Filadélfia (filme)

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Filadélfia
Philadelphia
Pôster promocional
 Estados Unidos
1993 • cor • 125 min 
Direção Jonathan Demme
Produção Jonathan Demme
Edward Saxon
Roteiro Ron Nyswaner
Elenco Tom Hanks
Denzel Washington
Gênero Drama
Idioma Inglês
Música Howard Shore
Cinematografia Tak Fujimoto
Edição Craig McKay
Estúdio Clinica Estetico
Distribuição TriStar Pictures
Lançamento Estados Unidos 24 de dezembro de 1993
Portugal 25 de fevereiro de 1994
Orçamento US$26 milhões
Receita US$206,678,440[1]
Página no IMDb (em inglês)

Philadelphia (br / pt: Filadélfia) é um filme norte-americano de 1993, do gênero drama, e um dos primeiros filmes comerciais de Hollywood para reconhecer o HIV/AIDS, homossexualidade e homofobia. Ele foi escrito por Ron Nyswaner, dirigido por Jonathan Demme (de O Silêncio dos Inocentes) e estrelado por Tom Hanks e Denzel Washington.

O filme conta a história de Andrew Beckett, um advogado homossexual que trabalha para uma prestigiosa firma em Filadélfia. Quando fica impossível para ele esconder dos colegas de trabalho o fato de que tem AIDS, é demitido. Beckett contrata então Joe Miller, um advogado homofóbico, para levar seu caso até o tribunal.

Hanks ganhou o Oscar de Melhor Ator por seu papel como Andrew Beckett no filme, enquanto a música "Streets of Philadelphia", de Bruce Springsteen ganhou o Oscar de Melhor Canção Original. Nyswaner também foi indicado para o Oscar de Melhor Roteiro Original, mas perdeu para Jane Campion por O Piano.

Enredo[editar | editar código-fonte]

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Andrew Beckett, de 26 anos de idade, é um advogado formado na Universidade Penn State que é recém-contratado por uma grande firma de advocacia da Filadélfia. Apesar de seu sucesso financeiro, sua aparência jovial e bonita, Andrew tenta fugir do preconceito não mencionando a verdade sobre sua sexualidade e seu estado de saúde. Quando adoece e começa a apresentar-se magro e com os primeiros sintomas da AIDS, confirma-se que ele é portador do vírus do HIV.

Após a notícia se espalhar na empresa, Andrew é sabotado e imediatamente despedido da firma por seus chefes, que se revelam altamente preconceituosos. Andrew tenta contratar um advogado para que possa acionar a justiça e processar a firma, mas ninguém quer assumir seu caso. Numa última esperança, ele vai até Joe Miller, um advogado de pequenas causas que se revela ser secretamente um homofóbico.

No entanto, depois de passarem várias horas juntos, Joe percebe que Andrew é uma pessoa normal como ele, e passam a se respeitar e confiar um no outro. O caso acaba por se tornar muito noticiado na mídia, e Joe luta para mostrar a todos que Andrew foi despedido única e exclusivamente pelo fato de ser homossexual e portador do HIV. O filme apresenta com muita sensibilidade o terrível efeito social da AIDS, a questão do preconceito, sua dor e suas origens, contra homossexuais ou portadores do vírus HIV e a relação mútua e confusa do preconceito frente a estas duas questões na sociedade americana da época.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

Tom Hanks perdeu 12 quilos para interpretar o personagem quando ele estava com AIDS em estágio avançado.[3]

O diretor Jonathan Demme queria que pessoas não familiarizadas com a questão da AIDS fossem assistir ao filme. Ele sentiu que Bruce Springsteen ajudaria a trazer tal audiência. Ambos, filme e canção, ajudaram a conscientizar as pessoas sobre o assunto.[3]

Filadélfia foi filmado totalmente na sequência de seu roteiro para que Hanks pudesse perder peso para interpretar Andrew com AIDS num estágio mais avançado.

