Igreja Ortodoxa Estoniana do Patriarcado de Moscou

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Igreja Ortodoxa Estoniana do Patriarcado de Moscou
Catedral Alexander Nevsky, Tallinn
Catedral Alexander Nevsky, Tallinn
Fundador
Independência 1917
Reconhecimento 1920 pela Rússia
2002 pela Estônia
Primaz Metr. Cornelius
Sede Tallinn, Estônia
Território República da Estônia
Possessões
Língua Russo
População 150.000 (2006)
Sítio eletrônico Igreja da Estônia - IOE-PM

A Igreja Ortodoxa Estoniana do Patriarcado de Moscou (em estoniano: Moskva Patriarhaadi Eesti Őigeusu Kirik) é um exarcado do Patriarcado de Moscou cujo primaz é confirmado pelo Santíssimo Patriarca de Moscou. Esta Igreja contava em 2006 com cerca de 150.000 fiéis em 31 congregações e é a maior Igreja ortodoxa da Estônia.

O atual primaz da Igreja é Sua Eminência Cornelius (Yacobs), Metropolita de Tallinn e de Toda a Estônia, eleito em 2000.

Sob a lei da Estônia, a Igreja Ortodoxa Apostólica Estoniana (Eesti Apostlik-Õigeusu Kirik) é a sucessora legal da Igreja Ortodoxa Estoniana anterior à Segunda Guerra Mundial, que em 1940 contava com mais de 210.000 fiéis, três bispos, 156 paróquias, 131 padres, 19 diáconos, dois monastérios, e um seminário de Teologia, a maioria de seus seguidores era da etnia estoniana.

A reativação da autonomia da Igreja Ortodoxa Estoniana subordinada ao Patriarca de Constantinopla resultou na retirada do seu nome dos dípticos da Igreja Ortodoxa Russa.

História[editar | editar código-fonte]

Os missionários ortodoxos de Novgorod e Pskov atuaram entre os estonianos das regiões sudeste das áreas próximas a Pskov, do século X até o XII. A primeira menção de uma congregação ortodoxa na Estônia foi em 1030, no local onde atualmente situa-se a cidade de Tartu. Por volta de 600 A.D., no lado oriental da colina Toome (Toomemägi) os estonianos fundaram a cidade de Tarbatu. Em 1030, o príncipe kievano, Jaroslau, o Sábio, conquistou Tarbatu e construiu seu próprio forte chamado Iuriev, bem como (alegadamente) uma congregação na catedral dedicada a seu santo patrono, São Jorge. A congregação pode ter sobrevivido até 1061, quando, de acordo com as crônicas, Iuriev foi incendiada e os cristãos ortodoxos expulsos.

Como conseqüências das Cruzadas do Norte no início do século XIII, o norte da Estônia foi conquistado pela Dinamarca e a parte sul pela Ordem Teutônica e mais tarde pelos Irmãos Livônios da Espada, e assim passou para o controle do Cristianismo ocidental. Porém, mais tarde, os comerciantes russos foram capazes de fundar pequenas congregações ortodoxas em diversas cidades estonianas. Uma dessas congregações foi expulsa da cidade de Dorpat (Tartu) pelos alemães em 1472, que martirizaram seu padre, Isidoro, juntamente com um número de fiéis ortodoxos (o grupo é festejado no dia 8 de janeiro).

Pouco conhece-se da história da Igreja na região até os séculos XVII e XVIII, quando muitos Velhos Crentes fugiram da Rússia para evitarem as reformas litúrgicas introduzidas pelo Patriarca Nikon de Moscou.

Nos séculos XVIII e XIX, a Estônia fez parte do Império Russo, tendo sido conquistada pelo imperador Pedro, o Grande. Em 1841, 1844-45 os camponeses estonianos tiveram más colheitas, que resultou em fome e epidemias. Em 1850 a Diocese de Riga (na Letônia) foi criada pela Igreja Ortodoxa Russa. O bispo Irinarh de Riga astutamente iniciou um boato que a Igreja Ortodoxa tinha prometido a todos aqueles, que se convertessem à Ortodoxia, um pedaço de terra em algum lugar da Rússia. 65.000 camponeses estonianos foram convertidos à fé ortodoxa na esperança de conseguirem tais terras. Numerosas igrejas ortodoxas foram construídas..[1] Mais tarde, quando o boato provou ser uma farça, uma grande parte dos novos ortodoxos retornaram para a Igreja Luterana.

