John Jacob Astor IV

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John Jacob Astor IV
John Jacob Astor, por volta de 1895
Nascimento 13 de julho de 1864
Rhinebeck, Nova Iorque
Morte 15 de abril de 1912 (47 anos)
RMS Titanic, Oceano Atlântico
Ocupação Empresário, escritor

O Tenente-Coronel John Jacob Astor IV (13 de julho de 186415 de abril de 1912) foi um bilionário americano, tendo sido empresário no ramo da imobiliária, investidor, inventor, autor e militar durante a Guerra Hispano-Americana, em 1898. Astor era uma pessoa distinta no seio da sociedade, possuindo "mais hotéis e arranha-céus do que qualquer outro Nova Iorquino" e dirigindo mais de vinte empresas de importância, dentre elas os caminhos-de-ferro.

Astor embarcou na viagem inaugural do navio transatlântico RMS Titanic, da White Star Line, onde era o indivíduo mais abastado entre os passageiros. Quando o navio naufragou, a amante grávida e a sua enfermeira salvaram-se devido à gravidez. John Jacob Astor IV tentou entrar num bote, embora este pedido fosse negado, cedendo assim o lugar a duas crianças.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Juventude[editar | editar código-fonte]

John Jacob Astor IV nasceu a 13 de junho de 1864, na propriedade da família em Ferncliff, Rhinebeck-on-the-Hudson. Era neto de John Jacob Astor, cuja fortuna oriunda do comércio de ópio, peles e imobiliária tornou a família Astor uma das mais abastadas dos Estados Unidos, na época. Astor frequentou a St. Paul's School, em Concord, New Hampshire e, mais tarde, a Universidade de Harvard, de onde se formou em 1888.[1]

Por esta altura, levou a cabo extensas viagens pela Europa e pelo Oriente. Regressou ao Estados Unidos para gerir as propriedades que o seu pai lhe havia deixado. Contrariamente ao seu primo William Waldorf Astor, que se tornou subdito da Coroa britânica, Astor declarou repetidamente que sentia orgulho em ser americano.[2]

Em 1891, Astor casou-se com Ava Lowle Willing, uma socialite americana. O casal teve dois filhos: William Vincent Astor, nascido em 1891 e Ava Alice Muriel Astor, nascida em 1902. Pouco tempo depois do casamento, Astor empreendeu a construção de grandes hotéis, mais notavelmente o Waldorf (mais tarde designado por Waldorf-Astoria devido à fusão dos dois).[2]

Guerra Hispano-Americana[editar | editar código-fonte]

Quando a Guerra Hispano-Americana se desencadeou, em 1898, John Jacob Astor ofereceu os seus préstimos ao Exército Americano. Voluntariou-se para fornecer armamento a uma bateria de soldados, e ofereceu-se para os acompanhar numa posição subordinada. A sua oferta foi aceite, contudo, foram-se encarregues as funções de inspetor militar. Quando a operação militar teve início em Santiago de Cuba, a embarcação em que Astor se encontrava foi alvo de uma saraivada de balas. Durante a batalha em El Paso, Astor esteve presente, tendo sido o seu cavalo alvejado pelas tropas espanholas.[2]

No fim da guerra, foi-lhe atribuido o título honorário de Tenente-Coronel, por "serviço fiel e meritório". Durante o curso da sua carreira militar, Astor esteve aínda nas Filipinas.[2]

Divórcio e segundo casamento[editar | editar código-fonte]

Pouco tempo depois, saiu a público que as relações com a sua esposa não eram harmoniosas, e que o casal nunca estava junto quando viajava no estrangeiro. O divórcio que estava iminente teve lugar a 8 de novembro de 1909, tendo sido tratado em privado e de um modo subtil, de modo a que os papéis nunca tivessem chegado a público. A Sra. Astor ficou encarregue da filha, Alice, enquanto o filho Vincent ficou à responsabilidade do Coronel.[2]

Poucos dias depois, iniciou-se uma busca a nível mundial para o Coronel Astor e o seu filho, que tinham sido vistos pela última vez no seu iate, o qual se acreditava teria naufragado. Quatro dias depois, todavia, os dois Astors deram notícias de si em Porto Rico, ambos ignorantes do alarme que tinha sido levantado relativamente aos seus desaparecimentos.[2]

John Jacob Astor e a sua segunda esposa, Madeleine Astor, em 1911.