Os produtores pensaram em nomear o filme como People Like Us (Gente como nós), At Risk (Em risco) e Probable Cause (Causa provável).

Segundo o IMDB, 53 atores gays apareceram em várias cenas do filme. No ano seguinte, 43 deles morreram devido a complicações resultantes da AIDS.

Tak Fujimoto, o diretor de fotografia, aparece como um médico no hospital na cena sequinte a do parto.

O papel de Andrew foi oferecido a Daniel Day-Lewis, Michael Keaton e Andy Garcia.

Originalmente, Jonathan Demme queria que um ator cômico como Bill Murray ou Robin Williams interpretasse o papel de Joe Miller, pois ele sentiu que seria uma ótima forma de balancear todo o drama do personagem de Hanks. No entanto, quando Washington o procurou, ele desistiu da idéia, pois estava querendo trabalhar com ele havia muito tempo. O personagem de Denzel Washington era inicialmente um homem ítalo-americano chamado Joe Martino.[3]

Quando Andy sai do escritório de Joe pela primeira vez, ele pára em frente a uma janela na rua em que se lê "Macready & Shilts". Isso foi uma referência ao jornalista Randy Shilts, que escreveu a história sobre AIDS And the Band Played On (que virou o filme de sucesso) e viria a morrer pouco antes da estréia do filme.

O filme foi o segundo de grande orçamento de Hollywood a mostrar a epidemia da AIDS nos Estados Unidos, seguindo-se a And the Band Played On. É também considerado grande divisor em relação à forma como gays e lésbicas eram apresentados no cinema, abrindo caminho para O Segredo de Brokeback Mountain. No entanto, o fato de os personagens de Hanks e Banderas não se beijarem durante todo o filme (nem na intimidade) trouxe críticas da comunidade LGBT. Numa entrevista ao documentário The Celluloid Closet de 1996, Hanks diz que algumas cenas entre seu personagem e o de Banderas (como a dos dois dividindo uma mesma cama) foram consideradas mais "picantes" e cortadas da edição final do filme. Tal cena foi editada provavelmente para que o filme pudesse receber uma classificação indicativa de 13 anos. Anos mais tarde, ao ser lançado em DVD, o filme apresentava tal cena.

Inspiração[editar | editar código-fonte]

Os eventos do filme são semelhantes aos eventos na vida dos advogados Geoffrey Bowers e Clarence B. Caim.

Bowers foi um advogado que em 1987 processou o escritório de advocacia Baker & McKenzie por despedimento sem justa causa, em um dos primeiros casos de discriminação da AIDS. Caim era um advogado para Hyatt Legal Services que foi demitido após seu patrão descobriu que tinha AIDS. Ele processou Hyatt, em 1990, e ganhou pouco antes de sua morte.[4]

Família Bowers processou os escritores e produtores. Um ano após a morte de Bowers, o produtor Scott Rudin entrevistou a família Bowers e seus advogados e, de acordo com a família, prometeu compensação pela utilização da história de Bowers como base para o filme. Os membros da família afirmou que 54 cenas do filme são tão semelhantes aos acontecimentos na vida de Bowers que alguns deles só poderia ter vindo de suas entrevistas. No entanto, a defesa disse que Rudin abandonou o projeto após a contratação de um escritor e não compartilhar qualquer informação que a família tinha fornecido.[5] O processo foi resolvido depois de cinco dias de depoimentos. Apesar de termos do acordo não foram divulgados, os acusados ​​admitiram que "o filme" foi inspirado em parte" com a história de Bowers.[6]

Jonathan Demme afirmou que ele foi transferido para dirigir o filme depois de um amigo dele, o ilustrador Juan Suarez Botas, foi diagnosticado com AIDS.