No final do século XIX, foi introduzida uma política de russificação, apoiada pela hierarquia russa, mas não pelo clero local estoniano. A Catedral de Santo Alexander Nevsky em Tallinn e o convento Pühtitsa (Pukhtitsa) em Kuremäe, na Estonia Oriental, foram também construídos nesse período.

Em 1917, o primeiro estoniano, Platon (Paul Kulbusch), foi ordenado Bispo de Riga e Vigário de Tallinn. Dois anos depois, os bolcheviques assassinaram Platon e seu diácono. 81 anos mais tarde, em 2000, o bispo Platon foi proclamado santo pelas Igrejas de Constantinopla e Rússia, comemorado em 14 de janeiro.

Depois que a República da Estônia foi proclamada em 1918, o Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Tikhon, em 1920 reconheceu a Igreja Ortodoxa da Estônia (IOE) como sendo independente. O arcebispo Aleksander Paulus foi eleito e ordenado como o chefe da Igreja da Estônia. Em setembro de 1922, o Conselho da Igreja Ortodoxa Apostólica Estoniana tomou a decisão de dirigir-se ao Patriarca de Constantinopla, Meletius IV, com uma petição para adotar a Igreja Ortodoxa Estoniana sob a jurisdição do Patriarcado de Constantinopla e declará-la autocéfala. Mais tarde o Metropolita de Tallinn e de Toda Estônia, Alexander, escreveu que isto foi feito sob intensa pressão do Estado. Em 7 de julho de 1923, em Constantinopla, Meletius IV apresentou o Tomos da adoção da Igreja ortodoxa Estoniana sob a jurisdição do Patriarcado de Constantinopla, como uma Igreja autônoma, a "Metropolia Ortodoxa Estoniana".

Por sugestão do Patriarcado de Constantinopla, a Estônia foi dividida em três dioceses: Tallinn, Narva e Pechery. Evsevy (Drozdov) tornou-se o chefe da cátedra de Narva, João (Bulin), um diplomado da Academia de Teologia de São Petersburgo, tornou-se o bispo de Pechery em 1926. Ele chefiou a diocese até 1932 e deixou-a por causa das discordâncias sobre as propriedades do Monastério de Pskov-Pechery. O bispo João passou vários anos na Iugoslávia e retornou para a Estônia no final da década de 1930. Ele apoiou ativamente o retorno da Igreja Ortodoxa Estoniana para a jurisdição do Patriarcado de Moscou. Em 18 de outubro de 1940, o bispo João foi preso pelo NKVD em Pechery, acusado de atividade e propaganda anti-soviéticas e foi executado em 30 de julho de 1941 em Leningrado.

Antes de 1941, um quinto do total da população da Estônia (que era de maioria luterana desde a Reforma Protestante no início da década de 1500, quando o país era controlado pela Ordem Teutônica) era de cristãos ortodoxos subordinados ao Patriarcado de Constantinopla. Existiam 158 paróquias na Estônia e 183 clérigos na Igreja estoniana. Havia também uma Cadeira de Ortodoxia na Faculdade de Teologia da Universidade de Tartu. Existia um Monastério de Pskovo-Pechorsky em Petseri, dois conventos—em Narva e Kuremäe, a priorado em Tallinn e um seminário em Petseri. O antigo monastério de Petseri foi preservado da destruição em massa que ocorreu durante a ocupação soviética da Estônia.

Em 1940, a Estônia foi ocupada pela União Soviética, que governou empreendeu um programa geral de dissolução de toda independência eclesiástica dentro de seu território. De 1942 a 1944, contudo, a autonomia sob o controle de Constantinopla foi temporariamente reavivada. Em 1945, um representante do Patriarcado de Moscou despediu os membros do sínodo da Igreja Ortodoxa da Estônia que tinham permanecido na Estônia e fundou uma nova organização, o Conselho Diocesano. Os crentes ortodoxos na Estônia ocupada estavam então subordinados a ser uma diocese dentro da Igreja Ortodoxa Russa.

