Juruti

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Município de Juruti
Bandeira de Juruti
Brasão de Juruti
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 9 de abril
Fundação 1818. Emancipação 9 de abril de 1883[1]
Gentílico jurutiense[1]
Prefeito(a) Marco Aurélio Dolzane do Couto (PSD)
(2013–2016)
Localização
Localização de Juruti
Localização de Juruti no Pará
Juruti está localizado em: Brasil
Juruti
Localização de Juruti no Brasil
02° 09' 07" S 56° 05' 31" O02° 09' 07" S 56° 05' 31" O
Unidade federativa Pará Pará
Mesorregião Baixo Amazonas[1] IBGE/2008 [2]
Microrregião Óbidos IBGE/2008 [2]
Municípios limítrofes Norte: Óbidos e Oriximiná; Leste: Santarém; Sul: Aveiro; Oeste: Terra Santa e estado do Amazonas.
Distância até a capital 848 km
Características geográficas
Área 8 303,966 km² [3]
População 51 483 hab. IBGE/2013[4]
Densidade 6,2 hab./km²
Altitude 36 m
Clima Equatorial quente e úmido.
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,592 baixo PNUD/2010[5]
PIB R$ 495 803,003 mil IBGE/2012[6]
PIB per capita R$ 10 019,06 IBGE/2012[6]
Página oficial

Juruti é um município brasileiro do estado do Pará. Está localizado na divisa com o estado do Amazonas. Segundo o Censo do IBGE para 2010, tem 47.123 habitantes[4] . O município de Juruti pertence à Mesorregião do Baixo Amazonas e a Microrregião de Óbidos.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Juruti é um topônimo de origem Tupi que significa "colo firme" em alusão ao aspecto das aves da espécie Leptotila. Da família dos columbiformes a qual fica com o pescoço teso no momento de seu canto, a espécie era encontrada em grande quantidade no período da formação do município.

História[editar | editar código-fonte]

A região onde se encontra o município de Juruti historicamente em períodos distintos teve seus territórios habitados pelas etnias Pocós e Kondurís os quais eram povos nativos de todo o Baixo Amazonas (oeste do Pará). De acordo com registros do naturalista Domingos Soares Ferreira Pena, no local onde se estabeleceu a Missão Jesuíta de Nossa Senhora da Saúde fora uma aldeia dos índios Mundurucus,[7] localizada sobre as praias brancas do Lago Juruti.

Inicialmente os índios foram catequizados por missionários Capuchinhos e assim fundaram o que seria o atual município de Juruti em 1818, que esteve sujeito à direção de um missionário com poderes paroquiais[nota 1] , o padre Antonio Manuel Sanches de Brito. Possuía uma pequena igreja que havia sido construída pelos indígenas da região que em tudo dependia do auxilio da fazenda pública do Pará.

Elevação à Freguesia[editar | editar código-fonte]

O município teve a categoria elevada à Freguesia sob o nome de "Nossa Senhora da Saúde" dada pelo governo provincial do Grão-Pará em execução a Lei Geral do Império de 29 de novembro de 1832 que a considerou como fazendo parte do Termo de Faro nas Sessões do Conselho do governo da Província do Pará. Quando foi realizada a divisão da Província do Grão-Pará em termos e comarcas - Grão-Pará, Baixo Amazonas e Alto Amazonas entre 1832 e 1833, a localidade adquiriu categoria de Freguesia, ficando integrada ao Termo de Faro (atual município de Faro). Nessa época, estabeleceu-se também, o limite ocidental da então criada Freguesia de Nossa Senhora da Saúde de Juruti, na serra de Parintins, com os estados do Pará e Amazonas.

Em 1855 era Vigário da Freguesia de Juruti o padre João Monteiro da Cunha que em obediência a Lei Geral do império Nº 601 de 18 de setembro de 1850 e de seu regulamento baixado com o Decreto Nº 1.318 de 30 de janeiro de 1854 recebeu e registrou as declarações de posse de terras na Freguesia com número superior a 300 até na serra de Parintins.

Transferência da Sede Municipal[editar | editar código-fonte]

Em 3 de Dezembro de 1859, de acordo com o relatório do presidente da província do Pará o Tenente Coronel de Frias e Vasconcellos, foi enviado a sua ordem o engenheiro 1º Tenente Joaquim Rodrigues de Moraes Jardim, com instruções precisas e necessárias de estudar os lugares possíveis e escolher o ponto mais conveniente para que então pudesse ser feito o assento da nova povoação da Freguesia de Nossa Senhora da Saúde. Foi escolhido o lugar na margem direita do rio Amazonas entre a ponta do Maracá-açú e a boca do igarapé do Balaio, com a justificativa de "reunir as melhores vantagens e condições favoráveis para o assentamento da nova povoação", pois sua elevação era "bastante considerável" ficando "segura das maiores enchentes que o Rio Amazonas podia apresentar", sendo o terreno "bastante sólido" o que proporciona "melhores condições para a edificação de prédios". Outro fator para escolha do assentamento, estava na disposição de mão-de-obra escrava dos índios Mundurucus, que poderiam ser utilizados na construção da freguesia. Este fato colaborou para a extinção dos povos indígenas da região de Juruti.

