Maria Della Costa

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Maria Della Costa
A atriz em 1945 (foto: Revista do Globo, RS)
Nascimento Gentile Maria Marchioro
1 de janeiro de 1926
Flores da Cunha, RS, Brasil
Nacionalidade brasileira
Morte 24 de janeiro de 2015 (89 anos)
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Ocupação atriz
Cônjuge Fernando de Barros (1943)
Sandro Polloni (1985)

Maria Della Costa, nome artístico de Gentile Maria Marchioro[1][2][3] (Flores da Cunha, 1 de janeiro de 1926Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2015), foi uma atriz brasileira de ascendência italiana.[4]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha de Amadeo Marchioro e Hermelinda Della Costa, ambos de origem italiana. Usava o nome artístico "Maria Della Costa", com o sobrenome de sua mãe que não fazia parte do seu nome civil.[3]

Estreou no Rio de Janeiro como show-girl no Cassino Copacabana. Em 1944 estreou no teatro em A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo. Em seguida foi para Portugal estudar arte dramática com a atriz Palmira Bastos, no Conservatório de Lisboa.

De volta ao Brasil, passou a fazer parte do grupo Os Comediantes, participando de espetáculos como Rainha Morta, de Henry de Montherlant (1946); em 1947, Terras do Sem-Fim, de Jorge Amado; Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues; e Não Sou Eu, de Edgard da Rocha Miranda.

Fundou em 1948, junto com seu marido, o ator Sandro Polloni, o Teatro Popular de Arte, e estreou a peça Anjo Negro, de Nelson Rodrigues, no Teatro Fênix, Rio de Janeiro.

Em 1954 inaugurou sua própria casa de espetáculos, o Teatro Maria Della Costa, no bairro da Bela Vista em São Paulo, projetado por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Sandro Polloni, à frente da casa, cria um repertório considerado um dos melhores do teatro brasileiro. Montagens como Tobacco Road, de Erskine Caldwell e Jack Kirkland (1948), A Prostituta Respeitosa, de Jean-Paul Sartre (1948), Com a Pulga Atrás da Orelha, de Feydeau (1955), A Moratória, de Jorge Andrade (1955), Rosa Tatuada, de Tennessee Williams (1956), e A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht (1958), marcam essa fase.

A companhia segue por uma excursão pela Europa e em 1963 lotam por 45 dias casas de espetáculos em Buenos Aires. Ao visitar Nova Iorque conhece o autor Arthur Miller e dele traz, para comemorar os dez anos de seu teatro (1964), a famosa peça Depois da Queda, dirigida por Flávio Rangel. Com esse mesmo diretor faz também os espetáculos Homens de Papel, de Plínio Marcos (1967), Tudo no Jardim, de Edward Albee (1968), entre outros.

No cinema atuou em diversos filmes: O Cavalo 13 (1946) e O Malandro e a Grã-fina (1947), ambos sob a direção de Luiz de Barros; Inocência (1949); Caminhos do Sul (1949); e Moral em Concordata (1959). É dirigida pelo italiano Camillo Mastrocinque no premiado Areião (1952), produção da Maristela Filmes. Já na televisão teve pouca participação: fez a telenovela Beto Rockfeller, na TV Tupi, em 1968, e na TV Globo atuou em Estúpido Cupido (1976) e Te contei? (1978).

Em 2002, Maria Della Costa foi homenageada pelo Ministério da Cultura com a Ordem do Mérito Cultural.[5]

Em seus últimos anos de vida, residia no município fluminense de Parati, onde administrava seu hotel.[6]

Morreu aos 89 anos de idade vítima de edema pulmonar agudo.[7]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Na televisão[editar | editar código-fonte]

Ano Título Personagem Notas
1952 Grande Teatro Tupi Rebeca Episódio: "Rebeca, a Mulher Inesquecível"
Episódio: "Manequim"
1953 Episódio: "Tentação"
1957 Episódio: "Manequim"
1969 Beto Rockfeller Maitê
1970 As Bruxas Teresa
1976 Estúpido Cupido Olga
1978 Te Contei? Ana Paula
1982 Sétimo Sentido Juliana
1990 Brasileiras e Brasileiros Norma
1993 Retrato de Mulher Deusa da Silva Episódio: "Era Uma Vez... Dulcinéia"

