As Aventuras da Turma da Mônica

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As Aventuras da Turma da Mônica
Cartaz promocional do filme.
 Brasil
1982 •  cor •  75 min 
Direção Maurício de Sousa
Produção Maurício de Sousa
Produção executiva Marcos Urbani Saraiva
Roteiro Maurício de Sousa
Reinaldo Waisman
Baseado em Turma da Mônica
de Maurício de Sousa
Elenco Maurício de Sousa
Maria Amélia Manso Basile
Ivete Jayme
Isaura Gomes
Silvia Cordeiro Marinho
Orlando Viggiani Filho
Denise Simonetto
Arakem Saldanha
Género animação, aventura
Música Maurício de Sousa
Gao Gurgel
Remo Usai
Márcio de Sousa
Eduardo Leão Waisman
Direção de fotografia Pio Zamuner
Cinematografia José Reinaldo Barbirato
Renato Bassani
Pio Zamuner
Edição Mauro Alice
Jair Correia
Companhia(s) produtora(s) Black & White & Color
Maurício de Sousa Produções
Distribuição Embrafilme
Lançamento 23 de dezembro de 1982[1]
Idioma português
Orçamento Cr$ 100.000.000,00
Cronologia
A Princesa e o Robô (1983)
Página no IMDb (em inglês)

As Aventuras da Turma da Mônica é um filme de animação brasileiro lançado em 1982. É o primeiro filme baseado na série de histórias em quadrinhos da Turma da Mônica criada pelo cartunista Mauricio de Sousa, sendo dirigido pelo próprio desenhista.[1]

Produzido e escrito pelo próprio Maurício com a assistência de Reinaldo Waisman, o filme mistura em algumas de suas cenas técnicas de animação com live-action. Basicamente, a história do longa mostra Maurício de Sousa em carne e osso planejando a realização de um filme em seu escritório, onde todos os personagens criados pelo cartunista o telefonam pedindo para participarem do projeto. Ao desenrolar do filme, são mostradas 4 pequenas histórias animadas protagonizadas pelos personagens intercaladas sempre com Maurício tentando telefonar para um deles para conversar sobre a realização do tal filme.

As Aventuras da Turma da Mônica estreou primeiramente no dia 23 de dezembro de 1982[1] nos cinemas da cidade de São Paulo, e em janeiro do ano seguinte na cidade do Rio de Janeiro sendo distribuído na época pela extinta Embrafilme. Foi a primeira animação brasileira em longa-metragem desde Piconzé, de 1972.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Nesse filme são contadas quatro histórias. Entre cada episódio aparece Mauricio de Sousa sempre recebendo uma ligação da turma sobre um filme que ele pretende fazer, mas algum imprevisto ocorre para que a turma não apareça no filme.

As histórias contadas são:

