Couraçado Classe Yamato

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Classe Yamato
Yamato durante seus testes, 1941.
Yamato durante seus testes, 1941.
Origem    Bandeira do país de origem
Construtor Kure Kaigun Kōshō
Yokosuka Kaigun Kōshō
Em serviço 1941–1945
Utilizadores Naval Ensign of Japan.svg Marinha Imperial Japonesa
Tipo Couraçado
Características gerais
Deslocamento 71 111 t (normal)
73 000 t (carregado)
Comprimento 263 m
Boca 38.9 m
Calado 10.4 m
Propulsão 12 caldeiras Kanpon
4 turbinas a vapor
4 hélices de três lâminas
Velocidade 27 nós (50 km/h)
Autonomia 7 200 milhas náuticas (13 000 km) à 16 nós (30 km/h)
Armamento 9 canhões de 460 mm
12 canhões de 155 mm
12 canhões de 127 mm
24 canhões de 25 mm
26 canhões de 13 mm
Aeronaves 4 Aichi E13A e 3 Mitsubishi F1M
47 aeronaves (Shinano)
Tripulação 2767

Os Couraçados Classe Yamato (em japonês: 大和型戦艦, transl. Yamato-gata senkan) eram navios de guerra da Marinha Imperial do Japão (IJN) construídos e operados durante a Segunda Guerra Mundial. Pesando 73000 toneladas, os navios dessa classe eram os maiores, mais pesados e armados já construídos. A classe carregava a maior artilharia naval já equipada em um navio de batalha, nove canhões navais 40cm/45 Type 94 de 460mm, cada um capaz de atirar 1360kg de projéteis a mais de 42 km. Dois couraçados da classe (Yamato e Musashi) foram construídos e concluídos, enquanto um terceiro (Shinano) foi convertido em um porta-aviões durante sua construção.

Devido à ameaça dos submarinos e porta-aviões norte-americanos, tanto Yamato como Musashi passaram a maior parte de suas carreiras em bases navais de Brunei, Truk e Kure—estando diversas vezes à disposição em defesas contra assaltos americanos em bases japonesas —antes de participar da Batalha do Golfo de Leyte, como parte da Força Central do Almirante Kurita. Musashi foi afundado durante o curso da batalha por aeronaves vindas dos porta-aviões americanos. Shinano foi afundado dez dias depois de sua convocação em novembro de 1944 pelo submarino USS Archer-Fish, enquanto Yamato foi afundado em abril de 1945 durante a Operação Ten-Go.

Na véspera da ocupação do Japão pelos aliados, oficiais do serviço especial da Marinha Imperial do Japão destruíram todos os relatórios, desenhos, maquetes e fotografias dos Couraçados Classe Yamato e relacionados, deixando apenas registros fragmentados das características do design e outras questões técnicas. A destruição desses documentos foi tão eficiente que até 1948 as únicas imagens conhecidas de Yamato e Musashi foram aquelas obtidas pelos aviões que auxiliavam a Marinha dos Estados Unidos nos ataques contra os dois navios. Apesar de algumas fotografias e informações adicionais de documentos que não foram destruídos terem vindo à tona durante os anos, a perda da maioria dos registros escritos dificulta maiores pesquisas sobre a classe Yamato.[1] [2] Por causa da falta de documentos escritos, boa parte das informações sobre a classe veio de entrevistas com oficiais japoneses após a rendição do Japão.[3]

Primeiramente[editar | editar código-fonte]

A criação dos couraçados da classe Yamato foi motivada pelos movimentos expansionistas do governo japonês, pelo poder industrial do Japão e a necessidade de uma frota poderosa o suficiente para intimidar possíveis adversários.[4]

Ao final da Primeira Guerra Mundial, diversas marinhas — incluindo as dos Estados Unidos, do Reino Unido e do Japão Imperial — continuaram e expandiram programas de construção que começaram durante o conflito. Os enormes custos associados a esses programas pressionaram seus governantes a iniciar uma conferência de desarmamento. Em 8 de julho de 1921, o Secretário de Estado norte-americano Charles Evans Hughes convidou delegações das maiores potências navais — França, Itália, Japão e Reino Unido —a comparecer em Washington e discutir um fim para a corrida armamentista naval. A subsequente Conferência Naval de Washington resultou no Tratado Naval de Washington. Junto com outras providências, o tratado limitou todos os futuros navios de guerra a um peso padrão de 36000 toneladas e um calibre máximo de 406mm. Foi também acordado que os cinco países não construiriam mais navios de batalha por dez anos e não substituiriam nenhum navio anterior ao tratado que tivesse menos de vinte anos.[5] [6]

