Lançamento de dardo

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Lançamento de dardo
Olímpico desde 1908 H / 1932 S
Desporto Atletismo
Praticado por Ambos os sexos
Campeão olímpico
Homens Thomas Röhler
 Alemanha
Mulheres Sara Kolak
 Croácia
Campeão mundial
Homens Johannes Vetter
 Alemanha
Mulheres Barbora Špotáková
 República Checa
Dardos masculino e feminino.

Lançamento de dardo é uma modalidade olímpica do atletismo existente desde a Grécia Antiga. Uma das mais nobres modalidades por sua antiguidade, integra o heptatlo e o decatlo, além de ter sua própria prova individual. Assim como o lançamento de martelo e lançamento de disco, este esporte é chamado oficialmente de lançamento. Somente o arremesso de peso é chamado de arremesso, devido ao fato do peso ser empurrado e os demais serem projetados com características diferentes.[1][2]

História

O dardo fazia parte do pentatlo nos Jogos Olímpicos da Antiguidade, aparecendo pela primeira vez em 708 a.C., e era disputado em duas modalidades: distância e alvo. Ele era lançado com auxílio de uma tira de couro chamada ankule enrolada em torno do meio do eixo do dardo. Os atletas podiam segurá-lo pela tira e quando o dardo era lançado essa tira se desenrolava dando à lança um voo em espiral. O dardo, uma simples lança reta, tinha a altura de um homem e a largura de um dedo.[3]

O lançamento de varas em alvos foi revivido na Alemanha e na Suécia no século XIX, no início da década de 1870. Na Suécia, estas varas foram desenvolvidas no moderno dardo e atirá-los à distância se tornou um dos esportes mais comuns lá e na Finlândia durante a década seguinte e as regras do esporte começaram a ser aprimoradas. Inicialmente eles eram lançados sem nenhuma corrida anterior e segurá-lo pela alça colocada no centro de gravidade não era obrigatório; corridas curtas foram introduzidas no fim da década de 1890 e a partir daí a distância da corrida passou a ser liberada.[4]

Como modalidade olímpica, o dardo foi introduzido em Londres 1908, depois de uma aparição nos não-oficiais Jogos Olímpicos Intercalados de 1906, em Atenas, e o primeiro campeão olímpico foi o sueco Eric Lemming. Em Estocolmo 1912, com a introdução do decatlo nos Jogos, passou a ser uma das dez provas desta modalidade; foi também neste ano em que foi reconhecido o primeiro recorde mundial da modalidade, a marca de 62,34 m de Lemming.[5] Em Los Angeles 1932 passou a ser uma modalidade olímpica também feminina e a norte-americana Babe Didrikson foi a primeira campeã.[6]

A Europa Oriental e a Escandinávia, em particular a Finlândia, tem uma grande tradição neste esporte. O finlandês Matti Järvinen, nove vezes recordista mundial, os tchecos Jan Zelezny e Barbora Špotáková e a norueguesa Trine Hattestad são os grandes nomes da modalidade, todos recordistas mundiais e com múltiplos títulos olímpicos e mundiais; Zelezny e Spotakova são os atuais recordistas mundiais com as marcas de 98,48 m no masculino e 72,28 m no feminino.[7][8]

Descrição e regras

O dardo é um objeto em forma de lança, feito de metal, fibra de vidro ou fibra de carbono. Seu tamanho, tipo, peso mínimo e centro de gravidade foram definidos pela IAAFFederação Internacional de Atletismo e variam do homem para a mulher. O homem usa um dardo de 2,7 metros de comprimento, pesando 800 gramas. A mulher usa um dardo um pouco mais leve, 600 gramas, e tem 2,3 metros de comprimento. Os dois modelos tem uma empunhadura feita de corda localizada no centro de gravidade.

O atleta corre para tomar impulso e usa uma pista de corrida e lançamento com 34,9 metros de comprimento e 4 metros de largura, fazendo um giro rápido com o corpo para lançar. O dardo costuma sair das mãos do atleta com uma velocidade de 100 km/h. Após o voo, ele aterra numa zona relvada que costuma ocupar a zona central dos estádios de atletismo. A marca obtida pelo atleta é medida pelos oficiais, desde o limite da zona de lançamento até ao primeiro ponto onde o dardo tocou no chão, obrigatoriamente dentro de uma setor pré-marcado no campo com um ângulo de 29°.[7]