Lançamento[editar | editar código-fonte]

Bilheteria[editar | editar código-fonte]

Filadélfia foi originalmente lançado em 24 de dezembro de 1993, para um fim de semana de abertura limitada de apenas 4 cinemas e arrecadou $143,433 com uma média de $35,858 por cinema. O filme expandiu seu lançamento em 14 de janeiro de 1994 a 1,245 cinemas e abriu em #1, arrecadando $13,817,010 em relação ao 4-dia de Martin Luther King, Jr. fim de semana, com média de $11,098 por cinema. O filme ficou em #1 na semana seguinte, ganhando outra $8,830,605.

Em seu fim de semana 14, o fim de semana após o Oscar, o filme foi expandido para 888 cinemas, e viu o seu aumento bruto em 70 por cento, tornando $1,941,168 e saltando de #15 no fim de semana anterior (quando fez $1,141,408 a partir de 673 cinemas), para voltar ao top 10 do ranking em #8 no fim de semana.

Filadélfia eventualmente arrecadou $77,446,440 na América do Norte e $129,232,000 no exterior para um total mundial de $206,678,440 contra um orçamento de apenas $26 milhões, tornando-se um enorme sucesso de bilheteria, e tornando-se o 12º filme de maior bilheteria nos EUA de 1993.[1]

Reação[editar | editar código-fonte]

O filme foi o segundo de grande orçamento de Hollywood, o filme de grande estrela para abordar a questão da AIDS nos EUA (após o filme de TV And the Band Played On) e sinalizou uma mudança em filmes de Hollywood para representações mais realistas de gays e lésbicas. De acordo com uma entrevista de Tom Hanks para o documentário de 1996 The Celluloid Closet, cenas que mostram mais afeição entre ele e Banderas foram cortados, incluindo um com ele e Banderas juntos na cama. A edição em DVD, produzido por Automat Pictures, inclui esta cena.[7]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Filadélfia recebeu críticas em sua maioria positivas dos críticos, conquistando um índice de aprovação de 77% no canteiro de crítico de cinema on-line Rotten Tomatoes, com base em 47 comentários, com uma classificação média de 6.6/10.[8]

Principais prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Festival de Cinema de Berlim 1994 (Alemanha)

Oscar 1994 (EUA)

Globo de Ouro 1994 (EUA)

  • Vencedor do prêmio de melhor ator dramático (Tom Hanks)
  • Vencedor do prêmio de melhor canção original (Bruce Springsteen com "Streets of Philadelphia")
  • Indicado ao prêmio de melhor roteiro (Ron Nyswaner)

Grammy 1995 (EUA)

  • Vencedor do prêmio de melhor canção escrita especialmente para um filme (Bruce Springsteen com Streets of Philadelphia)

BAFTA 1995 (Reino Unido)

  • Indicado ao prêmio de melhor roteiro original (Ron Nyswaner)

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

A trilha sonora foi lançada em 1993, contendo a música principal no filme.[9]

Lista de faixas[editar | editar código-fonte]

# Título Artista(s) Duração
1. "Streets of Philadelphia"   Bruce Springsteen 3:56
2. "Lovetown"   Peter Gabriel 5:29
3. "It's in Your Eyes"   Pauletta Washington 3:46
4. "Ibo Lele (Dreams Come True)"   RAM 4:15
5. "Please Send Me Someone to Love"   Sade 3:44
6. "Have You Ever Seen the Rain?"   Spin Doctors 2:41
7. "I Don't Wanna Talk About It"   Indigo Girls 3:41
8. "La mamma morta" (Da Ópera Andrea Chénier) Maria Callas 4:53
9. "Philadelphia"   Neil Young 4:06
10. "Precedent"   Howard Shore 4:03

O álbum foi relançado em 2008, na França, apenas como um CD conjunto e pacote de DVD com o filme em si, no entanto, a lista de faixas permaneceu a mesma. O número de catálogo é 88697 322052 em ambas as etiquetas clássicas da Sony BMG Music Entertainment e Sony com números de catálogo idênticos.[10]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]