Na década de 1930, o governo do Japão começou a rumar para um ultranacionalismo.[7] Esse movimento clamava pela expansão do Império do Japão por todo o Oceano Pacífico e o Sudeste asiático. A manutenção desse império — de 4800km da China até a Ilha Midway — requeria uma grande frota capaz de guardar todo esse território japonês.[8] Apesar de todos os couraçados japoneses anteriores aos da classe Yamato terem sido construídos antes de 1921—pois o Tratado de Washington proibiu a construção de novas embarcações — todos foram ou reconstruídos ou consideravelmente modernizados, ou as duas coisas, nos anos 1930.[9] Essa modernização permitiu, entre outras coisas, mais velocidade e poder de fogo, que os japoneses pretendiam usar para conquistar e manter seu desejado império.[10] Quando o Japão abandonou a Liga das Nações em 1934 depois do Incidente de Mukden, também renunciou a todas as obrigações dos tratados que assinara.[11] Isso significa que não havia mais as limitações desses tratados para a construção de navios e portanto o Japão estaria livre para produzir navios maiores do que os das demais potências navais.[12]

Um desenho do couraçado Musashi em outubro de 1944

Como a necessidade do Japão manter colônias produtoras de recursos levou à possibilidade de confronto com os Estados Unidos,[13] os norte-americanos se tornaram os maiores inimigos potenciais dos japoneses. Todavia, os EUA possuíam um poder industrial significantemente maior do que o do Japão, com 32.2% da produção industrial mundial, comparado a 3.5% do Japão.[14] Além disso, alguns líderes do Congresso dos Estados Unidos pretendiam "superar o Japão em três para um na corrida naval."[15] Consequentemente, o poder industrial japonês jamais poderia competir com a força estadunidense,[4] portanto os projetos estipulavam que os novos couraçados deveriam ser individualmente superiores às suas contrapartes da Marinha dos Estados Unidos.[16] Cada um desses navios planejados seria capaz de combater diversas embarcações simultaneamente, eliminando a necessidade de despender o mesmo esforço dos EUA na construção dos couraçados.[4] Vários comandantes militares e navais do Japão esperavam que essas embarcações fossem capazes de intimidar os Estados Unidos contra eventuais tentativas de apaziguar o expansionismo japonês no Pacífico.[17]

Design[editar | editar código-fonte]

Os primeiros estudos para uma nova classe de couraçados começaram após a saída do Japão da Liga das Nações e a consequente renúncia aos tratados navais de Washington e Londres; de 1934 a 1936, 24 projetos iniciais foram criados. Esses primeiros planos variavam bastante em questão de armamento, propulsão, resistência e couraças. As baterias principais oscilavam entre canhões de 460mm e 410mm, enquanto os armamentos secundários eram compostos por canhões de 155mm, 127mm e 25mm. A propulsão na maior parte dos projetos era um híbrido diesel-turbina, embora um utilizasse apenas diesel e um outro, só as turbinas. A resistência nos projetos tinha, a 18 nós (33km/h), um mínimo de 11000km no projeto A-140-J2 para um máximo de 17000km nos projetos A-140A e A-140-B2. A couraça variava entre oferecer proteção contra o fogo dos canhões de 410 mm e proteção suficiente contra canhões de 460 mm.[18]

Depois que estes foram revistos, dois dos 24 originais foram considerados possibilidades, A-140-F3 e A-140-F4. Diferindo primeiramente em seus alcances (9100km contra 13300km a 16 nós (30km/h)), foram utilizados na formação do estudo preliminar final, que foi finalizado em 20 de julho de 1936. Pequenos ajustes no projeto levaram ao design definitivo de março de 1937,[19] levado adiante pelo Contra-Almirante Keiji Fukuda;[20] uma resistência de 13300km foi finalmente decidida, e a propulsão hibrida diesel-turbina foi abandonada em favor de apenas turbinas. O diesel foi removido do design por problemas com os motores a bordo dos submarinos auxiliares Classe Taigei.[19] Seus motores, que eram similares aos que seriam montados nos novos couraçados, requeriam um "maior esforço de reparo e manutenção"[21] para mantê-los funcionando devido a um "defeito fundamental no design".[21] Além disso, se os motores falhassem completamente, a couraça de 200mm protetora do navio simplesmente dificultaria qualquer tentativa de reparo.[22]

