Mohammad bin Salman

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Mohammad bin Salman
Príncipe Herdeiro da Arábia Saudita
Ministro da Defesa
Período 23 de janeiro de 2015
Presente
Predecessor Muhammad bin Nayef
Monarca Salman
 
Esposa Sara bint Mashoor bin Abdulaziz Al Saud
Casa Saud
Nome completo
Mohammad bin Salman bin Abdulaziz Al Saud
Nascimento 31 de agosto de 1985 (34 anos)
Jidá, Meca, Arábia Saudita
Filho(s) 4
Pai Salman da Arábia Saudita
Mãe Fahda bint Falah bin Sultan bin Hathleen
Religião Islamismo

Mohammad bin Salman bin Abdulaziz Al Saud (em árabe: محمد بن سلمان بن عبد العزيز آل سعود; Jidá, 31 de agosto de 1985) é o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, primeiro vice-primeiro ministro[1] e o mais novo ministro da defesa do país.[2] Mohammad também é chefe da corte real da Casa de Saud, ditador segundo o Washington Post e o Middle East Eye[3][4] e presidente do Conselho de Assuntos Econômicos e de Desenvolvimento.

Visto inicialmente como um reformista e modernizador, logo foi alvo de críticas por liderança autocrática, perseguição de dissidentes da monarquia saudita e seu amplo apoio e liderança da sangrenta intervenção militar saudita no Iêmen.[5]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Salman foi descrito como o poder real atrás do trono de seu pai, o Rei Salman, que sofre de doença de Alzheimer.[6][7] Foi nomeado príncipe herdeiro em junho de 2017 após a decisão de seu pai de retirar Muhammad bin Nayef de todos os seus cargos, tornando-o herdeiro aparente para o trono da monarquia árabe.[8][9][10]

Ele liderou algumas reformas bem-sucedidas, que incluem regulamentações restringindo os poderes da polícia religiosa,[11] e o fim da proibição das mulheres conduzirem. [12] Outros desenvolvimentos culturais sob as suas ordens incluem os primeiros concertos sauditas públicos por uma cantora, o primeiro estádio desportivo saudita a admitir mulheres, [13] e uma maior presença de mulheres no mercado de trabalho.[14] Seu programa Visão 2030 visa diversificar a economia saudita através do investimento em sectores não petrolíferos, incluindo tecnologia e turismo.[15] [16]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Apesar destes avanços em direção à liberalização social e econômica da Arábia Saudita, comentadores e grupos de direitos humanos continuam a criticar veementemente a liderança de Mohammad bin Salman e as deficiências de seu programa de reforma, citando um crescente número de detenções de ativistas de direitos humanos, bombardeamento do Iêmen em 2018, com milhões de civis a morrer à fome,[17] a escalada da crise diplomática com o Catar, [18] o início da disputa Líbano-Arábia Saudita, e o assassinato de Jamal Khashoggi. [19] [20] Organizações não-governamentais, como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch, apontam continuadas violações dos direitos humanos.[21] [22]

Em setembro de 2015, comprou o Castelo Luís XIV, a propriedade privada mais cara do mundo, perto de Paris, por 275 milhões de euros. O castelo foi construído em 2011 e batizado com o nome do monarca que reinou em França nos séculos XVII e XVIII, alia a arquitetura tipo setecentista à mais recente tecnologia.[23]

Em 2015, a Arábia Saudita se envolveu diretamente na guerra no Iêmen. Muitos analistas viram isso como uma movimentação de bin Salman na chamada "Guerra Fria do Oriente Médio". A intervenção militar saudita não solucionou o conflito iemenita, servindo apenas para agravar a crise humanitária na região. Muitos acusaram Mohammad bin Salman de crimes de guerra, com ele dando apoio as ações militares do seu país no Iêmen, que resultavam em centenas de mortes de civis.[5]

