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Catolicismo no Afeganistão

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IgrejaCatólicaEmblem of the Papacy SE.svg
 Afeganistão
Uma missa católica em Kandahar
Ano 2004
Católicos >200
População 31.889.923
Arcebispo Giuseppe Moretti

O catolicismo no Afeganistão representa a parte da Igreja Católica no país supracitado, sob a liderança espiritual do Papa e da Cúria Romana, em Roma. Há pouquíssimos católicos neste país de maioria muçulmana — pouco mais de 200[1] que assistem à missa na única capela[2] — e liberdade de religião tem sido difícil de obter nos últimos tempos, especialmente sob o antigo regime taliban. Em 16 de maio de 2002, o Papa João Paulo II estabeleceu uma missão sui iuris no Afeganistão, com o padre Giuseppe Moretti como seu primeiro superior e responsável.[1] A única igreja católica no país é a capela na embaixada italiana em Cabul.[2] Em 2004, as Missionárias da Caridade chegaram em Cabul para desenvolver trabalho humanitário.[3]

História da Igreja Católica no Afeganistão[editar | editar código-fonte]

Missionário jesuíta, pintura de 1779.

De acordo com o evangelho apócrifo de Tomé e outros documentos antigos, São Tomé pregou na Báctria, que é hoje o norte do Afeganistão.[4] Os Nestorianos implantaram o cristianismo na área, e houve nove bispos e dioceses na região, incluindo Herat (424-1310), Farah (544-1057), Candaar e Balkh. Esta organização da Igreja nestoriana foi destruída por invasões muçulmanas no século VII [5], embora o território não tenha sido substancialmente controlado por muçulmanos até aos séculos IX e X.[6] Em 1581 e 1582, os jesuítas e o português Bento de Góis foram calorosamente recebidos pelo Imperador Akbar, mas não houve presença duradoura dos jesuítas no país. [7][8]

Século XX[editar | editar código-fonte]

A Itália foi o primeiro país a reconhecer a independência do Afeganistão em 1919, e o governo afegão perguntou como poderia agradecer a Itália. Roma solicitou o direito de construir uma capela, que estava sendo solicitada por estrangeiros que viviam na capital afegã. Uma cláusula que dá a Itália o direito de construir uma capela em sua embaixada foi incluída no tratado ítalo-afegão de 1921, e nesse mesmo ano os barnabitas chegaram para começar o trabalho pastoral.[9] Porém, o trabalho pastoral só começou verdadeiramente em 1933, quando a capela começou a ser construída.[10] Na década de 1950, foi terminada a construção da capela.[11]

O Papa João Paulo II pediu uma solução para a invasão soviética do Afeganistão na década de 1980.[12] De 1990 a 1994, Giuseppe Moretti era o único padre no Afeganistão,[3] mas ele foi forçado a sair e voltar à Itália em 1994, depois de ser atingido por estilhaços. Mas, após o seu tratamento médico, este sacerdote barnabita regressou ao Afeganistão.[13] Depois de 1994, apenas as Irmãzinhas de Jesus foram autorizadas a permanecer no Afeganistão, porque estavam lá desde 1955 e tiveram seu trabalho reconhecido.[14] Contudo, os talibans chegaram ao poder, mas foram derrotados pela invasão norte-americana em 2001.[10] Por causa desta invasão, o Padre Moretti novamente foi forçado a fugir, mas retornou mais tarde, quando os talibans foram derrotados.[13] Após os ataques de 11 de setembro, a Catholic Relief Services enviou alimentos, vestuário e roupa de cama para os refugiados. Eles também enviaram material escolar para que as crianças retornassem para a escola.[15]

Pós-Taliban[editar | editar código-fonte]

Missionárias da Caridade usando o tradicional hábito azul e branco.

A primeira missa em 9 anos foi celebrada em 27 de janeiro de 2002 para os membros da Força de Segurança Internacional e vários membros de agências estrangeiras.[11] Em 16 de maio de 2002, uma missão sui iuris foi criada para todo o Afeganistão.[1] Existe apenas uma capela em funcionamento no país, que está situada na embaixada italiana.[2] Projetos da nova missão incluem uma "escola de paz" para 500 alunos, que será operada segundo "normas europeias".[3] Três freiras também trabalham com deficientes mentais em Cabul: como por exemplo, elas ensinam às pessoas com paralisia cerebral como irem ao banheiro e como comerem sozinhos.[16] A pequena comunidade passou por um período de crise durante o sequestro de Clementina Cantoni, da Care International, por quatro homens armados em Cabul quando se dirigia a seu carro em 17 de maio de 2005.[17] As Missionárias da Caridade tiveram sua casa abençoada em 9 de maio de 2006, e começaram a adotar crianças de rua. Houve temores de que o hábito azul e branco iria fazê-las se destacarem e serem perseguidas pelos muçulmanos, mas geralmente são respeitadas.[18] O Serviço Jesuíta aos Refugiados também se juntou ao crescente número de ordens religiosas no país.[14] Os jesuítas também abriram recentemente uma escola técnica em Herat para 500 alunos, incluindo 120 meninas.[19]

Tem havido esforços para iniciar o diálogo inter-religioso entre o Vaticano e o Supremo Tribunal afegão. O mulá Faisal Ahmad Shinwari participou da inauguração da nova missão e manifestou o desejo de se encontrar com o Papa.[20]