O design final optou por um peso padrão de 65000t e um peso total, com lotação completa, de 71111t,[23] fazendo dos navios dessa classe os maiores couraçados já concebidos, e os maiores couraçados construídos de até então. O modelo continha um armamento principal de nove canhões navais de 460mm, montados em três torres triplas — cada um pesando mais do que um destróier da década de 1930.[20] Os projetos logo foram aprovados pelo alto comando naval japonês,[24] apesar da objeção de aviadores navais, que preferiam a construção de porta-aviões em vez de couraçados.[25] [A 1] No total, cinco couraçados da classe Yamato foram planejados.[4]

Navios[editar | editar código-fonte]

Yamato e Musashi ancorados nas águas das Ilhas Truk em 1943

Apesar de cinco embarcações classe Yamato terem sido planejadas em 1937, só três — dois couraçados e um porta-aviões — foram concluídos. Os três foram construídos em extremo segredo, para impedir os oficiais da inteligência estadunidense de saber da sua existência e suas características;[4] Assim, a Oficina de Inteligência Naval dos Estados Unidos só ficou sabendo de Yamato e Musashi no final de 1942. Nesse primeiro tempo, suas suposições sobre as especificidades da classe estavam bem distantes da realidade; enquanto estavam corretos sobre o tamanho, acreditavam que a classe possuía torres de 34m (na verdade, eram mais ou menos 39m) e um peso de 40000–57000 toneladas (na verdade, 69000 toneladas). Além disso, o principal armamento do couraçado classe Yamato foi interpretado como nove canhões de 41cm até julho de 1945, quatro meses após o afundamento do Yamato.[26] [27] Tanto o Jane's Fighting Ships como a mídia ocidental erravam as características dos navios. Em setembro de 1944, o Jane's Fighting Ships listou o peso de Yamato e Musashi como sendo 45000 toneladas.[28] Similarmente, tanto o New York Times como a Associated Press reportaram que os navios pesavam 45000 toneladas com uma velocidade de 30 nós,[29] e mesmo depois do afundamento do Yamato em abril de 1945, O The Times de Londres continuou a dar as mesmas 45000 toneladas para a embarcação.[30] Todavia, a existência dos navios — e suas supostas características — influenciou enormemente os engenheiros navais americanos na construção dos Couraçados Classe Montana, todos os cinco que seriam construídos para conter o poder de fogo dos couraçados classe Yamato.[31]

Yamato[editar | editar código-fonte]

Yamato em testes em 1941

Yamato foi encomendado em março de 1937, previsto em 4 de novembro de 1937, lançado em 8 de agosto de 1940 e convocado em 16 de dezembro de 1941.[20] Passou por exercícios de treinamento até 27 de maio de 1942, quando a embarcação foi considerada "operável" pelo Almirante Isoroku Yamamoto.[20] Juntando-se à 1ª Divisão de Couraçados, Yamato serviu como capitânia da Frota Combinada do Japão durante a Batalha de Midway em junho de 1942, ainda que sem se engajar contra forças inimigas no combate.[32] Os dois anos seguintes se passaram intermitentemente entre as bases navais de Truk e Kure, com seu navio irmão Musashi substituindo Yamato como capitânia da Frota Combinada.[20] Durante esse período de tempo, Yamato, como parte da 1ª Divisão de Couraçados, serviu em múltiplas ocasiões para contra-atacar assaltos de porta-aviões americanos em bases insulares do Japão. Em 25 de dezembro de 1943, sofreu um grande dano por torpedo nas mãos do USS Skate (SS-305), e foi forçado a retornar a Kure para reparos e melhorias.[20]

