João de Almeida (militar)
| João de Almeida | |
|---|---|
João de Almeida. | |
| Nascimento | 5 de outubro de 1873 Vila Garcia |
| Morte | 5 de maio de 1953 (79 anos) Lisboa |
| Cidadania | Reino de Portugal, Portugal |
| Ocupação | oficial, comandante militar, escritor |
| Distinções |
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João de Almeida GOTE • GOC • GOA • GCIC (Vila Garcia, Guarda, 5 de outubro de 1872 — Lisboa, 5 de maio de 1953) foi um militar do Exército Português, no qual atingiu o posto de general. Atuou durante as Campanhas de África, e é a ele que se deve a fixação da fronteira meridional de Angola.
Biografia
[editar | editar código]João de Almeida nasceu em Cairrão, freguesia de Vila Garcia, concelho da Guarda. Casou em 14 de outubro de 1914 com Laura Mendes Leite e teve três filhos e uma filha. Foi pai de dois distinguidos militares: o coronel Alexandre Mendes Leite de Almeida, do Exército Português;o coronel João Mendes Leite de Almeida, da Força Aérea Portuguesa.
Concluído o curso liceal na sua cidade natal, forma-se em filosofia e engenharia civil pela Universidade de Coimbra. Ingressou na Escola do Exército, donde saiu promovido a alferes, em 1896, e mais tarde, frequentou o curso de Estado-Maior que completou em 1903.
Em 1906 embarcou para Angola, com o posto de capitão. Em 1907 tomou parte na Campanha dos Cuamatos, particularmente nas ações de Pocolo, Mocuma e Bata-Bata. Diante da sublevação da população dos Dembos à escravização, aos regimes de trabalho forçado e à colonização, entre 1907 de 1908, o capitão João de Almeida e o tenente Luís Augusto de Pina Guimarães foram destacados para comandar tropas em mais uma das Campanhas de Pacificação e Ocupação. Esta revelou-se difícil de organizar por falta tanto de meios como de soldados e recorreu-se inclusive ao alistamento de degredados.[1] Instruídas e disciplinadas as tropas, a 11 de Setembro o Príncipe Real Luís Filipe passou-lhes a revista em pessoa.[1] A coluna embarcou em quatro comboios em Luanda a 19 e 20 de Setembro com destino a Gabiri e de lá partiram para o campo de operações.[1] A banza de Cazuangongo, a que conseguiu empreender maior resistência, foi totalmente destruída e os Dembos passaram a ser ocupados militarmente por Portugal. Entre Novembro e princípios de Dezembro, a coluna portuguesa regressou a Luanda.[1] Pelo seu feito, o capitão João de Almeida ganhou o epíteto de "Herói dos Dembos".[2]
Em 1908 foi nomeado governador interino do distrito angolano de Huíla, assumindo mais tarde o posto de governador efetivo.
Em 1919, então coronel e comandante militar da região de Aveiro, envolveu-se na Monarquia do Norte ao lado de Paiva Couceiro. Teve ordem de prisão mas o comissário encarregado da sua detenção, Salvador do Nascimento, permitiu a sua fuga pois ele próprio tinha sido preso político durante a ditadura de João Franco por conspirar contra ela. Daí seguiu para Paris, onde cursou engenharia civil.
Entre muitos feitos na província de Angola destaca-se a fixação definitiva da fronteira meridional e a realização de obra notável nos campos administrativo, militar, económico, educativo e civilizacional. Na província de Cabo Verde também teve lugar de destaque, nomeadamente como governador da província e diretor de obras públicas. Em 1931 foi nomeado Governador Geral de Macau. Chegou a ser Ministro das Colónias.
Em Portugal foi diretor da Empresa Eléctrica-Oceânica de Aveiro entre 1920 e 1936; Presidente da Real Companhia Vinícola do Norte desde 1933; Administrador da Companhia do Papel do Prado desde 1929.
Monárquico, simpatizante do integralismo, foi demitido do Exército após a proclamação do regime republicano, sendo reintegrado em 1918. Participou em diversas conspirações para derrubar a República nos anos 20. Após o golpe de 28 de maio foi um dos nomes apontados para a candidatura à chefia da Ditadura.
A 11 de fevereiro de 1929 foi feito grande-oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, a 19 de fevereiro de 1929 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo, a 5 de outubro de 1929 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis e a 3 de agosto de 1932 foi agraciado com a grã-cruz da Ordem do Império Colonial.[3]
Autor de relatórios e de conferências valiosas, devem-se-lhe ainda obras sobre temática colonial e sobre a cidade da Guarda, sobre a qual deixou longa obra bibliográfica. Foi diretor do Instituto de Ensino Normal de Braga e no âmbito dessas funções publicou obras de carácter didático.
Obras publicadas
[editar | editar código]Para além de obra dispersa por numerosos periódicos, é autor das seguintes obras:[4]
- Monografias
- Didáctica Geral. Instituto de Ensino Normal de Braga, Braga, Livraria Cruz, 1933.
- Sul de Angola;
- Visão do Crente;
- Em Prol do Comum (1931);
- D. Carlos I (1936);
- Viajantes Espanhóis em Portugal (1948);
- História do nosso Tempo;
- Conferências
- Ao Serviço do Império (1931);
- L’Esprit de la Race Portuguese dans son expanson outre mer (1931);
- Nacionalismo e Estado Novo (1932);
- História do nosso Tempo (1935);
- Alta Cultura Colonial (1937).
Referências
- 1 2 3 4 Fortunato de Almeida (1928). ''História de Portugal'', livro X, Coimbra, pp. 547-548.
- ↑ «General João de Almeida». WOOK. Julho de 2020
- ↑ «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "João de Almeida". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2 de dezembro de 2014
- ↑ «Arquivo Nacional da Guarda: correspondência do General João de Almeida». docplayer.com.br.
- Nascidos em 1873
- Mortos em 1953
- Naturais da Guarda
- Escritores de Portugal
- Engenheiros civis de Portugal
- Generais de Portugal
- Monárquicos de Portugal
- Apoiantes da Monarquia do Norte
- Grandes-Oficiais da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito
- Grandes-Oficiais da Ordem Militar de Cristo
- Grandes-Oficiais da Ordem Militar de Avis
- Grã-Cruzes da Ordem do Império