Classe Bismarck

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Classe Bismarck
O Bismarck deixando Hamburgo, 15 de setembro de 1940.
O Bismarck deixando Hamburgo, 15 de setembro de 1940.
Origem    Bandeira do país de origem
Construtor Blohm + Voss
Kriegsmarinewerft Wilhelmshaven
Em serviço 1940–1944
Utilizadores War Ensign of Germany 1938-1945.svg Kriegsmarine
Tipo Couraçado
Características gerais
Deslocamento Bismarck:
41 700 t (padrão)
50 300 t (carregado)

Tirpitz:
42 900 t (padrão)
52 600 t (carregado)
Comprimento 251 m
Boca 36 m
Calado 9,3 m
Propulsão 12 caldeiras Wagner
4 turbinas a vapor
3 hélices de três lâminas
Velocidade 30 nós (56 km/h)
Autonomia Bismarck:
8 525 milhas náuticas a 19 nós
(15 788 km a 35 km/h)

Tirpitz:
8870 milhas náuticas a 19 nós
(16430 km a 35 km/h)
Armamento 8 canhões SK C/34 de 380 mm
12 canhões SK C/28 de 150 mm
16 FlaK 38 antiaéreas de 105 mm
16 SK C/30 antiaéreas de 37 mm
12 Flak 30 antiaéreas de 20 mm
Aeronaves 4 hidroaviões Arado Ar 196
Tripulação 2 500

A Classe Bismarck consistia em dois couraçados construídos para a Kriegsmarine logo após o início da Segunda Guerra Mundial. Os navios eram os maiores já construídos para a Marinha Alemã. As obras no Bismarck começaram em julho de 1936 e terminaram em setembro de 1940, enquanto seu irmão Tirpitz teve sua construção iniciada em outubro de 1936 e finalizada em fevereiro de 1941. As duas embarcações eram bem similares a Classe Bayern da Primeira Guerra Mundial, no sentido de que suas baterias principais eram montadas de forma semelhante e eram protegidos por esquemas parecidos de blindagem.

Ambos os navios tiveram carreiras curtas. O Bismarck realizou apenas uma operação, a Operação Rheinübung, uma incursão ao Atlântico Norte para atacar navios mercantes enviados da América do Norte para a Grã-Bretanha. Durante a operação, na Batalha do Estreito da Dinamarca, ele destruíu o couraçado HMS Hood e danificou o HMS Prince of Wales. O Bismarck foi derrotado e naufragado uma semana depois após uma grande perseguição realizada pela Marinha Real Britânica. Até hoje não há um consenso da causa exata de seu naufrágio, com os britânicos assumindo a responsabilidade. Entretanto, evidências coletadas por Robert Ballard e James Cameron indicam que a provável causa foi a ação de sua própria tripulação para impedir que o Bismarck caísse nas mãos do inimigo, como afirmaram sobreviventes.

A carreira do Tirpitz foi menos dramática; ele foi enviado para águas norueguesas em 1942, intimidando comboios britânicos e soviéticos apenas por sua mera presença. O navio foi atacado repetidas vezes por submarinos e por bombardeiros da Força Aérea Real. Eventualmente, aeronaves Avro Lancaster acertaram a embarcação com três bombas Tallboy, criando enormes danos internos. O Tirpitz emborcou e foi desmontado entre 1948 e 1957.

Projeto[editar | editar código-fonte]

Uma série de desenhos conceituais começaram a serem feitos em 1932 para determinar as características ideais para a construção de um couraçado com 36 000 t, o limite imposto pelo Tratado Naval de Washington de 1922. Esses estudos determinaram que o navio deveria ser armado com oito canhões de 330 mm, ter uma velocidade máxima de 30 nós (56 km/h) e uma forte blindagem.[1] Os trabalhos nos projetos que tornariam-se a classe Bismarck começaram em 1933 e duraram até 1936.[2] Em junho de 1935, a Alemanha assinou o Tratado Naval Anglo-Germânico, que permitia que o país construísse navios de guerra numa proporção de 35% à tonelagem total da Marinha Real Britânica.[3] Na época, a França, que havia começado um grande programa de expansão naval, era vista como a maior ameaça, não o Reino Unido. Como resultado, o Bismarck e o Tirpitz foram projetados para combater os novos navios franceses em construção.[4] Várias questões precisavam ser resolvidas, incluindo o calibre da bateria principal, o sistema de propulsão e a proteção de blindagem.[5]