Em 1944 — recebendo extensivas melhorias antiaéreas —Yamato se uniu à Segunda Frota na Batalha do Mar das Filipinas, servindo como escolta para uma divisão de porta-aviões.[33] Em outubro de 1944, na Batalha do Golfo de Leyte, usou sua artilharia naval contra uma embarcação inimiga pela primeira e única vez, ajudando a afundar o porta-aviões USS Gambier Bay (CVE-73) e o destróier USS Johnston antes da Força Central se retirar da batalha.[34] Levemente danificado em Kure em março de 1945, o navio então recebeu mais armamento antiaéreo.[20] Yamato foi afundado em 7 de abril de 1945 por aviões americanos durante a Operação Ten-Go, recebendo 10 torpedos e 7 bombas antes de emborcar; O navio perdeu também 2498 dos 2700 tripulantes, incluindo o Vice-Almirante Seiichi Itō.[27] O afundamento do Yamato foi visto como uma grande vitória estadunidense, e Hanson W. Baldwin, editor militar do New York Times escreveu que "o afundamento do novo couraçado japonês Yamato ... é a prova final — se alguma era necessária — da fraqueza fatal do Japão no ar e no mar."[35]

Musashi[editar | editar código-fonte]

Musashi deixando Brunei em outubro de 1944

Musashi foi encomendado em março de 1937, previsto em 29 de março de 1938, lançado em 1º de novembro de 1940 e convocado em 5 de agosto de 1942. De setembro a dezembro de 1942, esteve em exercícios de trainamento de combate aéreo e superficial em Hashirajima. Em 11 de fevereiro de 1943, Musashi substituiu seu navio irmão Yamato como capitânea da Frota Combinada. Até julho de 1944, Musashi alternou-se entre as bases navais de Truk, Yokosuka, Brunei e Kure. Em 29 de março de 1944, recebeu dano médio de um torpedo do submarino americano USS Tunny (SS-282). Após reparos e melhorias durante abril de 1944, Musashi se juntou à 1ª Divisão de Couraçados em Okinawa.[36]

Em junho de 1944, como parte da Segunda Frota, o navio escortou porta-aviões japoneses durante a Batalha do Mar das Filipinas.[36] Em outubro de 1944, deixou Brunei como parte da Força Central do Almirante Takeo Kurita durante a Batalha do Golfo de Leyte.[37] Musashi foi afundado em 24 de outobro durante a Batalha do Golfo de Leyte, atingido por 17 bombas and 19 torpedos, com a perda de 1023 dos 2399 tripulantes.[38]

Shinano[editar | editar código-fonte]

Shinano em novembro de 1944

Shinano, originalmente Navio de Guerra Número 110, foi projetado como terceiro membro da classe Yamato, embora com um design um pouco modificado. A maior parte da couraça original foi reduzida, incluindo o casco, o convés e as torres. A economia no peso significava a possibilidade de melhorias em outras áreas, incljuindo proteção adicional para controle de fogo e posições de vigia. Além disso, o segundo armamento de 12,7cm dos primeiros dois Yamatos foram substituídos pelo canhão calibre 10cm/65 Type 98. Apesar de menor, esse canhão era superior ao 127 mm, possuindo uma considerável maior velocidade dos projéteis disparados, alcance máximo, proteção antiaérea e poder de fogo.[39]

Em junho de 1942, seguindo a derrota do Japão em Midway, a construção do Shinano foi suspensa, e o casco foi gradualmente refeito como um porta-aviões.[40] Foi designado como uma embarcação auxiliar de 64800 toneladas que seria capaz de transportar, consertar e reabastecer os aviões dos outros porta-aviões.[41] [42] Apesar de ter sido originalmente pedido para o começo de 1945,[43] a construção do navio foi acelerada após a Batalha do Mar das Filipinas;[44] isso resultou no lançamento do Shinano em 5 de outubro de 1944 e convocado pouco mais de um mês depois, em 19 de novembro. Shinano deixou Yokosuka rumo a Kure nove dias depois. Na manhã de 29 de novembro, Shinano foi atingido por quatro torpedos do USS Archer-Fish (SS-311).[40] Apesar do dano parecer solucionável, a falta de controle sobre a água transbordada fez a embarcação adernar para estibordo. Pouco antes do meio dia, o navio emborcou e afundou, levando junto 1435 dos 2400 tripulantes.[40] Até hoje, Shinano é o maior navio afundado por um submarino.[45] [46]

Navios Número 111 e 797[editar | editar código-fonte]