Numa época em que o divórcio era algo escandaloso, Astor chocou toda a sociedade ao anunciar o seu noivado em julho de 1911 com Madeleine Talmage Force, uma jovem de dezoito anos. Casaram-se a 9 de setembro de 1911, em Newport, Rhode Island.[2]

O casal ausentou-se numa lua-de-mel alongada na Europa e no Egito. Madeleine engravidou durante a viagem e, desejando que o filho nascesse em solo americano, o casal reservou bilhetes no novo transatlântico da White Star Line, o RMS Titanic em abril de 1912, que iria realizar a sua viagem inaugural até Nova Iorque.[2]

A bordo do Titanic[editar | editar código-fonte]

O casal embarcou no transatlântico na tarde do dia 10 de abril de 1912 em Cherburgo, na França. Ocuparam os quartos C-62 e C-64, na Primeira Classe, e fizeram-se acompanhar pelo valet do Coronel, Victor Robbins; a empregada de Madeleine, Rosalie Bidois; e a sua enfermeira Caroline Louise Endres. Levaram também com eles o seu airedale terrier, Kitty. O casal era o mais rico a bordo do navio.[1]

Às 23:40h, na noite de 14 de abril, o Titanic colidiu com um iceberg, abrindo o navio para o mar. Apenas alguns momentos depois, o Coronel Astor informou o ocorrido a sua esposa, lhe assegurando que o incidente não parecia ser grave. À medida que a noite progredia, o barco começou a afundar e os botes salva-vidas foram lançados ao mar com passageiros. Os Astors, que tinham subido ao Convés Principal, abrigaram-se do frio no Ginásio, onde se sentaram nas bicicletas estácionárias; o Coronel encontrou um colete salva-vidas excedente e mostrou à sua esposa do que era feito ao furá-lo com canivete.[1]

Quando o Segundo Oficial Charles Lightoller chegou ao Convés A para admitir passageiros no Bote 4, John Jacob Astor ajudou a esposa, a criada e a enfermeira a entrar. Astor perguntou ao oficial se se podia juntar à sua esposa devido à sua "condição delicada" (a sua gravidez), mas Lightoller barrou-lhe a entrada seguindo a norma que priorizava o salvamento de mulheres e crianças. O bote foi lançado ao mar às 01:55h, e Astor permaneceu sozinho no Convés.[1] Astor foi visto pela última vez perto da ponte de comando, fumando um cigarro com Jacques Futrelle. Meia hora mais tarde, o navio desaparecia por completo debaixo do oceano. Ele foi visto pela última vez viva por sobrevivente Philip Mock agarrado a uma balsa com William Stead. "Seus pés ficaram congelados", relatou Mock ", e eles foram obrigados a liberar sua espera. Ambos foram afogados."[3] Madeleine, a empregada e a enfermeira sobreviveram; Astor e o seu valet não.

Depois do naufrágio, vários navios foram enviados ao local onde o Titanic se afundara para recuperar os corpos dos mortos no desastre: dos 1517 passageiros e tripulação que se perderam, apenas 333 corpos foram encontrados. O corpo de Astor foi encontrado a 22 de abril, pelo CS Mackay-Bennett, tendo sido identificado pelo monograma no seu casaco. De entre os objetos encontrados com ele estavam um relógio de bolso em ouro, que o seu filho Vincent reclamou e usou para o resto da sua vida.

Astor foi enterrado no Trinity Church Cemetery, em Nova Iorque. A 14 de agosto de 1912, Madeleine deu à luz, nascendo o seu filho, John Jacob Astor VI.[1]

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Referências

  1. a b c d e "Colonel John Jacob Astor", Encyclopedia Titanica. Acedido a 30 de janeiro de 2012.
  2. a b c d e f g h "Obituário - COL. JOHN JACOB ASTOR: Wealthy Society Man and an Author and Inventor as Well", Encyclopedia Titanica. Acedido a 30 de janeiro de 2012.
  3. "Stead and Astor cling to Raft" (Worcester Telegram, 20 April 1912) at www.attackingthedevil.co.uk