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Costa do Ouro Portuguesa

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Costa da Mina
Costa do Ouro Portuguesa

Possessão ultramarina do Reino de Portugal

1482 – 1642 →
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Localização de Costa do Ouro Portuguesa
Localização de Costa do Ouro Portuguesa
Representação de São Jorge da Mina em mapa do século XVI.
Continente África
Região África Ocidental
Capital São Jorge da Mina
Língua oficial Português (oficial da administração); línguas akan
Religião Catolicismo; religiões tradicionais akan
Governo Não especificado
Rei
 • 1482–1495 João II
 • 1640–1642 João IV
História
 • 1482Fundação do Castelo de São Jorge da Mina
 • 1642Conquista portuguesa de Axim pelos neerlandeses
Moeda Real português

A Costa do Ouro Portuguesa foi uma possessão ultramarina do Reino de Portugal, estabelecida na costa do Golfo da Guiné, na África Ocidental, correspondente ao litoral da atual Gana. Organizada em torno da fortaleza de São Jorge da Mina, fundada em 1482, constituiu o principal centro português na região e um dos mais importantes entrepostos comerciais do Atlântico durante os séculos XV e XVI.

Inicialmente voltada para o comércio do ouro proveniente do interior da África Ocidental, a Costa do Ouro tornou-se um dos pilares da expansão marítima portuguesa e desempenhou papel relevante na formação das redes comerciais atlânticas. A partir do século XVI, o comércio de pessoas escravizadas passou a adquirir importância crescente, acompanhando a expansão da colonização portuguesa na América, especialmente no Brasil.

A presença portuguesa na região baseou-se na manutenção de fortalezas e feitorias fortificadas, administradas por capitães nomeados pela Coroa e sustentadas por alianças comerciais e diplomáticas estabelecidas com os reinos e chefaturas africanas da costa, particularmente os povos akan. Ao contrário de outras possessões portuguesas, a autoridade da Coroa restringia-se essencialmente aos estabelecimentos fortificados e às áreas imediatamente adjacentes, não constituindo um domínio territorial contínuo.

A partir do final do século XVI, a crescente concorrência de mercadores ingleses, franceses e, sobretudo, neerlandeses enfraqueceu o monopólio comercial português. Em 1637, durante a Guerra Luso-Holandesa, a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais conquistou São Jorge da Mina, principal fortaleza portuguesa na região. As últimas posições portuguesas foram perdidas em 1642, incorporando-se o território à Costa do Ouro Holandesa.

História

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Antecedentes

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Os primeiros contactos portugueses com o litoral da atual Gana inseriram-se no contexto da expansão marítima promovida pelo Reino de Portugal durante o século XV. Após o reconhecimento progressivo da costa africana sob o patrocínio do Infante Henrique, a Coroa portuguesa passou a procurar rotas diretas para o comércio do ouro da África Ocidental, até então obtido por intermédio das redes transaarianas controladas por mercadores muçulmanos.[1][2]

Em 1469, o rei Afonso V concedeu ao mercador lisboeta Fernão Gomes o contrato de exploração comercial da costa da Guiné. Em troca do monopólio do comércio na região, Gomes comprometia-se a financiar anualmente a exploração de cerca de 100 léguas de litoral ainda não reconhecido pelos portugueses. Durante a vigência desse contrato, os navegadores ao seu serviço alcançaram a região conhecida pelos europeus como Costa da Mina, onde constataram a existência de um intenso comércio aurífero alimentado pelos reinos akan do interior.[3][4]

As quantidades de ouro obtidas pelos comerciantes portugueses levaram a Coroa a assumir diretamente o controlo da região após o término do contrato de Fernão Gomes. O rei João II, dando continuidade ao fortalecimento da presença portuguesa na costa africana, determinou a construção de uma fortaleza permanente que garantisse o abastecimento do comércio e afirmasse a soberania portuguesa perante os concorrentes europeus e os poderes locais.[5][6]

