituídas por soldados vindos de Quitaúna em Osasco, São Paulo (4° Regimento de Infantaria), reforçados por membros da Polícia Paulista (Força Pública), seus comandantes eram o Coronel Sandoval e o Major Agnelo, ambos oficiais do Exercito.

Os gaúchos chegaram em Quatiguá no dia 12 de Outubro as seis e meia da manhã. Encontraram no local uma guarnição da Brigada Militar que já havia trocado tiros com a "Legalidade" próxima a Carlópolis.

Uma patrulha montada foi enviada até Affonso Camargo (Joaquim Távora) para averiguar se ali havia chegado mesmo uma força paulista com mais de 80 caminhões, ela retornou por volta das 16 horas, sob tiros da "Legalidade" que já promovia o ataque e procurava cercar e conquistar estação ferroviária de Quatiguá.

A tropa revolucionária era organizada, disciplinada e preparada, sendo que conseguiu manter a resistência até por volta das 22 horas quando os combates cessaram.

Na madrugada de 13 de Outubro o Coronel Etchegoyen trouxe reforços e um grupo de artilharia, perfazendo mais de 1.800 homens e os preparou para o combate.

O posto de comando das forças revolucionárias foi montado no prédio da a estação ferroviária, demolida na década de 1980. Neste local foram instaladas metralhadoras pesadas.

Os paulistas foram reforçados também e somaram mais de 1.200 homens em armas.

Às 5 horas da manhã do dia 13 os combates recomeçaram, auxiliados pela artilharia do 6º RAM, os gaúchos avançaram sobre as trincheiras paulistas, fazendo-os recuar e fugir em debandada pouco depois das nove da manhã. A retirada paulista teria ocorrido de forma desordenada sendo que muito material foi abandonado para trás.

Os gaúchos capturaram fuzis, projéteis, caminhões, automóveis, cavalos e muares além de muito material de campanha (remédios e alimentos). Foram feitos quase duas centenas de prisioneiros paulistas, sendo que oficiais da Força Pública Paulista e do Exército faziam parte do grupo.

Todos os homens e equipamentos foram levados para Jaguariaíva e Ponta Grossa onde ficaram detidos.

Entre os mortos até agora podemos apontar alguns homens jovens e até já esquecidos, Malaquias Conceição, gaúcho de Alegrete, o Tenente Ivo Sampaio Ribeiro, cujo nome batizou uma rua do município, atual Rua Nicodemos Rodrigues de Paula. Entre os paulistas ainda não há dados mais detalhados.

A lembrança destes combatentes se apaga da mesma forma como se apagaram muitos dos sinais da luta. Alguns destes marcos ainda são lembrados, como por exemplo a “Cruz do Tenente”, onde uma senhora sempre vinha fazer visitas, colocar flores, velas e rezar pela alma deste que deu sua vida no cumprimento do dever. Quem seria ela, uma incógnita, esposa, noiva ou mãe? Quem sabe ainda se descubra isso com alguém. Existe ainda o monumento da Praça, com um poste em cima, onde estão pelo menos seis ossadas retiradas dos cafezais. As casas onde foram instalados os hospitais de sangue (de campanha) também não existem mais.

O combate de Quatiguá foi o maior da Revolução, pelo número de baixas, mais de 500 do lado da "Legalidade", pelo número de soldados envolvidos e por ser a primeira luta do movimento. Os pesquisadores não sabem ainda onde estão os relatórios paulistas bem como a maior parte dos relatórios dos gaúchos.

Emancipação e instalação do município[editar | editar código-fonte]

Em 1911, com a criação do Município de Tomazina desmembrado de São José da Boa Vista, Quatiguá passou a fazer parte de seu território.

Em 1928, pelo Decreto do Governo Estadual, foi criado o Distrito Policial de Quatiguá, passando a ser jurisdicionado ao Município de Santo Antônio da Platina.

Com a elevação do Distrito de Affonso Camargo, atual Joaquim Távora à categoria de município, pela Lei Estadual nº 2645, de 10 de abril de 1929. Desmembrado do Município de Santo Antônio da Platina, Quatiguá passou a fazer parte de sua jurisdição.

O município foi criado pela Lei n° 02 de 10 de outubro de 1947, foi instalado em 26 de outubro do mesmo ano, sendo desmembrado de Joaquim Távora.

A denominação de “Quatiguá” é corruptela da palavra Catinguá, nome de um vegetal encontrado na região, cuja casca serve para tingir tecidos, porém outros afirmam que o nome pode significar água dos quatis.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Possui uma área é de 113 km² representando 0,1027 % do estado, 0,0363 % da região e 0,0024 % de todo o território brasileiro. Localiza-se a uma latitude 23°34'01" sul e a uma longitude 49°54'50" oeste, estando a uma altitude de 520 m. Sua população estimada em 2005 era de 7.353 habitantes.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Dados do Censo - 2000

População total: 6.742

  • Urbana: 5.929
  • Rural: 813
  • Homens: 3.331
  • Mulheres: 3.411

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,762

  • IDH-M Renda: 0,678
  • IDH-M Longevidade: 0,766
  • IDH-M Educação: 0,841

Administração[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
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