O principal fator para a escolha dos canhões 380 mm para o Bismarck e o Tirpitz foi a decisão da marinha francesa de armar suas quatro embarcações da classe Richelieu com armas desse calibre. Ficou decidido que quatro torres gêmeas seriam a melhor solução para a distribuição da bateria principal, já que haveria igual poderio de fogo na dianteira e traseira, como também um controle de fogo simplificado. Os construtores navais examinaram motores movidos a diesel, vapor e turbinas turbo-elétricas; o último sistema foi o escolhido, já que havia mostrado-se bem sucedido nos porta-aviões norte-americanos da classe Lexington e no navio de passageiros francês SS Normandie.[6]

A equipe de projeto também deveria providenciar uma autonomia suficiente para os novos navios; eles deveriam fazer longas viagens dos portos alemães até o Atlântico, e a Alemanha não tinha bases além-mar onde as embarcações pudessem reabastecer.[7] Pela inferioridade numérica da frota alemã e a presunção de que as batalhas ocorreriam no relativamente perto Mar do Norte, o projeto do Bismarck colocou grande enfâse na estabilidade e proteção de blindagem. Cinturões blindados bem grossos foram adotados, junto com uma pesada blindagem na cidadela e nas proas e popas dos navios.[5]

O deslocamento do Bismarck e do Tirpitz foi limitado pela capacidade e infraestrutura dos portos de Kiel e Wilhelmshaven, e do Canal de Kiel. Em 11 de fevereiro de 1937, o Escritório de Construção informou o Almirante General Erich Raeder de que os navios não podiam ter um deslocamento maior que 43 000 t por limitações dos portos e profundidade dos canais. Eles também expressaram sua preferência por construir um terceiro navio e permanecer dentro do limite de 35 000 t do tratado.[8] O Almirante Werner Fuchs, chefe do Escritório Geral de Comando da Oberkommando der Marine, avisou Raeder e Adolf Hitler de que uma série de modificações seriam necessárias para reduzir o deslocamento e garantir que os navios ficassem dentro dos requerimentos do Tratado Naval de Londres. Porém, o Japão havia recusado-se a assinar o novo tratado, e assim, em 1º abril de 1937, uma cláusula permitiu que os signatários construíssem navios com até 46 000 t. O projeto final tinha um deslocamento de 42 100 t, dentro dos limites do tratado, e as modificações de Fuchs foram descartadas.[9]

Características gerais[editar | editar código-fonte]

Os navios da classe Bismarck tinham 241.6 m de comprimento à linha d'água e 251 m de comprimento total. Os navios tinham uma boca de 36 m e um calado de 9.3 m; o calado com deslocamento padrão era de 8.63 m, e 9.9 m carregado. Eles foram projetados com um deslocamento 45 950 t; seu deslocamento padrão era de 41 700 t, e totalmente carregado chegava a 50 300 t. As embarcações possuíam casco duplo cobrindo 83% do comprimento e 32 compartimentos à prova d'água. O Bismarck e o Tirpitz tinham 90% de sua estrutura soldada.[2] A popa, entretanto, foi fracamente construída; isso teria grande consequências na única missão do Bismarck.[10]

As embarcações eram muito estáveis, principalmente por causa da grande boca. Eles sofriam de leve rolamento e levantamento, mesmo em alto mar. O Bismarck e o Tirpitz eram sensíveis aos comandos do leme; eles eram capazes de manobrar com desvios no leme menores do que 5°. Com os lemes totalmente retos, eles desviavam apenas 3°, porém perdiam até 65% da velocidade. Porém, os navios eram difíceis de se manobrar a velocidades baixas ou de ré. Assim, rebocadores eram necessários em áreas pequenas para evitar colisões ou encalhamentos. Eles tinham uma tripulação de 103 oficiais e 1 962 marinheiros. Eles carregavam vários pequenos barcos, incluindo três botes de piquete, quatro barcaças, uma lancha, duas lanchas a motor, dois cúteres, dois yawls e dois botes.[11]

Propulsão[editar | editar código-fonte]

A popa e as hélices do Bismarck.

