A Princesa e o Robô

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A Princesa e o Robô
Cartaz de lançamento do filme.
 Brasil
1983 •  cor •  90 min 
Direção Mauricio de Sousa
(não creditado)
Produção Mauricio de Sousa
Produção executiva Marcos Urbani Saraiva
Roteiro Itsuo Nakashima
José Márcio Nicolosi
História Mauricio de Sousa
Reinaldo Waisman
Baseado em Turma da Mônica de Mauricio de Sousa
e Star Wars de George Lucas
Narração Ronaldo Batista
Elenco Marli Bortoletto
Angélica Santos
Paulo Camargo
Elza Gonçalves
Denise Simonetto
Arakem Saldanha
André Luís
Flora Maria Fernandes
Marthus Matias
Orlando Viggiani Filho
Género animação, aventura, space opera
Música Mauricio de Sousa
Márcio de Sousa
Leão Waisman
Lino Simão
Direção de arte Fumiomi Yabuki[1]
Edição J. A. Ferreira
Companhia(s) produtora(s) Black & White & Color
Maurício de Sousa Produções[1]
Distribuição Embrafilme
Lançamento 16 de janeiro de 1984[1]
Idioma português
Cronologia
Último
As Aventuras da Turma da Mônica (1982)
As Novas Aventuras da Turma da Mônica (1986)
Próximo
Página no IMDb (em inglês)

A Princesa e o Robô é um filme de animação brasileiro produzido em 1983 pelo cartunista Mauricio de Sousa. Trata-se do segundo filme da Turma da Mônica. O filme mistura os gêneros Aventura e Space opera, sendo vagamente baseado na franquia Star Wars do consagrado produtor norte-americano George Lucas.

Ao contrário do filme anterior, A Princesa e o Robô segue um único enredo original, não sendo baseado em histórias em quadrinhos já publicadas como foi o seu antecessor. Nele, a Turma da Mônica viaja pelo espaço em busca de um coração para uma criatura robótica chamada Robôzinho para, assim, possibilitar um casamento entre ele e coelhinha Mimi, princesa de seu planeta de origem. Todavia, a turminha enfrenta diversas dificuldades do vilão Lorde Coelhão que fará de tudo para impedir que as crianças consigam tal objetivo e assim ter a mão da princesa e ser herdeiro direto do Rei de Cenourando.

Outro fator mudado durante a produção deste filme foram os dubladores: quase todo o elenco do filme anterior foi substituído. Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali passaram a ser dublados por Marli Bortoletto, Angélica Santos, Paulo Camargo e Elza Gonçalves, respectivamente. Em relação ao primeiro filme, foram preservados apenas os dubladores Arakem Saldanha (Lorde Coelhão) e Denise Simonetto (Anjinho).

Vendo o sucesso que As Aventuras da Turma da Mônica alcançou, Mauricio de Sousa imediatamente iniciou a produção de A Princesa e o Robô assim que o primeiro filme saiu de cartaz. Itsuo Nakashima e José Márcio Nicolosi ficaram responsáveis pelos roteiros e a história do filme foi criada por Mauricio de Sousa e Reinaldo Waisman. É o primeiro filme totalmente animado de Mauricio de Sousa, uma vez que As Aventuras da Turma da Mônica teve algumas cenas em live-action com atuação do próprio desenhista. O filme foi produzido durante quase todo o ano de 1983 e foi lançado em janeiro do ano seguinte pela Embrafilme.[1]

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Em um pequeno planeta em forma de coração, o feixe de uma estrela pulsar acaba se soltando e voa pelo espaço até cair em outro planeta, chamado Cenourando, atingindo um coelho robô do exército do planeta, que adquire emoções e se apaixona pela princesa do reino onde vive: a coelhinha Mimi, filha do Rei de Cenourando.

O Rei de Cenourando decide promover um torneio cujo vencedor terá a mão e o amor de Mimi. O Pequeno robô (chamado de robozinho durante todo o filme) decide entrar na disputa contra diversos adversários, entre eles está o ex-conselheiro do Rei, o malvado e vingativo Lorde Coelhão que é dono de um enorme exército de coelhos andróides e oriundo do primeiro filme da Turma da Mônica. O duelo acaba empatado entre Lorde Coelhão e Robozinho e então é feito o famoso jogo da moeda, onde o jogador escolhe entre cara ou coroa. Lorde Coelhão escolhe coroa e Robozinho escolhe cara, assim que a moeda é jogada o resultado é cara, decretando a vitória do singelo robô.

