Solifugae

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Como ler uma caixa taxonómicaSolifugae
Galeodes (Lydekker) contrasted.png

Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Arachnida
Ordem: Solifugae
Sundevall
Famílias
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Wikispecies
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Solifugae é uma Ordem de animais artrópodes pertencentes à Classe Arachnida. Este grupo de aracnídeos possui aproximadamente vinte famílias viventes com 153 gêneros e mais de 900 espécies descritas distribuídas ao longo das regiões tropicais, subtropicais e desérticas da África, Ásia e Américas. Atualmente os solifugos são utilizados como bioindicadores de biomas desérticos. Seu corpo é formado por dois tagmas, opistossoma (abdômen) na porção posterior, e na região anterior o prossoma (cefalotórax) ambos os tágmas são recobertos por muitos espinhos e cerdas. Algumas espécies de Solifugae podem alcançar até 15 cm de comprimento(Punzo, 1998)[1] .

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome Solifugae vem do Latim e significa "os que fogem do Sol", mas, apesar de muitos aracnídeos deste grupo terem hábitos noturnos, existem alguns representantes com hábitos diurnos com maior atividade nos períodos mais quentes do dia, tornando-os conhecidas popularmente com nomes como aranha-do-sol. Outros nomes populares são atribuídos aos Solifugae como wind spiders devido à sua rapidez, mas são mais conhecidos como aranhas-camelo (camel spiders), isso porque a superfície dorsal da placa do prossoma possuir a forma de arco. Aranha-solar e escorpião-do-vento não são nomes comuns desses animais, e sim traduções literais de dois de seus nomes em inglês, sun spider e wind scorpion.[2]

Morfologia[editar | editar código-fonte]

Os Solifugae possuem um corpo muito semelhante à maioria dos outros aracnídeos, com dois tagmas: prossoma e opistossoma; oito pernas.

Prossoma[editar | editar código-fonte]

O prossoma desses animais é composto por oito segmentos que possuem a cabeça, quelíceras, pedipalpos e apêndices locomotores. Na superfície da placa dorsal da cabeça possui forma de arco, na linha mediana da margem anterior desta placa estão localizados os olhos medianos. O prossoma é dividido em três escleritos (propeltidium, mesopeltidium e metapelpidium) que aparentemente correspondem à condição primitiva de Arachnida, ocorrendo, por exemplo, em Xiphosura e Schizomida (van der Hammen, 1985)[3] . Os olhos estão localizados na margem anterior do prossoma sobre o cômoro ocular (tubérculo).

Quelíceras[editar | editar código-fonte]

Logo anteriormente aos olhos medianos projeta-se um par de quelíceras robustas que são posicionadas entre os segmentos basais dos pedipalpos. As quelíceras dos solifugos são consideradas as maiores quilíceras dentre os aracnídeos. E são divididas em duas partes: A porção maior e que forma a porção dorsal da quela fixa e o segundo segmento é menor e móvel. Na maioria das vezes as quelíceras desses aracnídeos possuem dentes, de tamanhos e números variados. Além das quelíceras serem estruturas utilizadas para captura e digestão do alimento elas também são utilizadas para exibir um comportamento agressivo, como a estridulação (Cloudsley-Thompson, 1961)[4] .

Pedipalpo[editar | editar código-fonte]

A maioria dos machos de Solifugos possui um flagelo localizado na porção dorso-distal da quelícera, mas varia muito dependendo do gênero e da espécie, este flagelo é formado na última ecdise antes do macho se tornar sexualmente maduro. A função deste flagelo ainda é questionada, uma das ideias é de que o flagelo tenha alguma participação no comportamento de acasalamento (Junqua, 1966)[5] , outra ideia é de o flagelo ser uma estrutura de armazenamento e de liberação de secreções exócrinas. Os pedipalpos são frequentemente formados por seis segmentos e possuem uma forma alongada se assemelhando com uma perna. O segmento distal dos pedipalpos possuem muitas cerdas associadas que servem como órgãos táteis. As coxas dos pedipalpos são providas de gnathobases que auxiliam na digestão do alimento. Os pedipalpos também um órgão adesivo na ponta do ultimo segmento do pedipalpo, que auxilia na captura das presas (Rower, 1934[6] , 1954[7] ; Cloudsley-Thompson, 1954[8] ).

