Tomás de Alencar

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Tomás de Alencar
Personagem fictícia de Os Maias
Sexo Masculino
Características Rapaz alto, macilento, de bigodes negros, vestido de negro
Amigo(s) Pedro da Maia, Carlos da Maia
Criado por Eça de Queirós
Romance(s) Os Maias

Tomás de Alencar é uma personagem do livro Os Maias, de Eça de Queirós.

“ "Estendeu silenciosamente dous dedos ao Damaso, e abrindo os braços lentos para Craft, disse n'uma voz arrastada, cavernosa, atheatrada: - Então és tu, meu Craft! Quando chegaste tu, rapaz? Dá-me cá esses ossos honrados, honrado inglez! Nem um olhar dera a Carlos. Ega adiantou-se, apresentou-os: - Não sei se são relações. Carlos da Maia... Thomaz d'Alencar, o nosso poeta...

Era elle! o illustre cantor das Vozes d'Aurora, o estylista de Elvira, o dramaturgo do Segredo do Commendador. Deu dois passos graves para Carlos, esteve-lhe apertando muito tempo a mão em silencio - e sensibilisado, mais cavernoso: - V. ex.ª, já que as etiquetas sociaes querem que eu lhe dê excellencia, mal sabe a quem apertou agora a mão..."”

Os Maias (1888)

É amigo de Pedro da Maia, tendo mais tarde tornado-se, também, amigo de seu filho, Carlos da Maia. Falso moralista e incoerente, que acha o Realismo e o Naturalismo imorais, é desfasado do seu tempo e defensor da crítica literária de natureza acadêmica, preocupando-se, pois, com os aspectos formais e o plágio em detrimento da dimensão temática. É, também, gastrónomo.

Tem uma excitante aparição no sarau de angariação de fundos para as vítimas de cheias (Capítulo XVI), em que recitando um poema que clama a democracia, seus males e bens, e incita os políticos lá presentes, sendo estes os únicos a não apreciarem a sua actuação.

Embora secundária, é uma personagem extremamente importante. É por uma carta dele que Afonso da Maia toma conhecimento de que a nora, Maria Monforte se encontra em Paris e é também ele que, instado, informa que Maria Monforte tinha, no seu «boudoir» um retrato de criança que diz a Alencar ser da filha, que morreu em Londres. Tanto Alencar como Afonso da Maia partem do princípio de que trata da filha mais velha. Afonso da Maia presume assim que a neta morreu.

Caracterização Física Tomás de Alencar era "muito alto, e com uma face encaveirada, olhos encovados, e sob o nariz aquilino, longos, espessos, românticos bigodes grisalhos".

Caracterização Psicológica Era calvo, em toda a sua pessoa "havia alguma coisa de antiquado, de artificial e de lúgubre". Simboliza o romantismo piegas. O paladino da moral. Era também o companheiro e amigo de Pedro da Maia. Eça serve-se desta personagens para construir discussões de escola, entre naturalistas e românticos, numa versão caricatural da Questão Coimbrã. Não tem defeitos e possui um coração grande e generoso. É o poeta do ultra-romantismo.

O escritor Raimundo António de Bulhão Pato considerou que Tomás de Alencar havia sido feito à sua imagem, e exigiu a Eça de Queirós que o não o incluísse, ao que este lhe respondeu, pedindo-lhe que se retirasse da personagem.

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