Ir para o conteúdo

Terra em Transe

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Terra em Transe
Pôster promocional
Brasil
1967 p&b •  106 min 
Génerodrama
DireçãoGlauber Rocha
ProduçãoGlauber Rocha
Luiz Carlos Barreto
Cacá Diegues
Raymundo Wanderley Reis
Produção executivaZelito Viana
RoteiroGlauber Rocha
ElencoJardel Filho
Glauce Rocha
José Lewgoy
Paulo Autran
Paulo Gracindo
MúsicaSérgio Ricardo
CinematografiaLuiz Carlos Barreto
Direção de artePaulo Gil Soares
FigurinoClóvis Bornay
Guilherme Guimarães
Paulo Gil Soares
EdiçãoEduardo Escorel
Companhia produtoraMapa Produções Cinematográficas Ltda.
DistribuiçãoDifilm
Lançamento19 de maio de 1967
Idiomaportuguês

Terra em Transe é um filme brasileiro de 1967 do gênero drama, dirigido e escrito por Glauber Rocha. No elenco estão nomes como Jardel Filho, Glauce Rocha, José Lewgoy, Paulo Autran, Paulo Gracindo, Francisco Milani, Hugo Carvana, Jofre Soares e Flávio Migliaccio. A trama segue Paulo, um poeta e jornalista idealista que tenta provocar mudanças políticas, influenciando homens poderosos. A história se passa no país fictício da América Latina Eldorado, que se encontra entre o golpe de Estado e o populismo, entre a crise e a transformação. É uma alegoria da história do Brasil entre 1960 e 1966.[1]

Considerada uma das principais obras do período,[2] teve sua estreia mundial na 20ª edição do Festival de Cinema de Cannes, na França, em 3 de maio de 1967, onde competiu pela Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival.[3] No Festival, recebeu o Prêmio Luis Buñuel e o Prêmio Fipresci.[4] No mesmo ano, ainda recebeu o Leopardo de Ouro e o Grand Prix do júri paralelo no Festival de Locarno, na Suíça.[5] Foi lançado no mercado estrangeiro com o título Entranced Earth.

Em 1999, em uma pesquisa do jornal Folha de S.Paulo realizada com 24 críticos e estudiosos do cinema brasileiro, indicou Terra em Transe como um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos.[6] Em novembro de 2015, o filme ficou em quinto lugar na lista dos cem melhores filmes brasileiros de todos os tempos, feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine)[7]. Foi listado por Jeanne O Santos, do Cinema em Cena, como um dos "clássicos nacionais".[8]

Na fictícia República de Eldorado, Paulo Martins é um jornalista idealista e poeta ligado ao político conservador em ascensão, o tecnocrata Porfírio Diaz e sua amante, a meretriz Silvia, com quem também mantêm um caso, formando um triângulo amoroso. Quando Diaz se elege senador, Paulo se afasta e vai para a província de Alecrim, onde conhece a ativista Sara. Juntos eles resolvem apoiar o vereador populista Felipe Vieira para governador, na tentativa de lançarem um novo líder político, supostamente progressista, que guie a mudança da situação de miséria e injustiça que assola o país.

Ao ganhar a eleição, Vieira se mostra fraco e controlado pelas forças econômicas locais que o financiaram e não faz nada para mudar a situação social, o que leva Paulo, desiludido, a abandonar Sara e retornar à capital e voltar a se encontrar com Sílvia. Aproxima-se de Júlio Fuentes, o maior empresário do país, e conta-lhe que o presidente Fernandez tem o apoio econômico de uma poderosa multinacional que quer assumir o controle do capital nacional. Quando Diaz vai à disputa da Presidência com o apoio de Fernandez, Fuentes cede um canal de televisão a Paulo, o qual o usa a fim de atacar o candidato.

Vieira e Paulo unem-se novamente na campanha da presidência até que Fuentes trai a ambos e faz um acordo com Diaz. Paulo quer partir então à luta armada, porém Vieira desiste.