Apesar de Robozinho vencer a peleja, Lorde Coelhão contesta a vitória ao Rei dizendo que o pequeno robô "coelhóide" não pode ser noivo da princesa, pois ele não possui um coração de verdade. Apesar de meio cético, o Rei concorda, mas oferece ao robô uma última chance de ganhar o amor da princesa, dando a Robozinho um prazo de três dias para arranjar um coração de verdade; caso o jovem robô não consiga um coração a mão de Mimi passará a ser de Lorde Coelhão. Apesar do acordo, Mimi também corresponde o amor de Robozinho, o que desperta forte ira de Lorde Coelhão, que apenas quer se casar com a princesa com o objetivo de ser herdeiro direto do Rei, não por amor de verdade.

Após um tempo, Robozinho caminha sem saber o que fazer pelas ruas do reino, quando é atacado por Lorde Coelhão, que utiliza o seu raio empacotador, uma espécie de arma que empacota as vítimas quando atirado, capturando o indefeso robô. Feito isso, Lorde Coelhão manda seus capangas deixarem o pacote com o indefeso robô em um lugar bem longe de Cenourando. Os capangas-andróides, liderados por Zoiudo, uma espécie de libélula comparsa de Lorde Coelhão, decidem jogar o pacote no Planeta Terra, que cai perto do quintal do Cebolinha. Com a queda, é causada uma explosão que logo atrai Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e Anjinho em direção ao pacote.

As crianças o abrem e soltam o Robozinho aos prantos chorando abusadamente pequenas peças como parafusos e porcas em vez de lágrimas, que conta como veio parar na Terra. Depois de contada a história a turma decide ajudá-lo, embora um pouco contrariados. A Turma da Mônica então se dirige a casa de Franjinha e pede que ele construa um foguete; eles acabam utilizando a mesma nave da história O Império Empacota do filme anterior que havia sido guardada por Franjinha em seu laboratório e a reformam por completo. Contudo, a turma nem sequer nota a presença de Zoiudo, que havia descido para a Terra para verificar o destino do pacote. Após ouvir toda a conversa da turma escondido atrás de uma pedra, a maléfica libélula avisa a Lorde Coelhão que as crianças irão ajudar o Robozinho a encontrar um coração.

Durante a reforma da pequena nave, Anjinho desenha um mapa com a rota que a Turma deverá fazer da Terra até a Estrela Pulsar que, segundo Anjinho, servirá como um coração "pulsante" para Robozinho; mapa este que Zoiudo consegue fazer uma cópia. Após Cebolinha, Mônica, Magali, Cascão, Anjinho e Robozinho decolarem, Zoiudo informa a Lorde Coelhão o plano da Turma da Mônica de ajudarem o pequeno robô a acharem um coração. Lorde Coelhão ordena Zoiudo e seus capangas a irem atrás das crianças para os impedir de chegarem até a pulsar. Enquanto isso, Mimi escondida ouve todo o plano do vilão e acaba sedo capturada por um dos guardas capangas de Lorde Coelhão, que a mantém presa e longe de seu pai, o Rei. Apesar de confinada, a princesa consegue escrever uma mensagem de aviso para a enviar ao Robozinho e a Turma da Mônica através de um foguete-correio, mas a tentativa é fracassada após a pequenina nave que carregava a mensagem ser destruída pela Nave-Mãe dos capangas do Zoiudo.

Percorrendo o espaço sideral, a Turma enfrenta algumas tentativas da Nave-Mãe dos capangas de Zoiudo de destruí-los, mas conseguem escapar ilesos, inclusive de uma chuva de meteoros causada pelos próprios vilões. As crianças finalmente encontram o planeta onde, segundo Anjinho, a pulsar se localiza, mas ainda continuam sendo fortemente perseguidos por Zoiúdo e seus capangas. Após serem atingidos por armas dos vilões durante uma perseguição, a nave da turminha pousa para que Anjinho e Robozinho consertem um dos reatores atingidos do veículo, enquanto que Cebolinha e Mônica decidem vigiar os vilões, mas acabam por serem atacados por um monstro do planeta. Após fugirem, a Turma imediatamente decola para se despistarem da gigante criatura, enquanto a mesma consegue destruir todos os capangas de Lorde Coelhão, restando apenas Zoiudo que, sozinho, decide continuar atrás da turma, vigiando-a.

