Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué

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Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué
Agadir ruines Kasbah 0001.JPG
Apresentação
Tipo
Período de construção
Estatuto patrimonial
Patrimônio cultural marroquino (d)
Património de Influência Portuguesa (d)Visualizar e editar dados no Wikidata
Localização
Endereço
Coordenadas
Vista de Santa Cruz do Cabo de Gué (Hans Staden, Duas Viagens ao Brasil, 1557. (A gravura inverteu a orientação da costa)
Agadir: praia onde se erguia a fortaleza (1905).
Agadir: praia onde se erguia a fortaleza (hoje).

A Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué ou de Aguer, também designada como Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué de Agoa de Narba, localizava-se na atual cidade de Agadir, no litoral do Marrocos.

Toponímia[editar | editar código-fonte]

O Cabo de Gué (Cabo Guir, Ghit), situado cerca de 40 km a norte da fortaleza, é também referido como "Cabo da Guer" e "Cavo da Ger". O local onde se encontrava a fortificação é referido pelo cronista Damião de Góis como "Guadanabar do cabo de Guer".

O autor anónimo da "Crónica de Santa Cruz do Cabo de Gué" (século XVI) denomina-o "Guadanabar" ou "Agoa de Narba", que explica por se encontrar aí "(...) huma grande fonte de muito boa agoa (...) donde vinhão a beber muitos gados (...), [que pertenciam a] hum Mouro grão senhor (...) o qual se chamava Ahames Narba, pella qual cauza chamavão a fonte d'agoa de Narba",[1]) mas que mais provavelmente se deve ao fato de que, perto do seu sítio, onde as tribos berberes costumavam realizar um mercado à quarta-feira ("Souk l-Arba' "), encontrava-se o armazém coletivo "Agadir", o que deu "Agadir l-Arba' ", forma árabe da toponímia identificada por Pierre de Cenival numa carta dos habitantes da região dirigida a Manuel I de Portugal, aportuguesada como "Agoa de Narba". Este último nome aparece nos mapas a partir de 1480, substituindo o de "Porto Meseguinam" ou "porto Meseguina" constante em mapas anteriores, desde 1325.[1]

História[editar | editar código-fonte]

A fortificação foi erguida a partir de 1505 pelo comerciante português João Lopes de Sequeira para fazer face às investidas dos castelhanos sobre Agadir. Foi por este vendida ao rei Manuel I de Portugal (1495-1521) em 1513.

Conquistada pelo Xerife Saadiano de Suz, Mohammed ech-Cheikh em março de 1541, a sua perda determinou o início do recuo estratégico português na região a sul do Marrocos, que se iniciou com o abandono da Fortaleza de Azamor e da Praça-forte de Safim (ambas em 1542), e culminou, após a conquista de Fez pelo Xerife Saadiano (1549), com o abandono português da Praça-forte de Alcácer-Ceguer (1549) e da Praça-forte de Arzila (1550).

Governadores de Santa Cruz do Cabo de Gué[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Chronique de Santa-Cruz du Cap de Gué (Agadir). Texte portugais du XVIeme siècle, traduit et annoté par Pierre de Cenival. Paris: Paul Geuthner, 1934. p. 20-22.
  2. MARQUES, A. H. de Oliveira. História de Portugal (v. I). Lisboa: Palas Editores, 1984. p. 382-383.
  3. Cunhado de D. Francisco de Castro.
  4. Cunhado de D. Francisco de Castro.
  5. António Rodrigues de Parada, que era o Adail da fortaleza, é designado pelo anónimo autor da "Crónica da Santa Cruz do Cabo de Gué", para suceder a Simão Gonçalves da Costa, assassinado, mas todas as ordens dessa data são assinadas por Domingos Lopes Barreto, que era o Contador[desambiguação necessária] da vila.
  6. Filho do Capitão-Donatário da Ilha da Madeira.
  7. Tio materno de Simão Gonçalves da Câmara.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Chronique de Santa-Cruz du Cap de Gué (Agadir). Texto português do século XVI (traduzido e anotado por Pierre de Cenival). Paris: Paul Geuthner, 1934.
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