  • O Plano Infalível: Lá vem Mônica, dançando e cantando, batendo nos meninos e fofocando com as meninas. Cebolinha e Cascão atacam, pintam bigode e chifrinho, implicam com a amiga. Como sempre, Mônica se vinga, dando uma surra nos dois. Mas Cebolinha e Cascão preparam um plano de vingança, o plano “Pizza a Jato”. Com a ajuda de Magali, companheira gulosa, tentam atirar uma pizza no rosto de Mônica, mas é o próprio Cebolinha que acaba todo lambuzado. Inconformado e incentivado por Cascão, ele concebe outro plano: “Mônica na Jaula”. Acompanhado de Bidu, tenta derrubar uma jaula em cima da amiga, mas erra a pontaria. Um novo plano talvez dê certo, com Franjinha e sua flor que esguicha água. Cascão, que tem medo de água, é convencido por Cebolinha a acionar o jato, mas se atrapalha, e Cebolinha molha-se todo. Quando se aproxima a amiga, o jato a atinge, mas a jaula do plano anterior cai e prende os três juntos. Cebolinha e Cascão apanham mais uma vez.
  • Um Amor de Ratinho: Maurício de Sousa em seu estúdio, tem uma nova estória em mente. Telefona para Mônica, mas a menina vai a uma festa. Lá, Mônica é surpreendida pela última invenção de Franjinha: uma máquina que a faz muito pequena, do tamanho de um rato. Encontrando seus amigos, é obrigada a fugir, pois todos a pisoteiam e atacam, sem perceber que se trata de Mônica. No mundo das pequenas coisas, Mônica percorre o jardim da casa de Franjinha, deparando-se com uma briga de gato e rato. Aproxima-se e dá uma surra no gato, salvando o ratinho, que se comove e a leva à sua comunidade, onde todos vivem sob a pressão dos gatos, uma enorme jaula e uma ratoeira ameaçando-nos constantemente. Mônica reúne os ratos e avança contra os invasores. Mãe, filha, avó, sobrinha, todos juntos arremessam tomates contra os felinos, que acabam derrotados. Mônica é aclamada como grande heroína pela comunidade, sendo homenageada até pelo Rei dos roedores. O ratinho, apaixonado, entrega-lhe um presente em nome de todos: o brinco que Mônica tanto queria. A festa da vitória continua, todos dançam rock’n’roll. Mônica e o ratinho escapolem na pista de dança e vão passear longe de todos; sentam-se lado a lado, mas, envergonhados, não sabem o que fazer. Completamente apaixonado, ele sonha com Mônica pelos céus e pelo mundo. Quando se volta para ela, cheio de amor, Mônica perdeu seu encanto e recupera o tamanho natural. O ratinho chora, inconformado, e foge pelo jardim, enquanto Mônica reencontra seus amigos. De repente, tudo se transforma em sonho: o ratinho encontra sua amada, outra Mônica do seu tamanho, e os dois se vão felizes.
  • A Ermitã: Novamente em seu estúdio, Maurício de Sousa busca desenvolver sua estória. Mas nada consegue. Cascão está ocupado, preparando com a turma uma surpresa para Mônica. Esta passeia pela rua, mas ninguém lhe dá atenção, todos fingem desprezo. Floquinho chega até a urinar no seu pé. Ela não se conforma, chora e, vendo algo na televisão sobre a vida de um ermitão das montanhas, resolve fugir de tudo e de todos. Arruma as roupas e vai em busca de sua solidão. Enquanto Mônica conhece os mistérios dos bichos e das plantas e montanhas, seus amigos preocupam-se com seu desaparecimento. O plano do aniversário, que era surpresa, não deu certo: todos se entristecem, o aniversário da amiga não podia ser comemorado com tanta infelicidade. Mas Magali lembra a paixão de Mônica pelas montanhas, e saem todos, Cascão, Magali, Franjinha, Bidu e Cebolinha, em busca da desaparecida nas montanhas. Mônica dificulta o caminho com placas, procurando evitar que os outros se aproximem, e chora ante seu abandono. Ouvindo os soluços, seus amigos sobem montanha acima, e após ultrapassarem as placas os cinco sentem-se cansados e com fome. Abrem o lanche no chão, em frente a uma caverna, sem perceberem que lá está Mônica. Enraivecida com todos e faminta, ela veste sua máscara de monstro e assusta-os fingindo ser um homem das cavernas. Ao deter-se na toalha do piquenique, Mônica vê escrita no bolo a homenagem ao seu aniversário, descobrindo o porquê do abandono da turma. Enquanto todos se abraçam comemorando o retorno da amiga, um verdadeiro homem da caverna sai e devora o lanche.
  • O Império Empacota: Esta é a história principal do filme. Mais uma vez em seu estúdio, Maurício de Sousa traz nova ideia, mas Cebolinha está dormindo, e a coisa emperra. Em meio aos roncos de Cebolinha, vem do espaço um pequeno extra-terreno. Em sua tela surgem as ordens do chefe do Cosmos: atacar o planeta com todas as forças, para a criação de uma grande plantação de cenouras. O pequeno extra-terreno inicia seu trabalho, mas pouco consegue. O despertador, a água do chuveiro, o desentupidor de ralo nas mãos de Cebolinha nada permitem. Sem perceber a presença estranha, Cebolinha, no jardim da casa, confunde o ser espacial com o coelhinho querido da Mônica. Os dois brigam, puxam um de cada lado e acabam desmantelando o “imaginado coelhinho”. Reconstituído, ele recebe novas ordens do espaço, e captura Mônica e Cebolinha. Os dois prisioneiros caem dentro de uma nave, tomada por vários extra-terrenos. Mônica é empacotada e imobilizada, e o grande chefe chamado Lorde Coelhão surge numa tela, anunciando seu objetivo de empacotar todos os seres humanos. Mas Cebolinha reage, foge das armadilhas com Mônica nos braços e assume uma pequena nave. Capaz de enfrentar a nave-mãe dos vilões, Cebolinha empacota milhares de obstáculos e derruba Lorde, enfiando-lhe uma cenoura enorme na boca. Vitorioso, Cebolinha continua triste, já que Mônica permanece imobilizada. Mas ao pegar o coelhinho querido da amiga, Cebolinha a vê voltar ao normal. Começam então a brigar e voltam à Terra.