Alguns metros a frente, e ainda sob a observação escondida de Zoiudo, a Turma da Mônica finalmente encontra a estrela pulsar. Porém, uma espécie de barreira invisível impede o Robô de pegar a estrela pulsante, praticamente acabando com todas as esperanças de Robozinho conseguir a mão de Mimi. Triste por isso, após novamente "chorar" parafusos e porcas, uma lágrima de verdade finalmente cai dos olhos de Robozinho em um lenço que Mimi havia lhe entregado. Com isso, a barreira é quebrada e o Robozinho, enfim, pega a estrela e a coloca dentro de seu mecanismo que imediatamente o transforma num coelho de verdade. Após a Turma comemorar, eles correm contra o tempo rumo a Cenourando para Robozinho casar-se com a princesa, enquanto que Zoiudo, após os observarem atentamente, informa a Lorde Coelhão que as crianças conseguiram seu objetivo. O vilão fica furioso com Zoiudo, que considera seu insucesso e também a destruição da Nave-Mãe de Lorde Coelhão por um vulcão do planeta para descansar em uma pedra por ali mesmo, abandonando de vez o coelho malfeitor.

Com a Turma da Mônica correndo apressada rumo ao reino de Cenourando, Lorde Coelhão insistentemente pede que o Rei lhe conceda a mão de sua filha antes mesmo do fim do prazo dado a Robozinho, mas o pai da princesa o nega. Enfurecido, o vilão pega Mimi aos pulsos para obrigá-la a se casar com ele, quando as crianças enfim chegam com Robozinho agora como um coelho de verdade e tendo finalmente condições de se casar com a princesa. Todavia, Lorde Coelhão ainda relutante e enfurecido, decide confrontá-lo num duelo de espadas. Após uma longa briga, o vilão é atingido no braço pela espada de Robozinho, mas não se fere, apesar de fingir um ferimento grave. Após confessar seus planos maliciosos diante de todos, Lorde Coelhão é preso e empacotado. Com isso a Turma da Mônica se despede de todos de Cenourando e retorna ao Planeta Terra.

Enquanto isso, Lorde Coelhão, já empacotado, é jogado no mesmo planeta onde Zoiudo estava descansando anteriormente. A libélula, ao ver o pacote cair perto de onde estava dormindo, decide abrí-lo libertando o malfeitor que lhes desconta toda a sua raiva e indignação em Zoiudo, terminando o filme.

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Dublador(a) Personagem
Marli Bortoletto Mônica
Angélica Santos Cebolinha
Paulo Camargo Cascão
Elza Gonçalves Magali
Denise Simonetto Anjinho
Arakem Saldanha Lorde Coelhão
André Luis Robozinho
Flora Maria Fernandes Princesa Mimi
Marthus Matias Rei de Cenourando
Orlando Viggiani Filho Franjinha

Notas:

  • Além desses, Ronaldo Batista ficou responsável pela locução no filme.
  • Não foi creditado o dublador do personagem Zoiudo.

Produção[editar | editar código-fonte]

Com o grande sucesso de As Aventuras da Turma da Mônica, lançado no fim de 1982 que levou mais de 1 milhão de espectadores aos cinemas, Mauricio de Sousa quis continuar a promover seus personagens nas telas grandes. Todavia, ficou decidido que o novo filme seguiria uma única história, ao contrário do anterior (que mostrava 4 pequenos segmentos intercalados entre aparições em live-action do próprio Mauricio).

O desenhista havia se inspirado na aclamada franquia cinematográfica Star Wars para produzir O Império Empacota, última história do filme anterior ambientada no espaço onde Cebolinha e Mônica são sequestrados por Lorde Coelhão para este dar início a seu fracassado "domínio" na Terra. Aproveitando-se disso, Mauricio decidiu fazer uma espécie de continuação desse segmento, mas com algumas modificações nas ambições do vilão.

Com a ajuda de Reinaldo Waisman, Mauricio produziu a história e criou novos personagens. O roteiro foi escrito por Itsuo Nakashima e José Márcio Nicolosi. A equipe de animação incluiu mais de 10 profissionais incluindo os próprios Nakashima e Nicolosi, que já haviam trabalhado no primeiro filme. A equipe de fotografia incluiu 4 pessoas incluindo José Reinaldo Barbirato, também oriundo de As Aventuras da Turma da Mônica. O filme foi produzido nos Estúdios Mauricio de Sousa em São Paulo em parceria com a extinta Black & White & Color.[1]

Trilha Sonora[editar | editar código-fonte]

A Princesa e o Robô
Trilha sonora de Turma da Mônica
Lançamento 1984
Gravação 1983
Gênero(s) Orquestra
Infantil
Duração 23:30
Formato(s) K7, Vinil
Gravadora(s) Seta Fonogramas Ltda.
Produção Mauricio de Sousa, Eduardo Leão Waisman, Lino Simão, Márcio Roberto
Cronologia de Turma da Mônica
Último
As Aventuras da Turma da Mônica (1983)
Próximo

Assim como o primeiro filme, a trilha sonora de A Princesa e o Robô foi planejada por uma grande equipe. Foram mantidas inspirações em algumas trilhas instrumentais de As Aventuras da Turma da Mônica e foram criadas novas canções.