Ao contrário das outras modalidades de lançamento (martelo, peso e disco), a técnica do dardo tem regras próprias ditadas pela IAAF e lançamentos "não-ortodoxos" não são permitidos; o dardo precisa ser seguro pela empunhadura e lançado por cima do braço levantado ou dos ombros; além disso, é proibido ao atleta se virar completamente de maneira a que seu rosto fique em direção contrária ao lançamento, técnica que é muito usada, por exemplo, no lançamento de disco.[9]

O lançador é desclassificado se sair da zona de lançamento antes, durante ou depois do lançamento, ou se o dardo tocar no solo sem ser pela ponta dianteira dele. As competições de lançamento de dardo iniciam-se com três rondas de lançamentos para cada atleta. Após esta fase, os oito melhores resultados são apurados para realizar mais três lançamentos. Ao fim da prova, o atleta que obtiver a maior distância num lançamento legítimo é declarado vencedor. No caso de um empate, vence aquele com a segunda melhor marca. [9]

Reconfiguração

Em abril de 1986, o dardo masculino foi redesenhado pelo Comitê Técnico da IAAF. Isto se deveu ao fato de que, além de várias aterrissagens começarem a ser feitas ao comprido, sem a ponta furar o solo, diversos lançamentos estavam sendo feitos no limite da área destinada a isto no campo de atletismo, colocando em perigo potencial as pessoas envolvidas e espectadores. O recorde mundial com o dardo antigo do alemão Uwe Hohn, de 104,80 m em 1984, foi o sinal de que algo precisa ser rapidamente mudado ou a modalidade seria inviabilizada para um estádio olímpico. Ele então foi redesenhado, com o centro de gravidade sendo colocado 4 cm à frente enquanto as áreas de superfície posteriores e anteriores ao centro de gravidade foram reduzidas e aumentadas, respectivamente. Isto teve como efeito a redução da elevação do dardo e o aumento da curvatura para baixo no arco da queda. Esta mudança fez o "nariz" do arco cair mais rapidamente, reduzindo a distância de voo em aproximadamente 10% e fazendo com que o dardo atinja o chão de maneira mais vertical e consistente. Em 1999, o dardo feminino também sofreu a mesma modificação.[10]

Mesmo assim reconfigurado, o dardo voltou a ser lançado a distâncias proibitivas e em 2007 um atleta do salto em distância foi atingido na barriga por um dardo lançado do outro lado do campo, durante uma etapa da Golden League em Roma; com o atual recorde mundial masculino já novamente próximo dos 100 metros, nova mudança deve ser feita no implemento nos próximos anos.[11]

Recordes

As marcas referem-se aos dardos com a nova configuração e são de acordo com a Federação Internacional de Atletismo – IAAF.[12][13]

Homens
Recorde
Marca
Atleta
País
Data
Local
Recorde mundial
98,48 m
Jan Železný
República Checa
25 maio 1996
Jena
Recorde olímpico
90,57 m
Andreas Thorkildsen
Noruega
23 agosto 2008
Pequim 2008
Mulheres
Recorde
Marca
Atleta
País
Data
Local
Recorde mundial
72,28 m
Barbora Špotáková
República Checa
13 setembro 2008
Stuttgart
Recorde olímpico
71,53 m
Osleidys Menéndez
Cuba
27 agosto 2004
Atenas 2004

Melhores marcas mundiais

As marcas referem-se aos dardos com a nova configuração e são de acordo com a Federação Internacional de Atletismo – IAAF.[12][13]

Homens

Posição Marca Atleta País Data Local
1
98,48 m
Jan Železný
República Checa
25 maio 1996
Jena
2
95,66 m
Jan Železný
República Checa
29 agosto 1993
Sheffield
3
95,54 m
Jan Železný
República Checa
6 abril 1993
Pietersburg
4
94,64 m
Jan Železný
República Checa
31 maio 1996
Ostrava
5
94,44 m
Johannes Vetter
Alemanha
11 julho 2017
Lucerna
6
94,02 m
Jan Železný
República Checa
26 março 1997
Stellenbosch
7
93,90 m
Thomas Röhler
Alemanha
5 maio 2017
Doha
8
93,09 m
Aki Parviainen
Finlândia
26 junho 1999
Kuortane
9
92,80 m
Jan Železný
República Checa
12 agosto 2001
Edmonton
0
92,72 m
Julius Yego
Quénia
26 agosto 2015
Pequim

