François Furet

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François Furet (Paris, 27 de março de 1927Toulouse, 12 de julho de 1997) foi um historiador francês. Furet é considerado um dos maiores historiadores da Revolução Francesa e, ao mesmo tempo, um de seus críticos mais ferozes. Suas interpretações revitalizam os estudos revolucionários, exatamente por seus esforços desconstrutivistas, por afirmar, sem peias, que a Revolução Francesa não passou de um mito. Um mito muito concreto responderia Michel Vovelle, que se posiciona do outro lado da vertente interpretativa eleita por Furet.

Foi membro da Academia Francesa.

História Quantitativa[editar | editar código-fonte]

Fraçois Furet pode ser considerado um dos precursores da chamada História quantitativa, método de estudo da história que se ligava intrinsecamente com a análise de dados e de fatores numéricos exatos para problematizar e explicar/prever o curso da história. Essa prática vem associada conjuntamente com a criação de um "combate" à história narrativa, muito usada por historiadores clássicos como Jules Michelet, Jacob Burckhardt, Leopold von Ranke além dos historiadores da chamada Antiga Historiografia. O uso de dados concretos e princípios estatísticos provinha da busca por uma alternativa que pudesse, de maneirar a "cientifizar" a história, elencar possíveis previsões e fazer análise conjunturais de pequeno e grande porte.

Para além da história quantitativa, que se preocupava com dados esparsos no tempo, existiria também a chamada História Serial, caracterizada pelo uso dos dados quantitativos da disciplina em regime de série, ou seja, em sequência lógica e que pudesse satisfazer o sentimento de estudo do tempo a longo prazo. Por exemplo: possuir os dados do consumo de batatas dos camponeses franceses do século XVIII através de inventários, registros comerciais etc. caracteriza-se como história quantitativa, pois está a utilizar dados numerais como referência, fazendo da história uma disciplina de caráter exato, numa alusão também a uma formação positivista da construção da história. No entanto, o uso desses dados em regime crônico, ou seja, em escala de tempo, permite com que se faça um levantamento acerca do consumo de batatas, como citado acima, em algum período de tempo. É necessário diferenciar os regimes de história quantitativa, que se preocupa na existência dos dados em regimes numéricos por si só e na história serial, que usa desses dados em série para explicar qualquer fenômeno. François Furet deixa isso claro na sua obra A Oficina da História.

A análise conjuntural desses dados permite não somente expandir o uso dos historiadores e de suas ferramentas, mas também de realizar conclusões acerca de comportamentos baseados em escritos narrativos sobre essas populações (a escala crescente da Peste Negra no século XIV pode ser inferida, por exemplo, com as estatísticas de taxa de mortalidade registradas ao longo do tempo) e que permitiriam uma melhor compreensão acerca do período em questão.

Tanto a história quantitativa quanto a história serial nascem a partir de uma necessidade latenta da história em problematizar e, principalmente, fugir dos aspectos narrativos que dominaram a disciplina durante o século XVIII e XIX, especialmente com o advento da Escola dos Annales.

Obras
  • La Révolution française, con Denis Richet, Fayard, Paris, 1965.
  • Penser la Révolution française, Gallimard, Paris, 1978.
  • L'atelier de l'histoire, Flammarion, Paris, 1982.
  • François Furet and Mona Ozouf (eds), Dictionaire critique de la revolution française, Flammarion, Parigi, 1988.
  • Le Siècle de l'avènement républicain, Gallimard, « Bibliothèque des histoires », Paris, 1993.
  • Le Passé d'une illusion, essai sur l'idée communiste au XXe siècle, Laffont/Calmann-Lévy, Paris, 1995, 580p.
  • Fascisme et Communisme
  • La Révolution, Histoire de France, Hachette, Paris.
  • Dictionnaire critique de la Révolution Française