Autoginecofilia

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Tipologia do Transexualismo de Blanchard (em inglês Blanchard's transsexualism typology),também conhecida como Teoria Autoginecofílica de Blanchard (em inglês Blanchard autogynephilia theory) é um tipologia psicológica dos transexuais MtF (do inglês Male to Female, que significa"de homem para mulher") criada por Ray Blanchard entre a década de 80 e 90, com base no trabalho de seu colega, Kurt Freund. Blanchard dividiu as mulheres transexuais em dois diferentes grupos: Chamado “transexuais homossexuais” a quem Blanchard alega que buscam cirurgia de readequação sexual por sentirem atração romântica e sexual por homens (idealmente heterossexuais),e “transexuais autoginecofílicos” que supostamente são sexualmente excitados pela ideia de possuir um corpo feminino. A tipologia sugere distinções entre MtF transexuais,mas não especula as causas do transexualismo. A distinção é um tema recorrente literatura acadêmica sobre transexualismo.[1]

Os defensores da teoria incluem J. Michael Bailey, Anne Lawrence, James Cantor, e outros que dizem que há diferenças significativas entre os dois grupos propostos, incluindo sexualidade, idade de transição, etnicidade, QI, fetichismo, e qualidade de ajustes. A teoria tem sido alvo de criticas da parte John Bancroft, Jaimie Veale, Larry Nuttbrock, Charles Allen Moser, Julia Serano, e outros que dizem que a teoria representa pobremente as transexuais mulheres, e reduz a identidade de gênero a uma questão de atração, não é instrutivo, que a pesquisa citada em apoio à teoria tem grupos de controle inadequados ou contradito por outros dados, e que seus proponentes rotineiramente fazem afirmações que levantam questões sobre a falseabilidade da teoria.

A teoria tem sido alvo de protestos entre as pessoas transgêneras e na comunidade LGBT como um todo, que ganharam força entre mulheres transexuais e clínicos com a publicação do livro de Bailey O Homem Que Seria uma Rainha (em inglês The Man Who Would Be Queen) em 2003. Após as publicações do livro de Bailey, Blanchard distinguiu entre o valor de uma teoria como um comportamento descrito, versus uma explicação do transexualismo, e que apenas pesquisas posteriores poderão solucionar a questão.[1] A Associação Profissional Mundial para a Saúde dos Transgêneros (em inglês World Professional Association for Transgender Health) atualmente se opõe à teoria devido à falta de evidência empírica que a suporte.[2] [3]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O início da história do estudo do transexualismo é escasso, entretanto, o conceito de uma categorização de pessoas transexuais pode ser observado por volta de 1923 no trabalho de Magnus Hirschfeld.[4] Em 1966, Harry Benjamim escreveu que pesquisadores do seu tempo achavam que a atração por homem, enquanto o sentindo a si próprio como mulher, era um fator que distinguia o transexualismo do travestismo.[5] Em 1980 no DSM-III, um novo diagnostico foi introduzido o “302.5 Transexualismo” na sessão “Outras Desordens Psicossexuais”. Esta foi uma tentativa de fornecer uma categoria de diagnóstico para desordens de identidade de gênero.[6] . A categoria de diagnóstico, transexualismo, era para indivíduos com disforia de gênero que demonstraram interesse por no mínimo dois anos consecutivo em mudar seus status físicos e sociais. [7] Os subtipos eram assexual, homossexual (mesmo “sexo biológico”) heterossexual (outro “mesmo sexo biológico) e indeterminado.[6] Isto foi removido no DSM-IV, no qual desordem de identidade de gênero foi substituída por transexualismo. Taxonomias anteriores, ou sistemas de categorização, usaram os termos transexual clássico ou verdadeiro transexual, termos uma vez usado em diagnósticos diferenciais.[5]

O sexólogo Ray Blanchard cunhou o termo Autoginecofilia em 1989 para descrever transexuais MtF que eram sexualmente excitados pela ideia de ser uma mulher. Ele declarou que apesar de carecer de um termo especifico para descrever o conceito, havia evidencia para o conceito entre clínicos do século 20. Haverlock Ellis usou os termos “eonism” e inversão sexo-estética para descrever comportamentos e sentimentos transgêneros similares.[8]

Terminologia[editar | editar código-fonte]

A literatura clinica de Freud, Blanchard e outros que consistente dividiram transexuais MtF, ou seja, mulheres transexuais, em dois grupos distintos – “transexuais homossexuais,” pessoas que são sexualmente atraídas por homens (idealmente heterossexuais) e supostamente tem o desejo de possuir um corpo feminino para atrair eles, e “fetichistas transvésticos heterossexuais”, na qual o transexual supostamente acha a ideia de ter um corpo feminino excitante porém deseja ter uma parceira mulher heterossexual. [1] Kurt Freund primeiramente distinguiu entre os dois tipos propostos num artigo de pesquisa de 1982, teorizando que os “homossexuais” transexuais são qualitativamente diferentes dos alegados “heterossexuais homens” com disforia de gênero.[9] O sexologista Ray Blanchard cunhou o termo “Autoginecofilia” para descrever esta ultima categoria de pessoas. [1] Em um artigo de 2005 sobre o conceito de Ray Blanchard foi se observado que Freund foi provavelmente o primeiro autor a distinguir entre a excitação erótica devido a se vestir como uma mulher (travestismo) versus excitação erótica, devido à transformação física em uma forma mais tipicamente feminina (autoginecofilia).[8]