Mulheres

Posição Marca Atleta País Data Local
1
72,28 m
Barbora Špotáková
República Checa
13 setembro 2008
Stuttgart
2
71,99 m
Maria Abakumova
Rússia
2 setembro 2011
Daegu
3
71,70 m
Osleidys Menéndez
Cuba
14 agosto 2005
Helsinque
4
71,58 m
Barbora Špotáková
República Checa
2 setembro 2011
Daegu
5
71,54 m
Osleidys Menéndez
Cuba
1 julho 2001
Retimno
6
71,53 m
Osleidys Menéndez
Cuba
27 agosto 2004
Atenas
7
71,42 m
Barbora Špotáková
República Checa
21 agosto 2008
Pequim
8
70,78 m
Maria Abakumova
Rússia
21 agosto 2008
Pequim
9
70,53 m
Maria Abakumova
Rússia
1 setembro 2013
Berlim
10
70,20 m
Christina Obergföll
Alemanha
23 junho 2007
Munique

Melhores marcas olímpicas

As marcas referem-se aos dardos com a nova configuração e são de acordo com o Comitê Olímpico Internacional – COI.[14]

Homens

Posição Marca Atleta País Medalha Local
1
90,57 m
Andreas Thorkildsen
Noruega
ouro
Pequim 2008
2
90,30 m
Thomas Röhler
Alemanha
ouro
Rio 2016
3
90,17 m
Jan Železný
República Checa
ouro
Sydney 2000
4
89,85 m
Steve Backley
Reino Unido
prata
Sydney 2000
5
89,66 m
Jan Železný
República Checa
ouro
Barcelona 1992
6
89,39 m
Jan Železný
República Checa
Sydney 2000
7
88,68 m
Keshorn Walcott
Trinidad e Tobago
Rio 2016
8
88,67 m
Sergei Makarov
Rússia
bronze
Sydney 2000
9
88,41 m
Konstadinos Gatsioudis
Grécia
Sydney 2000
10
88,34 m
Vítězslav Veselý
República Checa
Londres 2012

* As marcas de Jan Železný (89,39 m) e Konstadinos Gatsioudis (88,41 m) foram feitas durante as classificatórias em Sydney 2000; a marca de Vítězslav Veselý (88,34 m) foi feita durante as classificatórias em Londres 2012. A marca de Keshorn Walcott (88,68 m) foi conseguida durante as classificatórias da Rio 2016.

Mulheres

Posição Marca Atleta País Medalha Local
1
71,53 m
Osleidys Menéndez
Cuba
ouro
Atenas 2004
2
71,42 m
Barbora Špotáková
República Checa
ouro
Pequim 2008
3
70,78 m
Maria Abakumova
Rússia
prata
Pequim 2008
4
69,55 m
Barbora Špotáková
República Checa
ouro
Londres 2012
5
68,91 m
Trine Hattestad
Noruega
ouro
Sydney 2000
6
67,69 m
Barbora Špotáková
República Checa
Pequim 2008
7
67,52 m
Christina Obergföll
Alemanha
Pequim 2008
8
67,51 m
Mirela Manjani
Grécia
prata
Sydney 2000
9
67,34 m
Osleidys Menéndez
Cuba
Sydney 2000
10
67,11 m
Maria Andrejczyk
Polónia
Rio 2016

* As marcas de Barbora Špotáková (67,69 m) e Christina Obergföll (67,52 m) foram feitas nas classificatórias de Pequim 2008; a marca de Osleidys Menéndez (67,34 m) foi feita nas classificatórias de Sydney 2000; a marca de Maria Andrejczyk (67,11 m) foi feita nas classificatórias da Rio 2016 e foi superior à marca da croata Sara Kolak na final (66,18 m) que conquistou a medalha de ouro.

Referências

  1. «Entenda: Arremesso e lançamentos». BM&F Atletismo. Consultado em 7 de setembro de 2015 
  2. Nomes oficiais dos esportes no site da CBAT
  3. «Throwing the javelin». The journal of Hellenic studies. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  4. Jukola, Martti (1935). Huippu-urheilun historia (em finlandês). [S.l.]: Werner Söderström Osakeyhtiö 
  5. «Javelin Throw World Record Progression - Men». Nemeth Javelins. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  6. «Athletics at the 1932 Los Angeles Summer Games: Women's Javelin Throw». Sportsreference. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  7. a b «Javelin Throw». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  8. «All time best». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  9. a b «IAAF competition rules» (PDF). IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  10. «Physics: Javelin Designs, what's the significance?». The World of Javelin. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  11. «Dardo acerta francês em etapa de atletismo». Terra. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  12. a b «THROWS - JAVELIN THROW M». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  13. a b «THROWS - JAVELIN THROW W». IAAF. Consultado em 10 de setembro de 2015 
  14. «48 PAST OLYMPIC GAMES». OIC. Consultado em 24 de abril de 2013 

Ligações externas

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