O navio número 111, que nunca chegou a ser batizado, foi planejado como quarto membro da classe Yamato e segundo navio a incorporar as melhorias do Shinano. A construção do navio foi iniciada após o lançamento do Yamato em agosto de 1940 e continuou até dezembro de 1941, quando os japoneses começaram a questionar o seu ambicioso programa de construção de navios de guerra — com a vinda da guerra, os recursos essenciais para a construção dos navios se tornariam mais difíceis de se obter. Como resultado, o casco da quarta embarcação, apenas cerca de 30% completo, foi desmanchado em 1942; seus materiais foram usados na conversão de Ise e Hyūga em couraçados/porta-aviões híbridos.[47] [48] [A 2]

A quinta embarcação, Navio Número 797, foi planejado como um Shinano melhorado, mas nunca foi iniciado. Junto com as modificações feitas naquele navio, o 797 teria removido as duas torres laterais de 155mm em favor de canhões de 100 mm adicionais; os autores William Garzke e Robert Dulin estimam que isso teria permitido a produção de 24 dessas armas. O Yamato foi então modificado em 1944 para algo assim.[49]

Características[editar | editar código-fonte]

Armamento[editar | editar código-fonte]

O armamento antiaéreo do Yamato como representado no modelo do navio no Museu Yamato em Kure

Apesar do armamento primário da classe Yamato ter sido oficialmente o calibre 40 cm/45 (15.9 in) Type 94,[50] na verdade tinha a forma de nove canhões calibre 46 cm/45 (18.1 in) — os maiores canhões já instalados em um navio de guerra[4] — montados em três torres triplas, cada uma pesando 2774 toneladas.[51] Cada canhão tinha 21,13m e pesava 147,3t.[52] Grandes projéteis explosivos para perfuração de couraças eram utilizados, cada um capaz de ser atirado a 42km com uma cadência de 1,5 a 2 por minuto.[4] [50] Os canhões principais também eram capazes de atirar projéteis antiaéreos de 1360kg 3 Shiki tsûjôdan ("Tipo Comum 3").[A 3] Uma espoleta de tempo era usada para saber a distância em que os projéteis explodiriam (apesar de geralmente eles passarem mais 1000m à frente). Com a detonação, cada projétil deveria lançar 900 tubos incendiários em um cone de 20° em direção aos aviões inimigos que se aproximavam; uma carga então era utilizada para explodir o projétil, então mais lascas de aço eram criadas, provocando a ignição dos tubos. Os tubos queimavam por cinco segundos a 3000ºC e produziam uma chama de 5m para a frente. Mesmo compreendendo 40% da munição principal total de 1944,[50] 3 Shiki tsûjôdan raramente era usado em combate contra a força aérea inimiga devido ao severo dano que os disparos dos projéteis causavam aos tambores dos canhões;[53] assim, um dos projéteis pode ter explodido prematuramente e inutilizado um dos canhões do Musashi durante a Batalha do Golfo de Leyte.[50] O objetivo dos projéteis era produzir uma barreira de chamas para obrigar os aviões inimigos a desviar. Contudo, os pilotos americanos consideravam esses projéteis mais um espetáculo de fogos de artifício do que uma arma antiaérea competente.[50]

No projeto original, o armamento secundário da classe Yamato compreendia doze canhões de 15cm montados em quatro torres triplas (uma na frente, uma atrás, duas no meio),[51] e doze canhões de 13cm em seis torres duplas (três de cada lado na parte do meio do navio).[51] Além disso, a classe Yamato originalmente carregava vinte e quatro canhões antiaéreos de 2,5cm, primariamente montados no meio do navio.[51] Em 1944, Yamato — o último exemplar restante da classe — recebeu consideráveis melhorias antiaéreas, com a configuração do armamento secudário alterada para seis canhões de 15cm,[54] vinte e quatro canhões de 13cm,[54] e 162 canhões antiaéreos de 2,5cm,[54] em preparo para operações no Golfo Leyte.[55]

O armamento do Shinano era um tanto diferente dos seus navios irmãos devido à sua conversão. Como um porta-aviões tinha papel de suporte, a embarcação recebeu mais armamentos antiaéreos: dezesseis canhões de 13cm,[56] 125 canhões antiaéreos de 25mm,[56] e 336 lançadores de foguetes antiaéreos de 13cm em 12 por 28 torres.[57] Nenhum desses canhões chegou a ser usado contra navios ou aviões inimigos.[57]

