Alexandre Pushkin

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Aleksandr Sergeevich Pushkin
Алекса́ндр Серге́евич Пу́шкин
Aleksandr Pushkin por Vasily Tropinin
Nascimento 6 de Junho de 1799
Moscou, Rússia
Morte 10 de Fevereiro de 1837 (37 anos)
São Petesburgo, Rússia
Nacionalidade Russo
Ocupação Poeta, dramaturgo
Assinatura
Pushkin Signature.svg

Alexander Sergueievitch Pushkin (em russo: Алекса́ндр Серге́евич Пу́шкин; Moscovo, 6 de Junho de 1799São Petersburgo, 10 de Fevereiro de 1837) foi um romancista e poeta russo da era romântica[1] que é considerado por muitos como o maior poeta russo[2] [3] [4] [5] e fundador da moderna literatura russa.[6] [7] Pushkin foi pioneiro no uso do discurso vernacular em seus poemas e peças teatrais, criando um estilo de narrativa que misturava drama, romance e sátira associada com a literatura russa, influenciando fortemente desde então os escritores russos seguintes. Ele também escreveu ficção histórica. Sua Marie: Uma História de Amor Russa fornece uma visão da Rússia durante o reinado de Catarina, a Grande.

Entre suas obras mais conhecidas encontram-se O prisioneiro do Cáucaso, Eugene Onegin, A história da revolta de Purgatief e O Cavaleiro de Bronze. Escreveu poemas, novelas e peças teatrais.

Biografia[editar | editar código-fonte]

O pai de Pushkin, Sergei Lvovich Pushkin (1767-1848), descendia de uma ilustre família da nobreza russa cuja linhagem conhecida remonta ao século XII.[8] [9] Sua mãe, Nadezhda (Nadja) Ossipovna Hannibal (1775-1836) descendia por parte de sua avó paterna das nobrezas alemã e escandinava.[10] [11] Era filha de Ossip Abramovich Gannibal (1744-1807) e sua esposa Maria Aleksejevna Pushkina (1745-1818). O pai de Ossip Abramovich Gannibal, ou seja, o bisavô de Pushkin, foi Abram Petrovich Gannibal (1696-1781), um escudeiro promovido por Pedro, o Grande, que havia nascido em uma vila chamada Lagon, atual Eritreia.[8] [9] [10] [11] [12] [13] [14] Após a educação na França como um engenheiro militar, Abram Gannibal tornou-se governador de Reval e, posteriormente, general-chefe para a construção de fortes marítimos e canais na Rússia.

Aleksandr Sergueievitch Pushkin publicou seu primeiro poema com quinze anos de idade e foi largamente reconhecido nos meios literários antes mesmo de sua graduação no Imperial Lyceum, localizado no Tsarskoe Selo, a vila real de então. Considerado o maior dos poetas russos e o fundador da literatura russa moderna, foi pioneiro no uso da língua coloquial em seus poemas e peças, criando um estilo narrativo - mistura de drama, romance e sátira - como poeta, fazia uso de expressões e lendas populares, marcando os seus versos com a riqueza e diversidade do idioma russo. Influenciou autores como Gogol, Liermontov e Turgeniev formando com os mesmos a famosa plêiade russa de autores. A Gogol, pela amizade e projeto mútuo de desenvolvimento de uma literatura autenticamente russa, Pushkin lega algumas ideias como a da peça teatral O inspetor geral. Gogol pediu uma comédia ao amigo, e Pushkin passou horas detalhando uma história como a "fábula fiscal" do Inspetor Geral. Quando Gogol pediu um drama denso, Pushkin detalhou a ele um golpe de alguns senhores feudais russos que visava a obter recursos do Governo, para "investimentos", apresentando documentos de escravos já falecidos como se ainda vivos fossem. Tal ideia foi desenvolvida na grande obra de Gogol Almas Mortas, inacabada.

Devido às suas ideias progressistas, tendo sido amigo de alguns dezembristas, responsáveis por uma tentativa de golpe contra o czar Alexandre I, foi desterrado, vagando, entre 1820 e 1824, pelo sul do Império Russo. Sob severa vigilância dos censores estatais e impedido tanto de viajar quanto de publicar, ele escreve sua mais famosa peça, Boris Godunov, em que evidencia a influência de Shakespeare o qual só pode ser publicada anos depois. Escreveu o romance em verso, Eugene Onegin, um retrato panorâmico da vida russa em que introduziu elementos que o levaram a designar o seu estilo como "romantismo realista", russo do século XIX, depois musicado por Tchaikovsky; foi publicada em folhetins entre 1825 e 1832.

No decurso deste período, compôs diversos poemas de influência byroniana, dentre os quais se destacam O prisioneiro do Cáucaso, A fonte de Baktchisarai e Os ciganos.

Em 1826, recebeu o perdão do Czar, regressando a Moscovo. Dois anos depois, escreveu Poltav, uma epopeia que narra a história de amor do cossaco Mazeppa. Cultivando, cada vez mais, a prosa, alcançou grande sucesso com obras como Contos de Belkin, A Dama de Espadas e A Filha do Capitão.

