António Pereira de Eça

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António Júlio da Costa Pereira d'Eça GCIC (31 de Março de 1852Lisboa, 6 de Novembro de 1917), conhecido como General Pereira d'Eça, foi um general de Artilharia do Exército Português, administrador colonial e Ministro da Guerra (1914-1915) durante a Primeira República Portuguesa[1] .

Biografia[editar | editar código-fonte]

António Júlio da Costa Pereira d'Eça nasceu no ano de 1852. Frequentou o Colégio Militar. Assentou praça no Exército Português em 22 de Julho de 1869. Concluiu o curso de Artilharia e foi promovido a alferes em 27 de Dezembro de 1876.

Ao longo da sua carreira desempenhou diversas missões na administração colonial portuguesa: no posto de capitão integrado numa força expedicionária, foi nomeado, por indicação de Mouzinho de Albuquerque, governador do distrito de Lourenço Marques (1896), participando nos combates do Mapulanguene (Moçambique) em 1897; no posto de major, foi chefe do estado-maior em Cabo Verde (1903); e governador-geral de Angola (1915-1916), período em que comandou as tropas portuguesas que foram enviadas como reforço após o Combate de Naulila e a revolta dos povos indígenas que se lhe seguiu.

Em Portugal, combateu as incursões monárquicas após a implantação da República Portuguesa, período em que prestou relevantes serviços ao novo regime, por ter impedido o alastramento de actos de rebelião em Viana do Castelo. Em 1913 foi promovido a general, sendo director do Arsenal do Exército[2] .

A 9 de Fevereiro de 1914 foi nomeado Ministro da Guerra, cargo que ocupava quando irrompeu a Primeira Guerra Mundial. Foi defensor da participação portuguesa na guerra europeia que então eclodiu ao lado dos Aliados, porém, nem todos a maioria governamental discorda dessa posição, sendo a participação adiada. Em consequência, Pereira de Eça é exonerado a 12 de Dezembro de 1914, regressando às suas funções militares[2] .

Quando aumentou o perigo das incursões alemãs no sul de Angola, em Fevereiro de 1915, o Governo Português reconheceu a conveniência de colocar um oficial general ao comando das operações militares naquela região. O General Pereira d'Eça foi então escolhido pelo governo ditatorial de Pimenta de Castro para substituir Alves Roçadas e partiu para Angola, chegando a Luanda a 21 de Março de 1915 com as funções de novo governador de Angola e de comandante das forças expedicionárias, cargo no qual substituiu o general Norton de Matos[1] .

Logo a 7 de Julho daquele ano as forças portuguesas reocupam Humbe, no sul de Angola, sem encontrarem resistência. Como a 9 de Julho as forças militares do Sudoeste Africano Alemão, comandadas pelo general Victor Franke, se renderam ao general Louis Botha, comandante-em-chefe das forças da União Sul-Africana, a missão do general Pereira d'Eça passa a ser a submissão dos povos indígenas, liderados por Mandume Ya Ndemufayo, que se haviam rebelado contra a presença portuguesa na região.

Rendida a colónia alemã, a 15 de Agosto uma coluna das forças do comando do general Pereira d'Eça, agora com a missão única de acabar com a revolta das populações da Huíla, reocupa o forte do Cuamato e entre 18 e 20 de Agosto dá-se o combate de Mongua, no qual a principal coluna das forças expedicionárias, comandada pelo general Pereira d'Eça, dispersa um ataque das forças locais contra os depósitos de água de Mongua, ocupadas no dia anterior[3] . A vitória portuguesa neste recontro marca o fim da rebelião, que nas semanas seguintes foi completamente dominada, iniciando um período de relativa pacificação que, após a morte de Mandume em 1917, se manteria por mais de 40 anos até à década de 1960, quando a resistência armada à presença portuguesa se reacendeu no contexto da Guerra Colonial Portuguesa.

Terminada a pacificação do sul de Angola, o general Pereira d'Eça regressou doente e esgotado a Lisboa. A 16 de Novembro de 1915 tomou posse do comando da 1.ª Divisão do Exército, em Lisboa, cargo em que faleceu em 1917, no posto de general[1] .

A 14 de Julho de 1932 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Império Colonial.[4]

O seu nome ficou ligado à Marinha, atendendo ao facto de, durante a sua comissão no sul de Angola, ter tido sob o seu comando o Batalhão de Marinha, comandado pelo primeiro-tenente Afonso Cerqueira, cuja actuação mereceu da sua parte diversas distinções. No seu testamento legou à Armada Portuguesa a sua espada, a qual se encontra no Museu de Marinha, em Lisboa. A Marinha dedicou-lhe a corveta NRP General Pereira d'Eça[2] .

O nome de vila Pereira d'Eça, a actual cidade de Ondjiva, foi dado a uma localidade do sul de Angola, na região do Cunene, a cerca de 13 km da fronteira com a Namíbia. Tem o seu nome numa rua de Alcanena.

Notas

  • Alberto de Almeida Teixeira, O general Pereira de Eça no Cuanhama. Colecção pelo Império, n.º 16, Divisão de Publicações e Biblioteca, Agência Geral das Colónias (Lisboa), 1935.
  • Pereira de Eça, A campanha do sul de Angola. Relatório do general Pereira de Eça, com um estudo politico de João de Castro, e uma carta do general João Jalles. Lisboa, Tip. Lusitânia, 1922.
  • Pereira de Eça, Campanha do sul de Angola em 1915; relatório do general Pereira de Eça. Lisboa, Imprensa Nacional, 1923.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]