Jucurutu

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Jucurutu
  Município do Brasil  
Símbolos
Bandeira de Jucurutu
Bandeira
Hino
Gentílico jucurutuense
Localização
Localização de Jucurutu no Rio Grande do Norte
Localização de Jucurutu no Rio Grande do Norte
Mapa de Jucurutu
Coordenadas 6° 02' 02" S 37° 01' 12" O
País Brasil
Unidade federativa Rio Grande do Norte
Região intermediária[1] Caicó
Região imediata[1] Caicó
Municípios limítrofes Assu, Triunfo Potiguar, São Rafael, São Fernando, Caicó, Florânia, Santana do Matos, Jardim de Piranhas, Campo Grande e Belém do Brejo do Cruz (PB)
Distância até a capital 262 km
História
Fundação 1935 (86 anos)
Administração
Prefeito(a) Iogo Nielson de Queiroz e Silva[2] (PSDB, 2021 – 2024)
Vereadores 11
Características geográficas
Área total [3] 933,73 km²
População total (estimativa IBGE/2020[3]) 18 315 hab.
 • Posição RN: 29º
Densidade 19,6 hab./km²
Clima Semiárido (Bs'h)
Altitude 63 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2010[4]) 0,601 médio
PIB (IBGE/2018[5]) R$ 223 688,12 mil
PIB per capita (IBGE/2018[5]) R$ 12 240,79
Sítio http://www.jucurutu.rn.gov.br (Prefeitura)
http://www.cmjucurutu.rn.gov.br (Câmara)

Jucurutu é um município brasileiro pertencente ao estado do Rio Grande do Norte, localizado na região do Seridó, região centro-sul do estado, distante 246 km da capital estadual, Natal.

História[editar | editar código-fonte]

Os índios da tribo Jucurutu, supostamente descendentes das tribos Canindés e Janduís, foram os primeiros habitantes da região. A povoação chamada Saco dos Jucurutus surgiu a partir dos aldeamentos desses nativos e da construção de uma capela construída por Antônio Batista dos Santos em homenagem a São Sebastião.

Devido a existência de uma propriedade rural de grande importância na região, a Fazenda São Miguel, a povoação passou a ser conhecida como São Miguel de Jucurutu e o pequeno povoado foi se desenvolvendo gradativamente. Em relatório escrito ao Governador Pedro Velho, em junho de 1894, Alberto Maranhão informou que o povoado de São Miguel de Jucurutu, localizado à margem do rio Piranhas, tinha uma igreja, um cemitério, cerca de trinta residências particulares e escola pública para moradores do sexo masculino.

Em 11 de outubro de 1935, pela Lei número 932, São Miguel de Jucurutu teve suas terras desmembradas de Campo Grande, Santana do Matos e Caicó para ser elevado à condição de município. Três anos depois, em 31 de outubro de 1938, o Decreto número 603 simplificou o nome do município para Jucurutu.[6]

Geografia[editar | editar código-fonte]

De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vigente desde 2017, Jucurutu pertence às regiões geográficas intermediária e imediata de Caicó.[1] Até então, com a divisão em microrregiões e mesorregiões, que vigorava desde 1989, o município fazia parte da microrregião do Vale do Açu, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Oeste Potiguar.[7]

Com uma área de 933,73 km², é o nono maior município do Rio Grande do Norte em território,[3] ocupando 1,7681% da superfície estadual. É limitado a norte por Assu, Triunfo Potiguar e São Rafael; a sul, Caicó, São Fernando e Jardim de Piranhas; a leste, Santana do Matos, Florânia e São Rafael e, oeste, Campo Grande, Triunfo Potiguar, Jardim de Piranhas e Belém do Brejo do Cruz, este último na Paraíba.[8] Está distante 246 km da capital estadual, Natal,[9] e 2 239 km da capital do país, Brasília.[10]

O relevo de Jucurutu, em boa parte, está incluído na Depressão Sertaneja, com terrenos de transição entre o Planalto da Borborema e a Chapada do Apodi. O restante está inserido no Planalto da Borborema, que abrange as áreas de maior altitude. Geologicamente, o município está em área de abrangência de rochas calcárias da Formação Jucurutu, que compõem o embasamento cristalino, formadas há cerca de um bilhão de anos, durante o período Pré-Cambriano Médio, sendo também encontradas rochas granito-gnáissicas da Formação Seridó.[8]

Os solos do município são relativamente férteis e possuem uma textura mista, constituída de areia e argila, variando conforme a drenagem e a profundidade. Predominam os luvissolos, chamados de bruno não cálcicos vérticos na antiga classificação, que são pouco profundos, moderadamente drenados e mais susceptíveis ao fenômeno da erosão. Nas áreas de leito do Rio Piranhas ocorrem os solos aluviais ou neossolos, que são mais profundos e possuem drenagem semelhante aos luvissolos. Há também áreas e de litossolos ou solos litólicos e de latossolo do tipo vermelho-amarelo.[8][11] Esses solos são cobertos pela vegetação xerófila da caatinga, com espécies de pequeno porte, cujas folhas desaparecem na estação seca.[8] Em Jucurutu, próximo à divisa com Caicó, localiza-se a Reserva Particular do Patrimônio Natural Stoessel de Britto, criada em 20 de maio de 1994 pela portaria federal 0052/94-N e cobrindo uma área de 818,50 hectares.[12]