Os navios da classe Bismarck tinham três conjuntos de turbinas; o Bismarck era equipado com turbinas Blohm + Voss, e o Tirpitz usava motores da Brown, Boveri & Cie. Cada conjunto impulsionava uma hélice de três lâminas com 4.7 m de diâmetro.[2] Robert Ballard, que descobriu os destroços do Bismarck, salientou que a adoção de um arranjo com três eixos criou grandes problemas para a embarcação. O eixo central enfraquecia a quilha, especialmente quando ela emergia do casco. Ele afirmou que um arranjo com quatro eixos permitiria uma maior manobrabilidade usando-se apenas as hélices.[12]

Com os navios totalmente carregados, as pressões alta e média das turbinas funcionavam a 2825 rpm, e a 2390 em baixa. As turbinas eram movidas por doze caldeiras a vapor Wagner de alta-pressão. As duas embarcações tinham diferentes armazenamentos de combustível. O Bismarck foi projetado para carregar 3200 t de óleo combustível, porém armazenava até 6400 t de combustível em configuração normal; com depósitos extras, o total era aumentado para 7400 t. O Tirpitz foi projetado para levar 3 000 t, chegando a 7780 t com depósitos extras. A usina de energia consumia 325 kg de combustível por hora; a 19 nós, o Bismarck tinha uma autonomia de 8525 milhas náuticas (15788 km), e o Tirpitz chegava a 8870 milhas náuticas (16430 km).[2]

Inicialmente, as turbinas usariam transmissões elétricas e produziriam 46 000 hp (34 000 kW) cada. Porém, as turbinas usadas eram mais leves, e o resultado final era um pouco abaixo do que o projetado; elas também eram mais robusta.[13] Os navios foram equipados com oito geradores a diesel de 500 kW montados aos pares, cinco turbo-geradores de 690 kW, um de 460 kW, com o último sendo conectado a um gerador de corrente alternada com 400 kVA. Havia outro gerador a diesel de 550 kVA. A usina elétrica gerava um total de 7 910 kW à 220 V.[11]

Armamento[editar | editar código-fonte]

Bateria principal[editar | editar código-fonte]

A torre Anton do Bismarck.

A bateria principal do Bismarck e Tirpitz era formada por oito canhões 380 mm SK C/34 montados em quatro torres de artilharia: Anton e Bruno à frente da superestrutura e Caesar e Dora atrás.[14] As torres permitiam uma elevação de até 30º, que dava aos canhões um alcance máximo de 36 520 m. Eles atiravam projéteis de 800 kg à uma velocidade inicial de 820 m/s.[15] A bateria principal era abastecida com um total de 940 a 960 projéteis, aproximadamente 115 a 120 por canhão.[11] Essas armas foram projetadas pela Krupp, como outros canhões navais alemães de alto calibre, e tinham blocos de culatra deslizantes que necessitavam de cartuchos de latão para as cargas. Em condições ideais, a frequência de tiro era um disparo a cada dezoito segundos, ou três por minuto.[16] As torres de artilharia eram movidas eletricamente e os canhões elevados hidraulicamente. O controle de elevação era remoto. As torres precisavam que cada canhão voltasse a uma elevação de 2.5° para serem recarregados.[17] O Tirpitz recebeu projéteis equipados com detonadores temporizados para combater bombardeiros aliados.[18]

Bateria secundária[editar | editar código-fonte]

Um dos canhões de 15 cm do Bismarck.

A bateria secundária das embarcações consistia em doze canhões 150 mm SK C/28 montados em seis torres de artilharia.[4] Essas torres, que carregavam dois canhões cada, eram baseadas nas torres usadas nos navios da classe Scharnhorst. Eles tinham uma elevação de até 40° e uma depressão de até –10°; sua frequência de tiro era por volta de seis disparos por minuto.[18] Os canhões de 150 mm disparavam projéteis de 45.3 kg à uma velocidade inicial de 875 m/s. Em elevavação máxima, eles tinham um alcance de 23 km.[15] Como sua bateria principal, os canhões de 15 cm do Tirpitz também receberam projéteis com detonadores temporizados.[18]

A decisão de usar canhões 150 mm de ângulo baixo foi criticada por muitos historiadores navais, incluindo Antony Preston, que afirmou que eles "impuseram uma sanção severa ao peso" quando comparados aos navios norte-americanos e britânicos, que estavam sendo armados com armas de dupla finalidade.[19] Os historiadores William Garzke e Robert Dulin salientam que "o uso de armamentos de dupla finalidade possibilitaria um aumento no número de armas antiaéreas, porém poderia ter enfraquecido a defesa contra ataques de contratorpedeiros, que os especialistas navais alemães consideravam mais importantes".[20]

Bateria antiaérea[editar | editar código-fonte]