Produção

[editar | editar código]

O filme foi gravado nas instalações do Instituto de Belas Artes. A direção de fotografia coube a Luís Carlos Barreto e Dib Lutfi; a música foi de Sérgio Ricardo; e a montagem de Eduardo Escorel. Luís Carlos Barreto, Cacá Diegues, Zelito Viana e Raimundo Wanderley, juntos a Glauber Rocha, foram os produtores associados no filme. Ele pode ser entendido como uma parábola da história do Brasil no período 1960-66, na medida em que metaforiza em seus personagens diferentes tendências políticas presentes no Brasil no contexto. Realiza uma exaustiva crítica de todos aqueles que participaram desse processo, incluindo as diferentes correntes da chamada esquerda brasileira. Terra em Transe foi mal recebido pela crítica e pelos intelectuais nacionais.

O filme enfrentou, na época, problemas com a censura estabelecida no Brasil, ao mostrar um fictício país latino-americano, denominado Eldorado, governado pelo déspota Diaz. A cidade onde a trama se passa, Alecrim, não é a capital de Eldorado, como se pode constatar no diálogo em que Vieira apresenta Sílvia a Martins, logo ao início do filme (0°20'54"). Em abril de 1967, o filme foi proibido em todo o território nacional, por ser considerado subversivo e irreverente com a Igreja e só foi liberado com a condição de que fosse dado um nome ao padre interpretado por Jofre Soares. Porfirio Díaz foi o nome de um ditador que governou o México por 31 anos. Este filme esteve proibido pela censura fascista portuguesa até 1974.

Principais prêmios e indicações

[editar | editar código]

Festival de Cannes 1967 (França)

  • Glauber Rocha recebeu os prêmios Luis Buñuel e Fipresci no XX Festival.

Festival de Havana 1967 (Cuba)

  • Recebeu o Prêmio da Crítica e o de Melhor Filme.

Festival de Locarno 1967 (Suíça)

  • Glauber Rocha recebeu o prêmio Leopardo de Ouro e o Grand Prix do júri paralelo.

Festival de Cinema de Juiz de Fora (Brasil)

  • Venceu nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (José Lewgoy), Melhor Atriz (Glauce Rocha) e Menção Honrosa (Luiz Carlos Barreto).

Prêmio Governo do Estado de São Paulo (Brasil)

  • Recebeu os prêmios de Melhor Atriz (Glauce Rocha), Melhor Argumento (Glauber Rocha), Melhor Fotografia (Dib Lutfi) e Melhor Montagem (Eduardo Escorel).

Referências

  1. «FILMOGRAFIA - TERRA EM TRANSE». bases.cinemateca.gov.br. Consultado em 15 de abril de 2026. Cópia arquivada em 20 de novembro de 2025
  2. TERRA em Transe. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obras/123403-terra-em-transe. Acesso em: 15 de abril de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
  3. «Festival de Cannes 1967». Festival de Cannes. Consultado em 15 de abril de 2026. Cópia arquivada em 6 de agosto de 2025
  4. «TERRA EM TRANSE Glauber ROCHA». Festival de Cannes. Consultado em 15 de abril de 2026. Cópia arquivada em 6 de agosto de 2025
  5. «Winners of the Golden Leopard». Locarno Film Festival. Consultado em 15 de abril de 2026. Cópia arquivada em 19 de Julho de 2009
  6. «Os dez melhores filmes de todos os tempos». Folha de S.Paulo. 18 de março de 1999. Consultado em 13 de abril de 2026
  7. André Dib (27 de novembro de 2015). «Abraccine organiza ranking dos 100 melhores filmes brasileiros». Abraccine. abraccine.org. Consultado em 26 de outubro de 2016
  8. Jeanne O Santos. «Clássicos nacionais». Cinema em Cena. CartaCapital. Consultado em 29 de junho de 2019

Bibliografia

[editar | editar código]
  • Jean-Claude Bernadet. Brasil em Tempo de Cinema. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.
  • Ismail Xavier. Sertão Mar. Glauber Rocha e a estética da fome. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983.

Ligações externas

[editar | editar código]
Ícone de esboço Este artigo sobre um filme brasileiro é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.