Fundação de São Jorge da Mina

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Para executar o projeto, João II nomeou Diogo de Azambuja capitão de uma expedição composta por cerca de dez embarcações, aproximadamente seiscentos homens e materiais previamente preparados para a construção de uma fortificação de pedra. A armada partiu de Lisboa em dezembro de 1481 e chegou à Costa da Mina em janeiro de 1482.[7][8][9]

Após negociações com o chefe local de Eguafo, tradicionalmente identificado nas fontes portuguesas como Caramansa, os portugueses obtiveram autorização para estabelecer uma feitoria fortificada junto ao principal centro de comércio de ouro da região. Em 21 de janeiro de 1482 foi lançada a primeira pedra do Castelo de São Jorge da Mina, considerado a mais antiga construção europeia permanente ao sul do deserto do Saara ainda preservada.[10][11]

Além de servir como entreposto comercial, o castelo tornou-se o centro administrativo da presença portuguesa na Costa da Mina. Nele passaram a residir o capitão, o feitor, o escrivão, o almoxarife e demais oficiais régios responsáveis pela arrecadação dos direitos da Coroa, pela administração da justiça e pela manutenção das relações diplomáticas com os governantes africanos da região.[12][13]

Consolidação da presença portuguesa

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Concluída a construção do Castelo de São Jorge da Mina, a Coroa portuguesa organizou uma administração permanente destinada a assegurar o monopólio régio sobre o comércio do ouro da Costa da Mina. O castelo passou a constituir a sede de uma capitania subordinada diretamente ao rei de Portugal, sendo governado por um capitão, auxiliado por um feitor, um almoxarife, um escrivão, oficiais militares e pessoal eclesiástico.[14][15]

A principal função da feitoria consistia na aquisição do ouro transportado pelos mercadores akan provenientes das regiões interiores, especialmente das áreas correspondentes aos atuais territórios de Bono e Adanse. Em contrapartida, os portugueses forneciam tecidos, artefatos metálicos, contas de vidro, objetos de cobre, cavalos e outros produtos manufaturados europeus, que eram incorporados às redes comerciais locais.[16][17]

Ao contrário do que ocorreu em outras partes do império ultramarino português, a presença lusa na Costa da Mina permaneceu essencialmente costeira. O poder da Coroa concentrava-se nas fortalezas e feitorias estabelecidas ao longo do litoral e dependia da manutenção de relações diplomáticas e comerciais com os governantes africanos. Os portugueses não exerceram domínio efetivo sobre o interior nem promoveram um processo sistemático de colonização territorial.[18][19]

Durante as primeiras décadas de funcionamento da fortaleza, São Jorge da Mina transformou-se no principal entreposto português na África Ocidental. A maior parte do ouro exportado para Lisboa passava por suas instalações, contribuindo significativamente para o financiamento da política ultramarina de João II e, posteriormente, de Manuel I.[20][21]

Além da fortaleza principal, os portugueses estabeleceram outras posições estratégicas ao longo da costa, destinadas a proteger a navegação e ampliar as possibilidades comerciais. Entre elas destacaram-se os fortes de Santo António de Axim e São Sebastião de Xama, bem como diversas feitorias de caráter temporário, cuja existência variou conforme as condições políticas e comerciais da região.[22]

Embora o ouro permanecesse como o principal produto comercial durante boa parte do século XV e das primeiras décadas do século XVI, a importância econômica da Costa da Mina aumentou progressivamente em razão da expansão das redes atlânticas portuguesas, que passaram a integrar de forma crescente os mercados africanos, europeus e americanos.[23]

O comércio do ouro e a economia atlântica

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Desde a fundação de São Jorge da Mina, a principal razão da presença portuguesa na Costa da Mina foi o comércio do ouro. Proveniente sobretudo dos reinos akan do interior, o metal chegava ao litoral por intermédio de extensas redes comerciais africanas, sendo transportado por mercadores especializados até os mercados costeiros, onde era adquirido pelos feitores portugueses.[16][24]