O Bismarck e o Tirpitz tinham, ao final de suas construções, uma bateria antiaérea formada por dezesseis canhões 105 mm FlaK 38 calibre 65 montados em oito torres, dezesseis canhões 37 mm SK C/30 armados em oito torres duplas, e doze canhões 20 mm Flak 30 montados em torres individuais.[4] As armas de 105 mm eram as mesmas que a da classe Scharnhorst, e foram montadas no primeiro convés da superestrutura. Após o naufrágio do Bismarck em 1941, dois canhões do Tirpitz foram movidos para a dianteira afim de ter um melhor campo de fogo. Os dezesseis canhões eram guiados por quatro diretores de controle de fogo, dois na popa na torre de comando, o terceiro atrás do mastro da popa e o quarto diretamente atrás da torre Caesar. Os diretores do Bismarck não tinham nenhuma proteção, mas os do Tirpitz eram protegidos por domos.[21]

As armas de 37 mm calibre 83 foram montadas às duplas e colocadas na superestrutura. Elas eram operadas manualmente e estabilizadas automaticamente.[22] Essas armas eram abastecidas por 32 mil projéteis de munição. O Bismarck e o Tirpitz inicialmente foram armados com doze canhões de 20 mm em torres individuais, mas esse número foi aumentado com o tempo.[11] O Bismarck recebeu um par de torres quádruplas, para um total de vinte canhões. A bateria do Tirpitz, durante sua carreira, foi aumentada para 78 canhões em torres individuais e quádruplas.[22]

Blindagem[editar | editar código-fonte]

A classe Bismarck tinha um cinturão de blindagem com 220 a 320 mm de espessura; a seção mais espessa cobria a porção central do casco, onde estavam localizadas as torres de artilharia, depósitos de munição e a sala de máquinas. Essa parte do cinturão era tampada dos dois lados por anteparas transversais de 220 mm. Os navios tinham um convés superior com 50 mm de espessura e um convés blindado de 100 a 120 mm, tampados até 60 mm para baixo da proa e 80 mm na popa.[2] O convés foi construído baixo no casco, reduzindo o volume do espaço interno protegido pela cidadela blindada. Isso era diferente dos navios americanos e britânicos, cujos projetos possuíam um único convés blindado alto no navio.[10]

O torre de comando dianteira possuía um teto de 200 mm de espessura e laterais com 250 mm, enquanto o telémetro era coberto por um teto de 100 mm e laterais de 200 mm. A torre de comando traseira tinha uma blindagem mais leve: o teto tinha 50 mm de espessura e as laterais 150 mm, e o telémetro era protegido por um teto de 50 mm e laterais de 100 mm.[2] As torres de artilharia principais eram razoavelmente bem protegidas: os tetos possuíam 130 mm de espessura, as laterais 220 mm e a frente era protegida por uma blindagem de 360 mm e escudos de 220 mm.[2] Porém, essas espessuras eram menores que seus contemporâneos britânico (classe King George V) e francês (classe Richelieu). Inversamente, a bateria secundária era bem mais protegida que seus rivais.[23] Os canhões de 150 mm tinham tetos com de 25 mm, laterais de 40 mm e frentes de 100 mm de espessura. Os canhões de 105 mm eram protegidos por escudos de 20 mm de espessura.[2]

Construção[editar | editar código-fonte]

O lançamento do Tirpitz.

A quilha do Bismarck foi batida em 1 de julho de 1936 nos estaleiros da Blohm + Voss.[4] O navio recebeu o número de construção 509, e o nome de contrato Ersatz Hannover, como substituto do antigo SMS Hannover.[2] A embarcação foi lançada em 14 de fevereiro de 1939, com a presença de Hitler. A neta de Otto von Bismarck, patrono do navio, realizou a cerimônia de batismo.[24] Como outros navios importantes alemães, o Bismarck foi construído com uma proa reta. Porém, experiências em outras embarcações revelaram a necessidade de uma proa angulada, que foi instalada durante a fase de equipagem.[25] O navio foi comissionado na frota em 24 de agosto de 1940, com o Kapitän sur See Ernst Lindemann no comando. Duas semanas depois, o Bismarck saiu de Hamburgo para o Mar Báltico afim de realizar testes, retornando em dezembro para finalização da equipagem. Outros testes foram feitos em março e abril de 1941; o navio recebeu status ativo no mês seguinte.[26]

A quilha do Tirpitz foi batida no Kriegsmarinewerft Wilhelmshaven em 20 de outubro de 1936,[4] sob o número de construção 128. Ele foi encomendado com o nome de contrato Ersatz Schleswig-Holstein para substituir o obsoleto SMS Schleswig-Holstein.[2] O Tirpitz foi nomeado em homenagem ao Grande Almirante Alfred von Tirpitz, o arquiteto da Frota de Alto-Mar antes da Primeira Guerra Mundial. Frau von Hassel, sua filha, batizou o navio em 1 de abril de 1939. A equipagem terminou em fevereiro de 1941;[27] o Tirpitz foi comissionado em 25 de fevereiro.[11] Vários testes marítimos foram realizados no Mar Báltico e no Mar do Norte.[28]

Histórico de serviço[editar | editar código-fonte]

Bismarck[editar | editar código-fonte]

O Bismarck depois de deixar Hamburgo, 15 de setembro de 1940.

