Ir para o conteúdo

Violência policial no Brasil

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A violência policial no Brasil é apontada como uma das mais graves no mundo,[1][2][3] e as principais vítimas são os negros.[4][5]

Histórico

[editar | editar código]

De acordo com a Anistia Internacional, entre 1999 e 2004, as polícias do Rio de Janeiro e de São Paulo mataram quase 10 mil pessoas em situações descritas como "resistência à prisão seguida de morte".[6]

Mais recentemente, dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul indicaram queda de 141 para 80 mortes por intervenção policial no estado entre 2023 e 2024.[7]

O Observatório das Violências Policiais de São Paulo compilou, entre 2006 e 2010, uma lista mensal[8] de assassinatos por policiais e por homens não identificados e encapuzados em São Paulo. A lista tomou como base as informações da imprensa no período e foi iniciada depois dos atos de violência organizada em 2006 que evidenciaram um modus operandi deste tipo de violência.

"Auto de resistência", que é um caso de exclusão de ilicitude previsto no Código Penal Brasileiro, acabou virando um eufemismo para execuções policiais no Brasil;[9][10][11][12][13] foi tema do documentário Auto de Resistência. Por exemplo, auto de resistência já foi utilizado para justificar até a morte de uma criança de 2 anos de idade pela polícia.[14]

Após os recentes casos de violência policial em São Paulo, Ariel de Castro Alves, especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública pela PUC – SP, criticou no Ponte Jornalismo a atuação política e o modo como os casos são investigados:

Ariel de Castro Alves também responsabilizou Wilson Witzel, João Doria,[nota 1] o Sergio Moro e Jair Bolsonaro pelos casos, acusando de serem "fiadores da violência policial", dado o modo como eles tratam o problema: "Autoridades minimizam violência, abusos e estimulam mortes, e têm como resultado o desvio de função: polícia é para proteger as pessoas, não cometer crimes".[16]

Samira Bueno, doutora em administração pública e diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, declarou: "Se temos problemas com uma polícia violenta, isso só se sustenta porque o Ministério Público continua arquivando [os casos]. Uma coisa não funciona sem a outra".[17] Comentário semelhante veio da a professora do Departamento de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Flavia Medeiros, ao falar sobre o aumento de execuções da PM de Santa Catarina: "É papel do MP [Ministério Público] o controle externo do uso da força, tanto MP quanto judiciário são omissos neste controle. E essa omissão é forma de corroborar com a ação policial"[18]

No Opinião Nacional da TV Cultura, o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Rafael Alcadipani apontou a subcultura de "matar e bater" como um dos fatores responsáveis pelos casos de violência:

Se matar e bater resolvesse, o Brasil seria o país mais seguro do mundo. Não se tem uma ideia profissional de segurança pública, mas uma ideia antiga, como se policiais devessem ser jagunços. (...) A gente observa que as organizações policiais possuem subculturas muito fortes que acabam reforçando a violência do policial. É preciso que a gente mude a lógica do que é ser um policial[19]

Esta lista está incompleta. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-a.
  •  Minas Gerais 7 de outubro de 1963 – A Polícia Militar do Estado de Minas Gerais atira, com metralhadoras, contra os funcionários desarmados da Usiminas que se manifestavam na portaria da empresa. Oito pessoas (incluindo uma criança de colo) morreram. O evento ficou conhecido como Massacre de Ipatinga.
  •  São Paulo 8 de fevereiro de 1989 - Durante uma tentativa de motim nas celas do 42° Distrito Policial do Parque São Lucas, na Zona Leste da cidade de São Paulo, como reação, o Delegado  Carlos Eduardo Vasconcelos, Delegado Titular do 42° Distrito Policial, Celso José da Cruz, investigador que estava no comando no momento da chacina, e o carcereiro Jose Ribeiro, com o auxílio de vários PMs, forçaram através de um “corredor polonês”, 50 detentos a entrarem numa cela forte de um metro por três, dentro da qual foram jogados gases lacrimogêneos. Quando a cela-forte foi aberta, mais de uma hora depois, 18 detentos haviam morrido por asfixia e 12 tiveram de ser hospitalizados. Até a presente data (08/2016), apenas o investigador Jose Ribeiro foi condenado em via definitiva. O Delegado Carlos Eduardo Vasconcelos foi absolvido duas vezes em júri popular, alegadamente por não se encontrar na delegacia na hora do massacre. 
  •  São Paulo 2 de outubro de 1992 – Cento e onze detentos da Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru) são mortos por policiais militares. A intervenção da polícia tinha como justificativa acalmar uma rebelião, mas acabou em uma verdadeira chacina. Sobreviventes afirmam que o número de mortos é superior ao divulgado e que a polícia estava atirando em detentos que já haviam se rendido ou que estavam se escondendo em suas celas. Como consequência do chamado massacre do Carandiru está a fundação do Primeiro Comando da Capital.
  •  Rio de Janeiro 23 de julho de 1993 – Seis crianças de rua são mortas por dois policiais e um ex-policial enquanto dormiam em frente à Igreja da Candelária no Rio de Janeiro. O evento ficou conhecido como chacina da Candelária.
  •  Rio de Janeiro 29 de agosto de 1993 – Após a morte de quatro policiais em 28 de agosto de 1993 no bairro de Vigário Geral, oficiais da Polícia Militar decidem se vingar, e executam vinte e um moradores da favela, numa das maiores chacinas do estado do Rio de Janeiro.
"Massacre de Eldorado dos Carajás" por Carlos Latuff.

