Imre Kertész

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Imre Kertész Medalha Nobel
Imre Kertész em Szeged, 2007
Nascimento 9 de novembro de 1929
Budapeste, Hungria
Morte 31 de março de 2016 (86 anos)
Budapeste, Hungria
Sepultamento Cemitério de Kerepesi
Nacionalidade húngaro
Cidadania Hungria
Cônjuge Albina Vas, Magda Ambrus
Alma mater
  • Madách Imre High School
Ocupação escritor
Prêmios Nobel prize medal.svg Nobel de Literatura (2002)
Obras destacadas Sem Destino
Causa da morte doença de Parkinson

Imre Kertész (Budapeste, 9 de novembro de 192931 de março de 2016) foi um escritor húngaro, sobrevivente do holocausto e ganhador do Prémio Nobel de Literatura de 2002.

Imre foi o primeiro húngaro a receber o Nobel de Literatura. Seu trabalho lida com temas relacionados ao Holocausto, ditaduras e liberdade pessoal.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Imre nasceu em 1929, em Budapeste. Era filho de Aranka Jakab e László Kertész,[2] um casal de comerciantes judeus. Seus pais se separaram quando Imre tinha apenas cinco anos. Em 1940, ele começou o ensino secundário, onde foi colocado em uma sala especial, apenas para alunos judeus, como parte da política nazista.[3]

Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1944, Imre foi deportado, aos 14 anos, junto com outros judeus húngaros e enviado para o campo de concentração de Auschwitz, depois para o campo de Buchenwald. Ao chegar, ele alegou ter 16 anos, idade mínima para poder trabalhar no campo e assim evitar o extermínio imediato.[4]

Quando o campo foi libertado em 1945, Imre retornou a Budapeste, onde se formou no ensino médio em 1948.[5] Em seguida, ele foi procurar emprego, onde começou a trabalhar como jornalista e tradutor.[6] em 1951, ele foi demitido de seu emprego no jornal Világosság depois que a publicação começou a inclinar-se para o comunismo. Por algum tempo, ele trabalhou em uma fábrica e depois no departamento de imprensa no Ministério da Indústria Pesada.[5] Em 1953, ele começou a trabalhar como jornalista freelancer, traduzido livros para o húngaro, como os de Friedrich Nietzsche, Sigmund Freud, Ludwig Wittgenstein, e Elias Canetti. Por volta dessa data ele começou a arriscar seus primeiros textos.[7]

Seu livro mais conhecido, Fatelessness (Sem destino em português), descreve as experiência do adolescente György (George) Köves nos campos de concentração de Auschwitz, Buchenwald e Zeitz. Entrte 1969 e 1973, o livro foi parcialmente rejeitado para publicação pelo regime comunista húngaro, mas acabou publicado em 1975.[7] Alguns leitores interpretaram o livro como sendo autobiográfico, mas o autor várias vezes disse não haver conexões biográficas com o personagem do livro. Logo, a obra se tornaria parte do currículo de leitura da maioria das escolas de ensino médio da Hungria.[7] Em 2005, um filme baseado no livro Fatelessness foi rodado na Hungria, com roteiro escrito pelo próprio Imre. Ainda que tenha o mesmo título do livro, algumas resenhas apontaram que o filme era mais autobiográfico do que o livro.[8]

No começo da carreira, Imre se achava pouco apreciado por sua escrita na Hungria. Assim ele se mudou para a Alemanha, onde recebeu mais apoio de editoras e leitores. Mesmo morando em Berlim, ele continuou a traduzir trabalhos para o húngaro, principalmente de alguns escritores alemães, como as peças de Friedrich Dürrenmatt e Tankred Dorst. Sua ficção continuou sendo escrita em húngaro, mas ele não publicou mais nenhum livro até o final da década de 1980. Como passou boa parte de sua carreira na Alemanha, ele deixou seus escritos e seu acervo pessoal para a Academia de Artes de Berlim.[3]

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Imre era uma figura controversa na Hungria, em especial por ser o primeiro e único húngaro a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura e morar na Alemanha. Essa tensão foi exacerbada em 2009 após uma entrevista ao Die Welt, onde Imre diz que se considera um berlinense e alega que Budapeste foi "completamente balcanizada".[9][10] Muitos jornais da Hungria reagiram negativamente às afirmações de Imre, dizendo que o autor era "hipócrita". Outros críticos entenderam que o comentário era irônico e caracteristicamente húngaro e que não poderia ser levado a sério.[11] Em uma entrevista para a Duna TV, ele esclareceu que seu comentário tinha o intuito de ser construtivo e chamou a Hungria de sua "terra natal".[11]

Morte[editar | editar código-fonte]

Imre morreu em 31 de março de 2016, em Budapeste, aos 86 anos, em sua casa, em decorrência do Mal de Parkinson, doença que o afligia já havia alguns anos.[3][5][12]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Sorstalanság (trad.Sem destino) (1975)
  • A nyomkereső (1977)
  • Detektívtörténet (1977)
  • A kudarc (pt: A Recusa/ br: O Fiasco) (1988)
  • Kaddis a meg nem született gyermekért (pt: Kaddish para uma Criança que não Vai Nascer) (1990)
  • Az angol lobogó (1991)
  • Gályanapló (1992)
  • A holocaust mint kultúra : három előadás (1993)
  • Jegyzőkönyv Imre Kertész; Élet és Irodalom / Esterházy Péter (1993)
  • Valaki más: a változás krónikája (pt: Um Outro - Crónica de Uma Metamorfose) (1997)
  • A gondolatnyi csend, amíg a kivégzőosztag újratölt (1998)
  • A száműzött nyelv (2001)
  • Felszámolás (br: Liquidação) (2003)

Referências

  1. «The Nobel Prize in Literature 2002 – Imre Kertész». Nobel. Consultado em 9 de fevereiro de 2008 
  2. Hermann, Péter; Pásztor, Antal (1994). Magyar és nemzetközi ki kicsoda, 1994. [S.l.: s.n.] ISBN 9789637943270 
  3. a b c «Imre Kertész gestorben». Tagesschau. 31 de março de 2016. Consultado em 4 de novembro de 2020 
  4. Jonathan Kandell, ed. (31 de março de 2016). «Imre Kertesz, Nobel Laureate Who Survived Holocaust, Dies at 86». The New York Times. Consultado em 4 de novembro de 2020 
  5. a b c George Gomori (ed.). «Imre Kertész obituary». The Guardian. Consultado em 4 de novembro de 2020 
  6. «Elhunyt Kertész Imre». Mandiner. 31 de março de 2016. Consultado em 4 de novembro de 2020 
  7. a b c Pablo Gorondi (ed.). «Nobel literature laureate Imre Kertesz dies at 86». The Seattle Times. Consultado em 4 de novembro de 2020 
  8. Alan Riding, ed. (3 de janeiro de 2006). «The Holocaust, From a Teenage View». The New York Times. Consultado em 4 de novembro de 2020 
  9. «Kertészkedés». Consultado em 4 de novembro de 2020 
  10. Krause Tilman, ed. (7 de novembro de 2009). «Ich schreibe keine Holocaust-Literatur, ich schreibe Romane». Die Welt. Consultado em 4 de novembro de 2020 
  11. a b «Kertész birthday interview causes controversy». Hungarian Literature Online. Consultado em 4 de novembro de 2020 
  12. «Morre o prêmio Nobel de Literatura Imre Kertész». El País. Consultado em 4 de novembro de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Vidiadhar Naipaul
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Sucedido por
John Coetzee