Os portugueses não controlavam a produção aurífera nem as rotas terrestres que ligavam o litoral às zonas mineradoras. Seu papel consistia em assegurar um ponto de intercâmbio relativamente estável, oferecendo mercadorias europeias e mediterrânicas em troca do ouro trazido pelos comerciantes africanos. Essa dependência das estruturas políticas e comerciais locais obrigou a Coroa portuguesa a manter relações diplomáticas permanentes com os governantes da região, evitando, sempre que possível, intervenções militares que pudessem comprometer o abastecimento da feitoria.[25][26]

Entre os produtos introduzidos pelos portugueses encontravam-se tecidos europeus, panos produzidos no Norte da África, objetos de cobre e latão, ferro manufaturado, contas de vidro, vinho, cavalos e outros bens de prestígio valorizados pelas elites africanas. Em contrapartida, o ouro embarcado em São Jorge da Mina era enviado principalmente para Lisboa, onde abastecia a Casa da Moeda e contribuía para o financiamento das atividades comerciais e militares da monarquia portuguesa.[27][28]

Ao longo do século XVI, o desenvolvimento da economia atlântica promoveu uma diversificação das atividades comerciais da feitoria. Embora o ouro continuasse a representar a principal riqueza da Costa da Mina, ampliou-se gradualmente o comércio de marfim, pimenta-malagueta (Aframomum melegueta) e pessoas escravizadas. Estas eram adquiridas em diferentes mercados da África Ocidental e encaminhadas sobretudo para São Tomé, onde eram empregadas na produção açucareira, e, posteriormente, para outras possessões portuguesas no Atlântico.[29][30]

Apesar do crescimento do tráfico atlântico de escravos, a Costa da Mina nunca desempenhou, durante o período português, papel comparável ao de regiões como Angola ou a Costa dos Escravos. A prosperidade da fortaleza de São Jorge da Mina permaneceu estreitamente ligada ao comércio do ouro, que continuou a constituir a principal fonte de receitas da Coroa portuguesa na região até o início do século XVII.[23][31]

Relações com os reinos africanos

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A presença portuguesa na Costa da Mina desenvolveu-se em estreita dependência das estruturas políticas e comerciais dos povos akan, que dominavam as rotas terrestres responsáveis pelo abastecimento de ouro proveniente do interior da África Ocidental. Longe de exercer soberania sobre a região, os portugueses limitaram sua autoridade às fortalezas e feitorias estabelecidas no litoral, cuja sobrevivência dependia da manutenção de relações diplomáticas estáveis com os governantes locais.[26][32]

Antes da chegada dos portugueses, o comércio costeiro já era organizado por comunidades africanas integradas a uma vasta rede mercantil que ligava o litoral aos centros produtores de ouro do interior. Mercadores akan transportavam ouro, noz-de-cola e outros produtos por meio de rotas que alcançavam tanto os mercados saarianos quanto os portos do Golfo da Guiné. A instalação da feitoria de São Jorge da Mina representou, assim, uma adaptação dessas redes comerciais à crescente demanda europeia, e não a sua substituição.[33][34]

Segundo as fontes portuguesas, a construção do Castelo de São Jorge da Mina foi precedida por negociações entre Diogo de Azambuja e o chefe local identificado como Caramansa, geralmente associado pelos historiadores ao governante do reino de Eguafo. Embora as crónicas portuguesas apresentem esse acordo como uma autorização para a construção da fortaleza, a historiografia contemporânea interpreta-o como um pacto político e comercial celebrado entre duas autoridades soberanas, baseado em interesses mútuos e sujeito a permanente renegociação.[7][35][36]

Ao longo dos séculos XV e XVI, os portugueses procuraram preservar relações amistosas com diversos reinos costeiros, entre eles Eguafo e Fetu, evitando interferir diretamente nas disputas políticas do interior. Em contrapartida, os governantes africanos utilizavam a presença portuguesa como forma de ampliar o acesso a produtos importados, fortalecer sua posição diante de rivais regionais e aumentar o prestígio associado ao controle das rotas comerciais.[37][38]