Depois do Bismarck ter se juntado a frota, planos foram traçados para uma incursão ao Atlântico Norte. A operação inicialmente teria uma força composta pelo Bismarck, o Tirpitz e dois couraçados da classe Scharnhorst. Em maio de 1941, o Tirpitz ainda não estava pronto e o Scharnhorst passava por uma revisão. A força tarefa foi reduzia ao Bismarck, o Gneisenau e o cruzador pesado Prinz Eugen. Entretanto, o Gneisenau foi danificado por um bombardeiro britânico no porto de Brest, França. Ficou decidido que apenas o Bismarck e o Prinz Eugen realizariam a operação. O Almirante Günther Lütjens foi encarregado do comando das duas embarcações.[26]

Na manhã de 19 de maio de 1941, o Bismarck deixou Gotenhafen rumo ao Atlântico Norte.[29] Enquanto passavam pelos estreitos dinamarqueses, o Bismarck e o Prinz Eugen encontraram o cruzador sueco HSwMS Gotland; o avistamento foi transmitido para a marinha sueca e depois para um adido britânico em Estocolmo.[30] A Força Aérea Real realizou reconhecimentos aéreos na costa da Noruega, onde o Bismarck e o Prinz Eugen tinham parado. Enquanto estavam na Noruega, Lütjens inexplicavelmente não reabasteceu o Bismarck, que já havia gastado aproximadamente uma tonelada de combustível desde o início da viagem.[31]

O Bismarck, visto do Prinz Eugen, após a Batalha do Estreito da Dinamarca.

Em 23 de maio, os dois navios chegaram no Estreito da Dinamarca. Naquela manhã, os cruzadores britânicos HMS Suffolk e HMS Norfolk brevemente trocaram disparos contra o Bismarck antes de recuarem para seguir as embarcações alemães.[32] Às 6h00min da manhã seguinte, vigias abordo do Bismarck avistaram os mastros do cruzador de batalha HMS Hood e do couraçado HMS Prince of Wales.[33] A Batalha do Estreito da Dinamarca começou com os navios britânicos navegando diretamente para o Prinz Eugen e Bismarck antes de tentarem virar para entrar em um curso paralelo. Durante a virada, um dos projéteis de 380 mm do Bismarck penetrou no depósito de munições do Hood, causando uma enorme explosão que destruiu a embarcação.[34] De uma tripulação de 1 421 homens, apenas três sobreviveram. A força alemã então concentrou seu poder de fogo no Prince of Wales, que foi forçado a retirar-se. Porém, o Prince of Wales conseguiu atingir o Bismarck na proa, fazendo com que mais de duas mil toneladas de água entrassem no navio. A embarcação também estava com um vazamento de combustível, tornando fácil para os britânicos seguirem o rastro.[35]

Depois de bater em retirada, o Prince of Wales se juntou ao Suffolk e Norfolk; os navios brevemente entraram em conflito com o Bismarck às 18h00min daquele mesmo dia. Ninguém acertou seu alvo.[36] Nesse momento, dezenove navios estavam envolvidos na caçada.[37] Isso incluia seis couraçados, seis cruzadores de batalha e dois porta-aviões, aliados a vários cruzadores e contratorpedeiros.[38] Depois do segundo confronto com o Prince of Wales, Lütjens separou o Prinz Eugen do Bismarck para que o primeiro continuasse a operação sozinho e o segundo fosse para um porto realizar reparos.[39] Pouco antes da meia-noite de 24 de maio, um grupo de torpedeiros Fairey Swordfish do HMS Victorious atacaram o Bismarck. Um dos torpedos acertou o navio à meia-nau sem grandes danos. Entretanto, o choque da explosão, aliado as manobras em alta velocidade do navio, danificaram os reparos temporários que haviam parado o alagamento dos danos anteriores de batalha. A velocidade foi reduzida para 16 nós (30 km/h) afim de diminuir a entrada de água e permitir que equipes de reparos trabalhassem nos buracos.[40]

O HMS Dorsetshire resgata sobreviventes do Bismarck.