Assim que voltam à Terra eles se encontram com Maurício, enquanto isso toda a turma entra no estúdio onde Maurício estava. Todos se apresentam e perguntam sobre o tal filme que o cartunista pretendia fazer, mas Maurício diz que a turma não precisa mais fazer o filme porque ele já está pronto, referindo-se indiretamente às historinhas que o espectador acabou de assistir.

Gtk-paste.svg Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Maurício de Sousa interpreta a si mesmo e é o único que aparece em carne e osso no filme. De resto, todo o elenco do filme é composto pelos dubladores dos personagens da Turma da Mônica. São eles:

Dublador(a) Personagem
Maria Amélia Cristina Toledo de Costa Manso Basile Mônica
Ivete Jayme Cebolinha
Isaura Gomes Cascão
Sylvia Rosa Cremona de Souza Cordeiro Marinho Magali
Orlando Viggiani Filho Franjinha
Denise Simonetto Anjinho
Araken Saldanha Lorde Coelhão

Produção[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Antes da produção do filme, Maurício de Sousa já havia lançado alguns desenhos animados de seus personagens em comerciais de TV. Em 1976, foi lançado o primeiro desenho animado do cartunista, O Natal da Turma da Mônica que, como o próprio nome diz, era um especial de natal. Durante alguns anos essa pequena produção de um pouco mais de 5 minutos foi reprisada durante as vésperas de natal nas programações da Rede Globo e da extinta TV Tupi.

Em 1979, foi lançado na Rede Bandeirantes o telefilme Mônica e Cebolinha – No Mundo de Romeu e Julieta dirigido por José Amâncio. Todavia, essa produção utilizou bonecos para representar os personagens em vez de animação tradicional. Na década de 80, Maurício mostrava-se disposto em expandir a marca Turma da Mônica para além dos gibis, que na época eram feitos pela Editora Abril.

Realização[editar | editar código-fonte]

As Aventuras da Turma da Mônica começou a ser esboçado em 1981 e teve sua produção iniciada de fato no fim daquele ano nos Estúdios Maurício de Sousa. O roteiro foi escrito por Maurício de Sousa e Reinaldo Waisman.[1]

Das 4 pequenas histórias contadas no filme, 3 foram retiradas de gibis publicados até a época. A última história, O Império Empacota, considerada a principal, foi inspirada na franquia Star Wars; inclusive o vilão Lorde Coelhão é uma claríssima referência a Darth Vader. O último segmento também satiriza um dos títulos da famosa franquia norte-americana: O Império Contra-Ataca

Por algumas cenas terem usado a técnica de animação com live-action, o filme teve um certo trabalho para ser produzido. Foram utilizados cerca de 45 mil desenhos para a produção do longa, num tempo de aproximadamente de nove meses de produção, sendo co-produzido nos Estúdios Maurício de Sousa em parceria com a extinta empresa cinematográfica Black & White & Color. A grande equipe de animadores foi compostas por 6 pessoas: Airton Barreto de Lacerda, Alexandre Calheiros, Francisco Sá Godinho, Mário Lantana, Paulo José e Itsuo Nakashima; sendo este último filho do falecido animador japonês Ypê Nakashima, criador do também filme animado brasileiro Piconzé, de 1972.[1]

O filme teve um custo total de mais de 100 milhões de cruzeiros, um valor astronômico para época, considerando a elevada inflação que o país sofria de mais de 110%.