Apesar dessas alianças, as relações entre portugueses e africanos permaneceram marcadas por tensões ocasionais. Divergências comerciais, conflitos de jurisdição, ataques a mercadores e disputas envolvendo o pagamento de tributos ou direitos de comércio provocaram confrontos esporádicos ao longo do século XVI. Ainda assim, a Coroa portuguesa privilegiou, na maior parte do período, soluções diplomáticas, reconhecendo que a continuidade do comércio dependia da cooperação com as autoridades locais.[39][40]

No início do século XVII, o equilíbrio político da região começou a modificar-se em razão do fortalecimento de novas formações políticas africanas e da crescente presença de potências europeias concorrentes, fatores que contribuíram para o enfraquecimento da posição portuguesa na Costa da Mina.[41]

Administração

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Organização administrativa

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A administração portuguesa da Costa da Mina permaneceu concentrada no Castelo de São Jorge da Mina, que funcionava simultaneamente como fortaleza, feitoria, residência dos oficiais régios e principal centro político da presença portuguesa na África Ocidental. Subordinada diretamente à Coroa, sua organização refletia o modelo administrativo empregado em outras possessões ultramarinas portuguesas durante a expansão marítima.[20][42]

A autoridade máxima era exercida pelo capitão de São Jorge da Mina, nomeado pelo rei por período determinado. Competia-lhe assegurar a defesa da fortaleza, representar a autoridade régia perante os governantes africanos, manter a disciplina da guarnição e supervisionar o funcionamento da feitoria. Em virtude da importância econômica da Costa da Mina, o cargo era considerado um dos mais prestigiosos do império português na África.[43]

O comércio era administrado pelo feitor, responsável pela aquisição do ouro, pela armazenagem das mercadorias e pela organização dos embarques destinados ao Reino. Cabia-lhe ainda controlar os preços praticados nas transações, fiscalizar a qualidade do metal recebido e zelar pelo cumprimento do monopólio régio.[44][45]

Entre os demais oficiais destacavam-se o almoxarife, encarregado da arrecadação das rendas da Coroa e da administração dos armazéns, e o escrivão, responsável pelo registro das transações comerciais, da correspondência oficial e dos atos administrativos. A fortaleza contava ainda com um contingente militar permanente, composto por soldados, bombardeiros, marinheiros e artífices, além de capelão, cirurgião e outros funcionários indispensáveis ao funcionamento cotidiano da feitoria.[46][47]

A manutenção da administração portuguesa dependia, contudo, da colaboração das autoridades africanas. O abastecimento da fortaleza, o acesso aos mercados e a circulação dos mercadores portugueses estavam condicionados aos acordos firmados com os governantes locais, que conservavam plena autoridade sobre o território circundante. Assim, embora o castelo representasse a presença política da monarquia portuguesa na Costa da Mina, sua atuação era limitada pelas relações diplomáticas e comerciais estabelecidas com os reinos africanos.[48][38]

Fortificações e feitorias

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A presença portuguesa na Costa da Mina caracterizou-se pela implantação de uma rede de fortalezas e feitorias distribuídas ao longo do litoral do Golfo da Guiné. Diferentemente das conquistas territoriais realizadas em outras partes do império ultramarino, essas instalações destinavam-se principalmente a assegurar o comércio marítimo, proteger os navios portugueses e servir como pontos de armazenamento e negociação de mercadorias.[49][50]

O núcleo dessa rede era o Castelo de São Jorge da Mina, sede da administração portuguesa e principal entreposto comercial da África Ocidental. A partir dele, a Coroa procurou estabelecer outros postos fortificados em locais considerados estratégicos para o abastecimento das embarcações, a defesa da navegação e o acesso aos mercados africanos. Nem todos esses estabelecimentos tiveram caráter permanente, e vários foram reconstruídos, abandonados ou conquistados por outras potências europeias ao longo dos séculos XVI e XVII.[51][52]

Embora frequentemente descritas como instrumentos de dominação colonial, essas fortalezas funcionavam sobretudo como feitorias fortificadas. Seu funcionamento dependia da autorização e da cooperação dos governantes africanos, que conservavam o controlo político do território circundante e das rotas comerciais que ligavam o litoral às regiões produtoras de ouro.[26][48]