Em 25 de maio, o Bismarck conseguiu desaparecer dos radares de seus perseguidores ao realizar um grande círculo. A manobra enganou os navios britânicos, que foram para oeste na tentativa de encontrá-lo. Apesar disso, Lütjens não sabia que havia despistado seus inimigos, e acabou enviando uma série de mensagens de rádio que foram interceptadas pelos britânicos e usadas para determinar sua localização aproximada.[38] Lütjens decidiu tentar ir para a França ao invés de continuar a missão por causa dos danos ao navio. Na manhã de 26 de maio, um Consolidated PBY Catalina avistou o Bismarck por volta de 690 mil milhas náuticas ao noroeste de Brest; a embarcação estava navegando a uma velocidade que a colocaria sob a proteção da Luftwaffe e de u-boots em 24 horas. A única força britânica capaz de retardar o Bismarck era o porta-aviões HMS Ark Royal e sua escolta, o cruzador de batalha HMS Renown.[41] Às 20h30min, aproximadamente, quinze Swordfish do Ark Royal iniciaram um ataque contra o navio alemão. Três torpedos atingiram o Bismarck: os dois primeiros não causaram danos muito sérios, mas o terceiro emperrou o leme de estibordo. O dano não podia ser concertado, a a embarcação começou a realizar um enorme círculo em direção dos britânicos.[38]

Uma hora após o ataque dos Swordfish, Lütjens enviou a seguinte mensagem ao quartel general: "Navio sem controle. Lutaremos até a última bala. Vida longa ao Führer".[42] Às 8h47min da manhã seguinte, os couraçados HMS Rodney e HMS King George V abriram fogo.[43] O Bismarck contra-atacou três minutos depois. Porém, um projétil de 406 mm do Rodney destruiu as torres de artilharia dianteiras.[44] Meia hora depois, as torres traseiras do Bismarck também foram silenciadas.[45] Por volta dàs 10h15min, as embarcações birtânicas cessaram fogo. Seu alvo era uma pilha de destroços em chamas. Os britânicos estavam com combustível baixo, mas o Bismarck ainda não havia afundado. O cruzador pesado HMS Dorsetshire disparou vários torpedos no navio, que então emborcou para bombordo. Aproximadamente ao mesmo tempo do ataque do Dorsetshire, a tripulação da sala de máquinas do Bismarck detonou explosivos para afundar o próprio navio.[46] Ainda há grandes debates acerca da causa direta do naufrágio do Bismarck. 110 homens foram resgatados pelos britânicos antes de relatos de u-boots os forçarem a fugir do local.[47] Outros cinco homens foram regatados por embarcações alemãs.[48]

Tirpitz[editar | editar código-fonte]

O Tirpitz na costa da Noruega.

O Tirpitz foi comissionanado na Kriegsmarine em 25 de fevereiro de 1941. Sua primeira ação foi intimidar e impedir quaisquer tentativas soviéticas de dispachar a Frota do Báltico após a invasão alemã a União Soviética. O cruzador pesado Admiral Scheer e os cruzadores rápidos Leipzig, Nürnberg e Köln juntaram-se a missão. A força patrulhou as Ilhas Åland por alguns dias antes de voltarem para Kiel.[49] Em 14 de janeiro de 1942, o Tirpitz partiu da Alemanha em direção a águas norueguesas, chegando no dia 17.[50]

Em 6 de março, o Tirpitz, escoltado por três contratorpedeiros, começou uma incursão contra comboios britânicos indo para a União Soviética.[49] Os alemães tentaram interceptar os bomboios PQ-12 e QP-8,[50] porém o clima ruim impediu que eles encontrassem as embarcações.[49] Entretanto, os britânicos conseguiram localizar o navio alemão. O Victorious iniciou um ataque composto por doze torpedeiros Fairey Albacore. As aeronaves foram repelidas sem acertar seus alvos. O Tirpitz e os contratorpedeiros voltaram para o porto em 12 de março.[50] O ataque fez Hitler ordenar que o Tirpitz atacasse apenas comboios em que seu porta-aviões tivesse sido afundado ou desabilitado.[51]

Nos dois meses seguintes, a Força Aérea Real lançou uma série de ataques bombardeiros contra o Tirpitz enquanto ele estava ancorado em Fættenfjorden, todos sem sucesso. O primeiro, formado por 34 Handley Page Halifax, ocorreu em 31 de março. Os dois seguintes ocorreram em 28 e 29 de abril; o primeiro era composto por 43 aeronaves Halifax e Avro Lancaster, e o segundo por 34 Halifax e Lancaster.[50] Uma combinação de clima ruim e pesado fogo antiaéreo alemão causou o fracasso dos três ataques.[49] Durante o verão e o final de 1942, o Tirpitz passou por reformas em Fættenfjord, que não possuia nenhum tipo de doca. Como resultado, o trabalho foi feito gradativamente; uma grande ensecadeira foi construída para que os lemes fossem trocados.[52] Os historiadores William Garzke e Robert Dulin afirmaram que "os reparos para este navio foram um dos maiores feitos de engenharia naval da Segunda Guerra Mundial".[53]

O Tirpitz no Fiorde de Narvik.