Couraça[editar | editar código-fonte]

Construídos para engajar com diversos navios inimigos simultaneamente,[58] os couraçados Yamato receberam armaduras pesadas. O cinturão principal da couraça em volta da lateral do navio tinha 410mm de espessura,[4] com camadas adicionais de 355mm além do cinturão principal.[4] Além disso, o formato do casco superior era bem avançado, as laterais se curvavam com eficiência de modo a maximizar a proteção da couraça e a rigidez estrutural ao otimizar o peso. A couraça das torres principais superava até mesmo a do cinturão principal, tendo 650mm de espessura.[4] As placas de armadura do cinturão principal e das torres principais eram feitas de aço endurecido.[59] A proteção do convés — 75mm espessa — era composta por uma liga de níquel-crômio-molibdênio. Testes de balística em Kamegabuki demonstraram que a liga do convés era superior às placas de aço endurecido em 10–15%.[59] Placas adicionais foram designadas manipulando a composição de níquel e crômio da liga. Maiores quantidades de níquel permitiam à placa ser virada sem causar fraturas.[59]

O relativamente novo procedimento de soldadura foi extensivamente usado nos navios, fortalecendo a durabilidade da couraça.[60] Por meio desta técnica, o cinturão, incluído nos navios como resposta aos experimentos balísticos sobre as couraças dos Tosa e do novo Tipo 91 japonês que podia viajar submerso por grandes distâncias,[61] foi utilizado para fortalecer a estrutura do casco de toda a embarcação.[60] No total, os couraçados da classe Yamato continham 1147 compartimentos herméticos,[60] dos quais 1065 ficavam abaixo do convés.[60]

Contudo, a armadura da classe Yamato ainda sofria com algumas falhas — muitas das quais se provariam fatais em 1944–45.[62] Em particular, a fraca articulação entre as armaduras dos cinturões superior e inferior criou um ponto fraco bem na linha da água, deixando a classe suscetível a torpedos aéreos.[53] Outras fraquezas estruturais existiam nas curvaturas das embarcações, onde as placas geralmente eram mais finas.[53] O casco do Shinano estava sujeito a fraquezas estruturais ainda maiores, estando equipado com uma couraça mínima e sem compartimentos herméticos quando afundou.[56]

Propulsão[editar | editar código-fonte]

A classe Yamato foi equipada com 12 boilers Kanpon, que moviam turbinas quádruplas a vapor.[63] Essas continham quatro hélices de 6m. Isso permitia à classe Yamato obter uma velocidade máxima de 27 nós (50km/h).[4] Com uma potência indicada de 110325kW,[4] a capacidade da classe Yamato de operar junto com porta-aviões velozes era limitada. Além disso, o consumo de combustível de ambos era muito elevado.[55] Como resultado, nenhum couraçado foi usado em combate durante a Campanha das Ilhas Salomão ou em batalhas menores durante o período de combates nas ilhas do Pacífico entre 1943 e o começo de 1944.[55] O sistema de propulsão do Shinano foi levemente melhorado, permitindo ao porta-aviões uma velocidade máxima de 28 nós (52km/h).[57]

Couraçados Classe "Super Yamato"[editar | editar código-fonte]

Dois couraçados de um design totalmente novo, e maior, foram planejados como parte de um programa de reposição da frota de 1942. Designados como Design A-150 e inicialmente denominados Navio Número 178 e Navio Número 179, os planos para os navios começaram logo após o projeto da classe Yamato ter sido concluído, provavelmente em 1938–39. Tudo foi "essencialmente completado" durante o ano de 1941, mas com a guerra no horizonte, o trabalho nos couraçados foi interrompido para suprir a necessidade de mais navios de guerra, como porta-aviões e cruzadores. A derrota japonesa na Batalha de Midway, em que quatro porta-aviões foram afundados (de um total de dez em toda a marinha), assegurou que o trabalho nos navios jamais começaria. No terceiro volume de sua série Battleships (Couraçados), Axis and Neutral Battleships in World War II (Couraçados do Eixo e Neutros na Segunda Guerra Mundial), os autores William H. Garzke e Robert O. Dulin afirmam que esses navios teriam sido os "mais poderosos couraçados da história" por causa de sua massiva bateria principal de 510mm e extenso armamento antiaéreo.[64] [65]

