Tetê Espíndola

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Tetê Espíndola
A cantora em 2010, no Ministério da Cultura.
Informação geral
Nome completo Terezinha Maria Miranda Espíndola
Também conhecido(a) como Tetê
Nascimento 11 de março de 1954 (64 anos)
Local de nascimento Campo Grande, MS
 Brasil
Gênero(s) Sertanejo, MPB, Seresta e Música Pantaneira
Ocupação(ões) Cantora, Compositora, Multi-Instrumentista, Atriz e Dubladora
Instrumento(s) Voz,Viola, Viola Caipira e Craviola
Página oficial teteespindola.com

Terezinha Maria Miranda Espíndola, mais conhecida como Tetê Espíndola (Campo Grande, 11 de março de 1954), é uma cantora, compositora, multi-instrumentista, atriz e dubladora brasileira, considerada detentora de uma das mais belas e exóticas vozes nacionais.[1]

Biografia e Carreira[editar | editar código-fonte]

Nascida em uma família humilde de Campo Grande, possui sete irmãos: Humberto, Valquíria, Sérgio, Geraldo, Alzira, Marcelo (Celito) e Marcos Jerônimo (Jerry). Vinda de uma tradicional família de artistas, herdou de seus pais, principalmente de sua mãe, dona Alba, a inspiração para a música. Na infância gostava de ouvir música clássica e aos oito anos já apreciava os conjuntos paraguaios que tocavam nas rádios. Ouvia The Beatles, Jovem Guarda, Janis Joplin e Bossa Nova, que marcaram sua adolescência.

É irmã do artista plástico Humberto Espíndola. Foi pelo irmão e pela mãe, Alba Miranda, que começou a se interessar por música. Começou a desenvolver os dons artísticos entre as sessões de teatro que a mãe e o irmão encenavam em casa, para se divertir, e ouvindo rádio. Sua mãe cantava muito em casa, o que a fascinava. Sua veia artística também era influenciada por seus primos trigêmeos que se apresentavam tocando piano a seis mãos. Depois de muito trabalhar, eles conseguiram inclusive tocar para Getúlio Vargas.

O primeiro dos irmãos a introduzir-se na música e aprender a tocar violão foi Sérgio, que ensinou a Geraldo, que por sua vez ensinou à caçula Tetê. Não se adaptando ao violão, ela passou a admirar um outro instrumento musical tocado por Geraldo. Em 1976, Tetê ganhou sua primeira craviola, um instrumento de doze cordas criado pelo cantor e instrumentista Paulinho Nogueira e, que nas palavras de Marta Catunda (2013[2]) "o criador queria um instrumento que transitasse entre a música folclórica (viola caipira), de raiz, mais popular, e a música erudita (alaúde/cravo). Pretendia uma guitarra acústica, meio viola e alaúde, um híbrido de popular/caipira/erudito. Seu sobrinho Stênio Mendes dedicou-se ao instrumento alguns anos. Mas foi Tetê Espíndola que deu vida nova à craviola em sua carreira.Ela vem se dedicando a compor nesse instrumento há mais de 40 anos. A craviola convida para uma exploração mais livre que a do violão por ter um braço mais longo e pela sonoridade de suas cordas oitavadas. É um instrumento que proporciona aberturas inusitadas para a composição harmônica, esta salta do exercício cotidiano de tocar".

Em 1968, os irmãos Tetê, Geraldo, Celito, Sérgio e Alzira, com permissão dos pais, decidiram ganhar dinheiro e trabalhar no que gostavam e assim formaram o grupo LuzAzul e passaram a executar cantorias na estrada que liga Campo Grande a Cuiabá. E foi nos arredores de Mato Grosso do Sul, cantando com os irmãos, de cidade em cidade, que Tetê se descobriu, num local chamado Chapada dos Guimarães. Começou a testar sua voz cantando todos os dias.

Aos 14 anos, Tetê ganhou um festival de música em Campo Grande, com a canção "Sorriso", cuja letra fora escrita pelo irmão. A partir de então, Tetê começou a pensar em seguir carreira em outros estados. Após anos cantando para o público de Campo Grande, em 1977 o Grupo LuzAzul decide ir para São Paulo tentar carreira profissional. Vão primeiro Celito e Tetê. Eles chegam e começam a tocar em bares e boates. Os dois, vendo que estavam se consolidando, abriram espaço para os outros irmãos se transferirem de vez para a Capital Paulista.