As observações de Blanchard no Instinto Clarke começaram por categorizar os transexuais MtF em quatro grupos baseados em suas supostas orientações sexuais: “homossexual”, “heterossexual, bissexual, e assexual (exemplo: mulheres transexuais atraídos por homens, mulheres, ambos, ou nenhum, respectivamente.)[10] Blanchard então conduziu uma série de estudos em pessoas que nasceram originalmente homens, e que possuíam disforia de gênero, incluindo transexuais MtF, e concluiu que existem apenas dois distintos transexuais[10] [11] [12] Blanchard disse que um tipo de gênero disforia/transexualismo se manifesta em indivíduos que são exclusivamente atraídos por homens, a quem ele se referiu como transexuais homossexuais, adotando a terminologia de Freund.[13] O outro tipo que ele definiu incluía transexuais que sentem atração sexuais por mulheres (ginecofílicos), que sentem atrações por ambos homens e mulheres (bissexual), e que não sentem atração por nenhum dos dois (assexual); Blanchard se referiu a isso posteriormente como transexuais não-homossexuais.[14] Blanchard diz que o termo transexuais “não-homossexuais” (mas não os transexuais “homossexuais”) exibem a autoginecofilia,[11] que ele definiu como um interesse parafílico em ter uma anatomia.[12] [15]

O criticismo de sua teoria de “transexuais homossexuais” são geralmente focado sem duas categorias: O uso do termo “homossexual” e o uso do termo “não-homossexual”para ser referir a um transexual MtF tendo como critério o seu sexo de nascimento[16] e o dado subjacente da teoria em si[17] HarryBenjamin, em seu livro O Fenomeno Trasexual (Em ingles The Transsexual Phenomenon) opinou que a questão “um transexual é homossexual?” podia ser respondido com “sim” ou “não”,dependendo se a anatomia ou gênero era prioridade, e em que casos de transexuais MtF que já haviam passados pela cirurgia de readequação sexual,descreve-los como “homens homossexuais” ia na contra mão do “senso comum e a racionalidade".

Referências

  1. a b c d Bancroft J. Human sexuality and its problems. [S.l.]: Elsevier, 2009. 290–1 p. ISBN 978-0-443-05161-6 Página visitada em 10 February 2012.
  2. Gijs, L.; Carroll, R. A. (2011). "Should Transvestic Fetishism Be Classified inDSM 5? Recommendations from the WPATH Consensus Process for Revision of the Diagnosis of Transvestic Fetishism". International Journal of Transgenderism 12 (4): 189. doi:10.1080/15532739.2010.550766.
  3. Knudson, G.; De Cuypere, G.; Bockting, W. (2011). "Second Response of the World Professional Association for Transgender Health to the Proposed Revision of the Diagnosis of Transvestic Disorder forDSM5". International Journal of Transgenderism 13: 9. doi:10.1080/15532739.2011.606195.
  4. Hirschfeld, M (1923). "Die intersexuelle Konstitution". Jahrbuch fuer sexuelle Zwischenstufen 23: 3–27.
  5. a b Benjamin, H (1966). The Transsexual Phenomenon (pdf). The Julian Press.
  6. a b Lothstein, Leslie Martin (1983). Female-to-male transsexualism. Routledge. p. 60. ISBN 0-7100-9476-0. Retrieved 2009-04-24.
  7. Meyer, Walter; Walter O. Bockting, Peggy Cohen-Kettenis et al (February 2001). The Harry Benjamin International Gender Dysphoria Association's Standards Of Care For Gender Identity Disorders, Sixth Version (PDF). 6th. Harry Benjamin International Gender Dysphoria Association. Retrieved 2009-04-22.
  8. a b Blanchard, R. (2005). "Early history of the concept of autogynephilia". Archives of Sexual Behavior 34 (4): 439–446. doi:10.1007/s10508-005-4343-8. PMID 16010466.
  9. Freund, K.; Steiner, B. W.; Chan, S. (1982). "Two types of cross-gender identity". Archives of Sexual Behavior 11: 49–63. doi:10.1007/BF01541365. PMID 7073469.
  10. a b Blanchard, R. (1985). "Typology of male-to-female transsexualism". Archives of Sexual Behavior 14 (3): 247–261. PMID 4004548.
  11. a b Blanchard, R.; Clemmensen, L. J.; Steiner, B. W. (1987). "Heterosexual and homosexual gender dysphoria". Archives of Sexual Behavior 16: 139–152. doi:10.1007/BF01542067. PMID 3592961.
  12. a b Blanchard, R. (1989). "The concept of autogynephilia and the typology of male gender dysphoria". The Journal of Nervous and Mental Disease 177: 616–623. doi:10.1097/00005053-198910000-00004. PMID 2794988.
  13. Blanchard, R.; Clemmensen, L. J.; Steiner, B. W. (1987). "Heterosexual and homosexual gender dysphoria". Archives of Sexual Behavior 16: 139–152. doi:10.1007/BF01542067. PMID 3592961.
  14. Blanchard, R. (1989). "The classification and labeling of nonhomosexual gender dysphorias". Archives of Sexual Behavior 18: 315–334. doi:10.1007/BF01541951. PMID 2673136.
  15. Blanchard, R. (1991). "Clinical observations and systematic studies of autogynephilia". Journal of Sex & Marital Therapy 17 (4): 235–251. doi:10.1080/00926239108404348. PMID 1815090. edit
  16. Bagemihl, B. "Surrogate phonology and transsexual faggotry: A linguistic analogy for uncoupling sexual orientation from gender identity". In Livia A; Hall K :. Queerly Phrased: Language, Gender, and Sexuality. Oxford University Press. p. 380. ISBN 0-19-510471-4.
  17. Moser, Charles (July 2010). "Blanchard's Autogynephilia Theory: A Critique". Journal of Homosexuality (6 ed.) 57 (6): 790–809. doi:10.1080/00918369.2010.486241. PMID 20582803.
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