Astérix entre os Belgas

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Astérix entre os Belgas é o vigésimo-quarto livro da série Astérix, por René Goscinny (histórias) e Albert Uderzo (ilustrações).

Foi a última história de Astérix em que Goscinny trabalhou. A atmosfera de chuva na segunda metade da aventura, quando Astérix e Obélix partem para falarem com César, é uma reflexão do luto por causa da morte de Goscinny.

História[editar | editar código-fonte]

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Depois de lutar contra os belgas no Norte da Gália, César diz que eles são o inimigo mais bravo contra quem ele alguma vez lutou (César realmente disse isto). Os soldados dele concordam, dizendo que, comparado a lutar com os belgas, estar no acampamento fora da aldeia de Astérix é o equivalente a estar de férias.

O chefe Abraracurcix está chocado perante a ideia que a sua aldeia, que tem sido o terror dos Romanos durante anos, é agora vista como relativamente inofensiva. Fica ainda mais indignado quando ouve o comentário de César. Afirmando que os seus aldeões são de facto os homens mais bravos da Gália, Abraracurcix parte para a Bélgica. Um Astérix e Obélix relutantes acompanham-no.

Depois de atravessarem a fronteira, encontram uma aldeia de belgas que confia na força bruta (e numa dieta regular de cerveja e carne) para repelir as tropas romanas. Estes belgas são comandados por dois chefes.

Para provar que os Gauleses são os mais bravos, Abraracurcix propõe uma competição. O concurso consiste em pilhar e destruir acampamentos romanos. O próprio César vai à Bélgica para restaurar a ordem, ignorante do facto de que tudo aquilo é para ele decidir de uma vez por todas qual tribo é a mais valente.

Indignado por ser reduzido, nos olhos dos gauleses e dos belgas, a um mero árbitro, César declara furiosamente que ele os vai encontrar em batalha. Os belgas dizem aos gauleses para ficarem longe, visto que agora é puramente um problema local.

Através do uso de catapultas a batalha vai a favor dos romanos no princípio. Mas os gauleses, com a poção mágica deles, juntam-se aos belgas e, combinando os seus esforços, saem vitoriosos.

César decide voltar para Roma. No seu caminho de volta, ele encontra os chefes dos gauleses e belgas. César anuncia orgulhosamente que ele vai sacrificar a sua vida, mas eles dizem que apenas estão ali para o lembrar da competição e para ele escolher o mais bravot. Zangado, César declara que ambos são loucos e parte.

Os dois chefes riem da situação. Chegam à conclusão que são todos igualmente bravos e, depois de um banquete de vitória, separam-se em bons termos.