O príncipe Bin Salman também foi acusado de perseguir vozes dissidentes e contrárias a monarquia Saudita. Em outubro de 2018, o jornalista e opositor Jamal Khashoggi foi morto em Istambul, enquanto adentrava a embaixada saudita. Homens ligados ao príncipe foram acusados do assassinato, embora Salman tivesse negado participação.[5] Em novembro, um relatório da CIA, divulgado na imprensa americana, acusou Mohammad bin Salman de ter ordenado a morte de Khashoggi, o que causou furor internacional e tensões diplomáticas.[24]Em Junho de 2019, um relatório da ONU sustentou existirem “indícios credíveis” de que Mohammed bin Salman e outros altos responsáveis do reino saudita estiveram envolvidos no assassinato daquela figura crítica do regime.[25]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Mohammad bin Salman named new Saudi Crown Prince». TASS (em inglês). Beirut. 21 de junho de 2017. Consultado em 22 de junho de 2017. Cópia arquivada em 22 de junho de 2017  |deadurl= e |urlmorta= redundantes (ajuda)
  2. «Mohammed bin Nayef kingpin in new Saudi Arabia: country experts». Middle East Eye. 1 de fevereiro de 2015. Consultado em 1 de fevereiro de 2015 
  3. Sanitising bin Salman: How Western media whitewash Saudi violence at home and abroad
  4. Shake-up in the House of Saud
  5. a b c «How Saudi's Mohammed bin Salman went from promising reformer to tainted heir accused of plotting Khashoggi's murder». The Guardian. Consultado em 20 de novembro de 2018 
  6. Transcript: Interview with Muhammad bin Salman The Economist, 6 de janeiro de 2016.
  7. Bergen, Peter (16 de Outubro de 2018). «Trump's uncritical embrace of MBS set the stage for Khashoggi crisis». CNN 
  8. CNN, Nicole Chavez, Tamara Qiblawi and James Griffiths. «Saudi Arabia's king replaces nephew with son as heir to throne». CNN 
  9. Raghavan, Sudarsan; Fahim, Kareem (21 de junho de 2017). «Saudi king names son as new crown prince, upending the royal succession line». The Washington Post. Consultado em 21 de junho de 2017 
  10. «Saudi royal decrees announcing Prince Mohammed BinSalman as the new crown prince». The National. Abu Dhabi: Abu Dhabi Media. Consultado em 21 de junho de 2017 
  11. Chulov, Martin (7 de novembro de 2017). «'This is a revolution': Saudis absorb crown prince's rush to reform - Consolidation of power in Mohammed bin Salman's hands has upended all aspects of society, including previously untouchable ultra-elite». The Guardian 
  12. McKernan, Bethan (23 de junho de 2018). «Saudi Arabia women's driving ban lifted: With excitement and apprehension, Saudi women gear up for first day on the road». The Independent 
  13. «Saudi Arabia to allow women to enter stadiums to watch soccer». New York Post. 12 de janeiro de 2018 
  14. Millership, Iain (5 de março de 2018). «We should welcome Mohammed bin Salman to the UK, his reforms in Saudi Arabia could benefit us all». The Independent 
  15. Rashad, Marwa (24 de Abril de 2016). «Saudis await prince's vision of future with hope and concern». Reuters 
  16. «A estratégia da Arábia Saudita para tentar acabar com a dependência de petróleo». BBC. 1 de maio de 2016 
  17. Summers, Hannah (15 de Outubro de 2018). «Yemen on brink of 'world's worst famine in 100 years' if war continues - UN warns that famine could overwhelm country in next three months, with 13 million people at risk of starvation». The Guardian 
  18. Alkhshali, Hamdi (e outro) (26 de outubro de 2017). «Saudi Crown Prince calls Qatar embargo a 'small issue'». CNN 
  19. Hearst, David (21 de junho de 2017). «Mohammed Bin Salman, Saudi Arabia's Prince Of Chaos -All the levers of power are now in the hands of a young, inexperienced and risk-taking man.». Huffington Post 
  20. Barnes, Tom (24 de outubro de 2018). «Jamal Khashoggi: Trump says if anyone knew about plot to kill journalist 'it would be Mohammed bin Salman' -Heir to Saudi throne has repeatedly denied involvement in killing of columnist at Istanbul consulate». The Independent 
  21. «Saudi Arabia: Intensified Repression of Writers, Activists - Rising Arrests, Prosecutions». Human Rights Watch. 6 de fevereiro de 2017 
  22. «Saudi Arabia: Update: Saudi Arabia: Systematic targeting of members of ACPRA continues». GCHR ( Gulf Centre for Human Rights). 29 de Janeiro de 2016 
  23. «Príncipe herdeiro saudita comprou em França propriedade mais cara do mundo» 
  24. «Some Saudi royals turn against crown prince after Khashoggi murder». CBC. Consultado em 20 de novembro de 2018 
  25. Neves, Sofia (19 de Junho de 2019). «ONU conclui que há "indícios credíveis" do envolvimento do príncipe herdeiro saudita na morte de Khashoggi -Relatório das Nações Unidas implica directamente Mohammed bin Salman no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, um crítico do regime saudita.». Público 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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