Similar ao destino dos papéis relacionados à classe Yamato, a maioria dos papéis e planos ligados a essa classe foram destruídos na confusão do fim da guerra. Sabe-se que o design final dos navios teria tamanho e poder de fogo ainda maiores do que os da classe Yamato — uma bateria principal de canhões de 500mm em três torres gêmeas e armamento antiaéreo secundário consistindo de "muitos" canhões de 100mm. O peso seria o mesmo dos Yamato, ao mesmo tempo que um cinturão de 460mm era planejado.[64] [65]

Significado cultural[editar | editar código-fonte]

Visitantes do 'Museu Yamato' examinam o modelo de escala 1:10 do couraçado em 2006

Da época de sua construção até os dias atuais, Yamato e Musashi tiveram uma presença notável na cultura japonesa, Yamato em particular. Desde a sua conclusão, os couraçados representaram a epítome da engenharia naval do Japão imperial. Além disso, os dois navios, devido ao seu tamanho, velocidade e poder, visivelmente personificavam a determinação do Japão em defender seus interesses contra o poder ocidental, sobretudo os Estados Unidos. Shigeru Fukudome, comandante da Seção de Operações do Quadro Geral da Marinha Imperial do Japão, descreveu os dois navios como "símbolos do poder naval que inspiraram nos seus homens e oficiais um profundo senso de confiança em sua marinha."[66]

Yamato, e especialmente a história do seu afundamento, aparece bastante na cultura popular japonesa, como no anime Space Battleship Yamato e no filme de 2005 Yamato.[67] As aparições na cultura popular geralmente mostram a última missão do navio como brava, abnegada, mas um esforço fútil e simbólico dos marinheiros japoneses para defender sua terra. Uma das razões para tamanho significado do navio na cultura japonesa é o fato da palavra "Yamato" ser comumente utilizada como um nome poético para o Japão. Assim, o fim do couraçado Yamato poderia servir como metáfora para o fim do Império do Japão.[68] [69]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Mesmo já em 1933, aviadores da Marinha Imperial do Japão, incluindo o Almirante Isoroku Yamamoto, alegavam que a melhor defesa contra os ataques dos porta-aviões americanos seria uma frota de porta-aviões, não de couraçados. Contudo, "quando a controvérsia veio à tona, os almirantes mais velhos e conservadores se mantiveram firmes à crença do couraçado como navio principal da frota, apoiando a construção dos... Supercouraçados Classe Yamato." Ver: Reynolds, pp. 5–6
  2. Apesar do casco ter sido desmanchado, o fundo duplo não foi; pois a construção de quatro grandes submarinos aconteceu aí. See: Garzke eDulin, p. 84. Available sources do not report when the double bottom was scrapped.
  3. Esses projéteis podem ter sido apelidados de "A Colmeia" enquanto em serviço. Ver: DiGiulian, Tony (23 de abril de 2007). Japanese 40 cm/45 (18.1") Type 94, 46 cm/45 (18.1") Type 94. Navweaps.com. Página visitada em 23 de março de 2009.

Referências

  1. Muir, Micheal. (October 1990). "Rearming in a Vacuum: United States Navy Intelligence and the Japanese Capital Ship Threat, 1936–1945 (Rearmando-se no Vácuo: A Inteligência da Marinha dos Estados Unidos e a Ameaça dos Navios Japoneses" (JSTOR access required). The Journal of Military History 54 (4). Society for Military History. ISSN 1543-7795. OCLC 37032245.
  2. Skulski, p. 8
  3. "Warships of the World (Navios de Guerra do Mundo)", The Times, 5 de novembro de 1948, p. 2D.
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  8. Schom, p. 42
  9. Willmott, p. 34; Gardiner e Gray, p. 229
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  11. Garzke e Dulin, p. 44
  12. Willmott, p. 35
  13. Schom, p. 43
  14. Willmott, p. 22
  15. Thurston, Elliott. "Fear is the Real Cause of Navy Treaty End (O Medo É a Causa Real do Fim do Tratado Naval)", The Washington Post, 2 de janeiro de 1935, p. 7.
  16. Garzke e Dulin, p. 45
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Couraçado Classe Yamato
Couraçados: Yamato | Musashi
Porta-aviões: Shinano

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