Apêndices locomotores[editar | editar código-fonte]

O primeiro par de pernas é delgada e geralmente não possui garras, e são muito utilizadas como estrutura sensorial tátil (Manton, 1977[9] ; Van der Hammen, 1985[10] ). As coxas do primeiro par de pernas estão posicionadas junto às maxilas e ao estreito sulco do sternum na superfície ventral da cabeça. Os demais pares de pernas locomotoras, na porção ventral do quarto par de pernas há estruturas sensoriais chamadas malleoli (do latim: pequeno martelo) ou órgão raquete (por assemelhar-se a uma raquete de tênis.

A função desta estrutura ainda não é bem conhecida, mas acredita-se que ela detete vibrações no solo. Em geral os órgãos raquetes estão dispostos da seguinte forma: Dois na parte ventral da coxa, dois na parte proximal do trocanter e um na parte distal do trocanter.

Opistossoma[editar | editar código-fonte]

O opistossoma (abdômen) é oval e composto por dez segmentos com uma abertura genital (gonóporo) localizado na superfície ventral do primeiro segmento abdominal. A abertura genital é delimitada por duas placas genitais (opérculo genital), sendo esta uma das diferenças entre os sexos. Diferente de outros aracnídeos, como os latigastricos, os opistossoma não possui um pedicelo que o separa do prossoma, ao invés disso os Solifugae possuem um diafragma que separa os dois tagmas. Os pares de estigmas estão localizados na região ventral do segundo e terceiro segmentos abdominais.

Biologia[editar | editar código-fonte]

Habitat e Microhabitat[editar | editar código-fonte]

Os solífugos ocupam regiões quentes e secas (desertos, savanas, estepes, pampas). São típicos da fauna dos desertos do Saara e Kalahari, Ásia Menor, Irã, Iraque, estepes do Turquestão e Mongólia, México, Texas, Flórida, Andes, deserto de Atacama no Chile, Argentina. Também ocorrem no Vietnã, Ilhas Molucas, Europa Mediterrânea e Brasil. São completamente ausentes na Austrália e em Madagáscar, e também em regiões temperadas. Abrigam-se sob pedras, cavidades pré-existentes como tábuas, telhas, ou buracos cavados por eles mesmos.

Comportamento[editar | editar código-fonte]

Solífugo no deserto de Gobi (Mongólia).

O nome de alguns gêneros como Ammotrecha Banks, 1900 (vem do Grego, "corredor da areia") e Eremobates Banks, 1900 (também do Grego, andarilho dos desertos") refletem suas preferências. Existem muitas espécies diurnas e crepusculares, além das espécies noturnas, que são atraídas por luz artificial. Algumas espécies podem entrar em cidades e até em habitações, como por exemplo Mummucia variegata (Gervais, 1849) em Santiago do Chile, Gluvia dorsalis (Latreille, 1837) em Madri ou a espécie de Galeodes Olivier 1791 que circulavam entre as tropas americanas no Oriente Médio. A maioria das espécies corre muito rapidamente, com movimentos bruscos, o que torna sua captura uma tarefa muito difícil. Podem escalar árvores e muros até vários metros de altura. Alguns podem subir mesmo em placas de vidro, devido aos órgãos adesivos dos pedipalpos. Algumas espécies africanas porém, andam lentamente sobre a areia. Espécies de grande porte podem ser agressivas e assumem uma postura com prossoma elevado, quelíceras abertas e produzindo ruídos para intimidação de um inimigo em potencial. Podem morder o homem, e a mordida é bastante dolorida graças à robustez das quelíceras, porém não possuem qualquer tipo de peçonha.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Os solífugos, como de maneira geral são os aracnídeos, são predadores e comem suas presas vivas. Geralmente o corpo fica bastante dilatado após a alimentação devido a grande quantidade de alimento que normalmente é ingerida. Os solífugos se alimentam de outros artrópodes,[11] por exemplo de cupim,[12] e espécies maiores se alimentam de sapos, lagartos, pequenas serpentes e pássaros. As presas são capturadas com auxílio das quelíceras e pedipalpos, e com estes, especialmente as gnatobases dos pedipalpos, são trituradas. A seguir são diluídas em suco digestivo regurgitado e o líquido resultante é aspirado.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Os caracteres sexuais secundários são pouco evidentes. Os machos são um pouco mais delgados e possuem o flagelo queliceral. A cópula é rápida e violenta. O macho imobiliza a fêmea que fica letárgica, massageia seu opistossoma e abre seu orifício genital com as quelíceras. A seguir ele emite uma massa espermática sobre a terra, pega-a com as quelíceras e a introduz no orifício genital feminino. Em seguida, o macho foge, geralmente perseguido pela fêmea. A fêmea fecundada se enterra e põe uma massa com 50 a 200 ovos. Não há registros de cuidado parental.

