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Língua galo

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Galo

gallo

Falado(a) em: França
Total de falantes: 28.000
Família: Indo-europeia
 Itálico
  Romance
   Ítalo-ocidental
    Ocidental
     Galo-ibérica
      Galo-românica
       Galo-rética
        Oil
         Galo
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
ISO 639-3: fra-gal

Língua galo ou Língua galô (Gallo) é uma língua regional da França. O galô é uma língua românica, uma das línguas d'oïl. É a linguagem histórica da região de Bretanha e algumas porções vizinhas da Normandia, mas hoje é falado por apenas uma pequena minoria da população, tendo sido largamente ultrapassada pelo francês.

O galô foi originalmente falado na Nêustria, correspondente às terras de fronteira da Bretanha e Normandia, e cujo núcleo antigo era Le Mans, Maine.

Características

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Como uma língua d'oïl, faz parte de um dialeto contínuo, que inclui o normando, o picardo e o poitevino, entre outros. Uma das características que o distingue de normando é a ausência de influência do nórdico. Há alguma limitada intercompreensão com as variedades adjacentes da língua normanda ao longo da fronteira linguística e com o Guèrnésiais e o Jèrriais. No entanto, como o contínuo do dialeto pende para o mayennais, há uma isoglossa menos clara. A isoglossa mais clara é a que distingue o galô a partir do bretão, a língua celta tradicionalmente falada no território ocidental da Bretanha.

No oeste, o vocabulário do galô foi influenciado pelo contato com o bretão, mas permanece esmagadoramente latino. A influência do bretão diminui em todo o território leste de língua galô.

Um sinal em galo no Metrô de Rennes

Conforme dados de 1980, a língua galô estende-se desde Plouha (Plóha), Côtes-d'Armor, sul de Paimpol (Paimpol), passando por Châtelaudren (Châtié), Corlay (Corlaè), Loudéac (Loudia), Pontivy (Pontivy), Locminé (Lominoec) e Vannes (Vannes), indo até o sul da península de Rhuys, Morbihan.

Nome da cidade de Loudéac tem seu nome em galo, Loudia, na sinalização

Uma das estações de metrô da capital bretã, Rennes, tem uma sinalização bilíngue em galô e em Francês, mas em geral a língua galô não apresenta grande visibilidade, como ocorre com a língua bretã, mesmo na sua área pátria, o chamado Pays Gallo, o qual inclui duas capitais históricas, Rennes (em galô Resnn, bretão Roazhon) e Nantes (em galô Nauntt, bretão Naoned).

Diferentes dialetos do galô são percebidos, embora haja um movimento de padronização de um modelo influenciado pela forma dialetal da Alta Bretanha.

Embora exista uma certa tradição literária na língua galô, a língua é mais conhecida por estórias extemporâneas e apresentações teatrais. Em função da rica tradição musical da Bretanha, intérpretes contemporâneos produzem canções em galô.

As primeiras evidências de obras em galô datam de 1178 com o livro Le Livre des Manières de Etienne de Fougères, um texto poético de 336 quadras e o mais antigo texto em bretão foi Le Roman d'Aquin, uma canção anônima do século XII transcrita no século XV, mas que não perdera as características de romance medieval da Bretanha. No século XIX, a literatura oral foi coletada por folcloristas como Paul Sébillot, Adolphe Orain, Amand Dagnet e Georges Dottin. Amand Dagnet (1857-1933) também escreveu várias obras originais em língua galô, incluindo uma peça, La fille de la Brunelas (1901).[1]

Nos anos 1960 iniciaram-se esforços para estimular a literatura galô e, em 1979, Alan J. Raude publicou uma proposição de ortografia padrão para a língua.[2]

A escrita do galô não apresenta a letra K. Usa extensivamente as formas consoantes Bll, Cll, Fll, Gll, Pll e também Ç, Ch, Gn, Ll, Qh.

As vogais convencionais do alfabeto latino ou nas formas ou formações ë, é, è, eu, eû – iao – ô, ô, ou, oué – û ; e com pronúncias especiais os grupos aeh, am/an, aim/ain, em/en, eim/ein, im/ien, im/in, om/on, um/un.

Sinal bilíngue no metrô de Rennes
  • Of Pipers and Wrens (1997). Produzido por Gei Zantzinger, colaboração de Dastum. Lois V. Kuter, consultor etnomusical. Devault, Pennsylvania: Constant Spring Productions.
Português Galô Francês
(à) tarde vêpré après-midi (archaic: vêprée)
macieira pommieu pommier
abelha avètt abeille
cidra cit cidre
cadeira chaérr chaise
queijo fórmaij fromage
saída desort sortie
cair cheir tomber (arcaico: choir)
cabra biq chèvre (gíria: bique)
ele (obj. indir.) li lui
casa ostèu maison (arcaico: hostel)
menino (a) garsaille gosse
lábio lip lèvre
talvez vantiet peut-être
boca góll bouche (gueule = goela)
agora astour maintenant (à cette heure)
número limerot numéro
pera peirr poire
escola escoll école
esquilo chat-de-boéz (lit. "gato das matas") écureuil
estrela esteill étoile
horário orier horaire
fumar betunae fumer (arcaico: pétuner)
hoje anoet aujourd'hui (arcaico: hui)
assobiar sublae siffler
com ô ou côteu avek avec

Notas

  1. Bourel, Claude (2001). Contes et récits du Pays Gallo du XIIe siècle à nos jours. Fréhel: Astoure. ISBN 2845830262 
  2. Paroles d'oï – 1994- Edit. Geste/ Mougon isbn 290506195

Ligações externas

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