Jean-François de La Pérouse

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Jean-François de La Pérouse
Busto de La Pérouse, de François Rude (1784-1855) em 1828
Nascimento 23 de agosto de 1741
Albi
Morte 1788 (47 anos)
Nacionalidade França Francês
Ocupação Navegador

Jean François Galaup, conde de la Pérouse (ou de Lapérouse) (Albi, 23 de Agosto de 1741 — No mar, perto das Ilhas Salomão ? 1788) foi um navegador francês. A expedição naval de circum-navegação que dirigia desapareceu por completo em 1788 em Vanikoro, Ilhas Salomão.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Entrou na Marinha aos 15 anos, em 1756. Durante o seu período escolar, em Brest, viu-se envolvido aos 17 anos nos conflitos marítimos da Guerra dos Sete Anos contra a Inglaterra, ao largo da América do Norte, em especial na Terra Nova e no rio São Lourenço, tal como nas Antilhas. Aos 18 anos, é ferido e feito prisioneiro durante a Batalha dos Cardeais, perto de Quiberon, que libertou o Mariscal de Conflans e o Almirante Hawke. Após outra série de actividades na costa francesa, permanece durante cinco anos na Maurícia (então ilha de França), e leva a cabo distintas missões nas ilhas próximas.

É encarregado da direcção de duas viagens às Índias como comandante do Seine. Ali conhece Eléonore Broudou, sua futura mulher, uma jovem crioula de modesta origem. De volta a França em 1777, é nomeado tenente de navio e recebe como recompensa a Cruz de São Luís, ao ter salvo Mahé dos assaltantes indianos.

Volta a participar nas lutas contra os ingleses na guerra da independência dos Estados Unidos. Luta nas Antilhas e na península do Labrador (expedição da Baía de Hudson). Nestes combates demonstra o seu valor marítimo e militar, ao capturar dois fortes britânicos. Com 39 anos é feito capitão de navío, devido à sua brilhante trajectória nesta guerra. Casa com Eléonore Broudou em 1783, apesar das objecções do seu pai. O casal viverá em Albi.

Após o tratado de Paris, o ministro da Marinha de Castries e o rei Luís XVI escolheram-no para dirigir una expedição à volta do mundo, cujo objetivo era completar os descobrimentos de James Cook no Oceano Pacífico. A expedição, que tinha 220 homens, deixa Brest em Agosto de 1785 com dois navios, o Boussole e o Astrolabe, barcos mercantes de 500 toneladas remodelados como fragatas para esta ocasião. Antes, na candidatura por um lugar no navio, figurava-se um jovem de 16 anos: Napoleão Bonaparte, mas não foi escolhido e ficou em França.

Entre os participantes na expedição, havia numerosos cientistas: um astrónomo, um médico, três naturalistas, um matemático, três desenhadores e sacerdotes que contavam con uma formação técnica. A expedição tinha vários objectivos: geográficos, científicos, etnológicos, económicos (prospecção das possibilidades de caça de baleias ou de peles), mas também tinha objectivos políticos e pretendia estabelecer bases francesas ou de cooperação colonial com os aliados espanhóis (nas Filipinas).

Assim o que se lhe propôs foi um programa de exploração planetário no Pacífico Norte e no Pacífico sul, incluindo as costas do Extremo Oriente e da Austrália.

Estátua de Jean François Galaup, Conde de la Pérouse, em Albi (Tarn).

A expedição rodeia o cabo Horn, leva a cabo um reconhecimento da colónia espanhola do Chile e passa pelas ilhas de Páscoa e do Hawaii, navega até ao Alaska, onde la Pérouse desembarca perto do monte de Santo Elias em finais de Junho de 1786 e explora os arredores. Uma barca e duas chalupas que transportavam 21 homens perderam-se nas violentas correntes da Baía chamada "Porto dos Franceses" por la Pérouse (hoje Baía de Lituya). Visitou Monterrey, onde examinou as missões franciscanas e elaborou notas críticas no que se referia ao tratamento dado aos Ameríndios.

Voltou a atravessar o Pacífico, dirigindo-se a Macau, onde vendeu as peles que tinha comprado no Alaska, repartindo os benefícios com a sua tripulação. No ano seguinte, após uma visita a Manila, dirigiu-se para a costa nordeste da Ásia. Descobriu as ilhas Quelquepart (Jeju-do), que só haviam sido visitadas uma vez por europeus, um grupo de holandeses que tinha naufragado em 1635. Visitou a península da Coreia, indo depois a Oku-Yeso (ilhas de Sacalina).

Os habitantes de Hokkaido ilustraram-lhe um mapa, mas não foi capaz de encontrar o estreito e rumou para norte até à península de Kamchatka, onde chegou em Setembro de 1787. Recebeu instruções de Paris por meio de Barthélemy de Lesseps, vice-cônsul da França em Kronstadt e tio do construtor do Canal de Suez, para fazer um relatório sobre a colonização da Austrália.

Deteve-se na Samoa. Imediatamente antes da sua partida, os Samoanos atacaram os seus homems e mataram doze, entre os quais estava o segundo oficial da expedição, Fleuriot de Langle, comandante do l'Astrolabe. Navegou de seguida até à Baía Botanique em Sydney, onde chegou a 26 de Janeiro de 1788, no mesmo momento em que o capitão Arthur Phillip transferia a colónia em Port Jackson. Os britânicos receberam-no cortezmente, mas não puderam proporcionar-lhe alimento, já que não dispunham de recursos.

Entregou os seus diários e cartas para que chegassem à Europa, e conseguiu madeira e água fresca. Partiu para a Nova Caledónia, Santa Cruz, as ilhas Salomão, o Arquipélago das Luisíadas e as costas do oeste e do sul da Austrália. Não foi mais visto nem ele nem nenhum dos seus homems.

La Pérouse.

Busca da expedição de La Pérouse[editar | editar código-fonte]

Em Maio de 2005 identificaram-se oficialmente os restos que se tinham encontrado perto de Vanikoro (ilhas Salomão), primeiro em 1827 e outra vez em 1964, como os dos navios Boussole e Astrolabe. Um sextante que se encontrou num dos restos tinha a inscrição "Mercier" numa placa de latão; o inventário do Boussole indicava a presença de um sextante, que tinha sido entregue pela Academia Real de Marinha e que era fabricado por "sieur Mercier". Além disso, descobriram-se restos de acampamentos na ilha, e a tradição oral autóctone parece ter conservado a noção de um naufrágio contemporâneo ao de la Pérouse.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]