A comunidade católica no Afeganistão é formada principalmente por estrangeiros, não havendo afegãos atualmente a fazerem parte da Igreja, principalmente devido à pressão social e legal para não se converterem a religiões não-islâmicas. Alguns afegãos se converteram no estrangeiro, mas mantêm segredo quando regressam ao seu país, tentando assim evitar problemas que afectaram, como por exemplo, Abdul Rahman.[21][22] Apesar disso, a comunidade cresceu de apenas algumas freiras a cerca de 100 pessoas em uma missa dominical.[2]

Relações com o novo governo democrático do Afeganistão têm sido positivas: o presidente Hamid Karzai esteve presente no funeral do Papa João Paulo II e felicitou o Papa Bento XVI pela sua eleição.[23] O Núncio Apostólico no Paquistão visitou o Afeganistão em 2005 e realizou uma missa na Capela da Embaixada italiana para uma grande multidão. Os católicos têm a esperança de que uma igreja católica aberta ao público afegão e laços diplomáticos oficiais entre a Santa Sé e o Afeganistão serão possíveis no futuro.[24]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Mission "Sui Iuris" of Afghanistan Página visitada em 12-10-2011.
  2. a b c d Caffulli, Giuseppe (30 de janeiro de 2004). «A Church of the catacombs, made up of only foreigners». Asianews.it. Consultado em 18 de junho de 2006  Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "catacombs" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes
  3. a b c «The Sisters of Mother Teresa arrive in Kabul». Asianews.it. 2 de novembro de 2004. Consultado em 18 de junho de 2006  Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "Peace" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "Peace" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes
  4. «Wandering in the East». Members.aol.com. Consultado em 23 de outubro de 2011 
  5. «Asia at a glance». zenit.org. 17 de abril de 2001. Cópia arquivada desde o original em 5 de dezembro de 2006. Consultado em 11 de agosto de 2009 
  6. «Afghanistan». Encyclopædia Britannica. 2006. Consultado em 11 de agosto de 2009 
  7. «Jesuits in Afghanistan?». SJ Electronic Information Service. 17 de junho de 2005. Consultado em 18 de junho de 2006 
  8. «After 400 years, Jesuits return to Afghanistan». Australian Jesuits. Cópia arquivada desde o original em 29 de setembro de 2007. Consultado em 11 de agosto de 2009 
  9. «Asia/Afghanistan - Barnabite Fathers 70 Years of Service in Afghanistan: Kabul Mission First Step for Growth of Local Church" Says Nuncio to Paskistan, Archbishop Alessandro D'Errico». Fides. 29 de setembro de 2003. Consultado em 18 de junho de 2006 
  10. a b «A "public" church in Afghanistan? The past offers hope for the present (Overview)». Asianews.it. 12 de outubro de 2005. Consultado em 18 de junho de 2006  Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "Afghan" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes
  11. a b «Mass Celebrated Again in Afghan Capital». zenit.org. 27 de janeiro de 2002. Cópia arquivada desde o original em 27 de setembro de 2006. Consultado em 11 de agosto de 2009 
  12. «Pope Asks Afghan Solution». New York Times. 29 de dezembro de 1983. Consultado em 11 de agosto de 2009 
  13. a b «Afghanistan May Now Be a Priestless Nation». zenit.org. 8 de novembro de 2001. Cópia arquivada desde o original em 27 de setembro de 2006. Consultado em 11 de agosto de 2009 
  14. a b «Catholic presence expanding, Jesuit NGO and Sisters of Mother Teresa to arrive». Asianews.it. 23 de maio de 2005. Consultado em 18 de junho de 2006  Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "catholic" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes
  15. «Our Work: Afghanistan». Catholic Relief Services. 2006. Cópia arquivada desde o original em 27 de setembro de 2007. Consultado em 11 de agosto de 2009 
  16. «Nuns in 'civilian' clothes serving Jesus in Kabul». Asianews.it. 15 de junho de 2006. Consultado em 18 de junho de 2006 
  17. «Caritas in Kabul: anguish but no panic, still standing by the Afghans». Asianews.it. 18 de maio de 2005. Consultado em 18 de junho de 2006 
  18. «Sisters of Mother Teresa in Kabul». Asianews.it. 18 de maio de 2005. Consultado em 18 de junho de 2006 
  19. «Catholic School Opens in Afghanistan». ewtn.com. 20 de junho de 2007. Consultado em 28 de julho de 2007 
  20. «Draft Afghan Constitution Does Not Address Religious Freedom». zenit.org. 20 de novembro de 2003. Consultado em 18 de junho de 2006 
  21. Barker, Kim (22 de março de 2006). «Afghan man faces death after leaving Islam for Christianity». Chicago Tribune. Consultado em 18 de junho de 2006 
  22. Harman, Danna (27 de fevereiro de 2009). «Despite opposition, Afghan Christians worship in secret». Christian Science Monitor. Consultado em 11 de agosto de 2009 
  23. «South Asia welcomes new pontiff». BBC. 20 de abril de 2005. Consultado em 11 de agosto de 2009 
  24. «Nuncio to Pakistan visiting Kabul». Asianews.it. 12 de outubro de 2005. Consultado em 18 de junho de 2006 

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]