No cinema[editar | editar código-fonte]

Ano Título Personagem Notas
1946 O Cavalo 13 Maria Joselina Aragão e Noronha Filme Perdido
1948 O Malandro e a Grã-fina Marta
1949 Inocência Inocência
Caminhos do Sul Guilhermina Estevão
1952 Areião [8]
1959 Moral em Concordata Rosário
1968 Cristo de Lama Helena[9]
1971 Como Ganhar na Loteria sem Perder a Esportiva Amália
1974 O Signo de Escorpião Gilda (Touro)[10]
1995 Disseram Que Voltei Americanizada, Um Filme de Merda [11] Curta-metragem
2006 A Mochila do Mascate Ela Mesma [12] Documentário

No teatro[editar | editar código-fonte]

  • 1944 - A Moreninha
  • 1946 - A Rainha Morta
  • 1947 - Terras do Sem Fim
  • 1947 - Vestido de Noiva
  • 1947 - Não Sou Eu
  • 1947 - Era Uma Vez Um Preso
  • 1948 - Anjo Negro
  • 1948 - Estrada do Tabaco
  • 1948 - Lua de Sangue
  • 1948 - Tereza Raquin
  • 1948 - Sonata a Quatro Mãos
  • 1948 - O Anel Mágico
  • 1949 - O Morro dos Ventos Uivantes
  • 1949 - Peg do Meu Coração
  • 1949 - Estrada do Tabaco
  • 1950 - A Prostituta Respeitosa
  • 1950 - O Fundo do Poço
  • 1951 - Ralé
  • 1952 - Manequim
  • 1954 - O Canto da Cotovia
  • 1955 - Com a Pulga Atrás da Orelha
  • 1955 - A Mirandolina
  • 1956 - A Casa de Bernarda Alba
  • 1956 - Moral em Concordata
  • 1956 - A Rosa Tatuada
  • 1958 - A Alma Boa de Set-Suan
  • 1959 - Gimba
  • 1960 - Society em Baby Doll
  • 1962 - O Marido Vai à Caça
  • 1962 - Armadilha Para um Homem Só
  • 1963 - Pindura Saia
  • 1964 - Depois da Queda
  • 1967 - Homens de Papel
  • 1968 - Tudo no Jardim
  • 1968 - Abra a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã
  • 1973 - Bodas de Sangue
  • 1974 - Tome Conta de Amélia
  • 1982 - Motel Paradiso
  • 1986 - Alice, Que Delícia
  • 1988 - Temos Que Refazer a Casa
  • 1992 - Típico Romântico

Referências

  1. «Consulta de processos; Gentile Maria Marchioro Polloni». Jusbrasil 
  2. «CNF Brasil». falecidosnobrasil.org.br. Consultado em 11 de novembro de 2021 
  3. a b «Registro de nascimento». FamilySearch 
  4. http://www.funarte.gov.br, Funarte-. «Biografia de Maria Della Costa | Brasil Memória das Artes». Consultado em 14 de setembro de 2019 
  5. «Editora da USP é condecorada com a Ordem do Mérito Cultural». USP. 20 de novembro de 2002 
  6. «Maria Della Costa recebe homenagem hoje». Camarapoa. 12 de novembro de 2009 
  7. «Maria Della Costa morre aos 89 anos, no Rio». ZH. 24 de janeiro de 2015 
  8. «Areião». Cinemateca Brasileira. Consultado em 22 de dezembro de 2021 
  9. «Cristo de Lama». Cinemateca Brasileira. Consultado em 27 de dezembro de 2021 
  10. «O Signo do Escorpião». Cinemateca Brasileira. Consultado em 23 de setembro de 2016 
  11. «Disseram Que Voltei Americanizada, Um Filme de Merda». Porta Curtas. Consultado em 5 de março de 2017 
  12. «A Mochila do Mascate». Cinemateca Brasileira. Consultado em 9 de março de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]