As músicas foram compostas, em sua maioria, por Mauricio de Sousa, Leão Waisman e Lino Simão, sob assistência de Remo Usai e Márcio Roberto.

A trilha sonora foi lançada logo após o lançamento do filme pela Seta Fonogramas Ltda. nos formatos cassete e vinil.

Lançamento[editar | editar código-fonte]

O filme teve sua premiere em 16 de janeiro de 1984 na cidade do Rio de Janeiro. Três dias depois o filme foi lançado em São Paulo.[1]

Recepção comercial[editar | editar código-fonte]

Não foi divulgado quanto o filme arrecadou, considerando o fato de, na época, os filmes brasileiros divulgarem não o faturamento, mas sim o público: A Princesa e o Robô foi visto por 616.457 espectadores. Apesar de ter conseguido uma aceitação razoável, o longa não conseguiu repetir o sucesso de seu antecessor. Todavia, vale lembrar que a grande crise econômica que o Brasil sofria à época, com uma inflação superando incríveis 100%, desencorajava a população a ir aos cinemas.

Com um público de um pouco mais de seiscentas mil pessoas, A Princesa e o Robô é atualmente o segundo filme da franquia da Turma da Mônica com mais público nos cinemas, superando até mesmo a recente produção Uma Aventura no Tempo de 2007 (que por sua vez atraiu 545.482 espectadores). Hoje o filme possui o status de clássico cult.

Lançamento em outras mídias[editar | editar código-fonte]

Doméstico[editar | editar código-fonte]

Assim como seu antecessor, A Princesa e o Robô foi lançado pela primeira vez de forma doméstica pela Trans Vídeo ainda em 1984, pela Premier Filmes como parte da Coleção Turma da Mônica em 1994 e pela PubliFolha em 1998. Todos os lançamentos ocorreram no formato VHS.

Apesar de diversos apelos de fãs cult, o filme ainda não teve um lançamento em DVD. Todavia, a animação pode ser encontrada facilmente através de torrents na internet e na íntegra pelo YouTube com a dublagem original.

Televisão[editar | editar código-fonte]

Não existem muitos registros sobre exibições da animação na televisão brasileira. O que se sabe é que a extinta Rede Manchete exibiu o filme no dia 18 de dezembro de 1988, um domingo as 16 horas. Existem duas fontes que comprovam essa exibição: uma chamada da emissora no YouTube[carece de fontes?] e uma edição do jornal Folha de S.Paulo do dia 18 de dezembro de 1988 (data da exibição) noticiando a transmissão do filme.[2]

Aparições posteriores dos personagens[editar | editar código-fonte]

O filme originou novos personagens de Mauricio de Sousa, como Mimi, Robozinho e Lorde Coelhão, embora esse último já tinha aparecido no primeiro filme. Todavia, esses mesmos personagens dificilmente surgem nos quadrinhos atuais da Turma da Mônica, porém já houve algumas aparições desses em diversas outras historinhas publicadas depois do longa:

  • Mônica #200 (Editora Abril): nessa publicação, Lorde Coelhão retorna na historinha "Um Natal Empacotado" onde o vilão sequestra o Papai Noel impedindo-o de entregar presentes na noite da Natal. Esta edição foi a última revista a ser publicada pela Abril sendo lançada em dezembro de 1986.
  • Revista Parque da Mônica #102 (Editora Globo): nesta revista existe a história "2001 - Uma Odisseia no Parque", como o próprio nome diz, é uma paródia ao clássico filme 2001 - Uma Odisseia no Espaço, novamente contando com Lorde Coelhão como antagonista e uma aparição de Robozinho (agora como coelho) no final. Foi lançada em junho de 2001.
  • Turma da Mônica Jovem #6-8 (Editora Panini): nessas edições é contada a história "O Brilho de um Pulsar", sendo completamente baseado em A Princesa e o Robô. O título vem de uma frase em uma das canções presentes no filme. Conta com a aparição de Mimi adolescente, assim como o resto da Turma da Mônica. Foi a primeira aparição da personagem nos quadrinhos de Mauricio de Sousa. A história, dividida em três partes, foi lançada em janeiro, fevereiro e março de 2009.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f «A Princesa e o Robô - 1983». Cinemateca Brasileira. Consultado em 20 de maio de 2016. 
  2. «Edição Folha de S.Paulo nº 21.809 (18/12/1988) - Caderno Ilustrada págs. 16 (seção Filmes da Semana) e 18 (seção Programação)». Folha de S.Paulo. Consultado em 20 de maio de 2016.