Em janeiro de 1943, o Tirpitz terminou sua reforma e foi transferido para o Altafjorden. Lá, ele participou de vários exercícios de treinamento com o Scharnhorst e o cruzador pesado Lützow.[54] No início de setembro, o Tirpitz, Scharnhorst e dez contratorpedeiros atacaram a ilha de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, que servia como estação de reabastecimento dos britânicos. Os dois couraçados destruiram seus alvos e voltaram em segurança para Altafjorden; essa foi a primeira vez que o Tirpitz disparou suas armas principais em combate.[55] Na madrugada de 22 e 23 de setembro, seis mini-submarinos britânicos atacaram a embarcação enquanto ela estava ancorada. Dois submarinos conseguiram colocar explosivos contra o casco do navio, que causaram grandes danos e neutralizaram o Tirpitz.[54] Mais de mil homens trabalharam nos seis meses seguintes para realizar os reparos, que finalmente foram completados em março de 1944.[56]

Os britânicos recomeçaram os ataques imediatemente após a finalização dos reparos. Em 3 de abril, a Marinha Real Britânica lançou a Operação Tungsten, em que 40 caças e 40 bombardeiros Fairey Barracuda de seis porta-aviões atacaram a embarcação alemã. Eles acertaram o Tirpitz quinze vezes e o pegaram de raspão em duas ocasiões, causando enormes danos e a morte de 122 homens. A Marinha Real tentou repetir o ataque três semanas depois, no dia 24, porém cancelaram a operação devido ao clima ruim. A Operação Brawn, outra lançada a partir de porta-aviões, seguiu-se em 15 de maio, mas o clima ruim novamente interferiu. Outro ataque foi marcado para 28 de maio, mas novamente cancelado por causa do clima. A Operação Mascot, que seria realizada em 17 de julho pelo Victorious, HMS Furious e HMS Indefatigable, foi cancelada devido a neblina.[57]

Em agosto, a Marinha Real lançou a série de Operações Goodwood. Goodwood I ocorreu 22 de agosto, com 38 bombardeiros e 43 caças de cinco porta-aviões. Porém, eles não conseguiram acertar seu alvo. Goodwood III aconteceu dois dias depois, com 48 bombardeiros e 29 caças do HMS Formidable, Furious e Indefatigable. Os bombardeiros acertar o Tirpitz duas vezes, mas não houve danos sérios. A última operação da marinha britânica foi Goodwood IV, em 29 de agosto. 34 bombardeiros e 25 caças, vindos do Formidable e Indefatigable, atacaram o navio, entretanto a neblina impediu que eles acertassem alguma bomba.[57]

O casco emborcado do Tirpitz.

A tarefa de afundar o Tirpitz ficou então com a Força Aérea Real, que realizou cinco ataques aéreos com as bombas Tallboy de 5 400 kg.[57] O primeiro ataque, a Operação Paravane em 15 de setembro, era composta de 27 Lancasters com uma Tallboy cada; eles conseguiram acertar o anvio alemão uma vez na proa. A bomba penetrou a embarcação e explodiu bem embaixo da quilha. 1 500 t de água entraram no navio e o Tirpitz ficou novamente neutralizado.[58] Em 15 de outubro, um mês depois, o Tirpitz foi para Tromsø na Noruega para ser usado como uma bateria de artilharia flutuante. Duas semanas depois, em 29 de outubro, os britânicos iniciaram a Operação Obviate, formada por 32 bombardeiros Lancaster. Ele conseguiram apenas um acerto de raspão, mas que fez mais água entrar na embarcação. O último ataque, Operação Catechism, ocorreu em 12 de novembro. 32 Lancasters atacaram o navio e conseguiram acertá-lo duas vezes, além de uma de raspão. As bombas detonaram um dos depósitos de munição do Tirpitz, fazendo o navio emborcar. 1 204 homens morreram. 806 conseguiram salvar-se do navio afundando, e outros 82 foram eventualmente resgatados de dentro do casco.[50] Os destroços foram gradualmente desmontados entre 1948 e 1957.[59]