Os irmãos fazem testes em diversas gravadoras e acabam aprovados, fechando contrato com a Polygram/Phillips, e a pedidos da própria gravadora, mudam o nome LuzAzul para Tetê e o Lirio Selvagem, lançando assim seu primeiro trabalho em 1978. Em 1979, o grupo de sucesso Tetê e o Lírio Selvagem se desfaz, e a gravadora decide lançar Tetê em um disco solo, Piraretã, em 1980. Esse disco marcou o encontro de Tetê com Arrigo Barnabé. Tetê foi a primeira a gravar uma canção dele, "Tamarana", em parceria com o Paulo Barnabé. A partir daí. os irmãos passam a seguir carreira solo, cada um gravando seus discos, mas os irmãos não pararam de gravar discos juntos.

Em 1981, ao lado de Arrigo Barnabé, defende no MPB Shell a valsa "Londrina", composta por Arrigo, que recebe o prêmio de melhor arranjo por Cláudio Leal. Em 1982, entre muitas experimentações sonoras feitas em de sessões com Stenio Mendes e Theophil Mayer (inclusive com exibição pela TV Cultura em um especial), surge o disco Pássaros na Garganta, lançado pela gravadora Som da Gente, no qual a estética do som é batizada por Arrigo Barnabé de "sertanejo lisérgico".

Em 1985, Tetê vence o Festival dos Festivais da Rede Globo com a canção "Escrito nas estrelas", composição do marido Arnaldo Black com Carlos Rennó. Em 1986, como parte do cronograma da gravadora Barclay/Polygram, segue-se o disco Gaiola, a partir do qual executam uma turnê pelo Brasil. Além de cantar, Tetê também dubla, atua e participou do filme Mônica e a Sereia do Rio (de Maurício de Sousa) dirigido por Walter Hugo Khouri; e faz uma participação no curta Caramujo-Flor, de Joel Pizzini, junto com Almir Sater, Aracy Balabanian, Ney Matogrosso e outros artistas de Mato Grosso do Sul.

Foi a representante brasileira no Festival The Concert Voice, em Roma, no ano de 1988, em sua primeira viagem internacional. Em 1989, canta no New Morning (Paris) e no Festival de Jazz da Bélgica. Com uma bolsa da Fundação Vitae, em conjunto com Marta Catunda e Humberto Espíndola vão à Amazônia numa expedição em busca do "canto do uirapuru". Gravam uma série de sons de pássaros, que depois de catalogado, e parte das experimentações musicais feitas por Tetê na Amazônia, gera o disco Ouvir/Birds (1991).

Tetê passa alguns anos se dedicando à família, e em 1998, junto com a irmã Alzira, gravam o disco acústico só de canções regionais/tradicionais - Anahí. Quando então, aparece o disco Vozvoixvoice, dirigido e produzido por Phillipe Kadosch, no qual o conceito aplica-se em fazer da voz, todos os instrumentos (baixo, bateria, guitarra, sopros, etc.). Em 2003, Tetê participa em dois projetos junto com a família - Espíndola canta e O que virou, e em 2005 lança o disco Zencinema só com canções de Arnaldo Black, seu marido, com quem é casada desde os anos 70, com quem tem um filho, o cantor Dani Black.

Em 2006 e 2007 participa de várias apresentações com a soprano Adélia Issa. Ainda em 2007 lança o disco Evaporar completamente produzido no Mato Grosso do Sul, desde a escolha de músicos à finalização do trabalho. Seu trabalho incorporou pesquisas realizadas com sons de pássaros, influência de temas regionais e fusões do acústico com o eletrônico.

Em 2014, lança pelo selo SESC um álbum duplo, contendo a versão remasterizada do LP Pássaros na Garganta (1982) com o CD inédito Asas do Etéreo (2012) comemorando os 30 de “Pássaros na Garganta” um trabalho histórico, um ícone da MPB, sinônimo de vanguarda e prestígio, deu a Tetê o prêmio da APCA como artista revelação. Uma obra musical que revela a gravura pós-impressionista do Centro-Oeste e teve o importante papel de colocar Tetê em evidência, apontando suas composições inovadoras e uma intérprete rara.