No ano de 1872, em execução ao Decreto Imperial Nº 1.083 a Freguesia de Nossa Senhora da Saúde apresentou um candidato indicado pelos missionários para concorrer a uma vaga na Câmara de Vogais de Óbidos (Câmara de Vereadores) para representar a Freguesia.

Com a Lei provincial do Pará Nº 930 de 15 de julho de 1879 Juruti passou a ser ponto de escala da navegação a vapor subvencionada pela Província do Pará que se estendeu posteriormente até Santa Júlia.

Emancipação Municipal[editar | editar código-fonte]

Em 9 de abril de 1883, sob a Lei Provincial do Pará de nº 1152, Juruti instala-se como município por delegação do Governador da Província, Rufino Enéas Gustavo Galvão. A instalação do município se deu por ordem do Capitão João Rodrigues, presidente da Câmara de Óbidos, onde declarou empossados os primeiros vogais (vereadores) para atuarem Câmara Municipal Juruti. Os vogais (vereadores) empossados foram: Marceonilo Alves Pontes, José Cavalcante Rodrigues de Souza, Antônio Bertoldo de Souza, João Paulo da Silva, Manuel Mâncio de Souza e Inácio José Santarém.

Contudo o reconhecimento como município somente aconteceu por efeito de jurisdição, na legislatura de 1885, quando de fato ocorreram as eleições na qual foram escolhidos os novos representantes políticos que atuariam no quadriênio. Já com os novos representantes eleitos em 1885, assumiu a presidência da Câmara o vogal mais velho, Marceonilo Pontes, e por haver falecido o vereador João Hipólito Teixeira foi substituído por Antonio Bertoldo Torres de Souza. O primeiro secretário da Câmara foi Francisco Rodrigues Lobo Bentes. A segunda e última Câmara da Monarquia era constituída por Sesino José Tavares presidente; vereadores: Joaquim Dionísio Batista, Manoel Maurício de Souza, Manoel Pereira da Costa e José Bento Lobo.

Com a proclamação da República, o governo provisório do estado dissolveu câmara municipal, criando em seguida um Conselho de Intendência Municipal para o qual nomeou como presidente Dário Rodrigues de Souza; e vogais Joaquim Felipe Batista Gonzaga, Joaquim José de Souza, José Bento Lobo, José Pereira da Costa, Sesino Tavares e José Edmundo Jeffrey.

Juruti-Velho - Vila Muirapinima[editar | editar código-fonte]

A Lei estadual de Nº 687 de 23 de março de 1900 deu melhoras ao distrito de Juruti-Velho dando-lhe a denominação de Vila Muirapinima. Em consequências de dissecções políticas no município, conjuntamente com os de Quatipuru e Oriximiná, foi extinto o município de Juruti pela Lei de nº 729 de 3 de abril de 1900, anexando o respectivo território aos municípios de Faro e Óbidos. Juruti permaneceu extinto por 13 anos. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o território de Juruti figura como parte de Faro e Óbidos.

Restauração da Emancipação[editar | editar código-fonte]

O Legislativo estadual do Pará em 1913 com a Lei de Nº 1295 de 8 de março sancionado pelo governador Enéas Martins restabeleceu o antigo município de Juruti. O Decreto de Nº 3.031 de 17 de novembro de 1913 marcou o dia 2 de março de 1914 para eleição do intendente de vogais do Conselho municipal de Juruti, com data modificada para o dia 1º do mesmo mês e ano pelo Decreto de Nº 3.053 de 31 de janeiro de 1914.

No dia 3 de maio de 1914, teve o lugar a reinstalação do município marcado pelo decreto estadual do Pará nº 3.083 com a posse do intendente e vogais eleitos. Em 1920, o município de Juruti aparece formado por somente o distrito-sede. Sofreu, porém, em face do decreto estadual nº 6, de 4 de novembro de 1930, nova supressão, ficando-lhe o território sob a administração direta do estado. Tais disposições confirmou-as o decreto estadual Nº 78, de 27 de dezembro de 1930. Já a Lei estadual nº 8, de 31 de outubro de 1935, ao relacionar os municípios do Pará, inclui, entre eles, o de Juruti, que, nessa categoria, figura nos quadros da divisão territorial, de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, subdividido em 2 distritos: Juruti e Lago Grande de Vila Franca. De acordo com o quadro anexo ao Decreto-Lei estadual Nº 2.972 de 31 de março de 1938, bem como da divisão territorial do Estado, vigente no quinquênio 1939-1943, e estabelecida pelo Decreto-Lei estadual Nº 3.131, de 31 de outubro de 1938, o município de Juruti constitui-se de apenas o distrito-sede, que compreende, todavia, duas zonas: a de Juruti e a do Lago Grande de Vila Franca.