Classificação[editar | editar código-fonte]

A Ordem Solifugae é tradicionalmente relacionada à Ordem Pseudoscorpiones em análises filogenéticas baseadas em dados morfológicos, entretanto atualmente evidencias moleculares separam essas duas ordens. A ordem Solifugae possui mais de 900 espécies descritas, distribuídas por 13 famílias (El-Hennawy, 1990)[13] . A classificação dos solifugos é basicamente feita com base em caracteres morfológicos, como por exemplo, posição do ânus, terminal ou ventral; segmentos tarsais; quantidade de espinhos na garra tarsal das pernas II e IV; presença ou ausência de garra tarsal na perna; etc.

Famílias[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Punzo, F. 1998. The Biology of Camel-Spiders. Kluwer Academic Publishers
  2. (em inglês) Solifugae (wind scorpions, sun spiders, camel spiders) Bumblebee.org. Visitado em 3 de novembro de 2012..
  3. Van der Hammen, L. 1985. Functional morphology and addinities of extant Chelicerata in evolutionary perspective. Trans . R. Soc. Edimb.76: 137 - 148.
  4. Cloudsley-Thompson, J. L. 1961. Some aspects of the physiology and begavior of Galeodes arabs. Ent. Exp. Appl. 4 : 257-263.
  5. Junqua, C. 1966. Recherches biologique et endrocrines protocérébrales chez Othoes saharae Panouse (Arachnides, Solifuges). C. R. Acad.Sci. 256: 3762-3765.
  6. Rower, C. Fr. 1934. Solifugae, palpigradi. In: Klassen und Ordnungen des Tierreichs (Bronn, H. G., ed.). Vol. 5, div. 4, book 4. Leipzig.
  7. Rower, C. Fr. 1954. Uber einige Solifugen un Pedipalpi der aethiopischen Region. Annls. Mus. R. Congo Belg. (N. S 4), Zool. 1: 262-268.
  8. Cloudsley-Thompson, J.L. 1954. The function of the palp organs of Solifugae. Ent. Mon. Mag 90: 236-237.
  9. Manton, S. M. 1977. The arthropoda: habits, functional morphology and evolution. Clarendon Pres, Oxford.
  10. Van der Hammen, L. 1985. Functional morphology and addinities of extant Chelicerata in evolutionary perspective. Trans . R. Soc. Edimb.76: 137 - 148.
  11. Saturnino, Regiane; Ana Lúcia Tourinho. Apostila curso de treinamento em “Aracnologia: Sistemática, Coleta, Fixação e Gerenciamento de Dados” Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Visitado em 3 de novembro de 2012..
  12. (em francês) Arthropodologie : III. Les chélicérates Agronomédia. Le forum des agronomes du monde francophone. Visitado em 3 de novembro de 2012..
  13. El-Hennawy, H. K. 1990. Key to solpugid families (Arachnida: Solpugida). Serket 2 : 20-27.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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