Logo após o início da Segunda Guerra Mundial, o Metropolita Aleksander declarou seu rompimento com a Igreja-Mãe e a subordinação ao Patriarcado de Constantinopla. O Bispo de Narva, Paul, permaneceu leal à Igreja Ortodoxa Russa. Durante a ocupação alemã da Estônia, o Metropolita Aleksander continuou a cuidar de suas paróquias e o bispo Paul a tomar conta da diocese russa em Narva e de muitas outras paróquias leais à Igreja Ortodoxa Russa.

Próximo da libertação de Tallinn, o Metropolita Aleksander deixou a Estônia, o Sínodo da Igreja Ortodoxa Apostólica Estoniana dirigiu-se a Alexy (Simansky), Metropolita de Leningrado e Novgorod, com uma petição para retornar a jurisdição ao Patriarcado de Moscou.

Um pouco antes da segunda ocupação soviética em 1944 e a dissolução do sínodo da Estônia, o primaz da Igreja, o Metropolita Aleksander, foi enviado para o exílio juntamente com 21 clérigos e cerca de 8.000 fiéis ortodoxos. A Igreja Ortodoxa da Estônia no exílio, com seu sínodo na Suécia, continuou com sua atividade de acordo com os estatutos canônicos, até a restauração da independência da Estônia em 1991. Antes dele morrer em 1953, o Metropolita Aleksander fundou sua comunidade como um exarcado subordinado a Constantinopla. A maioria dos outros bispos e clero, que permaneceram na Estônia, foi deportada para a Sibéria. Em 1958, um novo sínodo foi fundado no exílio, e a Igreja organizou-se na Suécia.

In 1978, at the urging of the Moscow Patriarchate, the Ecumenical Patriarch declared the charter (tomos) of the Church, as granted in 1923, inoperative. The church ceased to exist until the breakup of the Soviet Union, when divisions within the Orthodox community in Estonia arose between those who claimed that the Moscow Patriarchate has no jurisdiction in Estonia and those who wished to return to the jurisdiction of Moscow. The dispute often took place along ethnic lines, as many Russians had immigrated to Estonia during the Soviet occupation. Lengthy negotiations between the two patriarchates failed to produce any agreement.

Em 1993, o sínodo da Igreja Ortodoxa da Estônia no Exílio foi novamente registrado como a sucessora legal da autônoma Igreja Ortodoxa da Estônia, e em 20 de fevereiro de 1996, o Patriarca Ecumênico Bartholomew I formalmente reativou o tomos garantido para a IOE em 1923, restaurando sua subordinação canônica ao Patriarcado Ecumênico. Esta ação trouxe protesto imediato do Patriarca Alexei II do Patriarcado de Moscou, que considerava a Igreja estoniana como sendo parte de seu território. O Patriarca de Moscou temporariamente retirou o nome do Patriarca Ecumênico do dípticos.

Nesta situação difícil, a Igreja Apostólica da Estônia recebeu ajuda e apoio da Igreja Ortodoxa Finlandesa, especialmente de sua eminência, o arcebispo Johannes (Rinne) da Arquidiocese da Carélia e de Toda a Finlândia e do bispo auxiliar Ambrosius (Jääskeläinen) de Joensuu. Este último tornou-se desde 1996 metropolita de Oulu e de 2002 em diante metropolita de Helsinki.

Um acordo foi alcançado, no qual as congregações locais podiam escolher qual jurisdição seguir. A comunidade ortodoxa da Estônia, que conta com cerca de 14% do total da população, permanece dividida, com a maior parte dos fiéis (a maioria de etnia russa) permanecendo subordinados a Moscou. Segundo um anúncio do governo de novembro de 2006, cerca de 18.000 fiéis (a maioria da etnia estoniana) em 60 paróquias fazem parte da Igreja autônoma, com 150.000 seguidores em 31 paróquias, juntamente com a comunidade monástica de Pühtitsa, sendo subordinados a Moscou.

Em 6 de novembro de 2000, o Arcebispo Cornelius tornou-se o Metropolita de Tallinn e de Toda a Estônia.

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Blackwell Dictionary of Eastern Christianity, pp. 183–4
  • A Igreja Ortodoxa Apostólica Estoniana por Ronald Roberson, um padre católico romano e estudioso
  • Este artigo incorpora texto da OrthodoxWiki ([1]).

Referências

  1. "Eesti Apostolik Oigeusu Kirik, History" (www.eaok.ee/eng/cat-501/cat-519)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]