Todo o território jucurutuense pertence à bacia hidrográfica do Rio Piranhas-Assu, cujo rio principal atravessa, além dos riachos Barra Branca, João Grande e Tapera.[8] Em Jucurutu se localiza a parede da Barragem de Oiticica, em construção no leito do rio Piranhas e projetada para ser o terceiro maior reservatório do Rio Grande do Norte, com capacidade armazenar 556 milhões de metros cúbicos de água, abrangendo também áreas dos municípios de São Fernando e Jardim de Piranhas.[13] O objetivo da barragem é promover a segurança hídrica do Seridó e controlar a vazão do rio, de forma a prevenir enchentes no Vale do Açu.[14]

Levando-se em conta apenas o índice pluviométrico, o clima é tropical chuvoso.[8] Incluindo-se o risco de secae a evapotranspiração (índice de aridez igual ou superior a 0,5 e déficit hídrico igual ou superior a 60%), o clima é semiárido,[15][16] com chuvas concentradas no primeiro semestre. Desde dezembro de 1910, quando teve o início o monitoramento pluviométrico de Jucurutu, a maior chuva em 24 horas alcançou 217,3 mm em 4 de março de 1946. Outros acumulados iguais ou superiores a 150 mm foram: 197,5 mm em 20 de março de 1960, 176,3 mm em 25 de janeiro de 2011, 160 mm em 21 de abril de 1950, 157 mm em 27 de janeiro de 1957, 150,8 mm em 8 de maio de 1947 e 150 mm em 4 de maio de 1962.[17][18]

Dados climatológicos para Jucurutu (1911-1990)
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 33,6 32,9 32,1 31,9 31,5 31,1 31,2 32,4 33,4 34 34,2 34,1 32,7
Temperatura média compensada (°C) 28 27,5 27,1 26,8 26,4 25,7 25,6 26,2 27 27,6 28 28,2 27
Temperatura mínima média (°C) 22,8 22,7 22,4 22,2 21,7 20,8 20,3 20,1 20,9 21,6 22 22,5 21,7
Precipitação (mm) 64,3 126,6 220,4 205,9 111 40,4 24,6 7,6 4,5 4,2 9,2 28,5 851,1
Fonte: UFCG[19]

Referências

  1. a b c Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Base de dados por municípios das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias do Brasil». Consultado em 10 de fevereiro de 2018 
  2. Prefeito e vereadores de Jucurutu tomam posse Portal G1 - acessado em 2 de janeiro de 2021
  3. a b c IBGE. «Brasil / Rio Grande do Norte / Jucurutu». Consultado em 12 de julho de 2021 
  4. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil. Consultado em 4 de setembro de 2013 
  5. a b IBGE. «Produto Interno Bruto dos Municípios». Consultado em 9 de janeiro de 2021 
  6. <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/riograndedonorte/jucurutu.pdf>. Acesso em: 18 de maio de 2014.
  7. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1990). «Divisão regional do Brasil em mesorregiões e microrregiões geográficas» (PDF). Biblioteca IBGE. 1: 44–45. Consultado em 12 de julho de 2021. Cópia arquivada (PDF) em 25 de setembro de 2017 
  8. a b c d e f Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA-RN) (2008). «Jucurutu» (PDF). Consultado em 12 de julho de 2021 
  9. «Distância de Jucurutu a Natal». Consultado em 12 de julho de 2021 
  10. «Distância de Jucurutu a Brasília». Consultado em 12 de julho de 2021 
  11. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). «Mapa Exploratório-Reconhecimento de solos do município de Jucurutu, RN» (PDF). Consultado em 12 de julho de 2021. Cópia arquivada (PDF) em 12 de julho de 2021 
  12. OLIVEIRA et al, 2019, p. 390.
  13. «Áreas em Jardim de Piranhas e São Fernando são desapropriadas para realocação de famílias desalojadas com a construção da Barragem Oiticica». G1. 16 de abril de 2021. Consultado em 12 de julho de 2021. Cópia arquivada em 16 de abril de 2021 
  14. «Barragem de Oiticica é tema de reunião». 14 de agosto de 2020. Consultado em 12 de julho de 2021 
  15. Ministério da Integração Nacional (MIN) (2017). «Nova delimitação Semiárido» (PDF). Superintendência de Desenvolvimento de Nordeste (SUDENE). Consultado em 12 de julho de 2021 
  16. SUDENE (2017). «Delimitação do semiárido». Consultado em 12 de julho de 2021 
  17. Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN). «Código da Estação: 00637011». Agência Nacional de Águas (ANA). Consultado em 12 de julho de 2021 
  18. EMPARN. «Monitoramento pluviométrico». Consultado em 12 de julho de 2021 
  19. UFCG. «Dados Climatológicos do Estado do Rio Grande do Norte». Consultado em 12 de julho de 2021 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

OLIVEIRA, Paulo Jerônimo Lucena de; COSTA, Diógenes Félix da Silva; MONTEIRO JUNIOR, Irami Rodrigues; OLIVEIRA, Alisson Medeiros de. Análise da cobertura vegetal da Reserva Particular do Patrimônio Natural Stoessel de Brito, Jucurutu-RN (NE, Brasil). Revista Equador, Teresina, v. 8, n. 2, p. 387-398, 2019. Semestral. Disponível em: https://revistas.ufpi.br/index.php/equador/article/view/9248. Acesso em: 12 jul. 2021.