João de Almeida (militar)

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João de Almeida.

João de Almeida GOTEGOCGOAGCIC (Vila Garcia, Guarda, 5 de Outubro de 1873Lisboa, 5 de Maio de 1953) foi um militar do Exército Português, no qual atingiu o posto de general. Ficou conhecido por o Herói dos Dembos por ter pacificado este povo em Angola, em 1907, durante as Campanhas de África. Auxiliou também Alves Roçadas a pacificar a região de Huíla (1909) e é a ele que se deve a fixação da fronteira meridional de Angola.

Biografia[editar | editar código-fonte]

João de Almeida nasceu em Cairrão, freguesia de Vila Garcia, concelho da Guarda. Descendente da família Fernandes Pacheco e da família de Francisco de Almeida, que foi vice-rei da Índia. Casou em 14 de Outubro de 1914 com Laura Mendes Leite e teve três filhos e uma filha. Foi pai de dois distinguidos militares: o coronel Alexandre Mendes Leite de Almeida, do Exército Português;o coronel João Mendes Leite de Almeida, da Força Aérea Portuguesa.

Concluído o curso liceal na sua cidade natal, forma-se em Filosofia e Engenharia Civil pela Universidade de Coimbra. Ingressou na Escola do Exército, donde saiu promovido a alferes, em 1896, e mais tarde, frequentou o curso de Estado-Maior que completou em 1903.

Em 1906 embarcou para Angola, com o posto de capitão, revelando as suas qualidades de militar. Em 1907 tomou parte nas operações do Cuamato, distinguindo-se, entre outras, nas acções de Pocolo, Mocuma e Bata-Bata. Iniciou a pacificação dos Dembos, ficando conhecido como o Herói dos Dembos. Em 1908 foi nomeado governador interino do distrito de Huíla, província de Angola, assumindo mais tarde o posto de governador efectivo.

Em 1919, então Coronel e Comandante militar da região de Aveiro, envolveu-se na Monarquia do Norte ao lado de Paiva Couceiro. Teve ordem de prisão mas o Comissário encarregado da sua detenção, Salvador do Nascimento, permitiu a sua fuga pois ele próprio tinha sido preso político durante a ditadura de João Franco por conspirar contra ela. Daí seguiu para Paris, onde cursou Engenharia Civil.

Entre muitos feitos na província de Angola destaca-se a fixação definitiva da fronteira meridional e a realização de obra notável nos campos administrativo, militar, económico, educativo e civilizacional. Na província de Cabo Verde também teve lugar de destaque, nomeadamente como Governador da província e Director de obras públicas. Em 1931 foi nomeado Governador Geral de Macau. Chegou a ser Ministro das Colónias.

Em Portugal foi Director da Empresa Eléctrica-Oceânica de Aveiro entre 1920 e 1936; Presidente da Real Companhia Vinícola do Norte desde 1933; Administrador da Companhia do Papel do Prado desde 1929.

Monárquico, simpatizante do integralismo, foi demitido do Exército após a proclamação do regime republicano, sendo reintegrado em 1918. Participou em diversas conspirações para derrubar a República nos anos 20. Após o golpe de 28 de Maio foi um dos nomes apontados para a candidatura à chefia da Ditadura.

A 11 de Fevereiro de 1929 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, a 19 de Fevereiro de 1929 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo, a 5 de Outubro de 1929 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis e a 3 de Agosto de 1932 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial.[1]

Autor de relatórios e de conferências valiosas, devem-se-lhe ainda obras sobre temática colonial e sobre a cidade da Guarda, sobre a qual deixou longa obra bibliográfica. Foi director do Instituto de Ensino Normal de Braga e no âmbito dessas funções publicou obras de carácter didáctico.

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

Para além de obra dispersa por numerosos periódicos, é autor das seguintes obras:[2]

Monografias
  • Didáctica Geral. Instituto de Ensino Normal de Braga, Braga, Livraria Cruz, 1933.
  • Sul de Angola;
  • Visão do Crente;
  • Em Prol do Comum (1931);
  • D. Carlos I (1936);
  • Viajantes Espanhóis em Portugal (1948);
  • História do nosso Tempo;
Conferências
  • Ao Serviço do Império (1931);
  • L’Esprit de la Race Portuguese dans son expanson outre mer (1931);
  • Nacionalismo e Estado Novo (1932);
  • História do nosso Tempo (1935);
  • Alta Cultura Colonial (1937).

Referências

  1. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "João de Almeida". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2 de dezembro de 2014 
  2. Arquivo Nacional da Guarda: correspondência do General João de Almeida.