Ver também

[editar | editar código]

Policiais

[editar | editar código]

Notas

  1. Em 28 de julho de 2020, artistas e 29 instituições pediram uma audiência com João Doria para apresentar propostas e discutir sobre como combater a violência policial em São Paulo, mas o governador ignorou.[15]

Referências

  1. «Brasil lidera ranking de medo de tortura policial». BBC News Brasil. 6 de maio de 2014. Consultado em 7 de dezembro de 2020
  2. Luís Adorno (14 de junho de 2020). «Violência policial nos EUA e no Brasil é igual, diz professora de Chicago». UOL. Consultado em 7 de dezembro de 2020
  3. Rafael Geyger (1 de dezembro de 2014). «Polícia brasileira mata e morre mais do que em outros países». Terra. Consultado em 7 de dezembro de 2020
  4. «A violência policial contra negros como política de Estado no Brasil». DW. 8 de junho de 2020. Consultado em 7 de dezembro de 2020
  5. RFI (20 de julho de 2020). «Violência policial contra população negra está 'naturalizada' no Brasil». UOL. Consultado em 7 de dezembro de 2020
  6. www.helium.com
  7. «Indicadores Criminais — Mortes por Intervenção Policial». Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul. Consultado em 11 de maio de 2026
  8. Observatório de violências policiais - SP - Lista mensal de assassinatos
  9. de As Carneiro, S.; Birman, P.; Machado, C.; Leite, M.P. (2015). Dispositivos urbanos e trama dos viventes: ordens e resistências. [S.l.]: Editora FGV. p. 426. ISBN 978-85-225-1621-6. Consultado em 22 de junho de 2020
  10. Verani, S. (1996). Assassinatos em nome da lei: uma prática ideológica do direito penal. [S.l.]: Aldebarã. Consultado em 22 de junho de 2020
  11. Cavallaro, J.; US Helsinki watch committee; Manuel, A.; Human Rights Watch/Americas; Americas (1997). Police Brutality in Urban Brazil. Col: Americas Series. [S.l.]: Human Rights Watch. ISBN 978-1-56432-211-1. Consultado em 22 de junho de 2020
  12. Cano, I.; Massini, N. (1997). Letalidade da ação policial no Rio de Janeiro. [S.l.]: ISER. Consultado em 22 de junho de 2020
  13. Carvalho, S.; Justiça Global (Organization) (2003). Execuções sumárias no Brasil, 1997-2003. [S.l.]: Justiça Global. Consultado em 22 de junho de 2020
  14. «Há 23 anos, pai luta para punir PMs por morte de Maicon, de 2 anos; caso foi registrado como 'auto de resistência'». G1. Consultado em 10 de outubro de 2020
  15. «Doria ignora pedido de artistas e movimentos para debater violência da PM». Notícias. UOL. 28 de julho de 2020. Consultado em 2 de agosto de 2020. Cópia arquivada em 2 de agosto de 2020
  16. Ariel de Castro Alves. «Artigo - Bolsonaro, Doria, Witzel e Moro são os fiadores da violência policial». Ponte Jornalismo. Consultado em 28 de junho de 2020. Cópia arquivada em 28 de junho de 2020
  17. «Pontecast - Violência policial: por que acontece e quais os mecanismos de controle». Ponte Jornalismo. Consultado em 9 de julho de 2020. Cópia arquivada em 9 de julho de 2020
  18. «Epidemia de execuções: PM catarinense mata 85% a mais no isolamento social». Ponte Jornalismo. Consultado em 9 de julho de 2020. Cópia arquivada em 9 de julho de 2020
  19. «Se matar e bater resolvesse, o Brasil seria o país mais seguro do mundo", diz professor no Opinião sobre violência policial». TV Cultura. UOL. 2 de setembro de 2020. Consultado em 1 de dezembro de 2020
  20. www1.folha.uol.com.br
  21. noticias.terra.com.br
  22. g1.globo.com
  23. noticias.terra.com.br

Bibliografia

[editar | editar código]