Célula dendrítica

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Secção da pele que mostra uma grande quantidade de células dendríticas na epiderme.

As células dendríticas (Et: do grego δένδρον, árvore; ou DC inglês: Dendritic Cell), são glóbulos brancos que protegem o corpo de micróbios invasores, tanto directa como indirectamente. Embora as células dendríticas constituam parte do sistema imunitário inato,[1] sendo capazes de fagocitar patógenos, a sua principal função é processar material antigénico, devolve-lo à sua superfície e apresentá-lo às células especializadas do sistema imunitário. Neste sentido, actua como vínculo entre os dois sistemas.[2] Deste modo, as células dendríticas são células apresentadoras de antigénio. As células dendríticas existem em diferentes grupos de vertebrados, mas as suas características diferem entre um grupo e outro e inclusive dentro de um mesmo grupo. Embora sejam comuns dos mamíferos, também foram detectadas em frangos[3] e tartarugas.[4]

O seu nome faz referência a umas projecções ramificadas que se desenvolvem num determinado momento do seu processo de maturação, semelhantes aos dendritos dos neurónios. As células dendríticas foram descobertas em 1868 por Paul Langerhans quando estudava o epitélio cutâneo humano,[5] apesar de originalmente acreditar que formavam parte do sistema nervoso;[6] a sua verdadeira função só foi revelada um século mais tarde. Um estudo recente revelou a presença de células dendríticas no cérebro, o que pode representar uma segunda linha de defensa contra os patógenos que consigam atravessar a barreira hematoencefálica. Estas formam parte da chamada "micróglia heterogénea".[7]

As células dendríticas pertencem a um tipo de glóbulos brancos chamados fagócitos. Devido à sua elevada eficiência no momento de fagocitar material prejudicial ao corpo, as células dendríticas são consideradas fagócitos «profissionais», como neutrófilos, monócitos, macrófagos e mastócitos.[8] Parte da eficácia fagocítica das células dendríticas deve-se à presença de moléculas chamadas receptores na superfície, que podem detectar objetos nocivos, tais como bactérias, que normalmente se encontram dentro do corpo.[9] As células dendríticas existem em pequenas quantidades de tecidos que estão em contacto com o meio exterior, principalmente a pele (que possui um tipo especializado de células dendríticas chamadas células de Langerhans) e o revestimento interior do nariz, os pulmões, o estômago e intestinos. Também estão presentes em estado imaturo no sangue.

Tal como outros glóbulos brancos, as células dendríticas derivam de células hematopoiéticas mieloides. Quando são ainda imaturas, a sua função é ir procurar constantemente patógenos no meio que as rodeia mediante receptores de reconhecimento de padrões. Assim que encontram um antigénio válido, começam a amadurecer e migram para os gânglios linfáticos, onde se encontram os linfócitos. Quando os linfócitos T detectam um antigénio numa célula dendrítica, activam-se, proliferam e diferenciam-se em células efetoras. Por sua vez, os linfócitos T activam os linfócitos B, que produzem anticorpos, e a partir desse momento a defensa contra os patógenos passa para o domínio da imunidade adquirida.

Referências

  1. Mayer, Gene (2006). «Cells of the Immune System and Antigen Recognition» (PDF). Microbiology and Immunology On-Line Textbook. USC School of Medicine. Arquivado desde o original (PDF) em 28 de novembro de 2015. Consultado em 22 de maio de 2009. 
  2. Satthaporn, S. & Eremin, O.. (2001). "Dendritic cells (I) : biological functions" 46: 9-20. Visitado em 22 de maio de 2009. Cópia arquivada em 28 de novembro de 2015.
  3. Gallego, M.; del Cacho E, Lopez-Bernad F, Bascuas JA. (setembro de 1997). "Identification of avian dendritic cells in the spleen using a monoclonal antibody specific for chicken follicular dendritic cells" 249 (1): 81–85. DOI:<81::AID-AR10>3.0.CO;2-X 10.1002/(SICI)1097-0185(199709)249:1<81::AID-AR10>3.0.CO;2-X. PMID 9294652.
  4. Pérez-Torres, A; Millán-Aldaco D. A., Rondán-Zárate A.. (maio-junho de 1995). "Epidermal Langerhans cells in the terrestrial turtle, Kinosternum integrum" (3): 225–236. DOI:10.1016/0145-305X(95)00006-F. PMID 8595821.
  5. Langerhans, P. (1868). "Ueber die Nervender menschlicher" (em alemany) 44: 325. DOI:10.1007/BF01959006.
  6. OMIM 604856
  7. Bulloch K., Miller M. M., Gal-Toth J., Milner T. A., Gottfried-Blackmore A., Waters E. M., Kaunzner U. W., Liu K., Lindquist R., Nussenzweig M. C., Steinman R. M. & McEwen B. S.. (2008). "CD11c/EYFP transgene illuminates a discrete network of dendritic cells within the embryonic, neonatal, adult, and injured mouse brain" 508 (5): 687-710. DOI:10.1002/cne.21668. PMID 18386786.
  8. Robinson p. 187 i Ernst pp. 7–10
  9. Ernst p. 10
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