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • Piadas sobre os Belgas ainda são contadas nos Países Baixos e na França. Na França até têm um nome especial ("les histoires Belges" - "histórias sobre Belgas"), da mesma maneira que em Portugal há anedotas sobre alentejanos. Em contraste, no livro as piadas são sobre força física (e grande apetite), enquanto actualmente as piadas são sobre a (suposta) estupidez belga.
  • O legionário romano que vai dar um passeio é uma caricatura de Pierre Tchernia.
  • No livro, o estereótipo dos belgas não gostarem de ser patronizados, oprimidos ou vistos inferiormente é satirizado. A Bélgica foi conquistada inúmeras vezes na história.
  • A maneira belga de falar também é imitada: Na versão francesa, usa-se "une fois" ("uma vez", no contexto "Diz-me uma vez o que vais fazer?") muitas vezes. O uso da palavra formal "você/vós" (em holandês "u", francês "vous") e o "tu" mais comum ( Holandês "jij", Francês "toi") também é imitado. Os flamengos e os valões usam a versão formal mais frequentemente, mesmo quando falam com amigos e parentes. O facto de os valões usarem o verbo "savoir" (saber) em vez de "pouvoir" (poder) também é satirizado. Finalmente, os autores ridiculam a expressão "ça est", que é usada em vez de "c'est" (em Português, seria como dizer "de aquele" em vez de "daquele").
  • A pergunta do Obélix sobre o almoço belga é uma referência á diferença entre os nomes das refeições em França e na Bélgica. Na França, pequeno-almoço, almoço e jantar são chamados "le petit déjeuner", "le déjeuner" e "le dîner", enquanto na Wallonia são "le déjeuner", "le dîner" e "le souper".
  • Fiel à geografia da região, a paisagem belga é mostrada como larga e plana. Contudo, isto é um exagero, pois a Bélgica tem florestas, colinas e pequenas montanhas em Ardennes.
  • Um dos chefes Belgas chama-se Gueselambix na versão original, uma referência à cerveja Belga Gueuze Lambic.
  • O comentário do chefe Belga, "Oué, dans ce plat pays qui est le mien, nous n'avons que des oppidums pour unique montagnes." ("No meu país plano, ópidos são as únicas montanhas que temos.") é uma referência à canção le Plat Pays pelo cantor belga Jacques Brel. Nesta canção sobre o país plano dele, ele canta "catedrais são as únicas montanhas que o meu país tem".
  • A mulher de um dos chefes é uma caricatura da famosa actriz e cantora belga Annie Cordy.
  • A cena onde Astérix está espantado com a quantidade de comida consumida pelos belgas satiriza a reputação dos belgas como amantes do prazer e dos seus produtos alimentares famosos (ver culinária da Bélgica), como batatas fritas, couves de Bruxelas, waterzooi e mexilhões.
  • O facto dos Belgas terem dois chefes refere-se não só às campanhas de César na área contra dois chefes, (Ambiorix e Catavolcus), mas mais simbolicamente à natureza dual da Bélgica moderna, composta pelos flamengos que falam holandês, e pelos valões que falam francês na Valónia. (O site ([1] usa Gueselambix como ícon para a sua versão holandesa). O país é bem conhecido pela sua comunidade bilingue, e problemas causados por isso. A certa altura, os dois chefes belgas brigam por causa de uma língua de boi. A mulher de um deles acaba a discussão e dis a Astérix: "Todos os dias há um problemas de língua entre estes dois!...
  • Dupond e Dupont, da BD Tintin, aparecem também. Para estes dois, Uderzo até usou o estilo de Hergé, ligne claire, bem diferente do seu próprio estilo. Isto também adere ao facto da Bélgica ter uma das maiores indústrias de banda desenhada.
  • Quando Astérix pede uma bandeira branca a um casa, a esposa dá-lhe tecido, que parece a famosa renda feita em Bruges.
  • O menino que precisa de ir à casa de banho é o famoso Manneken Pis.
  • O corredor rápido é o famoso campeão ciclista Eddy Merckx.
  • A batalha inteira entre César e os belgas é uma paródia da Batalha de Waterloo. A chegada a cavalo de César parece uma pintura de Ernest Meissonier de Napoleão e as suas tropas. As acções durante a batalha são acompanhadas por um texto em pergaminho, uma paródia de "Chatiments" por Victor Hugo.
  • O ataque surpresa de Astérix, Obélix e Abraracurcix quando César quase ganha a batalha copia os reforços enviados por Gebhard Leberecht von Blücher, que surpreendeu Napoleão completamente em Waterloo.
  • As pedras redondas que são disparadas pelas catapultas são uma alusão ao Atomium.
  • A cena final em que os gauleses festejam com os belgas é uma paródia do "Casamento de Camponeses" pelo artista Pieter Bruegel the Elder.
  • A cerca de dois terços do livro, Goscinny morreu. Desse ponto em diante, o tempo fica chuvoso e as cores são muito mais escuras, comparadas com o resto do livro.
  • Durante a grande batalha no fim, há um poema inserido na acção que enumera certos tipos de legionários romanos, como hastados, triários, príncipes e vélites. Estes títulos eram do tempo da velha república, quando o exército romano consistia de soldados-cidadãos mas não de uma força militar fixa. Estes títulos já não eram oficiais, excepto para pelotões de centuriões, desde as reformas militares de Mário em 107 d.C., ou seja, 57 anos antes do tempo em que decorre a história.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]