Estabelecimento Fundação Localização atual Função Destino
Castelo de São Jorge da Mina 1482 Elmina Capital administrativa e principal feitoria do ouro Conquistado pelos neerlandeses em 1637.[53]
Forte de Santo António de Axim 1515 Axim Defesa do comércio na costa ocidental Conquistado pelos neerlandeses em 1642.[54]
Forte de São Sebastião de Xama 1526 Xama Proteção do tráfego marítimo e do comércio regional Conquistado pelos neerlandeses em 1642.[55]
Feitoria de Cabo Corso c. 1555 Cape Coast Entreposto comercial sem fortificação permanente portuguesa Posteriormente ocupada por comerciantes suecos e transformada em fortaleza.[56][57]

Capitães de São Jorge da Mina

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O governo da Costa da Mina era exercido pelo capitão de São Jorge da Mina, oficial nomeado diretamente pelo rei de Portugal. Além do comando militar da fortaleza, competia-lhe administrar a feitoria, representar a Coroa perante os governantes africanos, supervisionar o comércio régio do ouro e assegurar o cumprimento do monopólio português na região.[20][42]

Em razão da importância estratégica e econômica da fortaleza, o cargo era um dos mais prestigiosos da administração portuguesa na África Ocidental. Muitos dos seus titulares haviam servido anteriormente em outras partes do império ultramarino ou desempenhariam posteriormente funções de relevo no Estado da Índia, no Reino ou em outras possessões portuguesas.[12]

Período Capitão Observações
1482–1484 Diogo de Azambuja Primeiro capitão e fundador do Castelo de São Jorge da Mina.[58]
1484–1487 João de Escobar Sucedeu a Diogo de Azambuja.[59]
1487–1495
A documentação conhecida apresenta lacunas quanto à sucessão dos capitães neste período.[60]
1495–1499 Lopo Soares de Albergaria Posteriormente governador da Índia Portuguesa.[61]
1499–1504
Mandato ainda objeto de divergências na bibliografia.[61]
1504–1505 Diogo Lopes de Sequeira Posteriormente governador da Índia.[62]
1505–1518
Diversos capitães exerceram mandatos curtos, não havendo consenso cronológico entre as fontes.[63]
1518–1519 João da Silveira
1519–1522 Duarte Pacheco Pereira Nomeado por Manuel I; reorganizou a administração da feitoria.[64]
1522–1524 João de Barros Nomeado capitão após Duarte Pacheco Pereira.[65]
1524–1529
1529–1535 Estêvão da Gama Irmão de Vasco da Gama.[65]
1535–1540 Manuel de Albuquerque
1540–1545 Lopo de Sousa Coutinho
1545–1550 Manuel da Silveira
1550–1554 João Rodrigues Coutinho
1554–1637
A sucessão completa apresenta lacunas documentais e divergências entre as fontes manuscritas portuguesas e neerlandesas. A reconstrução integral exige consulta sistemática ao Corpo Cronológico, à Chancelaria Régia, à Monumenta Missionaria Africana e aos registros da Casa da Mina.[66][67]
1637 António Pinto da Fonseca Último capitão português de São Jorge da Mina durante a conquista neerlandesa.[68]

Declínio da presença portuguesa

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A concorrência europeia

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Durante as primeiras décadas do século XVI, Portugal manteve posição predominante no comércio da Costa da Mina. Entretanto, a expansão das redes mercantis do norte da Europa e o progressivo enfraquecimento do monopólio português favoreceram a presença de comerciantes franceses, ingleses e neerlandeses ao longo do litoral da África Ocidental.[69][70]

A partir de meados do século XVI, navios estrangeiros passaram a negociar diretamente com os governantes africanos, oferecendo mercadorias em condições frequentemente mais vantajosas do que aquelas proporcionadas pela Coroa portuguesa. Tecidos, armas, metais manufaturados e outros produtos europeus passaram a chegar à Costa da Mina por intermédio de diferentes potências marítimas, reduzindo progressivamente a posição privilegiada anteriormente desfrutada pelos portugueses.[71][72]