Referências

  1. Garzke & Dulin 1985, p. 203
  2. a b c d e f g h i j Gröner 1990, p. 33
  3. Maiolo 1998, pp. 35–36
  4. a b c d e Sturton 1987, p. 44
  5. a b Garzke & Dulin 1985, pp. 204–205
  6. Garzke & Dulin 1985, p. 204
  7. Garzke & Dulin 1985, pp. 205–206
  8. Garzke & Dulin 1985, p. 206
  9. Garzke & Dulin 1985, p. 208
  10. a b Preston 2002, p. 151
  11. a b c d e Gröner 1990, p. 35
  12. Ballard 2007, p. 232
  13. Gröner 1990, pp. 33–35
  14. Gröner 1990, pp. 34–35
  15. a b Garzke & Dulin 1985, p. 275
  16. Garzke & Dulin 1985, p. 274
  17. Garzke & Dulin 1985, p. 278
  18. a b c Garzke & Dulin 1985, p. 279
  19. Preston 2002, p. 152
  20. Garzke & Dulin 1985, p. 297
  21. Garzke & Dulin 1985, p. 280
  22. a b Garzke & Dulin 1985, p. 282
  23. Breyer 1973, p. 300
  24. Williamson 2003, p. 21
  25. Williamson 2003, pp. 21–22
  26. a b Williamson 2003, p. 22
  27. Williamson 2003, p. 35
  28. Williamson 2003, pp. 35–36
  29. Bercuson & Herwig 2003, p. 63
  30. Bercuson & Herwig 2003, pp. 65–67
  31. Bercuson & Herwig 2003, p. 71
  32. Williamson 2003, p. 23
  33. Williamson 2003, pp. 23–24
  34. Bercuson & Herwig 2003, pp. 147–153
  35. Williamson 2003, p. 24
  36. Garzke & Dulin 1985, p. 227
  37. Garzke & Dulin 1985, p. 229
  38. a b c Williamson 2003, p. 33
  39. Bercuson & Herwig 2003, pp. 176–177
  40. Bercuson & Herwig 2003, pp. 229–230
  41. Garzke & Dulin 1985, p. 233
  42. Bercuson & Herwig 2003, p. 266
  43. Bercuson & Herwig 2003, p. 288
  44. Bercuson & Herwig 2003, pp. 289–290
  45. Bercuson & Herwig 2003, p. 291
  46. Garzke & Dulin 1985, pp. 245–246
  47. Williamson 2003, pp. 34–35
  48. Garzke & Dulin 1985, p. 246
  49. a b c d Williamson 2003, p. 36
  50. a b c d e Breyer 1989, p. 25
  51. Garzke & Dulin 1985, p. 253
  52. Garzke & Dulin 1985, p. 255
  53. Garzke & Dulin 1985, p. 256
  54. a b Williamson 2003, p. 37
  55. Garzke & Dulin 1985, p. 258
  56. Williamson 2003, pp. 37–38
  57. a b c Breyer 1989, p. 26
  58. Williamson 2003, p. 39
  59. Sturton 1987, p. 45

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ballard, Robert. Robert Ballard's Bismarck. Edison: Chartwell Books, 2007. ISBN 978-0-7858-2205-9
  • Bercuson, David J.; Herwig, Holger H.. The Destruction of the Bismarck. Nova Iorque: Overlook Press, 2003. ISBN 1-58567-397-8
  • Breyer, Siegfried. Battleships and Battle Cruisers 1905–1970. Nova Iorque: Doubleday, 1973.
  • Breyer, Siegfried. Battleship "Tirpitz". West Chester: Schiffer Publishing Ltd., 1989. ISBN 978-0-88740-184-8
  • Garzke, William H.; Dulin, Robert O.. Battleships: Axis and Neutral Battleships in World War II. Annapolis: Naval Institute Press, 1985. ISBN 978-0-87021-101-0
  • Gröner, Erich. German Warships: 1815–1945. Annapolis: Naval Institute Press, 1990. ISBN 978-0-87021-790-6 OCLC 22101769
  • Maiolo, Joseph. The Royal Navy and Nazi Germany, 1933–39 A Study in Appeasement and the Origins of the Second World War. Londres: Macmillan Press, 1998. ISBN 978-0-312-21456-2
  • Preston, Anthony. The World's Worst Warships. Londres: Conway Maritime Press, 2002. ISBN 978-0-85177-754-2
  • Sturton, Ian (ed.). Conway's All the World's Battleships: 1906 to the Present. Londres: Conway Maritime Press, 1987. ISBN 978-0-85177-448-0 OCLC 246548578
  • Williamson, Gordon. German Battleships 1939–45. Osford: Osprey Publishing, 2003. ISBN 978-1-84176-498-6