No ano de 1942 em decorrência da Segunda Guerra Mundial houve uma intensa imigração de japoneses para Juruti. Instalaram na Vila Amazônia, local pertencente ao município de Parintins no estado do Amazonas, de onde vieram famílias de Japoneses para Juruti.

Na divisão territorial que o decreto-Lei estadual nº 4.505, de 30 de dezembro de 1943, fixou para vigorar no quinquênio 1944-1948, apresenta-se integrado, como anteriormente, por unicamente o distrito-sede. Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960, o município é constituído do distrito-sede, assim permanece em divisão territorial até os dias de hoje.

Fatos recentes[editar | editar código-fonte]

Nas décadas de 1980 e 1990 ocorreu o fenômeno das terras caídas no município de Juruti. Esse fenômeno fez grandes mudanças na cidade, principalmente no que diz respeito à questão econômica, infraestrutura e também na memória dos jurutienses.

Em meados dos anos de 2004/2005 instala-se em Juruti um audacioso projeto de mineração, o Projeto Juruti, que explora minério de bauxita de excelência, a empresa que faz a exploração é a gigante Norte Americana, a multinacional Alcoa. Com tal exploração a empresa fez um acordo com o município para fazer melhorias na cidade e no interior: A Agenda Positiva.

Pela Lei Municipal nº 941, de 31 de outubro de 2006 o município está dividido administrativamente em quatro distritos: Sede, sendo a própria cidade Juruti; Tabatinga, com sede na Vila de Tabatinga; Castanhal, com o sede na Vila Castanhal e Juruti-Velho (Muirapinima) sendo sua sede a Vila de Juruti-Velho (Vila Muirapinima).

Em 2011 Juruti e toda a região oeste do Pará, lutou pela sua emancipação política, com o objetivo de criar estado do Tapajós.[8] A população local votou maciçamente pela divisão, tendo mais de 90% de aprovação.[9] Entretanto o peso demográfico da Região Metropolitana de Belém se sobrepôs ao anseio local, e a divisão para criação do Tapajós foi rejeitada. Entretanto o município e sua região permanecem lutando pela sua emancipação.[10]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma latitude 02º09'08" sul e a uma longitude 56º05'32" oeste, estando a uma altitude de 36 metros. Sua população estimada em 2009 era de 35.530 habitantes.

Notas e referências

Notas

  1. O "missionário com poderes paroquiais" dispunha de poderes administrativos equivalentes ao atual cargo de "Presidente da Câmara de Vereadores"

Referências

  1. a b c Juruti (PDF) IBGE. Visitado em 26/04/2011.
  2. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  3. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  4. a b Estimativa Populacional 2013 (PDF) Censo Populacional 2013 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1º de julho de 2013). Visitado em 29 de agosto de 2012.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Visitado em 21 de setembro de 2013.
  6. a b PIBMunicipal2008-2012 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 15 dez. 2014.
  7. As Missões Jesuítas no Rio Tapajós NoTapajós.
  8. Audiência pública em Juruti debate a criação do estado do Tapajós Chupa Osso.
  9. Resultado do plebiscito por município - Carajás Camaléo.
  10. Apenas 4 cidades que integrariam Tapajós votaram contra divisão do PA G1.

Historiadores Responsáveis[editar | editar código-fonte]

  • Ana Lúcia Batista.
  • Denner Brito da Silva.
  • José Maria Pinheiro Lima.
  • José Roberto Ferreira.
  • Marieldiza da Silva Souza.
  • Robenildo de Souza Pimentel.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SCIENTIA Consultoria.
  • PENA, Domingos Soares Ferreira. A Instrução na Província no Pará. O Colombo. Belém. 13 de maio de 1869.
  • MUNIZ, João Palma. Delimitação Intermunicipal do Estado do Grão- Pará. Tomo 9. Belém 1916.
  • SILVA, Denner Brito da. A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DA FREGUESIA DE NOSSA SENHORA DA SAÚDE: Uma abordagem sobre o processo político de formação do município de Juruti – Pará – 1859 a 1883. Monografia de graduação do curso de História UFPA 2011.
  • História da Paróquia de Juruti baseada nos documentos e com citações autênticas.
  • PENA, Domingos Soares Ferreira. A Instrução na Província no Pará. O Colombo. Belém. 13 de maio de 1869.
  • PIMENTEL, Robenildo de Souza. Memórias do bairro da Terra Preta: Um estudo histórico do antigo bairro - lembranças dos ex-moradores. Monografia de graduação do curso de História UFPA 2010.
  • LIMA, José Maria Pinheiro. A Cidade ficou toda triste: um estudo histórico das terras caídas em Juruti-PA 1985 a 1993. Monografia do curso de História UFPA 2009

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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