A diminuição das receitas provenientes do comércio do ouro coincidiu com o deslocamento dos interesses estratégicos da monarquia portuguesa para outras regiões do império, particularmente o Estado da Índia, o Brasil e, posteriormente, Angola. Em consequência, os investimentos destinados à manutenção das fortificações da Costa da Mina tornaram-se relativamente modestos, comprometendo a capacidade defensiva das possessões portuguesas.[73][74]

A incorporação da Coroa portuguesa à União Ibérica, em 1580, alterou profundamente o equilíbrio político do Atlântico. Como os Países Baixos encontravam-se em guerra contra a Monarquia Hispânica durante a Guerra dos Oitenta Anos, as possessões ultramarinas portuguesas passaram a ser consideradas alvos legítimos das companhias comerciais neerlandesas, interessadas em assumir o controle das principais rotas atlânticas do açúcar, das especiarias e do ouro.[75][76]

Em 1621 foi fundada a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (Geoctroyeerde Westindische Compagnie – WIC), cuja estratégia previa a conquista dos principais estabelecimentos portugueses na África e na América. Entre seus objetivos prioritários encontrava-se o Castelo de São Jorge da Mina, considerado o principal entreposto aurífero da África Ocidental e peça fundamental para o financiamento das atividades comerciais portuguesas no Atlântico.[77][78]

A conquista neerlandesa

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A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (West-Indische Compagnie – WIC) iniciou, ainda na década de 1620, uma série de operações militares destinadas a desalojar os portugueses dos principais entrepostos comerciais da África Ocidental. O controlo da Costa da Mina era considerado estratégico para enfraquecer o império ultramarino português e assegurar aos neerlandeses acesso direto ao comércio do ouro e às redes atlânticas de abastecimento de escravos destinadas às plantações americanas.[79][80]

As primeiras tentativas de ocupação de São Jorge da Mina fracassaram em razão da solidez das fortificações portuguesas e da resistência da guarnição. Entretanto, ao longo das décadas seguintes, os neerlandeses consolidaram alianças comerciais e militares com diferentes autoridades africanas da Costa do Ouro, reduzindo progressivamente a influência portuguesa na região.[81][82]

Em junho de 1637, uma esquadra da WIC, sob o comando de Hans Coine, cercou o Castelo de São Jorge da Mina. Diferentemente das tentativas anteriores, os atacantes conseguiram ocupar as posições elevadas situadas no entorno da fortaleza, de onde passaram a bombardear continuamente as defesas portuguesas. O apoio prestado por grupos africanos aliados aos neerlandeses dificultou o abastecimento da guarnição portuguesa e contribuiu para o isolamento do castelo. A campanha neerlandesa contou ainda com o apoio de autoridades africanas interessadas em reduzir a influência portuguesa e ampliar suas possibilidades de negociação com outras potências europeias, evidenciando que a disputa pelo controle da Costa da Mina envolvia tanto interesses locais quanto atlânticos.[83][84]

Após vários dias de combate, o comandante português foi obrigado a negociar a rendição da fortaleza, que capitulou em 29 de agosto de 1637. A conquista de São Jorge da Mina representou um dos mais significativos reveses militares sofridos pelo Império Português na África durante o século XVII e marcou o início da predominância neerlandesa na Costa do Ouro.[85][86]

Apesar da perda da capital administrativa, os portugueses conservaram temporariamente outras posições fortificadas ao longo da costa, sobretudo Santo António de Axim e São Sebastião de Xama. A resistência, contudo, mostrou-se insustentável diante da superioridade naval e logística da WIC, que prosseguiu sua campanha de conquista da região.[87]

Em janeiro de 1642, os neerlandeses conquistaram Axim, eliminando o último grande reduto português na Costa da Mina. Com a perda das fortalezas remanescentes, extinguiu-se definitivamente a presença política portuguesa na região, que passou a integrar a Costa do Ouro Holandesa.[88][89]