Asas do Etéreo traz composições inéditas uma aventura multitonal e timbrística no encontro com os mais importantes instrumentistas brasileiros, parceiros de sua trajetória musical. Do piano magistral de Egberto Gismonti a escaleta personalíssima de Hermeto Pascoal, alternam-se personalidades da nata musical brasileira como Arrigo Barnabé, Jaques Morelenbaum, DuoFel, Felix Wagner, Paulo Lepetit, Teco Cardoso, Bocato,  Marcelo Pretto e Dani Black. O lançamento do Álbum aconteceu em 2014 com a participação de todos os convidados com sucesso total em duas noites.

Em 2015, participou da canção "Trono de Estudar", composta por Dani Black em apoio aos estudantes que se articularam contra o projeto de reorganização escolar do governo estadual de São Paulo. A faixa teve a participação de outros 17 artistas brasileiros: Chico Buarque, Arnaldo Antunes (ex-Titãs), Tiê, Dado Villa-Lobos (Legião Urbana), Paulo Miklos (Titãs), Tiago Iorc, Lucas Silveira (Fresno), Filipe Catto, Zélia Duncan, Pedro Luís (Pedro Luís & A Parede), Fernando Anitelli (O Teatro Mágico), André Whoong, Lucas Santtana, Miranda Kassin, Helio Flanders (Vanguart), Felipe Roseno e Xuxa Levy.

Em 2017 lança Outro Lugar, um CD com músicas inéditas, sobrepostas por diversos momentos de sua carreira a desaguar em um disco de muitas épocas e lugares - físicos e emocionais. Cada canção propõe a cor e o território em que foi composta: São Paulo, Campo Grande, Bonito, Rondonópolis, Campos do Jordão, Brasília e Paris. São parceiros especiais e de longa data, como Marta Catunda, Bené Fonteles, Arrigo Barnabé e o imortal Manoel de Barros e, também aqueles que há muito são cantados pela intérprete: Geraldo Espindola, Philippe Kadosch e Arnaldo Black, autor da musica que dá o titulo ao CD.

Em cada faixa, um instrumentista convidado, uma tim­brística explorada e uma paisagem sonora percorrida. Da harpa paraguaia ao vibrafone, do piano a cítara, passando pela tampura, ukulele, violão de 7, ao quinteto de cor­das. Únicos, os intrumentos criam a espacialidade e seu universo, porém juntos expandem em gêneros brasilei­ros, por territórios ainda virgens. A produção musical foi dividida com seus parceiros de estrada: o baterista Sandro Moreno, o pianista e sanfoneiro Adriano Magoo e Alex Cavalheri na produção de estúdio. Na mixagem e maste­rização o requinte do francês Phillipe Kadosch, produtor responsável por outros discos em parceria com Tetê.

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • Tetê e o Lirio selvagem (Phillips, 1978)
  • Piraretã (Phillips, 1980)
  • Londrina/Canção dos Vagalumes (Som Livre, 1981)
  • Pássaros na Garganta (Som da Gente, 1982)
  • Escrito nas Estrelas (Single) (Barclay/Polygram, 1985)
  • Gaiola (Barclay/Polygram, 1986)
  • Ouvir - Birds (LuzAzul, 1991)
  • Só Tetê (Camerati, 1994)
  • Canção do Amor (LuzAzul, 1995)
  • Anahi, com Alzira Espíndola (Dabliu/LuzAzul, 1998)
  • Vozvoixvoice (LuzAzul, 2002)
  • Fiandeiras do Pantanal, com Raquel Naveira (LuzAzul, 2002)
  • Espíndola Canta (LuzAzul, 2003/2004)
  • Zencinema (LuzAzul, 2005)
  • Babelyes (MCD World Music/LuzAzul, 2006)
  • eVAporAR (Tratore/LuzAzul, 2007)
  • Asas do Etéreo + Pássaros na Garganta Remasterizado (Selo SESC,2014)
  • ’Outro Lugar (LuzAzul, 2017)

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]