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Fortaleza de São João Batista de Ajudá

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Fortaleza de São João Batista de Ajudá
Fortaleza de Ajudá em 1890
Informações gerais
TipoForte
Estilo dominanteRenascimento
Função inicialMilitar
Proprietário atualRepública de Benim
Património Mundial
Critérios(iv)
Património de Portugal
SIPA24603
Geografia
PaísBenim
CidadeUidá
Coordenadas6° 21′ 33,1″ N, 2° 05′ 25″ L
Mapa
Localização em mapa dinâmico

A Fortaleza de São João Baptista de Ajudá, também conhecida como Feitoria de Ajudá ou simplesmente Ajudá, localiza-se na cidade de Ajudá, na costa ocidental africana, atual Benim.

No seu interior está instalado o Museu de História de Ajudá.

História

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Bartholomew Roberts captura embarcações no porto de Ajudá (1722)
Planta do forte francês de Ajudá (1747)
Francisco Félix de Sousa (antes de 1849), traficante de escravos que administrou o forte no início do século XIX.[1]

Construído em 1721, foi o último dos três fortes europeus construídos naquela cidade para explorar o tráfico de escravos da Costa dos Escravos. Após a abolição legal do tráfico de escravos no início do século XIX, o forte português permaneceu abandonado a maior parte do tempo até ser definitivamente reocupado em 1865.

No rescaldo da criação da colónia francesa do Daomé na década de 1890, as autoridades francesas, perante a inflexível insistência de Portugal, reconheceram a soberania portuguesa sobre o forte. Até 1911, o forte foi guarnecido por um pequeno destacamento de tropas portuguesas de São Tomé e Príncipe. Depois disso, apenas o residente (governador), o seu assistente e as respetivas famílias habitaram o forte. A soberania portuguesa sobre o minúsculo enclave, inteiramente cercado pelo Daomé francês, manteve-se até as autoridades da recém-independente República do Daomé (atual Benim) emitirem um ultimato com vista ao seu abandono por Portugal, que ocorreu efetivamente em agosto de 1961,[2][3] após a fortaleza ter sido incendiada.[1] Até então, o enclave formara o que se podia chamar uma singularidade internacional.[4][5][6][7][8]

Em 1965 foi celebrado o encerramento simbólico do forte pelas autoridades do Daomé, vindo depois as suas dependências a sediar o Museu de História de Ajudá, inaugurado em 6 de setembro de 1967 sob administração da República do Benim.[9]

A anexação só foi reconhecida por Portugal em 1985, tendo os trabalhos de recuperação e restauro sido desenvolvidos em 1987,[10] com orientação e recursos da Fundação Calouste Gulbenkian, sendo a obra inaugurada a 10 de agosto de 1990.[1]

A edição de 1958 do Guinness World Records afirmava: «A menor colónia do mundo é um enclave português no território francês do Daomé, na África Ocidental, constituído pelo Forte de São João Batista (São João Baptista de Ajudá), cuja ocupação decorre desde 1680. É guarnecido por um oficial e alguns homens.»[11]

O forte é brevemente mencionado no romance Equador (2003) de Miguel Sousa Tavares.[12]

Ver também

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Referências

  1. 1 2 3 «Inauguração do Forte de São João Baptista de Ajudá». RTP Arquivos. 13 de agosto de 1990. Consultado em 28 de abril de 2026
  2. «Diário de Lisboa - 29 de Julho de 1961». casacomum.org. Consultado em 11 de fevereiro de 2025
  3. «Diário de Lisboa - 1 de Agosto de 1961». casacomum.org. Consultado em 11 de fevereiro de 2025
  4. Daniele Santos de Souza, Tráfico, escravidão e liberdade na Bahia nos 'anos de ouro' do comércio negreiro (c.1680-c.1790), Salvador, 2018, p. 58–61
  5. Luis Felipe de Alencastro, "Continental drift: the independence of Brazil (1822)", in From Slave Trade to Empire. Europe and the Colonisation of Black Africa. 1780s–1880s, edited by Olivier Pétré-Grenouilleau, Routledge, New York and London, 2004, p. 105–106
  6. Robin Law, "Trade and Politics behind the Slave Coast: The Lagoon Traffic and the Rise of Lagos, 1500-1800", The Journal of African History, Vol. 24, No. 3 (1983), p. 344.
  7. Fearing that the Portuguese might stop trading with him and wishing to restore the profitability of the fort, the King began the reconstruction of the fort, and even requested the captain of a Portuguese ship to supply a flag to fly over the ruins. Ryder, p. 171–172.
  8. P. E. Isert (1785) quoted in Alain Sinou, Le comptoir de Ouidah. Une ville africaine singulière, Éditions Karthala, Paris, 1995, p. 91.
  9. «O abandono de São João Baptista de Ajudá». Capeia Arraiana. 13 de outubro de 2019. Consultado em 28 de abril de 2026
  10. «Forte de São João Baptista de Ajudá». SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico. Consultado em 28 de abril de 2026
  11. «fortaleza». fortalezas.org. Consultado em 2 de julho de 2022
  12. «Miguel Sousa Tavares - Equador». calameo.com. p. 62. Consultado em 28 de abril de 2026

Bibliografia

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  • LOPES, Edmundo Correia. S. João Baptista de Ajudá. Lisboa: Edições Cosmos, 1939. Cadernos Coloniais, n.º 58.
  • MENDONÇA, João de. Colónias e Possessões Portuguesas. Lisboa, 1877.
  • TAVARES, António José Chrystêllo. Portugal no Golfo da Guiné: Breve Escorço. Lisboa, 1995.[1]
  • TAVARES, António José Chrystêllo. Ensino e Religião em São João Baptista de Ajudá na Costa da Mina. Ancara, 1996.
  • TAVARES, António José Chrystêllo. África Equatorial Portuguesa: Assunção e Efectivação do Protectorado Daomeano e dos Novos Domínios da Coroa-Zomai. Ancara, 1996.
  • TAVARES, António José Chrystêllo. São João Baptista de Ajudá Face ao Conflito Franco-Daomeano de 1892. Ancara, 1998.
  • TAVARES, António José Chrystêllo. Queda da residência de São João Baptista de Ajudá. Ancara, 1998.
  • TAVARES, António José Chrystêllo. Marcos Fundamentais da Presença Portuguesa no Daomé. Lisboa: Universitária, 1999.[2]
  • TAVARES, António José Chrystêllo. Singularidade de São João Baptista de Ajudá e do Protector na Faixa Litorânea do Daomé no Contexto do Ultramar Português. Lisboa, 2008.[3]
  • Fortress of Saint John the Baptist of Whydah

Ligações externas

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  1. Tese de mestrado em Estudos Africanos, Universidade Técnica de Lisboa, 1995.
  2. Prefácio de Pedro Soares Martínez.
  3. Tese de doutoramento em História Institucional e Política Contemporânea, Universidade Nova de Lisboa, 2008.