Legado e memória

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O principal legado material da presença portuguesa na Costa da Mina é o Castelo de São Jorge da Mina, atual Castelo de Elmina, cuja estrutura conserva grande parte da configuração arquitetônica adquirida durante os séculos XV e XVI. Considerado a mais antiga construção europeia permanente ao sul do deserto do Saara, o edifício permaneceu como centro administrativo da Costa do Ouro Holandesa e, posteriormente, da Costa do Ouro Britânica.[53][90]

Além de São Jorge da Mina, outras fortificações edificadas pelos portugueses, como os fortes de Santo António de Axim e São Sebastião de Xama, continuaram a ser utilizadas pelos neerlandeses após a conquista de 1642, sofrendo sucessivas ampliações e adaptações ao longo dos séculos seguintes.[91]

A presença portuguesa também deixou marcas na cultura material e na linguagem da costa ocidental africana. Diversos vocábulos de origem portuguesa foram incorporados às línguas locais e permaneceram em uso mesmo após a substituição da administração portuguesa por outras potências europeias. Da mesma forma, objetos manufaturados, práticas comerciais e elementos da cultura luso-africana continuaram a integrar as redes mercantis da região durante parte da Idade Moderna.[39][92]

Do ponto de vista histórico, a fundação de São Jorge da Mina representou um marco na consolidação da expansão ultramarina portuguesa e na formação das primeiras redes comerciais permanentes entre a Europa e a África Ocidental. A fortaleza desempenhou papel relevante tanto no comércio do ouro quanto na integração da Costa da Mina à economia atlântica, tornando-se um dos principais centros de intercâmbio entre sociedades africanas e europeias durante os séculos XV e XVI.[93][16]

Em 1979, o Castelo de Elmina, juntamente com outras fortificações históricas da costa ganesa, foi inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO, em reconhecimento à sua importância para a história da expansão marítima europeia, do comércio atlântico e da diáspora africana.[94]

Referências

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  74. ↑ Boxer 1969, pp. 90–92.
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  80. ↑ Den Heijer 1997, pp. 63–69.
  81. ↑ Van Dantzig 1980, pp. 30–35.
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  90. ↑ Lawrence 1963, pp. 65–78.
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  92. ↑ Thornton 1998, pp. 57–60.
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Fontes primárias

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  • Góis, Damião de (1926) [1566]. Crónica do Felicíssimo Rei D. Manuel. I. Coimbra: Imprensa da Universidade 
  • Pacheco Pereira, Duarte (1988) [c. 1508]. Augusto Epifânio da Silva Dias, ed. Esmeraldo de Situ Orbis. Lisboa: Academia Portuguesa da História 
  • Brásio, António (1952). Monumenta Missionaria Africana. I. Lisboa: Agência Geral do Ultramar 

Bibliografia

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  • Boxer, Charles Ralph (1969). The Portuguese Seaborne Empire, 1415–1825. London: Hutchinson 
  • Daaku, Kwame Yeboa (1970). Trade and Politics on the Gold Coast, 1600–1720. Oxford: Oxford University Press 
  • Den Heijer, Henk (1997). The History of the Dutch West India Company. Zutphen: Walburg Pers 
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  • Israel, Jonathan Irvine (1995). The Dutch Republic: Its Rise, Greatness and Fall, 1477–1806. Oxford: Clarendon Press 
  • Kea, Ray A. (1982). Settlements, Trade and Polities in the Seventeenth-Century Gold Coast. Baltimore: Johns Hopkins University Press 
  • Lawrence, A. W. (1963). Trade Castles and Forts of West Africa. London: Jonathan Cape 
  • Newitt, Malyn (2005). A History of Portuguese Overseas Expansion, 1400–1668. London: Routledge 
  • Thornton, John (1998). Africa and Africans in the Making of the Atlantic World, 1400–1800 2 ed. Cambridge: Cambridge University Press 
  • Van Dantzig, Albert (1980). Forts and Castles of Ghana. Accra: Sedco Publishing 
  • Wilks, Ivor (1993). Forests of Gold: Essays on the Akan and the Kingdom of Asante. Athens: Ohio University Press 

Ligações externas

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