Beatriz Pinheiro

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Beatriz Pinheiro
Nascimento 1872
Viseu, Portugal
Morte 1922 (50 anos)
Lisboa, Portugal
Nacionalidade Portugal Português
Ocupação Escritora e intelectual

Beatriz Paes Pinheiro de Lemos (Viseu, 1871Lisboa, 1922), também conhecida por Beatriz Pinheiro ou Beatriz Pinheiro de Lemos, foi uma poetisa e intelectual, pioneira do moderno movimento de emancipação feminina[1]

Com o poeta Carlos de Lemos, ao tempo seu marido, dirigiu e editou o periódico Ave Azul: revista de arte e crítica[2], que dedicou inúmeros artigos à situação das mulheres.

Esta «escritora, professora republicana, feminista, pacifista» veio «da pequena burguesia duma cidade de província, nasceu em Viseu, na rua da Senhora da Piedade, a 29 de Outubro de 1871. Filha de Joaquim António Pinheiro, natural de Elvas e funcionário dos correios, e de Antónia da Conceição Pais, de Paços de Silgueiros, um lugar daquele concelho,teve acesso a uma educação formal, frequentando, segundo as suas palavras, o ensino primário e liceal. Se o fim do liceu e, mais tarde, o diploma em Ciências e Letras, a conduziu à docência, o gosto pela escrita levou-a, ainda estudante, a colaborar na revista académica Mocidade, fundada pelo seu futuro marido, Carlos de Lemos, então aluno do Liceu de Viseu e no qual, anos mais tarde foi professor. Os dois criaram e dirigiram a revista Ave Azul que se manteve ativa durante dois anos: 1899-1900.»[3]

O seu activismo levou-a a pertencer à «Liga Portuguesa da Paz (...). Pertenceu, ainda, ao Grupo Português de Estudos Femininos, à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e à Associação de Propaganda Feminista. Em Lisboa, a 16 de Novembro de 1915, foi iniciada na Loja maçónica «Fiat Lux». No ano seguinte, com o nome simbólico de "Clemence Roger", integrou o quadro da Loja Carolina Ângelo, que abandonou em Janeiro de 1920.»[4]

Aquando da Implantação da República, a 5 de Outubro de 1910, já Beatriz Pinheiro encontrava-se «em Lisboa, participando na campanha a favor da aprovação da Lei do divórcio ou na reivindicação do laicismo quer no ensino, quer na prática da enfermagem».[5]

Entretanto, «em 1913, juntamente com Ana Augusta de Castilho, Ana de Castro Osório, Luthgarda de Caires, Joana de Almeida Nogueira e Maria Veleda, fez parte da comissão portuguesa presente no 7º Congresso Internacional «Women Suffrage Alliance», realizado em Budapeste.»[6]

Colaborou na revista Alma Feminina (1907-1908)[7], dirigida por Albertina Paraíso e Virgínia Quaresma[8], e é autora das seguintes obras[9]:

  • Serões póstumos (com Carlos de Lemos). Viseu: Typografia da Folha, 1899.
  • Flores garrettianas: homenagem ao primeiro centenário do nascimento do Visconde d'Almeida Garrett 1799-1899. Viseu: 1899.
  • A mulher portuguesa e a guerra europeia. Lisboa: Associação de Propaganda Feminista, 1916.

Beatriz Pinheiro integrou a Liga Portuguesa da Paz no ano da sua criação, 1899, tendo sido delegada da Liga em Viseu[8].

Referências

  1. SOUSA, Martim de Gouveia e. Beatriz Pinheiro de Lemos e os Direitos das Mulheres.
  2. Ave azul : revista de arte e critica (1899-1900) [cópia digital, Hemeroteca Digital]
  3. Silveira, Anabela Ferreira. «O protagonismo de Beatriz Pinheiro na Revista Viseense Ave Azul (1899-1900), 77-95». Historiae, Rio Grande, 8 (2), 2017 
  4. Silveira, Anabela Ferreira. «O protagonismo de Beatriz Pinheiro na Revista Viseense Ave Azul (1899-1900), 77-95». Historiae, Rio Grande, 8 (2), 2017 
  5. Silveira, Anabela Ferreira. «O protagonismo de Beatriz Pinheiro na Revista Viseense Ave Azul (1899-1900), 77-95». Historiae, Rio Grande, 8 (2), 2017 
  6. Silveira, Anabela Ferreira. «O protagonismo de Beatriz Pinheiro na Revista Viseense Ave Azul (1899-1900), 77-95». Historiae, Rio Grande, 8 (2), 2017 
  7. Ficha na Biblioteca Nacional de Portugal.
  8. a b ESTEVES, João. Dos salões literários ao associativismo pacifista, feminista, maçónico, republicano e socialista.
  9. Ver fichas na Biblioteca Nacional de Portugal.