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

As Aventuras da Turma da Mônica
Trilha sonora de Turma da Mônica
Lançamento 1983
Gravação 1982
Gênero(s) Orquestra
Infantil
Duração 23:00
Formato(s) K7, Vinil
Gravadora(s) Polygram (atual Universal Music)
Produção Maurício de Sousa, Eduardo Leão Waisman, Remo Usai, Márcio de Sousa, Yara Maura Silva
Cronologia de Turma da Mônica
A Princesa e o Robô (1984)

As músicas do filme foram realizadas por uma grande equipe de músicos e escritores. Sua trilha sonora instrumental foi claramente inspirada em orquestras compostas por John Williams, um compositor norte-americano que realizou diversos trabalhos musicais para grandes clássicos do cinema como Jurassic Park, E.T. - O Extraterrestre, Tubarão, etc.

Na primeira história O Plano Infalível, os personagens principais são apresentados com uma canção cada um. As canções de cada personagem foram compostas e escritas por Gao Gurgel, Maurício de Sousa e Vilma Camargo, além da música-tema do filme. A balada instrumental "Rock da Rata Lee", da história Um amor de ratinho, teve Eduardo Leão Waisman e Remo Usai como criadores. A canção "Vou subindo" tocada na história A Ermitã, foi composta por Maurício de Sousa, Márcio de Sousa (irmão de Maurício) e Yara Maura Silva.

A trilha sonora foi lançada logo após o lançamento do filme pela gravadora Polygram (atual Universal Music) nos formatos cassete e vinil.

Lançamento[editar | editar código-fonte]

A premiere do filme se deu em São Paulo no então Cine-Teatro Paramount em 23 de dezembro de 1982; no mesmo o dia o filme já se encontrava disponível para os espectadores em circuito limitado pela capital paulista. Em janeiro de 1983, o longa estreou em 8 salas do Rio de Janeiro.[1]

Recepção comercial[editar | editar código-fonte]

Não existem fontes de quanto o filme arrecadou na época. Todavia, segundo pesquisa da Ancine, As Aventuras da Turma da Mônica conseguiu atrair 1.172.020 pessoas nos cinemas nacionais, o que gerou um grande sucesso.[2] Devido a isso, Maurício de Sousa produziu uma sequência já em 1983 intitulada de A Princesa e o Robô, baseada no último segmento desse filme O Império Empacota.

Legado[editar | editar código-fonte]

A última história da animação deu origem a já citada sequência A Princesa e o Robô, que, ao contrário desse filme, é focada em um único enredo. A forma de se mostrar pequenas histórias em uma única produção (como a utilizada nesse filme) foi a base para a maioria de outros filmes seguintes como As Novas Aventuras da Turma da Mônica, Mônica e a Sereia do Rio, Turma da Mônica e a Estrelinha Mágica e a ainda vigente série Cine Gibi.[carece de fontes?]

Exibições na Televisão[editar | editar código-fonte]

O filme foi transmitido pela primeira vez na televisão brasileira no feriado de 12 de outubro de 1983 na extinta Rede Manchete. Existem relatos ainda que a TV Globo chegou a exibir o filme no ano corrente de 1984 dentro da Sessão da Tarde, em 1996 no programa Intercine e em 1998 e 2000 novamente na Sessão da Tarde. A última exibição no filme na TV ocorreu em 2008 na Rede Globo dentro do programa Intercine, alcançando na época 6 pontos de média.

Lançamento doméstico[editar | editar código-fonte]

As Aventuras da Turma da Mônica só teve lançamentos domésticos em VHS. Seu primeiro lançamento em Home video ocorreu em 1984 pela Trans Vídeo. Dez anos depois, o filme foi relançado pela Premier Filmes no mesmo formato como parte da Coleção Turma da Mônica, que incluía filmes produzidos pela Maurício de Sousa Produções até a aquela data[3]. Em 1998, o filme foi lançado pela última vez em VHS pela PubliFolha sendo parte da Coleção Clássicos Turma da Mônica.

Desde então, o filme ficou esquecido sem ter mais nenhum lançamento doméstico. Todavia, algumas histórias desse filme foram relançadas posteriormente a parte (sem incluir o filme inteiro) em DVD, porém com uma nova dublagem, o que indignou muitos de seus fãs.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]