Alexander Puchkin.

Pushkin e sua esposa Natalya Goncharova, com quem se casou em 1831, tornar-se-iam regulares frequentadores da corte. Em 1837, ao cair nos cada vez mais insistentes boatos de que sua esposa começara um escandaloso caso extra-conjugal, Pushkin desafiou o dito amante, Georges d'Anthès, para um duelo. Mortalmente ferido em consequência deste, Pushkin faleceria dois dias depois. Encontra-se sepultado no Svyatogorsk monastery Cemetery, Pushkinskiye Gory, Pskovskaya Oblast' na Rússia.[15]

Por causa de seus ideais políticos liberais e sua influência sobre gerações de rebeldes russos, Pushkin foi retratado pelos bolcheviques como opositor da literatura e da cultura burguesas e um antecessor da literatura e da poesia soviéticas.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • FEINSTEIN, Elaine (ed.): After Pushkin: versions of the poems of Alexander Sergeevich Pushkin by contemporary poets. Manchester: Carcanet Press; London: Folio Society, 1999 ISBN 1-85754-444-7
  • VITALE, Serena: Pushkin's button; transl. from the Italian by Ann Goldstein. New York: Farrar, Straus & Giroux, 1998 ISBN 1-85702-937-2
  • WOLF, Markus: Freemasonry in life and literature. With an introduction to the history of Russian Freemasonry (in German). Munich: Otto Sagner publishers, 1998 ISBN 3-87690-692-X
  • LOTMAN, Yuri: Пушкин. Биография писателя. Статьи и заметки. Disponível online: [1]
  1. ^ TROYAT, Henri (1957). "Pushkin's Ethiopian Ancestry". Ethiopia Observer 6.
  2. ^ Black Russian - A Review by Andrew Kahn of Hugh Barnes' Gannibal: The Moor of Petersburg.
  3. ^ BARNES, Hugh. Gannibal: The Moor of Petersburg, London 2005, p. 4.
  4. ^ GNAMMANKOU, Dieudonné. Abraham Hanibal - l’aïeul noir de Pouchkine, Paris 1996, p. 129.
  5. ^ BARNES, Hugh. Gannibal: The Moor of Petersburg, London 2005, p. 219.

Notas

  1. Basker, Michael. Pushkin and Romanticism. In Ferber, Michael, ed., A Companion to European Romanticism. Oxford: Blackwell, 2005
  2. Pequena biografia feita pela University of Virginia]. Faculty.virginia.edu. Página visitada em 24 de novembro de 2006.
  3. Allan Reid, "Russia's Greatest Poet/Scoundrel"] (em inglês). Worldandi.com. Página visitada em 2 de setembro de 2006.
  4. BBC News, 5 June 1999, "Pushkin fever sweeps Russia"] (em inglês). News.bbc.co.uk. Página visitada em 1 de setembro de 2006.
  5. BBC News (em inglês). News.bbc.co.uk (10 de junho de 2003"Biographer wins rich book price"]). Página visitada em 1 de setembro de 2006.
  6. Biografia de Pushkin no Russian Literary Institute "Pushkin House"]. Pushkinskijdom.ru. Página visitada em 1 de setembro de 2006.
  7. Maxim Gorky, "Pushkin, An Appraisal"]. Marxists.org. Página visitada em 1 de setembro de 2006.
  8. a b Aleksander Sergeevich Pushkin's descendants at. Genealogics.org. Página visitada em 2010-03-02.
  9. a b Н. К. Телетова [N. K. Teletova] (2007
  10. a b Лихауг [Lihaug], Э. Г. [E. G.]. (2006). "Предки А. С. Пушкина в Германии и Скандинавии: происхождение Христины Регины Шёберг (Ганнибал) от Клауса фон Грабо из Грабо [Ancestors of A. S. Pushkin in Germany and Scandinavia: Descent of Christina Regina Siöberg (Hannibal) from Claus von Grabow zu Grabow]". Генеалогический вестник [Genealogical Herald].–Санкт-Петербург [Saint Petersburg] 27 p. 31-38.
  11. a b Lihaug, Elin Galtung. (2007). "Aus Brandenburg nach Skandinavien, dem Baltikum und Rußland. Eine Abstammungslinie von Claus von Grabow bis Alexander Sergejewitsch Puschkin 1581–1837". Archiv für Familiengeschichtsforschung 11 p. 32-46.
  12. Smith, Homer. (1957). "Hannibal and Russian Arms". Ethiopia Observer 6 (julho).
  13. Troyat, Henri. (1957). "Pushkin's Ethiopian Ancestry". Ethiopia Observer 6.
  14. Dieudonné Gnammankou, Abraham Hanibal — l’aïeul noir de Pouchkine, Présence Africaine Éditions, Paris 1996. ISBN 2-7087-0609-8
  15. Alexandre Pushkin (em inglês) no Find a Grave.

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